GRAFITAGEM E PICHAÇÃO Francisco Nóbrega dos Santos

GRAFITAGEM E PICHAÇÃO
Francisco Nóbrega dos Santos

Preliminarmente, gostaria de chamar a atenção dos leitores sobre a noção das
palavras que traduzem o verdadeiro conceito e a distinção natural ante a polêmica
infindável sobre a visão entre grafitagem e pichação.

Com a devida vênia, necessária se faz uma análise desses dois vocábulos que ora
são vistos à luz de uma conjectura histórica das causas e dos efeitos práticos que tem
gerado dúvidas quando se tenta fazer distinção entre arte e infração .
A história registra a origem desse minério, nome utilizado pelos estudiosos que
assim o definem: – “ Grafite ou grafito é uma palavra de origem italiana “graffito” que
significa “escrita feita com carvão”. São inscrições gravadas ou desenhadas pelos
antigos nas paredes das cidades e monumentos.

Grafite ou grafita (nome usado pelos cientistas) do grego “graphe” é um mineral
cinza escuro, metálico e macio, constituído essencialmente de carbono, material que
também forma o diamante, é um condutor de corrente elétrica e de calor; é resistente a
altas temperaturas e oxidação. Devido a seu alto ponto de fusão é usado também como
material refratário. O grafite se submetido a altas temperaturas pode produzir diamantes
artificiais.

Esse minério é usado na indústria na fabricação de tijolos e peças refratárias,
cadinhos para a indústria do aço, latão e bronze, lubrificantes sólidos ou a base de óleo e
água, tintas para proteção de estruturas de ferro e aço, catodos de bateria alcalina,
escovas para motores elétricos, eletrodos de lâmpadas elétricas etc. É usado também na
fabricação do lápis e da lapiseira. Misturado à argila muito fina, forma a mina do lápis,
com diversos graus de dureza.”

Nos anos 60, na cidade de Nova York, jovens provenientes do bairro do Bronx
começaram a espalhar suas marcas nas paredes da cidade utilizando tinta em spray.
Desenhavam imagens de protesto contra a ordem social, dando início a um grande
movimento de arte urbana.

No Brasil, a história do grafite surgiu na década de 70, precisamente na cidade
de São Paulo, na época dos militares no poder. O grafite cresceu como uma arte
transgressora que expressa nas paredes da cidade os incômodos de uma geração. Esse
conceito hoje não é utiliza.
.
A arte dos grafiteiros se disseminou rapidamente pelo país e hoje em dia,
segundo estudiosos do tema, o grafite brasileiro é considerado um dos melhores do
mundo.
Como, hoje, a questão que nos enche de curiosidade, não somente no que se
refere à prática da grafitagem e da pichação, não existe, infelizmente, no Brasil uma
Norma, que faça distinção entre os dois procedimentos, o que inibe o princípio da
reserva legal” nullun crimen, nula poena, sine legi. E essa falta de discernimento
contribui muito para a impunidade dos que agem com o espírito destrutivo.

Desse modo, torna-se difícil aplicar-se o rigor da lei contra os que utilizam o
“termo grafitagem na prática da pichação”.

Numa visão nossa, salvo melhor juízo, a grafitagem, no sentido denotativo
traduz a inspiração, como um dote de Deus, que aviva a natureza, dando cores ao
incolor e luz às trevas: a pichação, ao inverso dessa visão conotativa, joga trevas na luz
e arrebata a beleza ornamental gerada pela inteligência, afogando-a no mau gosto, como
extravasamento de frustração, de um sonho desfeito, ou rebeldia injustificada.
Perdoem-nos, pois, os pichadores, pelo uso de uma milenar lição do MAIOR
HOMEM DO MUNDO –”Pai, perdoai, ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM”.

www.reporteriedoferreira.com.br  Por Francisco Nóbrega dos Santos-Jornalista,advogado e escritor.




CANÇÕES QUE FALAM POR NÓS 11. ORAÇÃO AO TEMPO; Por Rui Leitao 

CANÇÕES QUE FALAM POR NÓS 11. ORAÇÃO AO TEMPO; Por Rui Leitao

Essa é uma das mais belas canções de Caetano, tanto no que se observa na melodia, quanto na mensagem poética e filosófica da letra. Ele trata da relação HOMEM e TEMPO. Considerando o TEMPO, como o Deus da existência, o compositor dialoga com ele numa prece. A música foi composta e lançada em 1979.

“És um senhor tão bonito/quanto a cara do meu filho/tempo, tempo, tempo/vou te fazer um pedido”…“Portanto peço-te aquilo/e te ofereço elogios/tempo, tempo, tempo/nas rimas do meu estilo”.

Em sendo uma oração, é claro que Caetano se dirige ao TEMPO, como quem endereça uma mensagem a um ser superior. E, de início, já o homenageia ressaltando sua beleza e a compara com o rosto de seu filho. Afinal de contas qual o pai que não enxerga formosura nas feições de um filho. Arrisca-se, então, a fazer um pedido. Respeitando-o como responsável pelos destinos de todos nós seres humanos, propõe entrarem num acordo.

Em razão da sua condição de eternidade, Caetano o reverencia como “um dos deuses mais lindos”. Pede, portanto, que o ouça com atenção, ao som da melodia que lhe oferece. Roga que lhe seja ofertada a felicidade, e que os acontecimentos em que estiver envolvido sejam compatíveis e oportunos com esse desejo de bem-estar, deleite, alegria. De forma que essa bem aventurança possa produzir uma luminosidade de espírito que espalhe benefícios ao seu redor.

E quando já não mais se fizer presente no plano terreno, que este vínculo se reafirme no “além vida”. É o que ele clama em oração, excedendo-se em exaltações nas rimas do seu cantar. *

www.reporteriedoferreira.com.br   Rui Leitão, Jornalista, advogado e escritor




NOSSA POSIÇÃO DE VANGUARDA :  Por Rui Leitao

NOSSA POSIÇÃO DE VANGUARDA :  Por Rui Leitao

 

A luta em favor de uma sociedade mais igualitária fez de 1968 o ano que promoveu ventos revolucionários em todos os sentidos, provocando mudanças de pensamentos e atitudes nos campos sociais, culturais e políticos. O calor dos acontecimentos produzia esperanças e entusiasmo, encorajava os desafios, abria novas perspectivas de vida.

Estabelecer relações sociais fundadas na igualdade foi uma das bandeiras desse novo tempo. Entre elas nivelar tratamento e oportunidades entre homens e mulheres. Romper de vez com uma cultura machista e conservadora que discriminava a mulher.

Maio de 1968 é um marco na história, consagrado como a data do maior acontecimento de contestação coletiva que se teve notícia no século passado. A França foi sacudida por manifestações públicas de estudantes e operários, com a solidariedade popular, em protesto contra o governo, gritando palavras de ordem contra o centralismo e o autoritarismo, mas também questionando conceitos e valores que ditavam os padrões de conduta da época.

Tudo começou em Nanterre, uma universidade nos arredores de Paris, quando estudantes se rebelaram contra o sistema autocrático daquela instituição. Uma das principais reivindicações dos universitários era a liberdade de circulação de homens e mulheres nas residências estudantis. Não era permitido aos homens irem aos quartos das mulheres, e elas só poderiam ir aos quartos deles se autorizadas pelos pais ou maiores de 21 anos de idade. Nascia então o primeiro movimento em defesa da igualdade de direitos para os gêneros masculino e feminino. Pela primeira vez, de forma aberta se tratava desse tema como bandeira de luta.

Entretanto, revendo os registros dos nossos jornais daquele ano descobri que, respeitado o contexto de cada caso, a Paraíba assumiu uma posição de vanguarda na defesa da igualdade de tratamento entre homens e mulheres.

Os alunos do Colégio Estadual de João Pessoa, secção do Roger , que funcionava no prédio onde antes estava instalado o seminário arquidiocesano, por trás da igreja de São Francisco, representados pelo Grêmio Estudantil Castro Alves, que tinha como seus principais dirigentes os estudantes Severino Gomes e Marcos Paiva (hoje um respeitado advogado atuando em Brasília e que viria no decorrer do ano se revelar um dos principais líderes do movimento estudantil da Paraíba), decidiram nos primeiros dias de janeiro encaminhar as autoridades estaduais pedido de revogação da portaria que dividia em salas separadas os estudantes masculinos e femininos. Argumentavam que essa segregação por sexo na escola feria os princípios básicos de uma sociedade que se deseja democrática. Brigaram pela heterogeneidade do público escolar em cada turma, o que viria a permitir um aprendizado de melhor convivência social na observação cotidiana das qualidades e diferenças uns dos outros. Essa separação só contribuiria para gerar uma ideologia preconceituosa.

Conquistaram o que queriam. O secretário de educação, José Medeiros Vieira, determinou providências no sentido de atender a reivindicação dos estudantes. A partir de então alunos e alunas não frequentariam as escolas públicas estaduais em salas isoladas. Foi, sem dúvidas, um avanço nas relações sociais entre pessoas de sexos diferentes, quebrando um padrão tradicional e conservador da educação em nosso estado.

Logo deduz-se que nos antecipamos em dois meses aos estudantes universitários de Nanterre e assumimos uma posição de vanguarda na defesa do ideal de igualdade social, entre homens e mulheres, pela via escolar.

 

www.reporteriedoferreira.com;br    Rui Leitão Jornalista, advogado e escritor




A OMISSÃO NA POLÍTICA:  Por Rui Leitao 

A OMISSÃO NA POLÍTICA:  Por Rui Leitao

A participação política é uma obrigação cidadã. Recusá-la é, no mínimo, uma postura irresponsável. Paulo Freire já nos ensinava que: “Todos nós temos atos políticos, só que uns são mais preocupados com o bem-estar da sociedade e outros mais preocupados em levar o indivíduo ao seu ápice de realizações dos seus desejos; respetivamente uma mais inclusiva e outra mais excludente”. Temos visto muita gente falar que detesta política e que prefere não debater qualquer assunto que trate desse tema. São os que se afirmam “isentos”. Na verdade, são omissos. E omissão é sinônimo de covardia, passividade, comodismo.

Decidem ficar “em cima do muro”, como se diz na linguagem popular. Neles está ausente o espírito público, porque só pensam em si próprios. Platão afirmava que: “o castigo dos bons que não fazem política, é serem governados pelos maus”. É exatamente por isso que o maior medo de um governo mal intencionado é o povo consciente”. Teme os que tenham senso crítico e se posicionem politicamente, vendo nesse comportamento uma ameaça ao sistema vigente. Quanto maior for o número de pessoas omissas, com o discurso de que estão descrentes com a política, mais favorecida fica a escassez dos valores éticos e princípios morais. Os corruptos se beneficiam dessa ausência de participação cidadã dos autoproclamados “apolíticos”. Fazer política não é, necessariamente, vincular-se a um partido ou defender uma ideologia. É preciso entender que a política faz parte da nossa vida. É a forma de participação na sociedade a qual estamos inseridos.

O problema é que muitos insistem na compreensão de que a política está vinculada, exclusivamente, a processos eleitorais. Esquecem que através dela é que se definem ações efetivas de desenvolvimento da população. Quando nos relacionamos com o mundo estamos “fazendo política”. É a melhor maneira de exercer a cidadania. Tenho dificuldades em conviver com os que carregam a máscara da isenção política. Vejo neles o obstáculo para a condução da nossa própria existência coletiva. Me desculpem a franqueza, mas me parece algo que cheira à hipocrisia. A omissão é também ignorância. Pratica-se a negligência quando alguém, tendo a consciência de que pode fazer algo pelo outro, não o faz. Assim se comporta o omisso político. Já estamos pagando um preço caro pela omissão de muitos que proclamam o discurso simplista de que “odeia a política”. Através dela se enraizam as injustiças sociais, colaborando com tudo aquilo que se imagina estar combatendo. Corrupção, por exemplo. Nossa sociedade não aguenta mais tanta omissão. A opção pelo silêncio ao invés do grito desgasta a esperança.

www.reportriedoferreira.com.br     Por Rui Leitão, Jornalista, advogado e Escitor




TUNEL DO TEMPO: Por Gilvan de Brito

TUNEL DO TEMPO: Por Gilvan de Brito

 

Agora, voltando ao passado, lembro-me com saudades do futuro, do progresso e dos tempos modernos, vividos nos anos setenta e oitenta em João Pessoa. Era uma fase de expectativas diante do surgimento do novo: LP de alta fidelidade, fitas cassetes de uso prático, filmadoras de mão e outras facilidades em todos os segmentos da vida. Homens pisando na Lua, ótimas músicas, excelentes compositores, grandes filmes. Havia até jornais diários (Jornal do Brasil, Correio da Paraíba,

O Momento, O Norte, Diário da Borborema, A União, trazendo sempre informações do dia anterior e nos atualizando com notícias completas de todo o mundo. Tinha uma ditadura mascarada e desmoralizada onde bastavam nas ruas os estudantes para lutarem contra as baionetas dos militares e sem qualquer resquício de medo e o empurrarem de volta aos quartéis.

E a Churrascaria Bambu? E o Pavilhão do Chá? E o Ponto de Cem Reis onde a fina intelectualidade se reunia misturada ao povo, nos fins de tarde, para tomar café São Braz e filosofar sobre a vida e à morte; E o animado carnaval do bate-latas e bloco dos sujos da Lagoa com direito a corso e lança-perfume? E o animadíssimo carnaval social do Cabo Branco, Astreia, Esquadrilha V, Boêmios Brasileiros, AABB e Internacional? E o Hotel Tambaú (antigo) onde alugávamos calções para o banho e guardávamos nossa roupa? E a rádio Tabajara nos esportes e a rádio Arapuan na política? Nossos times viajavam ao Recife e venciam o Sport no sábado e o Santa Cruz no domingo. Havia o nosso Botafogo, representando o Brasil, na Europa (escrevi até um livro sobre este périplo) e, enfim, muito mais solidariedade humana, melhor qualidade do ensino, companheirismo e confiança nas pessoas.

Não sei quanto tempo isso vai durar para chegarmos novamente aqueles anos de expectativas; espero que seja no menor espaço de tempo, após esta pandemia que nos atormenta. Eu sei, porque vivi.

 

www.reporteriedoferreira.com.br  Givan de Brito- Jornalista, Advogado e Escritor




CANÇÕESQUE FALAM POR NÓS 3. EU QUERO BOTAR MEU BLOCO NA RUA: Por Rui Leitao

CANÇÕESQUE FALAM POR NÓS 3. EU QUERO BOTAR MEU BLOCO NA RUA: Por Rui Leitao

O letrista e compositor dessa marcha-rancho que fez enorme sucesso em 1972, no IV Festival Internacional da Canção, desapareceu do cenário artístico precocemente. O capixaba Sérgio Sampaio era muito ligado a Raul Seixas, que inclusive produziu o disco que levou o nome título dessa música. “Eu quero é botar meu bloco na rua” faz parte de várias expressões musicais da era dos protestos à ditadura militar então vigente.

É uma exortação à ida do povo às ruas para se manifestar contra o regime autoritário que se instalara no país. “Há quem diga que eu dormi de touca/que eu perdi a boca/que eu fugi da briga/que eu caí do galho e não vi saída/que eu morri de medo quando o pau quebrou”. Era o desapontamento com a aparente passividade do povo brasileiro. Os ditadores imaginavam que todos nós “dormíamos de touca”, estávamos sem capacidade de reação, sem querer acordar para a realidade. Acreditavam que desde o AI-5, após as agitações de rua ocorridas em 1968, teríamos enfim nos determinado a “fugir da briga”, baixar as bandeiras de luta.

Acreditavam que “morríamos de medo” da experiência traumática do “pau quebrando”, quando dos protestos e passeatas dispersadas pela brutalidade da polícia. “Há quem diga que eu não sei de nada/que eu não sou de nada e não peço desculpas/que eu não tenho culpa, mas que dei bobeira/e que Durango Kid quase me pegou”. Continua Sérgio Sampaio chamando a atenção para a confiança do governo de que nós vivíamos uma situação de alienação, sem querer saber de nada, nem se importar em querer saber. Que admitíamos a nossa impotência para reagir. Usa da metáfora para dizer que “ao dar bobeira”, quase foi pego por Durango Kid, que simbolizava a polícia. Queria dizer que quando procurávamos sair da indolência, éramos pegos como infratores da ordem pública/social. “Eu, por mim, queria isso e aquilo/um quilo mais daquilo, um grilo menos disso/É disso que eu preciso ou não é nada disso/eu quero é todo mundo nesse carnaval”. A iniciativa de dizer o que queria, gritar suas reivindicações, exigir seus direitos.

O chamamento a que todos entrem “nesse carnaval”. O povo na rua, “todo mundo nesse carnaval”, numa só vontade, vivendo a mesma fantasia. “Eu quero é botar meu bloco na rua/brincar, botar pra gemer/ gingar, pra dar e vender”. Sérgio Sampaio usa a brincadeira e a alegria do carnaval para dizer que é preciso colocar “o bloco na rua”. Sair de casa e novamente cantar palavras de ordem, na busca da reconquista da liberdade que nos havia sido subtraída pelo golpe de 1964. Bom refletirmos que o momento de colocar “o bloco na rua” não é só por ocasião de uma ditadura militar, mas também quando é preciso demonstrar insatisfação contra governos que traem a confiança do povo e se comportam com despotismo e com práticas de corrupção. Essa música tem mais de quarenta anos, mas a conclamação de ir às ruas nunca perde a atualidade, mudam apenas as circunstâncias.

www.reporteriedoferreira.com.br  Por Rui Leitao- Jornalista, Advogado e Escritor.




E POR FALAR EM “MITO” Por Rui Leitao

E POR FALAR EM “MITO” Por Rui Leitao
Encontrei essas explicações sobre o que seja um “mito”, num trabalho acadêmico que tem como autora Elideusa Mendes da Costa, escrito em 2003. Achei muito interessantes e adequadas ao contexto político nacional que estamos vivendo: “ O termo já encerra em si grandes contradições: ora como “mentira”, ora como a verdade íntima escondida atrás de um véu, o mito para muitos nega a razão e a realidade, ainda que quase sempre não haja um questionamento profundo sobre esses dois conceitos. Há tantas definições para o termo quantas as diversas dinâmicas de compreensão do homem face ao mundo em que vive.
O mito não nega a razão, mas apodera-se dela de tal forma que a recria e a transcende suscitando, desse modo, diversas realidades em diferentes “mundos” do pensar: O mito é sempre uma incógnita, uma cortina meio transparente, uma forma de dizer tudo revelando muito pouco; enfim, uma grande metáfora. Nenhum mito surge do nada ou da simples vontade de existir; sua origem ou localização temporal dos fatos de que falam são questões bastante complexas.
Ao utilizarmos métodos limitados de interpretação, reduzimos o mito a definições que o apresentam como simples fantasia ou fato ilusório. Mircea Elaide, um estudioso dos mitos e das religiões, afirma que “nas sociedades em que o mito ainda está vivo, há uma distinção cuidadosa entre histórias verdadeiras e histórias falsas” A palavra mito se usa habitualmente como sinônimo de crença dotada de validade mínima e de pouca verossimilhança. Neste sentido, mito indica algo de irreal e inatingível, como quando se diz, por exemplo, “O mito não encontra, de maneira nenhuma, adequada objetividade no discurso” (Nietzsche, F. Origem da Tragédia. Lisboa 1972, p. 128). O empirismo científico nos acostumou a considerar o mito como um conhecimento “irracional” e infundado, produto de uma atividade intelectual pré-lógica”.
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CONFLITO DE (IN)COMPETÊNCIA) Por Francisco Nóbrega dos Santos

CONFLITO DE (IN)COMPETÊNCIA)
Por Francisco Nóbrega dos Santos

A Universidade da Vida é uma escola milenar que conduz o ser humano a fazer
distinção entre a inteligência, a sabedoria e a esperteza.E esses atributos, usando-os da melhor
forma, criam um distanciamento dos fatos, quando se coloca em dúvida algo a fazer ou a se
deixar de fazeristo porque é difícil se distinguir entre a humildade e a timidez; a modéstia e a
esnobação. Então, sem muito esforço pode-se saber que o humilde, tem algo de ingênuo e
ousado.

Porém é preciso despertar esse grau interior para externar conhecimento de uma
mente privilegiada, porém adormecida. É o saber que se oculta nas entrelinhas dos
pergaminhos que a vida cria em nossa massa “cinzenta. Todavia a mantém em repouso a
ousadia de impulsionar a massa cerebral que, nos ensinamentos da vida recebeu o nome
científico de “neurônios”.

Há um provérbio popular muito usado no cotidiano:- “de médico e louco todo mundo
tem um pouco”. Porém quando esses atributos são transformados em ambição e o sentido
abstrato se transmuda para megalomania pode induzir o ser humano à loucura.
Existe um provérbio árabe que diz: – “Aquele que sabe, mas não sabe que sabe; está
dormindo, acordai-o; aquele que não sabe e sabe que não sabe, é humilde, ensinai-o; porém
aquele que não sabe e não sabe que não sabe, é doido, evitai-o”.Isso nos prova que é perigoso
conceder a determinada pessoa, poderes que exigem discernimento para fazer distinção de
teoria e prática, pois a mente divorciada desses atributos é capaz de pensar que sabe conduzir
uma nave espacial, e só percebe que não é piloto quando aquela máquina voadora entra em
pane total.

Lei maior; É o que ora ocorre com os três poderes que constituem o arcabouço de sustentação de
uma democracia em que, na volúpia do poder, cada mandatário, quando alçado ao comando
pensa em mudar a Lei para, numa competição, avaliar o poder da força. O Legislativo crê no
parlamentarismo, onde se centraliza o poder nas mãos do legislador; por fim o judiciário, no
grau superior, cria uma hermenêutica jurídica de domínio e avoca para si o poder jurisdicional,
sem distinguir a distância entre a jurisdição e a competência; fingindo ignorar a disposição da
Lei Maior. E suprime a distância entre a relativização dos direitos e garantias fundamentais
vergastando as cláusulas pétreas, de uma Constituição originária,em que o sistema de
governo, a forma e o regime, somente com uma nova Carta sofreriam mudanças.
E à luz desses desvarios, diante da omissão de um povo ingênuo, rude e omisso,
mesmo com poder de decisão, naufraga na onda desses conflitos de incompetência, à espera
de um resultado triunfal ou desastroso, enquanto a prática nefasta dos mandatários (ou ex)
deixa a Pátria Amada à deriva à espera de uma redenção que jamais virá.

Reporto-me ao elastério da hermenêutica jurídica praticada por certos julgadores das
instâncias judiciárias. Em um passado não muito distante a Ordem dos Advogados do Brasil, no
uso das prerrogativas de escolher e eleger pelo sufrágio universal um advogado para compor o
Tribunal de Justiça da Paraíba, a classe, de forma democrática, escolheu um causídico atuante,
com extenso currículo e de notável saber jurídico, em lista tríplice, como estabelece o critério
do QUINTO CONSTITUCIONAL. O governador da época descartou o nome do escolhido para
nomear um concorrente menos votado. Tudo se consumou sem choros ou ranger de dentes.
Todavia, em nosso Estado houve a eleição para Reitor e o Chefe da Nação, divergiu da
lista tríplice e indicou um menos votado para o Cargo,porém. fora questionada ataques e

censuras e questionamentos judiciais. Daí a “hermenêutica da “hibridez” poderá invocar” a
soberania do sufrágio. E “na teleologia da controvérsia”, ninguém se surpreenda com uma
decisão final na tese “mutatis mutandis”. Teleologia que nem FREUD entende ou não quer se
envolver.

www.reporteriedoferreira.com.br    Por Francisco Nóbrega dos Santos- Jornalista, advogado e escritor




“MENINOS, EU VI” Por Gilvan de Brito

“MENINOS, EU VI” Por Gilvan de Brito
Vou fazer uso aqui de uma expressão cunhada pelo repórter Joel Silveira, que dava título a sua coluna, quando correspondente brasileiro da Segunda Guerra mundial para os jornais dos Diários Associados, na década de 1940, para dizer que tive o desprazer de ver no nosso país uma pandemia alastrar-se progressivamente (até agora perto de 200 mil mortes) e a tristeza de presenciar pela TV um genocídio brasileiro dentro dessa epidemia que atinge toda a Terra, neste fatídico ano de 2020.
Quero dizer com profundo pesar, como jornalista-observador, que pelo menos 90 mil dessas mortes poderiam ter sido evitadas através de uma ação eficiente dos governos, que incentivaram aglomerações, desacreditaram o uso de máscaras contra o vírus e agora não avançam sobra a vacinação do povo, criando espaços para outro genocídio.
Lamentável porque cada dia sem vacina representa centenas de mortes encomendadas. Enquanto isso, os nossos vizinhos do Continente já estão se vacinando. Aos que vem resistindo a tudo isso, quero expressar os meus sinceros votos de um suportável Natal e a esperança de um Ano Novo diferente.
www.repoteriedoferreira.com.br  Gilvan de Brito-Jornalista, advogado e escritor



A OMISSÃO NA POLÍTICA; Por Rui Leitao

A OMISSÃO NA POLÍTICA; Por Rui Leitao

A participação política é uma obrigação cidadã. Recusá-la é, no mínimo, uma postura irresponsável. Paulo Freire já nos ensinava que: “Todos nós temos atos políticos, só que uns são mais preocupados com o bem-estar da sociedade e outros mais preocupados em levar o indivíduo ao seu ápice de realizações dos seus desejos; respetivamente uma mais inclusiva e outra mais excludente”. Temos visto muita gente falar que detesta política e que prefere não debater qualquer assunto que trate desse tema. São os que se afirmam “isentos”.

Na verdade, são omissos. E omissão é sinônimo de covardia, passividade, comodismo. Decidem ficar “em cima do muro”, como se diz na linguagem popular. Neles está ausente o espírito público, porque só pensam em si próprios. Platão afirmava que: “o castigo dos bons que não fazem política, é serem governados pelos maus”. É exatamente por isso que o maior medo de um governo mal intencionado é o povo consciente”. Teme os que tenham senso crítico e se posicionem politicamente, vendo nesse comportamento uma ameaça ao sistema vigente.

Quanto maior for o número de pessoas omissas, com o discurso de que estão descrentes com a política, mais favorecida fica a escassez dos valores éticos e princípios morais. Os corruptos se beneficiam dessa ausência de participação cidadã dos autoproclamados “apolíticos”. Fazer política não é, necessariamente, vincular-se a um partido ou defender uma ideologia. É preciso entender que a política faz parte da nossa vida. É a forma de participação na sociedade a qual estamos inseridos. O problema é que muitos insistem na compreensão de que a política está vinculada, exclusivamente, a processos eleitorais.

Esquecem que através dela é que se definem ações efetivas de desenvolvimento da população. Quando nos relacionamos com o mundo estamos “fazendo política”. É a melhor maneira de exercer a cidadania. Tenho dificuldades em conviver com os que carregam a máscara da isenção política. Vejo neles o obstáculo para a condução da nossa própria existência coletiva. Me desculpem a franqueza, mas me parece algo que cheira à hipocrisia.

A omissão é também ignorância. Pratica-se a negligência quando alguém, tendo a consciência de que pode fazer algo pelo outro, não o faz. Assim se comporta o omisso político. Já estamos pagando um preço caro pela omissão de muitos que proclamam o discurso simplista de que “odeia a política”. Através dela se enraizam as injustiças sociais, colaborando com tudo aquilo que se imagina estar combatendo. Corrupção, por exemplo. Nossa sociedade não aguenta mais tanta omissão. A opção pelo silêncio ao invés do grito desgasta a esperança.

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