Governo planeja ‘Dia D’ contra Covid-19 com recomendação de cloroquina e irrita ministro da Saúde

 

“Se tem cloroquina escrito, está errado”, afirmou o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, sobre campanha do governo Bolsonaro cujo slogan é “tratamento precoce é vida”

Eduardo Pazuello, Jair Bolsonaro e Hidroxiclorquina (Foto: Reprodução)

 

247 – O governo de Jair Bolsonaro planeja um ‘Dia D’ contra a Covid-19 no dia 3 de outubro, segundo a CNN. O slogan da campanha é “tratamento precoce é vida”, pedindo que as pessoas, no primeiro sintoma, procurem um médico e solicite o tratamento precoce, com hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e zinco. O kit não será distribuído pelo governo à população.

A medida irritou o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. “Se tem cloroquina escrito, está errado. Vamos corrigir. Falei muitas vezes pros meus secretários que não era pra ter nome de medicamento”, reclamou. O documento cita a hidroxicloroquina pelo menos três vezes.

Pazuello disse que o ‘Dia D’ não vai servir para incentivar o uso de nenhum remédio, mas para reforçar que as pessoas busquem um atendimento médico logo no início dos sintomas do novo coronavírus, para prevenir.

www.reporteriedoferreira.com.br  Por Brasil 247




Motociclista morre ao bater em carreta na BR-101 em João Pessoa

Entregador de gás morre após colisão com carreta na BR-101, em João Pessoa

​O condutor da carreta permaneceu no local até a chegada da Polícia Rodoviária Federal (PRF-PB)

Foto-instagran

Um homem morreu na noite desta sexta-feira (25) em um trecho da rodovia BR-101, no Distrito Industrial , nas imediações do bairro Costa e Silva, em João Pessoa. Ele estava de moto e houve colisão contra uma carreta. A vítima foi identificada por Gilvan Noerto, 27 anos.

De acordo com informações  repassadas por testemunhas, o homem estava vestido com um uniforme de entregador de gás. Um botijão também ficou caído no local do acidente. Houve perda de massa encefálica. O corpo da vítima foi transladado para o Departamento e Medicina Legal, a fim de ser realizado a necropsia e liberado para sepultamento.

www.repoteriedoferreira.com.br




Governo divulga Diretrizes para retorno às aulas presenciais na Paraíba

 

O Governo do Estado divulgou, nesta sexta-feira (25), no Diário Oficial do Estado, o decreto Nº40.574 que estabelece as “Diretrizes para o retorno às aulas presenciais – Plano Novo Normal para a Educação da Paraíba (PNNE/PB)”.  As Diretrizes trazem uma série de procedimentos para o processo de retomada das aulas presenciais em todos os sistemas educacionais do Estado, incluindo as Redes Pública e Privada de Ensino, e também as instituições de Ensino Superior. Contudo, ainda não há uma data estabelecida para o retorno das atividades presenciais na educação do Estado.

O PNNE-PB segue as orientações do Plano Novo Normal Paraíba, das Diretrizes para o Protocolo de Retorno às aulas Presenciais do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação do Brasil (CONSED), além da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) e outros órgãos de educação e saúde pública.

Além do decreto, disponível em https://auniao.pb.gov.br/servicos/arquivo-digital/doe/janeiro/setembro/diario-oficial-25-09-2020.pdf, foram elaborados quatro guias que trazem o conteúdo dos quatro eixos de modo didático. Os materiais estão disponíveis em https://paraiba.pb.gov.br/diretas/saude/coronavirus/arquivos-1/diretrizes-aulas

Quatro eixos – O PNNE-PB está pautado em quatro eixos: Governança, Diagnóstico e Planejamento de Retomada; Orientações Sanitárias; Pedagógico e Competências Socioemocionais e Acolhimento Psicossocial.

O primeiro deles assegura a volta às aulas presenciais de modo seguro dentro do panorama de convivência com a Covid-19, requer um diagnóstico prévio à retomada das aulas de aspectos pedagógicos, administrativos, de infraestrutura e de proteção a saúde dos membros da comunidade escolar e servidores públicos de educação. Além disso, é preciso consolidar uma estrutura de governança que possa planejar, monitorar e avaliar a efetividade das ações estratégicas a serem implementadas diante dos dados coletados ao longo da diagnose.

O segundo eixo explica que os Protocolos de Orientações Sanitárias serão adotados a partir das orientações emitidas pelo Comitê Interinstitucional e Intersetorial de Acompanhamento Estadual. A utilização constante de máscaras por estudantes, profissionais da educação e outras pessoas que eventualmente acessem a escola é de caráter obrigatório.

Já o terceiro eixo orienta as instituições de ensino para a possibilidade da utilização das atividades pedagógicas não presenciais ou ensino remoto, tendo em vista a flexibilização dos dias letivos mas a manutenção da carga horária anual, prevista pela Medida Provisória 934/2020. Além disso, outras medidas de caráter pedagógico também serão adotadas.

Por fim, o quarto eixo, apresenta soluções para reorganização escolar e socioafetiva dos estudantes que viram suas rotinas serem alteradas completamente e tiveram impactos emocionais com o período de distanciamento social.

Retorno das aulas – A Secretaria de Estado da Saúde, dentro das ações implementadas pelo Comitê Gestor de Crise, apresenta periodicamente avaliações que consideram a análise da evolução epidemiológica da pandemia da Covid-19 na Paraíba e, a partir destas, orienta possíveis retomadas de atividades presenciais. No tocante ao contexto educacional, estão sendo realizados estudos populacionais que irão promover uma projeção sobre a incidência da Covid-19 na Paraíba e que vão auxiliar na compreensão de todo o impacto que a retomada das aulas presenciais poderá gerar no sistema de saúde paraibano. Diante disso, ainda não há previsão para o retorno das aulas presenciais.

www.reporteriedoferreira.com.br




Ruy Carneiro propõe uma intervenção nas concessões de transportes públicos da Capital

O pré-candidato à prefeitura de João Pessoa Ruy Carneiro propõe uma intervenção nas concessões de transportes públicos da cidade, com o objetivo de garantir a qualidade do serviço, melhorando a frota de ônibus com veículos climatizados e promovendo mais pontualidade nas viagens.

“Queremos transformar o transporte público na cidade, colocando veículos com ar-condicionado e na hora, porque o morador de João Pessoa não aguenta mais pagar caro na passagem e receber um serviço que não atende à expectativa”, ressaltou Ruy Carneiro.

Ruy Carneiro vem ouvindo os relatos negativos dos moradores da cidade sobre os transportes coletivos em suas visitas comunitárias. Para resolver os problemas, ele pretende priorizar a circulação dos ônibus nos principais corredores da cidade com faixas exclusivas e semáforos inteligentes, possibilitando que o ônibus chegue na hora na parada de ônibus.

Outra proposta de Ruy é melhorar e adequar as paradas de ônibus, incluindo iluminação e abrigo adequado para que o usuário não fique esperando no sol e na chuva, para garantir conforto e segurança, através de parcerias com empresas privadas.

Os terminais de ônibus também serão renovados, a partir do Terminal de Integração do Varadouro, que passará a acomodar as linhas da região metropolitana. “Essa é uma reivindicação antiga de todos os usuários das cidades vizinhas. Com o transporte no mesmo local, quem mora em outra cidade vai poupar tempo e ganhar mais qualidade de vida”, enfatizou Ruy.

O pré-candidato vai adequar o ponto da Lagoa para funcionar como terminal de integração, requalificar o terminal de Mangabeira/301 e implantar terminais nos bairros de Cruz das Armas/Oitizeiro, Cristo Redentor e Bessa, que contarão com unidades de atendimento à população em serviços públicos.




Celso de Mello antecipa aposentadoria e pode não votar suspeição de Moro

 

Decano deixará o Supremo em 13 de outubro, o que pode dificultar o julgamento sobre a suspeição do ex-ministro Sérgio Moro. Saída de Celso de Mello abre espaço para que Jair Bolsonaro indique seu primeiro ministro à corte

247 – O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, informou nesta sexta-feira (25) ao presidente da Corte, ministro Luiz Fux, que irá se aposentar no próximo dia 13 de outubro.

Celso de Mello poderia permanecer no cargo até 1º de novembro, quando se aposentaria de maneira compulsória ao completar 75 anos. Nesta sexta, o ministro antecipou o fim de uma licença médica e retomou os trabalhos no STF. Mello se afastou do gabinete em 19 de agosto, por conta de uma cirurgia. A previsão era de que ficasse licenciado até este sábado (26).

Antes de deixar o STF, Celso de Mello deverá participar do julgamento que definirá se Jair Bolsonaro prestará depoimento presencial, ou por escrito, no inquérito sobre uma suposta tentativa de interferência na Polícia Federal.

A decisão mais esperada do ministro, no entanto, poderá não acontecer, que é o seu voto no habeas corpus que pede a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro na sentença que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O HC tramita na 2ª Turma do STF e encontra-se empatado em 2 a 2. O presidente da Turma, ministro Gilmar Mendes, pediu vistas do processo e aguardava o retorno de Celso de MEllo para colocar o caso em votação.




Anísio Maia poderá ter candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral

 

O promotor Alexandre Varandas Paiva, do Ministério Público Eleitoral, propôs junto à Justiça Eleitoral uma Ação de Impugnação do Registro de Candidatura do deputado estadual Anísio Maia à prefeitura Municipal de João Pessoa pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

O promotor, propôs a ação com fulcro no art. 127 da Constituição Federal, bem como no art. 3º da Lei Complementar nº 64/1990 c/c o art. 32, III, da Lei nº 8.625/1993,  nos termos do art. 3º da LC n.º 64/90, dentro do quinquídio legal.

Consta do processo principal(DRAP), já certificada a vinculação, comunicação feita à Justiça Eleitoral pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, informando da anulação parcial da convenção municipal(fl. 9 do evento 5393153), no tocante a chapa majoritária, ocorrida em 13/09/2020.

A ação não afeta os candidatos a vereador do PT escolhidos em convenção,  bem como da realização de uma nova convenção, realizada em 16/09/2020, onde ficou deliberado o apoio a candidatura do candidato a prefeito, pelo PSB,  Ricardo Vieira Coutinho, coligação formada pelo PT, com denominação “A FORÇA DO POVO”.

O promotor pede que seja recebida a ação de impugnação do registro de candidatura de Anísio Maia e que seja determinada a notificação dele para a defesa que tiver, no prazo de sete dias, “estando a matéria fática provada por documentos, sem necessidade de dilação probatória, seja julgada procedente a impugnação para indeferir-se o pedido de registro de candidatura do Impugnado”, diz o promotor




Ex-governador Ricardo Coutinho tem candidatura impugnada pelo MPE

 

Foi protocolada junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, uma ação de impugnação de candidatura de Ricardo Coutinho (PSB) à prefeitura de João Pessoa. A peça é assinada pelo promotor eleitoral Alexandre Varandas Paiva. O argumento para pedir a negativa do registro de candidatura do socialista é a não quitação de uma multa pela ausência de votação em uma das eleições.

Na peça, o promotor afirma que para pedir o registro de candidatura, é preciso estar quite com as obrigações eleitorais e o candidato que não votou, não justificou e não pagou multa não pode participar das eleições.

Ricardo Coutinho terá sete dias para apresentar sua defesa.




Jean Nunes continua na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2020

JEAN FRANCISCO BEZERRA NUNES é Secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social do Estado Da Paraíba, onde participou da criação da autonomia financeira da Polícia Civil e Coordenador Geral na criação da Lei do Sistema Estadual de Inteligência do Estado. Primeiro Delegado de Polícia Civil a assumir a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Paraíba. Membro do Colégio Nacional De Segurança Pública – Consesp. Graduado em Direito pela Associação Caruaruense de Ensino Superior. Especialista em Ciências Penais, pela Uniderp, em parceria com o LFG. Professor da Academia de Ensino de Polícia Civil da Paraíba e Tutor/instrutor da Secretaria Nacional de Segurança Pública – SENASP na disciplina de Inteligência Policial e Análise Criminal. Professor da Escola Superior de Magistratura da Paraíba na disciplina Inteligência Policial.

Professor da UNIBRA na Pos Graduação de Inteligência de Segurança Pública. Professor e Coordenador do Curso de Pós Graduação em Inteligência de Segurança Pública pela UEPB, em parceria com a SENASP. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Segurança Pública e Atividade de Inteligência de Segurança Pública. Pós-graduado da Especialização de Gestão Pública da Universidade Estadual da Paraíba em parceria com o Tribunal de Contas do Estado. Pós-graduado da Especialização em Inteligência de Estado e de Segurança Pública, da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Minas Gerais. Em sua carreira de delegado de Polícia Civil,

Jean Nunes já exerceu a função de titular da Delegacia de Vigilância Geral da Capital (DVG), titular da Delegacia de Roubos e Furto de Veículos e Cargas da Capital e titular do Grupo de Operações Especiais (GOE). Além disso, foi Gerente Executivo de Inteligência da Secretaria da Segurança e da Defesa Social e coordenador de Inteligência do Estado. Exerceu o Cargo de Secretário Executivo da Segurança e Defesa Social do Estado onde atualmente e Secretário Titular da pasta.

www.reporteriedoferreira.com.br




STJ nega pedido de relaxamento de medidas cautelares a Ricardo Coutinho

O ex-governador Ricardo Coutinho sofreu um novo revés na justiça ao ter o seu pedido de relaxamento das medidas cautelares que lhe estão sendo impostas negado. A ministra do Superior Tribunal de Justiça, Laurita Vaz, que é a relatora dos casos referentes a Operação Calvário no tribunal negou o pedido da defesa de Coutinho.

Com esta decisão da ministra Ricardo segue impossibilitado de realizar atos de campanha durante a noite. Com esta proibição de estar fora de casa durante a noite, o ex-governador também segue sem poder participar de debates entre candidatos que ocorram a noite




POR UNANIMIDADE, ALERJ APROVA PROSSEGUIMENTO DE IMPEACHMENT DE WITZEL

 

Rio de Janeiro – O candidato ao governo do estado do Rio, Wilson Witzel ( (PSC/PROS), participa de caminhada no bairro de Campo Grande, zona oeste da cidade.

Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, por unanimidade – 69 votos favoráveis -, nesta quarta-feira (23/09), o projeto de resolução 433/20, que autoriza o prosseguimento do processo de impeachment do governador Wilson Witzel. Esta foi a primeira sessão de impeachment na história do Legislativo fluminense. A denúncia de crime de responsabilidade, baseada em supostos desvios financeiros na área da Saúde, será encaminhada ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ), que formará um tribunal misto de julgamento – composto por cinco deputados e cinco desembargadores – e definirá os ritos finais do processo com base na Lei Federal 1.079/50.

A resolução será promulgada pelo presidente da Alerj, deputado André Ceciliano (PT), e publicada no Diário Oficial do Legislativo desta quinta-feira (24/09). Witzel será afastado por 180 dias após a denúncia ser recebida pelo tribunal misto de julgamento.

O projeto aprovado é baseado no relatório do deputado Rodrigo Bacellar (SDD), aprovado pela Comissão Especial da Alerj que analisou o pedido de impeachment, na última quinta-feira (17/09). Durante a sessão plenária desta quarta-feira, que durou mais de sete horas, 28 deputados discursaram. Witzel preferiu fazer sua própria defesa por videoconferência.

A sessão foi semipresencial, com 45 deputados participando do Plenário e outros 24 de forma virtual. O deputado João Peixoto (DC) está licenciado por problemas médicos. O presidente André Ceciliano comandou os trabalhos e ressaltou que todo o trâmite respeitou decisões judiciais e foi baseado em entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ceciliano também afirmou que Witzel teve amplo direito à defesa. “Este não é um dia feliz para o Estado do Rio. Não temos como comemorar o fato de um governador eleito ser afastado do cargo por ter traído a confiança de milhões de eleitores que o escolheram de forma democrática”, destacou o presidente.

Defesa de Witzel

O governador Witzel falou durante uma hora e nega todas as acusações. Witzel já havia enviado sua defesa à Alerj com uma petição de 40 páginas e mais de 400 folhas de documentos anexos. Durante a sessão, afirmou que é vítima de linchamento moral e pré-julgamento. “Com essa decisão do parlamento nós estamos matando a nossa democracia, o bem mais preciso e mais caro do estado democrático de direito. Até o presente momento não pude fazer o meu amplo direito de defesa”, afirmou Witzel.

Ele afirmou ainda que não abrirá mão de seu mandato e sua defesa. E que “o erro será reparado” em julgamento técnico no Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Não apareceu nada que possa dizer que, minimamente, eu tenha dado orientações para fraudar a Saúde. E é assim que estou sendo julgado e linchado politicamente, de forma muito triste que a história há de reparar”, disse.

O presidente Ceciliano respondeu às críticas contra o Parlamento, reafirmando que o governador teve amplo direito de defesa na Casa. “Não atropelamos o processo. O governador teve amplo direito de defesa. Recorreu ao TJ, recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal), questionando a formação da comissão. Os trabalhos chegaram a ser interrompidos até a nova decisão daquela Corte. No fim, ficou claro que havíamos feito tudo de forma correta”, lembrou.

Em seu discurso, Ceciliano também ressaltou que o Parlamento Fluminense é o mais produtivo do país e que a Alerj não mede esforços em economizar recursos e destiná-los para melhor atender à população. Por fim, o presidente da Alerj reafirmou seu compromisso com o Estado do Rio e com a governabilidade do governador em exercício, Cláudio Castro.

“Da minha parte, o Cláudio Castro sabe que tem um aliado. Não dele, Cláudio, mas do Estado do Rio de Janeiro, da governabilidade. Não farei nenhuma indicação – nem técnica, nem política – a ele. Não quero nada do governo. Só quero que ele nos devolva nosso apoio através de projetos, trabalho, eficiência, transparência, emprego, segurança, educação, com respeito ao dinheiro público e às pessoas”, concluiu.

Denúncia

A denúncia contra Witzel foi protocolada pelos deputados Luiz Paulo e Lucinha, ambos do PSDB, sendo baseada em supostos desvios financeiros cometidos pelo governador na área da Saúde, sobretudo junto a Organizações Sociais de Saúde (OSs) e na construção de hospitais de campanha para combate à pandemia do coronavírus. A denúncia teve como base as Operações Favorito e Placebo do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF).

O relatório aprovado pela comissão e ratificado pelos deputados da Alerj na sessão desta quarta ressalta, principalmente, a relação entre o governo Witzel com duas organizações sociais: Unir Saúde e Iabas. O relatório pontua a confusão existente entre os reais proprietários das duas empresas, uma vez que as investigações realizadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal afirmam que ambas seriam na verdade controladas pelo empresário Mário Peixoto. O relatório também cita que investigações dos órgãos federais e a denúncia protocolada na Alerj apontam indícios de recebimento de vantagens indevidas por Witzel através do pagamento de honorários à sua esposa, Helena Alves Brandão Witzel. Nesse sentido, as investigações apontam que a primeira dama teria sido contratada por cerca de R$ 500 mil pela DPAD Serviços Diagnósticos LTDA, empresa que seria controlada, segundo as investigações, por operadores ligados à Mário Peixoto.

Especificamente sobre a Unir Saúde, o relatório ressalta a controversa requalificação da organização social, que havia sido desqualificada por resolução conjunta das Secretarias de Estado de Saúde e da Casa Civil, em outubro de 2019. Já com relação ao Instituto Iabas, o relatório levanta a questão de irregularidades sobre a construção dos hospitais de campanha para o combate da pandemia de coronavírus. O documento relacionou indícios do Ministério Público Federal de suposta existência de orçamentos fraudados para serviços de montagem e desmontagem de tendas, instalação de caixas d’água, geradores de energia e piso para a formação da estrutura dos hospitais de campanha. Leia a íntegra do relatório aqui.

Opinião dos deputados

Deputados de diferentes correntes partidárias discursaram no plenário. Coautora da denúncia do impeachment, a deputada Lucinha enfatizou que o pedido protocolado contra Witzel foi bem fundamentado. “A maioria desta Casa entendeu que é preciso esclarecer o que está acontecendo. Demos entrada no processo porque tínhamos conhecimento de que Witzel estava cometendo crime de responsabilidade contra a população do Estado do Rio. Ele é um juiz que não tem juízo. Desviou recursos que eram para ser usados na compra de respiradores e na construção de leitos de UTI. As pessoas morreram em casa porque não tinham acesso à UTI, pelo descaso do Estado”, lamentou a parlamentar.

Dani Monteiro (PSol) reforçou que seu partido sempre foi contrário ao governo Witzel. “Este é um dia grave e histórico no Parlamento Fluminense. Sempre fui oposição à necropolítica do governador. Queria dedicar meu voto aos jovens mortos pelo Estado a partir da política de insegurança que foi implantada. Para o PSol, este seria, por si só, um motivo de impeachment. Para piorar, mais uma vez o estado está afundado em corrupção. Logo o juiz que se elegeu dizendo que iria moralizar a política”, afirmou a parlamentar.

Já o deputado Rodrigo Amorim (PSL) disse que, apesar de ter apoiado a eleição de Witzel, é um parlamentar independente. “Em 2018, quando velhas figuras se apresentavam, tínhamos um juiz federal com um discurso de mudança. No campo pessoal e institucional, fui um dos que colaboraram e fizeram essa ligação de Witzel com a população nas ruas. Não me eximo da responsabilidade, mas naquela eleição os rumos do Rio poderiam estar sendo mudados. Sempre fui independente, votei a favor da rejeição das contas do governo e sempre tive a independência para votar de acordo com as minhas convicções como acontece neste momento. Não podemos aceitar a corrupção”, declarou Amorim.

O deputado Chicão Bulhões (Novo) destacou a unanimidade do Parlamento em apoiar o impeachment. “Esta Casa não aceita mais uma forma de operar a política que a população do Rio já disse mais de uma vez que está exausta, que não aguenta mais. A população quer novos ares e isso não significa só novos nomes. A população quer novas práticas. Vivemos uma crise de liderança que vem se manifestado em sucessivos governos e esse não foi diferente. Todos os indícios apontam para as relações espúrias deste governador antes das eleições. A forma como ele chegou ao poder mostra as dívidas que ele fez com o grupo político que quer mais uma vez assaltar o Rio de Janeiro”, afirmou.

Outro que discursou foi Carlos Minc (PSB), que é o deputado com mais mandatos no Parlamento Fluminense. “É muito triste que esta corrupção de vários governos tenha, neste momento, se concentrado na área da Saúde, justamente em uma pandemia. Isso é muita irresponsabilidade. O pior é que, depois do relatório, já aconteceram vários outros fatos. A criatividade de quem faz o mal é assustadora”, concluiu.

Trâmite do processo

A abertura do procedimento para apuração de crime de responsabilidade do governador Wilson Witzel ocorreu durante sessão plenária no dia 10 de junho, com a aprovação unânime dos deputados. Na prática, a abertura do processo poderia ser uma decisão exclusiva do presidente da Casa, que preferiu consultar seus pares. Após a abertura, foi instalada no dia 18 de junho a comissão para analisar o pedido de impeachment e a denúncia protocolada pelos deputados Luiz Paulo e Lucinha.

O grupo, composto por 25 deputados, de todos os partidos com representação na Casa, foi validado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no dia 28 de agosto, após o rito do impeachment ter sido suspenso pelo presidente do STF, Dias Toffoli, no dia 27 de julho, que atendeu ao recurso da defesa questionando a formação da comissão especial. Na última quinta-feira (27/09), a comissão aprovou parecer favorável ao prosseguimento do impeachment, decisão que foi ratificada nesta quarta em plenário.

O trâmite segue os ritos da Lei Federal 1.079/50, que regulamenta o julgamento de crimes de responsabilidade, e a interpretação do próprio STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 378, que orientou o rito de impeachment da presidente Dilma Roussef, em 2016.

Atualmente, Witzel já está afastado cautelarmente do cargo por decisão do STJ, após deflagração da Operação Tris In Idem, no último dia 28 de agosto. Com a aprovação do prosseguimento do processo de impeachment pela Alerj, a denúncia seguirá para o TJRJ e somente após o tribunal misto de julgamento aceitá-la que Witzel ficará duplamente afastado – pelo inquérito que responde no STJ e pelo processo de impeachment.

Próximos passos do processo de impeachment

1- O resultado da votação em Plenário é publicado no Diário Oficial do Legislativo;

2 – O Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ) é comunicado para dar início à formação do tribunal misto;

3 – Este tribunal será formado por cinco deputados – eleitos pela Alerj – e cinco desembargadores – eleitos por sorteio com critérios definidos pelo TJRJ;

4- Após o Tribunal Especial Misto receber a denúncia começa uma nova etapa, onde o governador é afastado por até 180 dias enquanto o tribunal analisa a questão. O presidente do TJRJ terá voto de minerva caso haja empate sobre o impeachment no tribunal misto