O livro que irritou Jânio Quadros Por Rui Leitao 

O livro que irritou Jânio Quadros Por Rui Leitao

Ainda hoje continua sem que se conheçam as verdadeiras razões que levaram Jânio Quadros a renunciar a presidência da República, com apenas sete meses de governo. O fato já mereceu análises de historiadores e jornalistas e nunca se chegou a um consenso sobre as reais motivações de sua surpreendente decisão de entregar o cargo para o qual foi eleito, apoiado num movimento popular de muita esperança. Ele se apresentava como alguém que fazia a diferença na forma de fazer política. Traiu a confiança do povo.

Em dezessete de julho de 1981, o jornalista paraibano Marcone Formiga lançou, em João Pessoa, seu novo livro. Aos vinte e seis anos de idade, nosso conterrâneo e, para orgulho de meu pai, seu sobrinho e afilhado, já despontava na capital do país como um dos nomes de referência do jornalismo político nacional. Mostrava-se precocemente um vocacionado para o exercício das atividades na imprensa, com uma atuação que estimulava a polêmica, em razão da forma como levantava questionamentos relativos à vida política brasileira.

A obra literária que ele apresentava naquela tarde de sexta feira na pérgula do Hotel Tropicana, alcançou grande repercussão nacional, recebendo críticas positivas de expoentes da militância jornalística do Brasil e de importantes expressões da nossa literatura, entre eles os membros da Academia Brasileira de Letras: Josué Montello e R. Magalhães Júnior.

O próprio título do livro já chamava a atenção: “JÂNIO, HERÓI OU BANDIDO ?”. Dava para se ter uma idéia da discussão que provocaria ao mexer com um assunto tão cheio de controvérsias e especulações. Marcone dedicou-se a um trabalho de jornalismo investigativo, entrevistando pessoas que conviveram com o presidente durante a época em que esteve no exercício do mandato. Além de políticos e integrantes do governo, Marcone também procurou conversar com motoristas, copeiros e mordomos do Palácio, na intenção de conhecer, na intimidade, como se comportava aquela autoridade durante o tempo em que esteve no comando dos destinos da nação.

O objetivo era tentar entender aquela tão inesperada decisão que chocou o país inteiro pela surpresa de que se revestiu. Daí a interrogação: Jânio assumiu postura de herói ou de bandido? Foi realmente pressionado pelas “forças terríveis”, conforme denunciou em sua carta renúncia, ou pensou em usar de uma estratégia um tanto maluca para se firmar com poderes na presidência, na expectativa de que o povo exigiria o seu retorno?

Pelo que se sabe, Jânio ao ler o livro, teve uma reação de raiva e pisoteou o exemplar que estava em suas mãos. O seu temperamento um tanto fora dos padrões de racionalidade, fez com que perdesse a tranqüilidade ao ver contestada a sua sinceridade no tocante as justificativas então apresentadas no documento em que oficializava sua renúncia. Marcone colocava em dúvida as verdades que ele insistia em defender para o seu ato.

O livro é um documento importante para quem se dispõe a estudar esse episódio da nossa história política.

www.reporteriedoferreira.com.br   Por Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor




CELSO FURTADO, O CRIADOR DA SUDENE Por Rui Leitao 

CELSO FURTADO, O CRIADOR DA SUDENE Por Rui Leitao

O paraibano Celso Furtado é reconhecido como um dos grandes pensadores do desenvolvimento regional do Brasil, em especial com respeito ao Nordeste. Talvez o maior propositor de políticas a respeito. Autor de cerca de 40 livros, ganhou projeção nacional em 1959 com a publicação de Formação Econômica do Brasil, obra fundamental para a compreensão do desenvolvimento econômico brasileiro.

No governo de Juscelino Kubitschek, apresentou um ousado projeto de desenvolvimento regional para o Nordeste. Com base no Relatório Ramagen, que denunciava os abusos da chamada “indústria da seca”, Furtado propôs a criação de uma autarquia que enfrentasse os problemas estruturais da região. Nascia, assim, a Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), que ele mesmo viria a dirigir. Seu Plano de Ação definia quatro ações que considerava estratégicas: 1) aumentar os investimentos industriais, 2) reorganizar a economia do semiárido, 3) ampliar a produção de alimentos na faixa úmida, e 4) deslocar a fronteira agrícola do semiárido para o Maranhão.

À frente da nova entidade, Celso Furtado enfrentou interesses poderosos. Criticou o assistencialismo que beneficiava grandes proprietários rurais e alimentava práticas de corrupção. Em seu lugar, defendeu políticas de incentivo à agricultura de subsistência e à geração de emprego no campo. Suas ações confrontaram diretamente a oligarquia nordestina e setores das Forças Armadas. A expansão dos investimentos industriais suprindo as necessárias infraestruturas, como em energia elétrica e transportes.

Com o golpe militar de 1964, Furtado foi rapidamente incluído na primeira lista de cassações promovida pelo novo regime. No dia 1º de abril, esteve com o então governador de Pernambuco, Miguel Arraes, que resistia a deixar o cargo. Dois dias depois, entregou sua função e pediu asilo à embaixada do Chile. Exilado, passou 15 anos fora do país, mas continuou influente, atuando como assessor técnico das Nações Unidas e membro do Instituto Latino-Americano para Estudos de Desenvolvimento. Viveu em diversos países, como França, Estados Unidos e Chile, onde lecionou e participou de debates sobre o desenvolvimento. Mesmo exilado permaneceu exercendo o seu espírito crítico. Dedicou sua vida a entender o Brasil e produzir projetos de transformação social.

Celso Furtado deixou um legado de pensamento econômico voltado para a justiça social e a superação das desigualdades regionais. Seu trabalho à frente da Sudene marcou uma virada na forma de pensar o desenvolvimento do Nordeste — não como problema, mas como potencial a ser promovido com planejamento, coragem e visão estratégica. Em entrevista concedida em 1997, assim se referiu ao Nordeste na contemporaneidade: “O grande problema que eu vejo no Nordeste é a falta de consciência de que a união regional é um trunfo político. Eu diria que [hoje] o mais importante para o Nordeste é restaurar o espírito de unidade da região”.

Que suas ideias e iniciativas continuem sendo fontes de inspiração para tantos quantos assumam a responsabilidade de pensar e realizar projetos que possam dar solução à questão regional que o Nordeste ainda enfrenta. E que, cada brasileiro, em especial cada nordestino, preste o justo tributo à relevância de suas formulações.

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Pitimbu Sérgio Botêlho

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Pitimbu
Sérgio Botêlho
– Pitimbu, último município do Litoral Sul da Paraíba, tem a beira-mar mais extensa do estado. Por conta disso, repleta de atrativos naturais, com paisagens e praias espetaculares. Além de bares, restaurantes e pousadas à disposição de quem resolve visitá-la.
A maior parte de seus frequentadores mais assíduos não chega por lá apenas oriundos de João Pessoa e municípios paraibanos mais próximos. Mas também de Goiana e da Grande Recife, em Pernambuco, que sempre se constituíram em fregueses fiéis de Pitimbu.
Eventos
Há 5 momentos especiais na vida de eventos da cidade. O primeiro, em janeiro, é a Festa do Senhor do Bonfim, padroeiro da cidade, com larga programação religiosa e profana. Depois, o carnaval, entre os meses de fevereiro e março, quando milhares de foliões enchem as ruas e as praias do município. Sem contar que Pitimbu tem muitas histórias.
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A Praia de Pitimbu, último município do Litoral Sul da Paraíba, é a beira-mar urbana da cidade, com boa estrutura de hotéis e pousadas.
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UM FANTASMA QUE INSISTE EM VOLTAR Por Rui Leitão

UM FANTASMA QUE INSISTE EM VOLTAR

Por Rui Leitão

A revolução em Cuba, em 1959, acendeu um alerta permanente nos Estados Unidos. A partir de então, qualquer movimentação de esquerda na América Latina passou a ser vista como ameaça direta à segurança hemisférica. O Brasil, com um presidente que defendia reformas de base e dialogava com setores populares, rapidamente entrou no radar da Casa Branca.

Poucos dias antes do golpe militar de 1964, o coordenador da Aliança para o Progresso, Thomas C. Mann, convocou uma reunião com representantes do governo americano ligados à América Latina. Desse encontro surgiu a chamada Doutrina Mann, um documento que estabelecia o apoio dos EUA a qualquer governo latino-americano que fosse declaradamente anticomunista, independentemente de ser democrático ou ditatorial.

Durante a década de 1960, diversos países da América Latina que possuíam líderes com alguma aproximação com Moscou enfrentaram golpes militares. O Brasil seguiu essa rota. Prisões arbitrárias, repressão violenta e assassinatos políticos marcaram a nova ordem. Era o reflexo da chamada Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética disputavam influência global por meio de alianças, propaganda e intervenções diretas.

No caso brasileiro, havia a expectativa de que a crise política se aprofundasse, o que levou os EUA a planejarem uma operação militar de apoio ao golpe. No entanto, os generais brasileiros agiram com rapidez e removeram Goulart do poder antes que o plano precisasse ser executado.

Criada por John F. Kennedy em 1961, a Aliança para o Progresso pretendia ser um instrumento de desenvolvimento social, mas foi utilizada para barrar o avanço de governos considerados progressistas. No Brasil, foi fundado o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), responsável por produzir e difundir conteúdo anticomunista em rádios, televisões e jornais.

Em 1963, uma Comissão Parlamentar de Inquérito comprovou que o IBAD financiou campanhas eleitorais com recursos provenientes de empresas norte-americanas. As verbas eram destinadas a candidatos contrários às reformas de base defendidas por Goulart. Após a apuração, o presidente suspendeu as atividades do instituto, que acabou sendo dissolvido pela Justiça no final daquele ano.

Documentos revelaram mais tarde a gravação de uma conversa entre o presidente Kennedy e o embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, em outubro de 1963. Na conversa, Kennedy perguntava se seria aconselhável uma intervenção militar no país. Gordon sugeria a articulação de forças políticas e militares capazes de conter ou afastar João Goulart da presidência.

Mesmo após o assassinato de Kennedy, seu sucessor, Lyndon Johnson, deu sequência à política de intervenção. Gordon conseguiu convencê-lo a preparar uma força-tarefa militar para entrar em ação caso houvesse resistência popular ao golpe. Os militares brasileiros agiram antes, sem necessidade de apoio direto.

Décadas depois, durante o governo de Donald Trump, os ecos dessa política intervencionista ressurgiram. Tentativas de interferência em processos internos de países latino-americanos voltaram à tona, inclusive no Brasil. A paranoia anticomunista permanece como justificativa para desestabilizar governos considerados progressistas, revelando que a luta por soberania e autodeterminação na América Latina ainda não terminou.

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PARAHYBA E SUA HISTÓRIAS. Antiga Avenida Miramar Sérgio Botelho

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PARAHYBA E SUA HISTÓRIAS. Antiga Avenida Miramar
Sérgio Botelho – Começando à altura da Praça Socic, na parte baixa da cidade de João Pessoa, uma longa avenida serpenteia o bairro do Róger, encerrando o seu curso no aprazível Parque Arruda Câmara, carinhosamente apelidado de “Bica”. Em parte de seu caminho, a Gouveia Nóbrega, da qual estamos falando, marca o limite entre os bairros Róger e Varadouro, tendo sido, por muito tempo, Avenida Miramar.
Na década de 1930, ainda com a antiga denominação, serviu de endereço à histórica Rádio Clube da Paraíba, pioneira no serviço de radiodifusão na capital paraibana, que deu origem à Rádio Tabajara da Paraíba. O homenageado, Francisco de Gouveia Nóbrega, nascido em Soledade, no ano de 1865, formado pela Faculdade de Direito do Recife, foi juiz federal e deputado estadual na Paraíba (legislatura de 1896 a 1899), segundo registro disponibilizado pela Universidade Federal de Pernambuco, que mantém notável acervo de referências biográficas com relação a ex-alunos ilustres.
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E DAÍ? Por Rui Leitão

E DAÍ?

Por Rui Leitão

É lamentável que agentes políticos brasileiros se mostrem tão subservientes a quem insiste em posar como o “xerife do planeta”. Ignoram o fato de que o presidente dos Estados Unidos comanda hoje um império em declínio. A mais recente investida de Donald Trump contra autoridades brasileiras reacende um debate fundamental: onde termina a soberania nacional e onde começa a ingerência internacional?

Vivemos um momento de reconstrução democrática. Não podemos nos curvar aos interesses da extrema-direita global, capitaneada por um bravateiro que representa o que há de mais retrógrado na política mundial. Apoiar as declarações de Trump — que acusa o Brasil de “perseguir politicamente” o ex-presidente que responde por tentativa de golpe — é, antes de tudo, um gesto antipatriótico. Trata-se de uma afronta direta às instituições democráticas brasileiras e à independência do nosso Judiciário.

Mais que vergonhosa, é criminosa a postura submissa de algumas lideranças nacionais diante dessa ameaça. Estamos diante de um projeto internacional bem articulado, que visa desestabilizar democracias pelo mundo. Não é mais um simples embate ideológico; é uma guerra declarada da extrema-direita contra os valores democráticos.

A resposta firme do presidente Lula à provocação de Trump reforça a posição institucional do Brasil. Já os falsos patriotas, ao aplaudirem mais essa bravata, mostram sua preferência por um país submisso, colonizado. Não aceitaremos que estrangeiros tentem transformar réus em vítimas, nem que processos legais sejam rotulados como perseguições políticas.

É preciso responder a esses ataques com inteligência e coragem. A estratégia trumpista tem um alvo claro: deslegitimar o sistema de justiça brasileiro e manter viva a narrativa golpista. O incômodo com o protagonismo internacional de Lula é evidente. O Brasil, hoje, não se ajoelha mais diante da bandeira americana. Reafirma-se soberano, com instituições sólidas e uma convicção clara: ninguém está acima da lei.

O avanço dos BRICS, agora sob a presidência de Lula e ampliado com países como Irã, Egito, Etiópia, Argentina, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, também ajuda a explicar a reação norte-americana. A 17ª Cúpula do bloco, realizada no Rio de Janeiro, foi o pano de fundo ideal para que Trump tentasse blindar seu aliado brasileiro com declarações oportunistas. Na prática, trata-se de uma tentativa de sabotar a nova configuração geopolítica que emerge como alternativa ao domínio ocidental.

A “solidariedade” a Bolsonaro é, na verdade, um recado a Lula — típico de quem não tolera perder espaço. Trump nunca foi dado à empatia; é fiel apenas aos próprios interesses. E, por isso mesmo, sua bravata não merece mais que uma pergunta, no tom já conhecido do ex-presidente que ele defende: e daí?

Nada muda. Os processos judiciais contra a tentativa de golpe seguirão seu curso. E as instituições democráticas brasileiras estão prontas para enfrentar — e derrotar — qualquer ameaça, interna ou externa, à nossa soberania.

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Prensa Abílio Dantas Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Prensa Abílio Dantas
Sérgio Botelho –
Ainda sobre o setor urbano compreendendo a Rua da República e a Avenida 3 de Maio, e mais a Avenida Sanhauá e a rua Professora Analice Caldas, onde existem prédios históricos da arquitetura industrial paraibana, das primeiras décadas do Século XX, temos o que serviu de sede à empresa Abílio Dantas & Cia (que também tinha endereço na rua da Areia). O proprietário chegou a residir na Monsenhor Walfredo, em Tambiá, no prédio que atualmente serve à Superintendência da Administração do Meio Ambiente-Sudema, mandado construir por ele.
O negócio (na República, entre a 3 de maio e a Sanhauá) era dedicado à prensagem e comércio do algodão, um dos produtos que mais impulsionaram a economia paraibana na primeira metade daquele século. Tinha como vizinhas, de lado e de frente, respectivamente, a Indústria Vinícola Sanhauá e a Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, hoje em dia, todos prédios em ruínas, mas alvos do poder público em possível processo de reforma e requalificação.
Abílio Dantas chegou a ter atuação significativa para além das divisas paraibanas, tendo sido um dos contribuintes financeiros para a edificação de monumento em homenagem à memória do empresário Francesco Matarazzo, em São Paulo.
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(À direita da foto, em ruínas, o antigo prédio da Prensa Abílio Dantas, na República, que se estende entre as avenidas 3 de Maio e Sanhauá, esta última, a que beira o rio onde nasceu a cidade).
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Sérgio Botelho – Ainda sobre o setor urbano compreendendo a Rua da República e a Avenida 3 de Maio, e mais a Avenida Sanhauá e a rua Professora Analice Caldas, onde existem prédios históricos da arquitetura industrial paraibana, das primeiras décadas do Século XX, temos o que serviu de sede…
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O PERFIL DA BURGUESIA BRASILEIRA Por Rui Leitao 

O PERFIL DA BURGUESIA BRASILEIRA Por Rui Leitao

Os interesses de classe da burguesia brasileira, bem como seus vínculos com o capital internacional, não se coadunam com qualquer concepção de justiça social em nosso país. Ela sempre atuou no sentido de instrumentalizar o Estado contra os trabalhadores. O mais grave é que se apoderou dos principais meios de comunicação, transformando-os em uma espécie de quarto poder: o poder midiático.

Cresceu e ganhou força na década de 1930, apoiada pelas oligarquias dissidentes. A partir dos anos 1950, associada à burguesia monopolista estrangeira — em razão das mudanças no sistema capitalista mundial —, estabeleceu sua própria dominação sob a tutela do novo Estado latifundiário.

Manifesta-se na economia por meio da ação dos latifundiários, do empresariado e do mercado financeiro, todos a serviço do capital estrangeiro. Herdou uma ideologia marcada pelo conservadorismo das antigas classes dominantes. Submissa ao mercado externo, demonstra pouco ou nenhum interesse no desenvolvimento do mercado interno, pois teme ser marginalizada do sistema imperialista ao qual está vinculada. A burguesia brasileira obedece fielmente às orientações do mercado capitalista neoliberal e, por consequência, causa prejuízos aos trabalhadores ao propor políticas que visam à redução dos direitos sociais.

É preciso aprender com os erros históricos que levaram o movimento operário a formar frentes políticas com esse setor. Essa aproximação jamais viabilizou reformas que, de fato, trouxessem benefícios aos trabalhadores. Não há como deixar de reconhecer que a burguesia nacional é, em essência, a detentora do capital. Por isso, é ilusório imaginar que qualquer aliança com a burguesia possa resultar em vantagens reais para as camadas mais pobres da nação.

Para melhor compreensão da história, da economia e da política em nosso país, é fundamental conhecer o perfil da burguesia brasileira, com suas contradições e desafios. Os grupos que a compõem são os autores intelectuais das políticas econômicas implementadas pelos governos ao longo da nossa história, por serem os responsáveis pela maior parte da produção e da distribuição de bens e serviços no Brasil.

No campo político, a fina flor do PIB nacional age nas sombras, demonstrando, estrategicamente, uma aparente tolerância a governos de esquerda — enquanto não consegue impor maior relevância na estrutura de poder —, tentando golpear a democracia. Basta observar as tragédias históricas que vivenciamos: o golpe de 1964, a deposição da presidente Dilma Rousseff em 2016 e a tentativa de ruptura do Estado Democrático de Direito liderada pelo ex-presidente da República, após sua derrota nas urnas, em 2022.

O mais preocupante é que tudo isso ocorreu com a passividade das camadas mais pobres da população. Portanto, é necessário manter, sempre aceso, o sinal de alerta, para que não sejamos novamente surpreendidos por eventos que atentem contra a democracia.

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Pessoas trans e travestis podem retificar nome social em JP

Bandeira LGBT

A Prefeitura de João Pessoa, por meio da Coordenadoria de Promoção à Cidadania LGBT, tem orientado e encaminhado seu público, dando informações e explicando quais caminhos seguir para obter o nome social em todos os documentos e de forma gratuita no município. A retificação do nome social para pessoas trans e travestis é um direito.

Elaine Lopes, advogada da Coordenadoria LGBT, explicou que quando chegam demandas sobre este tema, as pessoas são orientadas a procurar a Defensoria Pública, especificamente o Núcleo Especial de Saúde e a Coordenadoria dos Direitos Homoafetivos da Diversidade Sexual e do Combate à Homofobia.

“Sempre acolhemos nossos usuários e oferecemos todas as informações e damos um encaminhamento. Todos que seguiram esse caminho tiveram uma resolução positiva e totalmente gratuita. A Defensoria faz um trabalho primoroso. Estamos sempre chamando a atenção para esse direito”, acrescentou Elaine.

A retificação do nome civil, disse Elaine, é um direito fundamental para pessoas trans e travestis, pois representa o reconhecimento legal de sua identidade de gênero e tem impacto direto em sua dignidade e inclusão social. “Trata-se de um passo essencial para que essas pessoas possam viver de forma plena, sendo tratadas pelo nome com o qual se identificam em todos os âmbitos da vida pessoal, profissional, educacional e institucional”, afirmou.

Para além da cidadania, o nome social reflete no bem-estar e na saúde mental de quem passa pelo processo autoidentificação. É o que explica a psicóloga da Coordenadoria Thamara Bernardino. “Ter esse nome reconhecido de forma social e legal vai reduzir o sofrimento psíquico, vai diminuir as situações de constrangimento, de exposição, de violência e vai fortalecer esse senso de pertencimento. Então, é um direito que ajuda a construir uma vida mais digna e mais coerente com o que a pessoa realmente é”, enfatizou.

Dorot Ruanne é multiartista, mãe fundadora da Casa da Baixa Costura, graduanda em Ciências Sociais e agente territorial do Programa Nacional de Comitês de Cultura (PNCC) e traduz tudo o que foi falado pelas especialistas.

“Foi um momento importante pra mim. Eu pude finalmente assinar meu nome como eu me identifico. Na universidade foi um divisor muito bom porque eu já entrei retificada até para evitar algumas transfobias”, contou Dorot, que terminou fazendo mutirões para que outras pessoas trans também pudessem garantir esse direito de forma gratuita. “A maioria das pessoas não tem 300 reais para pagar. Então temos que procurar caminhos”, comentou.

Para travestis, homens e mulheres trans, o nome social marca o reconhecimento de suas existências. “Lembro que quando vi meu nome social no documento, a sensação que tive foi de humanidade, que estava inserida na humanidade. Eu sou quem sou e sou humana”, relatou Dorot Ruanne.

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A Troca de Guarda na Direita Brasileira Por Rui Leitão

A Troca de Guarda na Direita Brasileira

Por Rui Leitão

Durante décadas, assumir-se como de direita no Brasil era algo raro — e, quando acontecia, era feito de forma envergonhada. O termo estava inevitavelmente associado ao autoritarismo do regime militar instaurado em 1964. Esse quadro começou a mudar a partir dos movimentos que ganharam força nos protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016. Grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Revoltados Online emergiram das crises econômica e política, apoiados pela Operação Lava Jato, e deram início a uma profunda transformação na direita brasileira.

Essas organizações, atuando com eficácia principalmente nas redes sociais, passaram a combater ativamente o Partido dos Trabalhadores e as pautas da esquerda. Assim, abriu-se espaço para uma nova configuração ideológica no campo conservador. A direita, antes moderada, adotou um discurso mais agressivo, passando a questionar instituições, desacreditar o sistema eleitoral e estimular ações de viés antidemocrático. A radicalização ganhou força e consolidou uma vertente ultraconservadora, identificada com a extrema-direita.

Essa nova direita não é homogênea. Está dividida por classe social: entre os setores mais ricos, predomina a defesa do liberalismo econômico; já entre os segmentos mais pobres, o foco recai sobre pautas morais e de costumes. Essa fusão de liberalismo econômico com conservadorismo religioso e cultural é um dos traços mais marcantes do novo campo ideológico. O uso de símbolos nacionais, o discurso patriótico e a retórica fundamentalista passaram a compor a identidade dessa corrente política.

Inspirada em modelos internacionais como o de Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, essa direita brasileira radical passou a defender abertamente o rompimento com o pacto democrático estabelecido pela Constituição de 1988. Nesse contexto, ganhou espaço o bolsonarismo, fenômeno político que levou Jair Bolsonaro à presidência da República em 2018 e fortaleceu o discurso de ultradireita, impulsionado pela influência de figuras como o ideólogo Olavo de Carvalho.

Mesmo após a derrota nas eleições de 2022, essa direita não desapareceu. Está em processo de reorganização. Embora o bolsonarismo tenha perdido parte do apoio que detinha, especialmente entre setores mais moderados da direita liberal, o campo ultraconservador continua mobilizado, buscando uma nova liderança capaz de retomar sua força eleitoral e discursiva.

O avanço da extrema-direita no Brasil é um fenômeno sem precedentes na história republicana. Por isso, exige atenção constante da sociedade democrática. O cenário político ainda está em disputa, e os próximos passos dessa direita radical definirão, em grande parte, os rumos da política brasileira nos anos que virão.