MAIS UM LANÇAMENTO/ MEU NOME É LIVARDO; Gilvan de Brito


O ADEUS DO MUNDO A FRANCISCO – O PAPA DOS POBRES Por Rui Leitao
O dia de hoje amanheceu mais triste para o mundo inteiro, com a notícia da morte do Papa Francisco. Seu pontificado foi marcado por posições que o colocavam como um pontífice reformista, pioneiro, inovador. Sua postura progressista encontrou oposição das alas ultraconservadoras da Igreja, chegando, inclusive, a ser chamado de comunista pela extrema-direita.
Foi o primeiro papa latino-americano, nascido na Argentina. No conclave em que foi eleito, só teve seu nome aclamado após a quinta votação. Foi, também, o primeiro jesuíta a ser nomeado papa, bem como o primeiro a suceder um pontífice ainda vivo. Portanto, chegou ao Vaticano, em março de 2013, dando demonstrações de que seria um papa diferente.
Quando decidiu ser chamado por Francisco, tendo como referência São Francisco de Assis, mandou a mensagem de sua opção pelos pobres, sendo esse o caminho que desejava trilhar durante seu pontificado. Abdicou da moradia no Palácio Apostólico, passando a residir em um quarto de hotel da Casa Santa Marta, no Vaticano. Queria uma Igreja próxima do povo. Foi radical na defesa da justiça social, defendendo a criação de políticas de redução da desigualdade social.
Na sua visão de mundo, surpreendeu pelas posições assumidas, tais como: a preocupação com os impactos ambientais causados pela humanidade; a flexibilização das políticas imigratórias, de forma a garantir aos refugiados o acolhimento amistoso; o celibato entre os sacerdotes da Igreja Católica; enfrentou, corajosamente, temas polêmicos como o divórcio, a homossexualidade e o uso de métodos anticoncepcionais; defendeu punições maiores contra a pedofilia e criticou o isolamento do Vaticano.
O frade dominicano brasileiro Frei Betto assim o definia: “O Papa Francisco incentivou os sínodos, as assembleias de bispos, para democratizar a estrutura autoritária da Igreja. Foi um contraste em relação aos 35 anos anteriores, nos pontificados conservadores de João Paulo II e Bento XVI. Com Bergoglio, não havia tabu.”
Não foi a Igreja Católica que perdeu seu Sumo Pontífice. Foi o mundo que perdeu um líder diferenciado, promotor da paz mundial e defensor intransigente da dignidade humana, buscando sempre uma sociedade mais fraterna e mais justa, como pregava Jesus Cristo. Não sabemos, ainda, quem o substituirá, mas, com certeza, ele vai fazer muita falta. Deus já deve tê-lo acolhido em Seus braços.
www.reporteriedoferreira.com.br /Rui Leitão, advogado, jornalista, poeta, escritor
O MASSACRE DE ELDORADO DO CARAJÁS Por Rui Leitao
O município de Eldorado do Carajás, no sul do Pará, foi palco de um genocídio que passou a ser conhecido como o Massacre de Eldorado do Carajás. No início da tarde do dia 17 de abril de 1996, cerca de 1,5 mil trabalhadores rurais estavam acampados no local, pretendendo marchar até a capital do estado, com o propósito de conseguir a desapropriação da fazenda Macaxeira, ocupada por 3,5 mil famílias sem-terra. Por volta das 17 horas, reagindo ao bloqueio da estrada PA-150, no km 95, que liga a Belém, dois pelotões das forças militares chegaram ao local e, sem que houvesse qualquer tentativa de negociação, empreenderam uma ação desastrosa, promovendo o ataque aos acampados, matando 19 trabalhadores e deixando 56 gravemente feridos.
Não se tratou de um caso isolado, mas foi o episódio mais cruel de tantos que aconteceram no meio rural, onde se repetiam conflitos entre agricultores e milícias privadas, formadas por jagunços e pistoleiros, patrocinadas por proprietários rurais com a colaboração de policiais militares. O massacre foi amplamente noticiado pelos meios de comunicação do país, com repercussão no cenário político nacional. Os principais jornais do Brasil destacaram a forma como os detentores dos poderes públicos procuraram enfrentar essa situação gravíssima. O jornal O Povo, de Fortaleza, no dia 21, trazia a seguinte manchete: “FHC pede cadeia para o responsável pela chacina e admite que estrutura agrária está ultrapassada”. Quatro dias depois, o Diário do Nordeste estampava em sua capa principal: “Senado cria comissão para apurar chacina do Pará”.
Foram indiciados sob acusação de homicídio, pelo Inquérito Policial Militar (IPM), 155 policiais que participaram da operação, sendo oito oficiais e 147 praças (sargentos, cabos e soldados), além de quatro civis. Há quem afirme que essa decisão foi tomada propositadamente, pois, assim, ficaria mais difícil punir um grupo, já que a conduta necessária seria individualizada. Além disso, não foi realizada a devida perícia nas armas e projéteis, de forma que pudesse determinar quais policiais cometeram os assassinatos e lesões, o que contribuiu para a permanência da impunidade.
O Governo Federal, uma semana após o massacre, criou o Ministério da Reforma Agrária, nomeando o então presidente do Ibama, Raul Jungmann, para o cargo de ministro. Ao avaliar o vídeo do confronto, José Gregori, chefe de gabinete do Ministro da Justiça, declarou, em relatório elaborado, que “o réu desse crime é a polícia, que teve um comandante que agiu de forma inconveniente, de uma maneira que jamais poderia ter agido”.
O advogado Walmir Brelaz, autor do livro Os Sobreviventes do Massacre de Eldorado do Carajás: um caso de violação do princípio da dignidade da pessoa humana, declara que “A impunidade em relação a esse caso, especificamente, torna-se evidente: ela impulsiona novas violências. Mataram 19 trabalhadores e apenas um policial foi condenado. Parece que as mortes não existiram. O conflito ainda existe, como naquele período. Há 29 anos, praticamente nada mudou”. É inaceitável, então, que um dos maiores crimes já cometidos no campo no Brasil permaneça na impunidade. Após o massacre, o dia 17 de abril passou a marcar também o Dia Internacional de Luta Camponesa e a Jornada de Lutas do MST pela Reforma Agrária Popular, conhecida como “Abril Vermelho”.
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LADEIRA DOS TABAJARAS Por Gilvan de Brito
Na tarde de hoje o noticiário policial do Rio de Janeiro ocupou-se de uma intensa busca da polícia civil, tanto intensa quanto violenta, contra o assassino de um policial, que mobilizou as forças de segurança do Estado e culminou com a morte de cinco pessoas ligadas a grupos narcotraficantes, habitantes da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana. A impetuosidade das cenas de guerra urbana e da violência, hoje tão comum no Rio de Janeiro, transportou-me àquele ambiente, na década de 70, quando estive na antiga Capital Federal do país à serviço, como jornalista. A Ladeira dos Tabajaras tem início em Copacabana, ao lado do Metrô, estação da rua Siqueira Campos, subindo em meio de uma favela vertical, até a parte alta do morro, na rua Real Grandeza, no bairro de Botafogo. No meio dos dois barros a favela dos Tabajaras, sobre os morros os morros São João Batista e Saudade, ambos cortados pela ladeira, sempre ocupada por marginais.
A ABSURDA PROPOSTA DE CONGELAMENTO DO SALÁRIO MÍNIMO; Rui Leitao
É sempre assim que os economistas do neoliberalismo propõem soluções que penalizam os mais pobres. Foi o caso de Armínio Fraga, um dos homens mais ricos do Brasil, ao defender o congelamento do salário mínimo por seis anos, durante sua participação no evento Brazil Conference, em Harvard, nos EUA, como forma de conter os gastos públicos e promover um ajuste fiscal. Em outubro do ano passado, ele chegou a propor que o SUS ficasse restrito àqueles que não pudessem pagar, estabelecendo um corte de renda para selecionar quem teria acesso ao sistema público. Já a parcela da população que poderia arcar com seguros e planos de saúde seria absorvida pelo setor privado. Paulo Guedes, ex-ministro do governo Bolsonaro, também pensava assim.
À época em que Armínio Fraga era presidente do Banco Central, os juros foram elevados ao patamar de 45%, e o desemprego atingiu níveis recordes. Agora, voltamos a assistir a ataques ao poder de compra de trabalhadores, aposentados e pensionistas, atingindo diretamente a base da pirâmide social. Essa postura ideológica busca blindar os setores mais privilegiados de qualquer esforço redistributivo.
A elite econômica brasileira não demonstra preocupação com as questões sociais. As alternativas apresentadas tendem a sacrificar cada vez mais os assalariados, adotando políticas baseadas na contenção de direitos sociais e na manutenção da concentração de renda e dos privilégios de uma minoria que vive do rentismo. É bom lembrar que essa ideia de Armínio Fraga já foi posta em prática nos governos de Temer e Bolsonaro, deixando o salário mínimo sem aumento real por seis anos.
Essas maldades impostas pelo neoliberalismo não resolvem crises econômicas. Pelo contrário, são incompatíveis com a justiça social. É indiscutível que o ajuste das contas públicas é necessário, mas não à custa do estrangulamento de setores destinados aos brasileiros mais vulneráveis, nem aplicado de forma seletiva ao impor sacrifícios apenas aos mais pobres. Considerar o salário mínimo como o vilão do orçamento revela o sentimento de desprezo pelos assalariados de baixa renda, a partir da visão ideológica de quem faz essa defesa. Em um país com a desigualdade estrutural do Brasil, essa proposta só poderia partir de quem nunca experimentou qualquer dificuldade financeira, ignorando o papel histórico do salário mínimo como instrumento de distribuição de renda, valorização do trabalho e estímulo à atividade econômica.
A pergunta que poderia ser feita ao propositor bilionário desse absurdo seria: por que não buscar a adoção de medidas que alcancem os beneficiários de lucros financeiros, como a taxação das grandes fortunas? Ou, então, por que ele não sugere congelar o pagamento dos serviços da dívida pública por seis anos?
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A fascinante história da Rádio Tabajara

O SINDICALISMO NA NOVA REPÚBLICA Por Rui Leitao
A nomeação de Almir Pazzianotto para o Ministério do Trabalho no governo Sarney foi interpretada como um sinal de disposição para o diálogo com o movimento sindical brasileiro, após tantos anos de repressão e perseguição às lideranças que representavam a classe trabalhadora do país, com prisões, torturas e até assassinatos de dirigentes — mesmo daqueles que não ofereciam perigo ao sistema. As entidades sindicais que estavam sob intervenção foram devolvidas às respectivas categorias, reativando a negociação direta entre patrões e empregados. Os dirigentes cassados pela ditadura militar foram anistiados. A greve foi reconhecida como um direito do trabalhador. As centrais sindicais foram autorizadas a funcionar.
A criação da CUT – Central Única dos Trabalhadores, em 1983, é um marco histórico do sindicalismo brasileiro na década de 1980, com repercussão na cena política nacional. Nessa época, também surgiu a CGT – Comando Geral dos Trabalhadores, adotando posições políticas diversas das da CUT. Anos depois, na década de 1990, foi criada a Força Sindical, praticando o chamado “sindicalismo de resultados”. Como consequência, intensificou-se o acirramento da luta político-ideológica na direção do movimento sindical no Brasil.
No primeiro “Dia do Trabalho” a ser comemorado na Nova República, foi anunciado o aumento do salário mínimo acima da inflação, numa demonstração de que se buscaria corrigir o achatamento salarial imposto pelos governos militares, bem como o afastamento do governo das negociações, permitindo que elas acontecessem exclusivamente entre as partes diretamente envolvidas.
Entretanto, no ano de 1985, foram poucas as conquistas dos movimentos grevistas, ocorrendo, inclusive, demissões de lideranças sindicais e a dissolução de comissões de fábrica. O ânimo gerado pelas primeiras ações do governo transformou-se em desesperança quanto à possibilidade de que as relações entre as classes trabalhadora e patronal fossem, enfim, restabelecidas conforme as regras prometidas, garantindo a obediência aos direitos trabalhistas e às reivindicações apresentadas pelo movimento sindical.
A proposta de redemocratização do país, lançada pela aliança política que conquistou o poder — ainda que por eleição indireta — configurava-se como uma oportunidade de renovação da vida sindical. As forças políticas mais atuantes do sindicalismo brasileiro, nas mais diversas categorias de trabalhadores, entenderam que era hora de alavancar mudanças.
O movimento sindical decidiu reassumir o papel político e social do qual foi privado no período ditatorial, reformando a estrutura corporativista que servia para atender aos interesses de quem estava no poder. Surge, então, uma proposta de ruptura com o velho sindicalismo, que se utilizava do assistencialismo para desviar o foco da ação sindical. O reconhecimento social do sindicalismo nos anos iniciais da Nova República decorreu de sua postura insubmissa e de confronto.
Rui Leitão- advogado
O EMPODERAMENTO DA IGNORÂNCIA; Rui Leitão
É interessante para o mundo capitalista impor a cultura da ignorância. A mediocridade como prevalência comportamental nas sociedades contemporâneas, especialmente no Brasil. A destituição de um conjunto de valores, até pouco tempo considerados essenciais para as vivências individuais ou coletivas. O desprezo e o estimulado desconhecimento das artes, da história, da ciência, da filosofia, etc. O desprestígio dos livros e o aviltamento da memória.
Os ignorantes estão assumindo lugares de responsabilidade. É isso que interessa ao establishment. A ignorância, para alguns, é imposição; para muitos, porém, é simples escolha — embora aparentemente voluntária. É cada vez maior o número de pessoas que preferem acreditar piamente nas primeiras informações, sem qualquer preocupação em questioná-las. Quando isso acontece, caímos na armadilha do fetichismo, dos ícones fabricados, dos mitos produzidos. E avançamos aceleradamente para o distanciamento da realidade, favorecendo o despotismo — um sistema habilmente manejado por forças poderosas. Querem nos convencer de que não devemos ser uma cultura verdadeira. Querem que percamos nossa identidade cultural. E estão tendo sucesso nessa empreitada.
É o empoderamento do neofundamentalismo político, quando não se dá mais importância às verdades, cultivando o “não saber”. A adoção de linhas de conduta em que o pensamento defendido passa a gozar de infalibilidade. A exclusão do pluralismo. O coletivo inconsciente sofreu com a dominação ideológica conservadora. A alienação é produzida pelo projeto de poder do capital — sementes podres lançadas por oportunistas para germinar em terreno fértil.
A mídia corporativa tem a incumbência de estabelecer os pronunciamentos da massa, manipulando-a de forma generalista e simplista sobre questões específicas que são destacadas. Provoca a ausência do pensamento crítico. Trabalha no sentido de fortalecer o pensamento único. As mentes são formadas com conceitos que se internalizam na vida cotidiana das pessoas.
Percebe-se um esforço para voltar a aprisionar nossa história política e social, como nos tempos da ditadura militar. Reforça-se a ideia de criminalização da política, para que dela se beneficiem. A cultura da ignorância não permite o debate político com seriedade; pelo contrário, oferece o perigo do desmantelamento das ideias que contrariam as possibilidades de transformações sociais e urbanas, ameaçando, assim, o império de dominação das elites.
www.reporteriedoferreira.com.br /Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor


Lançamento de livro une história e contemporaneidade no Bistrô 17
A combinação entre um bistrô localizado no centro histórico e um livro sobre memórias antigas é tão perfeito, que será esse o cenário para o lançamento de “Paraiba, personagens no tempo”, de Sérgio Botelho, nesta quinta-feira, 03. O local escolhido — o Bistrô 17, ao lado da Catedral Basílica — reforça o diálogo entre passado e presente.
Prefaciado por Hildeberto Barbosa Filho, o livro (terceiro do autor na cidade) traz crônicas sobre personagens que definiram épocas em João Pessoa. “É uma forma de retro afetivo”, brincou Botelho.
[07:54, 03/04/2025] Fm Jornalista Sergio Botelho: Lançamento de livro une história e contemporaneidade no Bistrô 17
A combinação entre um bistrô localizado no centro histórico e um livro sobre memórias antigas é tão perfeito, que será esse o cenário para o lançamento de “Paraiba, personagens no tempo”, de Sérgio Botelho, nesta quinta-feira, 03. O local escolhido — o Bistrô 17, ao lado da Catedral Basílica — reforça o diálogo entre passado e presente.
Prefaciado por Hildeberto Barbosa Filho, o livro (terceiro do autor na cidade) traz crônicas sobre personagens que definiram épocas em João Pessoa. “É uma forma de retro afetivo”, brincou Botelho.

Lançamento de livro une história e contemporaneidade no Bistrô 17
A combinação entre um bistrô localizado no centro histórico e um livro sobre memórias antigas é tão perfeito, que será esse o cenário para o lançamento de “Paraiba, personagens no tempo”, de Sérgio Botelho, nesta quinta-feira, 03. O local escolhido — o Bistrô 17, ao lado da Catedral Basílica — reforça o diálogo entre passado e presente.
Prefaciado por Hildeberto Barbosa Filho, o livro (terceiro do autor na cidade) traz crônicas sobre personagens que definiram épocas em João Pessoa. “É uma forma de retro afetivo”, brincou Botelho.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Sérgio Botelho- Jornalista, poeta, escritor