Em nota, governo menciona também outras medidas, como tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis,
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Em nota, governo menciona também outras medidas, como tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis,

O governo brasileiro lamentou, em nota conjunta divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a decisão tomada pelo governo norte-americano de impor tarifas adicionais no valor de 10% a todas as exportações brasileiras para aquele país.

O comunicado diz que estão sendo avaliadas todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC)

O tarifaço global foi anunciado na tarde desta quarta-feira (2) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e alterou os impostos de importação nos Estados Unidos para 25 países, inclusive o Brasil, com taxas variando entre 10% e 49%.

De acordo com a nota oficial do governo, “a nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA”

Ainda segundo manifestação do governo brasileiro nesta noite de quarta, os dados do governo norte-americano, mostram o superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024, que foi da ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens. Somados bens e serviços, o superávit chegou a US$ 28,6 bilhões no ano passado. Trata-se do terceiro maior superávit comercial daquele país em todo o mundo.

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“Uma vez que os EUA registram recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, totalizando US$ 410 bilhões, a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a ‘reciprocidade comercial’ não reflete a realidade”, pontua a nota.

Consultas com o setor privado

O governo brasileiro afirma ainda que buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos, “em defesa dos trabalhadores e das empresas brasileiros, à luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras e em linha com seu tradicional apoio ao sistema multilateral de comércio”.

E reforça que, “ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, i nclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais.”

A nota termina destacando a aprovação pelo Senado Federal do Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, já em apreciação pela Câmara dos Deputados.

Por Ig