Suspeito de hostilizar Moraes influencia futebol e política no interior de SP e já liderou chapa PL-PT

Roberto Mantovani Filho. Foto: Reprodução

por ARTUR RODRIGUES E RUBENS CAVALLARI

SANTA BÁRBARA D’OESTE, SP (FOLHAPRESS) – Pouco antes da viagem na qual se deparou com Alexandre de Moraes em um aeroporto na Itália e se tornou alvo da Polícia Federal sob suspeita de hostilidade ao ministro do STF, Roberto Mantovani Filho chegou a ter uma conversa amistosa com Luis Vanderlei Larguesa, presidente do PT em Santa Bárbara d’Oeste (interior de São Paulo) que foi seu parceiro de chapa, em dobradinha com o PL, em uma eleição municipal.

“Ele me apresentou [a quem estava com ele]. A única coisa é que ele fez uma observação: ‘olha, esse aqui é um grande político, amigo meu, tal: o único defeito dele é ser do PT’. Fez essa observação como muita gente faz, mas num tom descontraído”, conta Larguesa, que manifestou estranhamento na segunda-feira (17) diante do episódio que envolveu Mantovani, Moraes e familiares de ambos na última sexta-feira (14) em Roma.

O empresário de 71 anos, influente nos negócios, na política e no futebol do município de 183 mil habitantes próximo de Campinas, prestou depoimento na terça-feira (18) à PF após um caso que gerou amplo repúdio na classe política. Disse ter reagido a ofensas e “afastado” uma pessoa que seria filho do magistrado.

Visto como algoz por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos últimos anos, Moraes foi hostilizado no aeroporto italiano, aos gritos de “bandido”, “comunista” e “comprado”, e relatou um golpe contra seu filho, cujos óculos chegaram a cair.

Mantovani, que estava com Andreia Munarão, sua esposa, Alex Zanatta Bignotto, seu genro, e Giovanni Mantovani, seu filho, definiu a situação como “um entrevero”. A defesa da família negou ofensa a Moraes e disse que acabou envolvida após hostilidade de outro grupo, mas se nega a expor detalhes e deixa perguntas sem respostas. Não comenta, porém, sobre a agressão ao filho do ministro do Supremo Tribunal Federal, atribuída ao empresário de Santa Bárbara.

O petista Larguesa, candidato a vice na chapa derrotada em que Mantovani tentou ser prefeito em 2004, quando os dois partidos tinham aliança nacional, afirma que prefere aguardar as apurações. O PL, pelo qual concorreu naquela eleição, só se tornaria partido de Bolsonaro em 2021.

O ex-candidato a vice define seu antigo parceiro como “conservador” e diz acreditar que tenha votado no então presidente em 2022. “Mas conheço um monte de gente que votou no Bolsonaro e que não tem perfil radical”, diz.

“Eu, francamente, estranhei”, completa, em relação ao conflito no aeroporto.

Em Santa Bárbara d’Oeste, antes do caso envolvendo Moraes, Mantovani é conhecido há décadas pela atuação como presidente do clube de futebol União Barbarense durante um período tido como áureo do time, no fim da década de 1990 e começo dos anos 2000.

Em 1999, em um momento registrado pelo jornal Folha de S.Paulo, chegou a participar de uma homenagem do clube a Zagallo, tetracampeão mundial de futebol e então técnico da Portuguesa. Veja:

Suspeito de agredir Moraes em Roma liderou chapa PL-PT - 17/07/2023 - Poder  - Folha

“Nós nunca imaginamos que o Zagallo, que é tetracampeão do mundo de futebol, viesse a Santa Bárbara”, disse Mantovani na época.

O jornalista JJ Belani, pesquisador da história do time, diz que Mantovani foi um dos maiores presidentes do clube. “Com ele no comando, o União Barbarense conquistou seu maior título, o de campeão paulista da Série A-2 em 1998 e em seguida campeão paulista do interior em 1999”, afirmou.

Com isso, o time subiu para a primeira divisão. Posteriormente, outros grupos políticos assumiram o clube, que voltou à segunda divisão.

Pela atuação como empresário em uma empresa de bombas voltadas à indústria e acessórios, Mantovani já recebeu homenagens na Câmara Municipal de Santa Bárbara.

Atualmente, ele é filiado ao PSD, segundo a sigla. O partido, porém, pode expulsá-lo após avaliação da comissão de ética. Em 2020, Mantovani apoiou candidatos locais com doações – de R$ 19 mil distribuídos, R$ 11 mil foram para o PSD.

A aposta, novamente, não vingou nas urnas. O candidato Dr. José (PSD), que recebeu R$ 4.000 do empresário, perdeu para o atual prefeito, Rafael Piovezan (PV).

Políticos locais agora também parecem se esquivar de vínculo com o empresário.

Em 2018, o vereador Joi Fornasari (PV) fez uma moção de aplausos à Helifab, empresa de Mantovani, citando-o nominalmente. Nesta segunda, a reportagem procurou Fornasari pessoalmente na Câmara, mas foi informada que ele não falaria sobre o tema.

Não foi a primeira homenagem recebida por Mantovani, que já havia recebido o título de Cidadão Barbarense e também uma medalha da Casa Legislativa.

Contatado pela reportagem, Mantovani informou que passaria esta segunda-feira fora de Santa Bárbara e indicou a reportagem a procurar seu advogado, Ralph Tórtima Filho.

A reportagem também foi até a residência do genro dele, Alex Zanatta, que não quis dar entrevista. Ele prestou depoimento à PF no domingo (16) em Piracicaba (SP) e negou a acusação de ofensas ao ministro.

Em Santa Bárbara, no segundo turno das eleições de 2022, 66% da população votou em Bolsonaro contra Lula. Mantovani, porém, busca afastar a pecha de bolsonarista radical em meio ao episódio com Moraes.

O advogado da família afirma que Mantovani já esteve com Lula no passado e sempre teve relação de respeito com o PT.

“O ocorrido [no aeroporto] não tem qualquer conotação política”, diz. “Não houve em momento algum nada direcionado ao ministro, em momento algum eles quiseram atingir a imagem pública do ministro.”

O advogado, mais uma vez, evitou comentar a suspeita de agressão contra o filho de Moraes. Segundo ele, o assunto será tratado nesta terça, quando o empresário vai depor à PF.

De acordo com o advogado, a família está assustada com a repercussão do caso e “ciente que isso tudo logo vai ser esclarecido”.

Tórtima Filho diz que Mantovani atualmente está aposentado e se dedica principalmente a cuidar dos netos. Já a esposa dele, segundo o defensor, atua como voluntária em entidades beneficentes.

O empresário fez carreira no comando da Helifab, do ramo de bombas, que distribuía produtos da Netzsch – fundada na Alemanha, que afirma ter adquirido a empresa no ano passado e que buscou se distanciar do antigo parceiro.

Segundo o grupo, Mantovani não representa mais a Netzsch. “O Grupo Netzsch claramente não se alinha com as atitudes do Sr. Roberto Mantovani e condenamos veementemente suas ações e comportamento”, diz a empresa.

Apesar disso, afirma que está “verificando se ainda existem relações comerciais ativas entre o Sr. Mantovani e a Netzsch”.

Veja fotos de Mantovani ao lado de Lula:

Suspeito de agredir Moraes em Roma liderou chapa PL-PT - 17/07/2023 - Poder  - Folha

Suspeito de agredir Moraes em Roma liderou chapa PL-PT - 17/07/2023 - Poder  - Folha

Suspeito de agredir Moraes em Roma liderou chapa PL-PT - 17/07/2023 - Poder  - Folha




Envolvidos em agressões a Moraes podem ser presos no Brasil; entenda

Atitude dos brasileiros acusados de hostilizar Moraes e sua família pode ser caracterizada por mais de um crime; pena pode ser de mais de oito anos de reclusão

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PF pede imagens do aeroporto de Roma para investigar hostilidades a Moraes
Reprodução

PF pede imagens do aeroporto de Roma para investigar hostilidades a Moraes

O incidente ocorrido na última sexta-feira (14) envolvendo um grupo de brasileiros e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)  Alexandre de Moraes, juntamente com sua família, desencadeou um inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar o caso.

A atitude dos brasileiros, que foram acusados de hostilizar Moraes e sua família, pode ser caracterizada pela PF como agressão, injúria, difamação ou até mesmo uma tentativa de subverter o Estado Democrático de Direito.

Renato Ribeiro de Almeida, Doutor em Direito do Estado pela USP, afirma que brasileiros que cometem crimes fora do país também devem responder por essa prática de crimes, ainda mais envolvendo autoridades da República Federativa do Brasil.

“É devida a apuração dos fatos, inclusive, com a possível penalização dessas pessoas por crime contra honra e até por lesão corporal, caso for comprovada a agressão contra o filho do ministro Alexandre de Moraes”, disse.

Rubens Beçak, professor de Graduação e Pós-graduação da USP, também compartilha da mesma interpretação e alega que caso o Ministério Público Federal identifique agressão ou intenção de coação ou constrangimento ao exercício do cargo público, a pena pode ser até mais do que oito anos de reclusão, conforme a classificação de crimes contra o Estado Democrático de Direito.

“Se esse inquérito for positivo, e a questão das imagens eu acho de suma importância, aquelas pessoas tidas por agressores sofrerão, desde que ouvido o ministério público, a ação penal e ao final as combinações da lei, inclusive prisão, multas”, afirmou.




Lula e líderes estrangeiros pedem que Venezuela garanta eleições justas para que, em troca, retirem sanções

 

Presidente Lula (Foto: Reprodução)

Por CNN Brasil

Os presidentes do Brasil, França, Colômbia, Argentina, e um representante da União Europeia divulgaram uma nota conjunta nesta terça-feira (18), em defesa de eleições justas e transparentes na Venezuela.

No documento, Emmanuel Macron, Luiz Inácio Lula da Silva, Gustavo Petro, Alberto Fernandez e Josep Borrell, fizeram um “apelo em prol de uma negociação política que leve à organização de eleições justas para todos, transparentes e inclusivas, que permitam a participação de todos que desejem, de acordo com a lei e os tratados internacionais em vigor, com acompanhamento internacional”.

Ainda segundo a nota, a realização de um processo eleitoral transparente estaria acompanhado de uma “suspensão das sanções, de todos os tipos” contra a Venezuela.

A divulgação do documento conjunto ocorre após uma reunião na segunda-feira (17) durante a cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia. No encontro estavam presentes Lula, Emmanuel Macron, Alberto Fernández, Gustavo Petro, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, e um dos principais líderes da oposição no país, Gerardo Blyde.

A CNN apurou que o Brasil encarou a presença de Delcy e de Blyde, no encontro, como sinal de que um entendimento governo-oposição ainda é plenamente factível.

Fontes do governo brasileiro afirmam que a reunião proposta pelo governo francês sobre a Venezuela deixou os venezuelanos satisfeitos e pode representar uma mudança de paradigma na visão dos europeus sobre o país sul-americano.

Veja a nota na íntegra

“Paralelamente à Terceira Cúpula de Líderes da União Europeia e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o Presidente da República da Colômbia, Gustavo Petro, o Presidente da República Argentina, Alberto Fernandez, e o Alto Representante da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança, Josep Borrell, reuniram-se com Delcy Rodriguez, Vice-Presidenta do Governo da República Bolivariana da Venezuela, e Gerardo Blyde, negociador-chefe da Plataforma Unitária da oposição venezuelana. Essa iniciativa dá seguimento ao debate sobre a situação na Venezuela, organizado pelo Presidente da República Francesa no Fórum pela Paz de Paris, em novembro de 2022.

Os presidentes da Argentina, Brasil, Colômbia e França, assim como o Alto Representante, expressaram sua solidariedade com os países que acolhem cidadãos venezuelanos que deixaram seu país. Eles saudaram a assinatura na Cidade do México de um acordo social inter-venezuelano, em 26 de novembro de 2022, e solicitaram sua implementação efetiva o mais rapidamente possível, em prol do povo venezuelano.

Os Chefes de Estado e o Alto Representante instaram o governo venezuelano e a plataforma unitária da oposição venezuelana a retomar o diálogo e a negociação no âmbito do processo do México, com o objetivo de chegarem a um acordo, entre outros pontos da agenda, sobre as condições para as próximas eleições. Eles fizeram um apelo em prol de uma negociação política que leve à organização de eleições justas para todos, transparentes e inclusivas, que permitam a participação de todos que desejem, de acordo com a lei e os tratados internacionais em vigor, com acompanhamento internacional. Esse processo deve ser acompanhado de uma suspensão das sanções, de todos os tipos, com vistas à sua suspensão completa.

Os Chefes de Estado e o Alto Representante concordaram que o relançamento das relações entre a UE e a CELAC representa uma oportunidade de trabalhar em conjunto em prol da resolução da situação venezuelana. Eles propuseram que os participantes da reunião continuem a dialogar, no marco das iniciativas estabelecidas, de forma a fazer um novo balanço no Fórum de Paz de Paris em 11 de novembro de 2023.”




Padilha diz que Itália confirma agressão a família de Moraes

A família do ministro do STF foi hostilizada no aeroporto de Roma, na última sexta-feira (14)

iG Último Segundo

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Ministro Alexandre Padilha
Reprodução

Ministro Alexandre Padilha

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira (18) que as autoridades da Itália confirmaram que a família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) foi agredida no aeroporto de Roma na última sexta-feira (14 ).

O ministro afirmou que não teve acesso às imagens do aeroporto, mas que a Itália confirmou a agressão. “Sei dessas informações desde ontem, de que, de fato, a parceria com autoridades da Itália confirmavam a agressão e certamente os depoimentos para a Polícia Federal vão esclarecer as agressões”, disse Padilha em entrevista ao UOL.

Padilha ainda citou a tentativa de golpe em 8 de janeiro e disse que é hora de acabar com a intolerância no Brasil. “Fizemos um grande esforço para estancar uma tentativa de golpe que teve no país, que cada vez mais vamos vendo que foi planejada”, afirmou o ministro.

Os suspeitos de terem hostilizado o ministro Alexandre de Moraes, são o casal  Roberto Mantovani Filho e Andreia Mantovani , e o genro,c

O casal prestou depoimento à Polícia Federal sobre o caso nesta terça-feira (18) . Eles negaram ter agredido o ministro e confirmaram um ‘empurrão’ no filho de Moraes para afastá-lo.

Segundo informações da EPTV, filiada da Globo no interior de São Paulo, a defesa disse que Roberto admite ter dado um “empurrão” no filho de Moraes para defender a esposa. Os advogados relatam que o casal foi vítima de ofensas por parte do filho do ministro.

A defesa alega ainda que a confusão começou por falta de vagas na área VIP do aeroporto de Roma, onde as duas famílias aguardavam um voo. O casal teria visto o ministro na recepção da sala e outras pessoas o ofendendo. Em seguida, Andreia teria dito que “para político tem lugar, mas para pessoas com duas crianças de colo não tem”.

Eles relatam então que o filho do magistrado começou a ofender Andreia Mantovani, o que fez com que Roberto afastasse com o braço o rapaz de sua esposa.

O casal teria dito que o filho de Moraes perguntou se Roberto “queria briga”, e ele teria respondido que apenas queria defender Andreia.

Moraes disse em depoimento à PF que Roberto Mantovani Filho, “passou a gritar e, chegando perto do meu filho, Alexandre Barci de Moraes, o empurrou e deu um tapa em seus óculos. As pessoas presentes intervieram e a confusão foi cessada”.

O ministro deu uma palestra na Universidade de Siena, onde participou de um fórum internacional de direito na semana passada.

O magistrado disse ainda que alertou os hostilizadores que seriam “fotografados para identificação posterior, tendo como resposta uma sucessão de palavras de baixo calão” e afirmou que Andreia ainda o chamou de “bandido, comunista e comprado”.

No sábado (15), a Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar três pessoas que hostilizaram o ministro. Além disso, o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que vai ‘tomar medidas cabíveis’ sobre as agressões.

 




PGR pede acesso a dados de publicações de Bolsonaro sobre urnas

Ministério Público pretende usar informações no inquérito que investiga se ex-presidente incitou os atos antidemocráticos de 8 de janeiro

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iG Último Segundo

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Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil
Reproduçao TV Globo

Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta segunda-feira (17) para que redes sociais envie informações sobre publicações do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em referência às eleições de 2022. O pedido foi endereçado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que poderá determinar o colhimento dos dados.

A PGR pede acesso às informações de postagens feitas sobre as urnas eletrônicas, Forças Armadas, Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do STF. O subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos ainda solicitou acesso a fotos de vídeos publicados pelo ex-presidente

Os dados serão usados no inquérito que investiga se Bolsonaro incitou os atos antidemocráticos de 8 de janeiro. O ex-presidente nega ter participado ou articulado os ataques em Brasília.

Santos ainda pediu acesso as métricas das publicações feitas pelo ex-presidente. Uma lista completa de seguidores de Jair Bolsonaro também foi solicitada.

Esse é o segundo pedido da PGR para ter acesso as informações das redes sociais de Bolsonaro. Além do Instagram e Facebook, TikTok, Twitter, YouTube e LinkedIn podem ser notificados.

A suspeita do MP é que Bolsonaro tenha incitado os golpistas ao publicar um vídeo em que aponta, sem provas, uma fraude nas urnas eletrônicas dois dias antes dos atos antidemocráticos. Em depoimento à PF, o ex-presidente disse ter publicado a gravação por engano, pois estava sob efeito de remédios. Na época, ele estava internado em um hospital nos Estados Unidos para tratar uma obstrução intestinal.

 




Haddad culpa Banco Central por desaceleração da economia em maio

Fernando Haddad lamenta juros reais de 10% estabelecido pelo BC para a Selic. Foto: José Cruz/ABr

A desaceleração da economia obtida pelo Banco Central (BC) por meio dos juros altos está dentro do esperado, mas veio forte e afeta a economia, disse nesta segunda-feira (17) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele comentou o recuo de 2% do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) em maio em relação a abril, divulgado nesta manhã pelo Banco Central (BC).

“[Está] como esperado [o IBC-Br]. Muito tempo de juro real muito elevado. Nós estamos preocupados, estamos recebendo muito retorno de prefeitos, de governadores sobre arrecadação, a nossa mesma aqui”, afirmou Haddad no início desta tarde. Divulgado todos os meses pelo BC, o IBC-Br funciona como um tipo de prévia do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país).

O ministro voltou a criticar a política de juros altos e disse que taxas reais (juros menos inflação) em torno de 10% ao ano prejudicam a economia. “A pretendida desaceleração da economia pelo Banco Central chegou forte. A gente precisa ter muita cautela com o que pode acontecer se as taxas forem mantidas na casa de 10% o juro real ao ano. Está muito pesado para a economia”, acrescentou.

Em 1º e 2 de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reúne-se para decidir se mantém a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 13,75% ao ano ou se começa um ciclo de cortes. Esse será o primeiro encontro após a posse dos novos diretores do BC, Gabriel Galípolo (Política Monetária) e Ailton Aquino (Fiscalização).

Haddad deu a declaração ao voltar de reunião no Palácio do Planalto incluída de última hora na agenda. Segundo o ministro, o encontro tratou sobre eventuais ajudas a cooperativas de catadores de lixo, cuja população pode estar subestimada. “O Cadastro Único [do governo federal] aponta 300 mil pessoas como catadores de materiais recicláveis, mas o número real pode chegar a 1 milhão. A Fazenda foi demandada a traçar cenários para ajudar essa população”, informou o ministro. (Agência Brasil)




Lula embarca para a Bélgica para cúpula e encontros bilaterais

Cúpula Celac-União Europeia terá início na segunda-feira (17)

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Agência Brasil

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Cúpula Celac-União Europeia terá início na segunda-feira (17)
Reprodução / Rádio Gaúcha – 29.06.2023

Cúpula Celac-União Europeia terá início na segunda-feira (17)

O  presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca na noite deste sábado (15) com destino a Bruxelas, na Bélgica, onde participará da Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da  União Europeia. O embarque está previsto para as 22h, na Base Aérea de Brasília. Haverá uma parada técnica para abastecimento, no Aeroporto Internacional do Recife. Pela agenda oficial divulgada pelo Palácio do Planalto, a previsão de chegada na capital belga é 16h10, horário local (11h10 pelo horário de Brasília).

Ao todo, cerca de 60 líderes estrangeiros dos países componentes dos blocos são esperados para o encontro, que ocorrerá oficialmente nos dias 17 e 18. A delegação brasileira levará à cúpula propostas de estímulo à cooperação mútua nas áreas ambiental, energética e de defesa, além do combate à fome e aos crimes transnacionais.

Embora não figure entre os principais temas da 3ª Cúpula Celac-União Europeia, as negociações para conclusão do acordo de livre-comércio entre os países do bloco europeu e do Mercosul podem ser objeto das conversas. Compõem o Mercosul a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai.

Segundo o Itamaraty, Lula levará ao evento o posicionamento brasileiro em relação às últimas exigências do bloco europeu para aprovar a assinatura do tratado – que incluem, entre outras coisas, a previsão de multas em caso de descumprimento de obrigações ambientais.

Agenda

Embora ainda não esteja totalmente fechada, a agenda do presidente Lula prevê reuniões e encontros com líderes políticos e empresariais europeus.

O chefe do governo brasileiro terá encontros com o rei da Bélgica, Philippe Léopold Louis Marie, e com o primeiro-ministro do país anfitrião, Alexandre De Croo. Também já foram confirmados compromissos com os representantes da Áustria e da Suécia.

Na segunda-feira (17), Lula participa do Fórum empresarial União Europeia – América Latina, pela manhã. À tarde, ocorre a sessão de abertura da Celac. No dia seguinte, ocorre a Cúpula da Celac-União Europeia. O retorno a Brasília está previsto para quarta-feira (19).




Erika Hilton sofre ataque trasfóbico de deputado durante a CPMI do 8/1

O deputado Abilio Brunini (PL) já havia sido repreendido pelo presidente da CPMI anteriormente por filmar e debochar de coleg

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iG Último Segundo

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Erika Hilton (PSOL) e Abilio Brunini (PL)
Câmara dos Deputados

Erika Hilton (PSOL) e Abilio Brunini (PL)

Durante o depoimento do tenente-coronel Mauro Cid, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas do 8 de janeiro, a deputada  Erika Hilton (PSOL-SP) teria sofrido um ataque tranfóbico do deputado da oposição Abilio Brunini (PL-MT). A oitiva acontece nesta terça-feira (11), e o momento que Hilton descobre o comentário viralizou nas redes.

A fala de Brunini foi ouvida por outros parlamentares presentes no momento. O presidente da CPMI, o deputado Arthur Maia (União Brasil-BA), disse que investigará o caso. “Eu não ouvi, mas outros deputados disseram que ouviram. O deputado Abílio disse que não falou. A nossa decisão é a seguinte: nós vamos fazer uma investigação, vendo as filmagens. Se vossa excelência falou, vai ter a leitura labial e vai ser fácil que isso seja identificado. Se vossa excelência de fato agir dessa forma, vai ter uma penalidade contra o senhor”.

Abilio teria feito os comentários durante a fala de Erika Hilton, sendo ouvido pelos parlamentares ao redor. O deputado já havia sido advertido pelo presidente da comissão mais cedo, por filmar e debochar de colegas. Segundo Maia, estava proibido que integrantes da comissão gravassem os colegas.

A deputada se pronunciou sobre os ataques no tempo reservado a ela, dizendo que o parlamentar deveria “tratar sua carência em outro espaço”, levantando que o Congresso Nacional é um local “sério”. Ela continuou a fala, mas foi interrompida pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), que fez a denúncia do comentário “homofóbico”.

“O seu Abílio foi homofóbico. Fez uma fala homofóbica, quando a companheira estava se manifestando, ele acusou e disse que ela estava oferecendo serviços. Isso é homofobia, é um desrespeito. Peço a vossa excelência que o senhor peça para o deputado se retirar do plenário”, disse o senador.

Soraya Thronicke (Podemos-MS), confirmou que houve um comentário homofóbico do deputado. A declaração foi negada por Brunini e aliados, gerando tumulto na sessão. Arthur Maia então anunciou a investigação. “Eu solicito à secretaria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que envie para a Polícia Legislativa a cópia dessa filmagem para que se faça uma apuração”.

O deputado Marco Feliciano (PL-SP), relativizou a fala de Brunini, dizendo: “Quando você dá, automaticamente você recebe”, se referindo uso do termo “carente” para tratar o parlamentar pela deputada.

Erika Hilton retomou o tempo de fala, fez os questionamentos ao depoente, e se manifestou ao final dizendo: “Todas as sessões o deputado parece querer chamar a nossa atenção. Isso me parece um comportamento baseado na psicanálise”.

Ela completa: “Quando eu disse sobre carência é baseado no comportamento de querer o tempo inteiro chamar a atenção. Eu poderia até aconselhá-lo a adotar um cachorrinho, para não se sentir tão só. O comportamento não condiz com a posição dessa CPMI”.

E finaliza dizendo: “Não aceitaria e não tolerarei ser desrespeitada, interrompida ou colocada em comparações de baixo calão ou baixo nível. Trato todos os colegas com respeito e diplomacia e assim o exijo. Aqueles que fingirem dessa diplomacia terão que responder criminalmente por qualquer tentativa estereotipada ou criminosa da minha identidade.”

Abilio contrapôs afirmando querer uma investigação “célere”, e retomou dizendo que “não tem ataque” a deputada. “Uma narrativa elaborada. Não tenho interesse algum em destratar qualquer pessoa aqui por questão de gênero.”




Janja entra em campo para afastar Centrão de comando do Bolsa Família

Janja durante a cerimônia de diplomação de Lula. Foto: Lula/Ricardo Stuckert

Por Daniel Rittner

Em meio às pressões de partidos do Centrão para ganhar mais espaço no governo, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, gravou um vídeo ao lado do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), cuja pasta é cobiçada pelo PP.

O partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), entregou 40 dos 49 votos possíveis na votação da reforma tributária em primeiro turno. Para se comprometer mais fortemente com o governo, o PP vinha pleiteando o comando do Ministério da Saúde.

No entanto, diante da disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em manter Nísia Trindade na Saúde, o foco da legenda passou a ser o Ministério do Desenvolvimento Social, que está à frente do Bolsa Família e participa ativamente do Programa de Aquisição de Alimentos.

No vídeo gravado na sexta-feira (7), Janja manda um recado indireto a quem pretende assumir o ministério. Ela visitou o gabinete de Wellington Dias e fez o vídeo ao lado dele e de secretárias da pasta – incluindo a secretária de Renda e Cidadania, Eliane Aquino, responsável pelo Bolsa Família.

“Eu estou aqui no MDS, e esse é o coração do governo. O presidente Lula fala que a população mais pobre do Brasil é a prioridade desse governo”, disse Janja. “Então, o Ministério do Desenvolvimento Social é que atende as políticas públicas feitas para essa população, são pensadas aqui”, acrescentou Janja.

“Acabamos de fazer uma reunião muito importante, eu aprendi muito aqui, tirei muitas dúvidas e eu quero contar para vocês que a gente tem muitos projetos muito legais vindo aí pela frente, o Brasil Sem Fome está chegando e a gente está muito feliz. O trabalho, aqui, está acontecendo, e a realidade do Brasil está mudando a cada dia. Todos juntos pela união e reconstrução do Brasil”.




Daniela Carneiro deve ser vice-líder do governo Lula, diz Padilha

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Daniela Carneiro
Reprodução

Daniela Carneiro

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse nesta sexta-feira (7) que a ministra do Turismo, Daniela Carneiro, será vice-líder do governo na Câmara após oficializar sua saída. A exoneração dela da pasta ocorrerá na próxima semana, depois do encontro de lideranças do União Brasil com Lula (PT).

“O próprio prefeito de Belford Roxo (Waguinho, marido de Daniela), que participou da reunião, inclusive disse que a ministra Daniela, na medida que vá assumir um papel importante no Congresso Nacional, a gente cogitou, fizemos esse comentário com ela, para que ela possa, inclusive, assumir um papel de vice-liderança no Congresso Nacional, seja no Congresso ou na Câmara. Isso está absolutamente esclarecido. Agora nós temos um tempo de poder reunir os líderes e dirigentes desse partido para poder conversar, definir uma data, um desfecho dessa alteração”, comentou.

“Nós, tanto conversado ontem com a ministra Daniela Carneiro, que inclusive não só reafirmou o compromisso dela com o governo do presidente Lula, falamos inclusive da nossa intenção, ao ir para o Congresso Nacional, mas a data, definição da data dessa mudança vamos construir ainda com as lideranças do União Brasil, que é o partido que indica esse ministério”, continuou.

“Provavelmente devemos fazer isso ao longo da semana, que é inclusive trazer as lideranças e direção do União Brasil ao presidente Lula para que a gente possa fazer isso ao longo da semana”, completou.

Outras mudanças em ministérios

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais afirmou que não há qualquer definição sobre alterações em outros ministérios, além da troca no Turismo. Em conversa com jornalistas no Palácio da Alvorada, o petista relatou que o Palácio do Planalto discutirá a entrada de outras legendas na base aliada.

“Não tem nenhuma definição por parte do governo em relação a isso [ministérios abertos para negociação]. Nos concentramos nesta semana num esforço para que pudéssemos concluir o desfecho da reorganização de ministérios de partidos que já compõem o governo e queriam fazer reformulação de indicados”, falou Padilha, referindo-se à mudança no Turismo.

“Não discutimos outros espaços, mas quero dizer que o governo está absolutamente aberto a discutir a entrada no governo de outras forças políticas. (…) Sobretudo de parlamentares que ou já fizeram campanha para o presidente Lula ou que sinalizaram claramente a defesa do governo, sobretudo a partir do dia 8 de janeiro”, acrescentou.

Padilha contou que membros da oposição (PP, PL e Republicanos) podem ser convidados para fazer parte do governo federal.

“Nesses três partidos, você tem vários parlamentares que já participaram no primeiro turno da campanha do presidente Lula naquela frente, já de alguma forma dialogam nos seus estados com orientações para o governo e vários parlamentares que se aproximaram ainda mais do governo depois de atos golpistas”, explicou.