PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS Por Sergio Botelho

Vandilo Brito está em Joao Pessoa – Paraiba – Brasil.

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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Avenida Getúlio Vargas, o Parkway de João Pessoa
Sérgio Botelho – Concebido e executado na década de 1920, foi na segunda metade dos anos 1930, no governo Argemiro de Figueiredo, entretanto, que o Parque Solon de Lucena ganhou a conformação estética que mais corresponde aos dias de hoje, quando adornado com árvores de diversas espécies locais e de outras regiões do país, tendo o leito da rua do seu anel interno recebido calçamento a paralelepípedos, e sido inaugurados ainda o Cassino de Verão e a fonte luminosa.
A reforma fazia parte de um projeto de urbanização da capital (Plano de Remodelação e Extensão para a Capital Paraibana e a Vila de Cabedelo), elaborado pelo arquiteto pernambucano, formado pela Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, Nestor Egydio de Figueiredo, então, pela segunda vez, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (na época, também ocupado em intervenções urbanísticas no Recife). Por orientação do governo federal originado pela Revolução de 1930, fazia parte de um ideário de reformas nas cidades brasileiras, destino cada vez maior do processo migratório campo-cidade, no país. No caso pessoense, a cereja do bolo era o novo porto da cidade (inaugurado em 1935), em Cabedelo.
No interior desse processo, todo o centro de João Pessoa foi remexido, com ruas alargadas e/ou retificadas, e pavimentadas, enquanto novas vias eram abertas. Um das novas ruas foi a atual Getúlio Vargas, com 50 metros de largura, identificada no plano como um “parkway”, portanto, entendida como uma via urbana projetada tanto para o tráfego de veículos quanto para a estética e a recreação. “Trabalha-se na abertura de duas avenidas em que se bifurcará o parkway, uma das quais atingirá a Praça da Independência, atendendo, assim, com a avenida Epitácio Pessoa, ao tráfego do litoral, tanto de Tambaú como para Cabedelo”, explicou Nestor de Figueiredo em entrevista ao jornal A União. Ao tempo que se abriu a Getúlio Vargas, também foi construído o Instituto de Educação, atual Lyceu Paraibano, num grande terreno até então abandonado e inóspito, segundo descreve a matéria do jornal oficial paraibano.
Hoje, a Getúlio Vargas, continua abrigando o Lyceu, a Primeira Igreja Batista (1956), assim como um casario nobre (formado por antigas residências), em dois pavimentos, que presentemente serve a iniciativas particulares diversas, datado das décadas de 1940 e 1950. Outras construções importantes são os prédios residenciais Santa Rita (1960) e Caricé (1967), e o antigo prédio da Reitoria da UFPB (hoje servindo à Previdência Social), inaugurado em 1968. A avenida Getúlio Vargas, uma das mais belas da capital paraibana, segue como um dos nossos principais roteiros de tráfego urbano, não apenas ligando o Centro às praias e a Cabedelo, em conformidade com o projeto original, como a diversos outros bairros de João Pessoa, especialmente aos da Zona Leste da cidade.
(As fotos representam a avenida Getúlio Vargas, com destaque para o seu casario histórico e os edifícios residenciais Caricé, à direita, e Santa Rita, à esquerda, e o Instituto de Educação, o Lyceu, em fase final de construção)



PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS Por Sérgio Botelho

Vandilo Brito está em Joao Pessoa – Paraiba – Brasil.

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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Rua Augusto Simões
Sérgio Botelho – No Centro Histórico de João Pessoa, denomina-se rua Augusto Simões uma via curva em paralelepípedos (com pequenos espaços de asfalto praticamente desfeito), ligando as ladeiras de São Francisco e da Borborema (o que inclui uma parte antes denominada Beco dos Milagres). Se acrescentada a Travessa dos Milagres, resultando num “T”, também fica acessada a rua da Areia.
Na Augusto Simões/Beco dos Milagres, já próximo da Ladeira São Francisco, se localiza a memorável Bica ou Fonte dos Milagres, hoje, emparededa, mas muito útil, por séculos, no abastecimento d’água potável à população pessoense. Mas quem foi Augusto Simões? Trata-se de um prestigiado maçom, nascido em Cuitegi – na época, distrito de Guarabira -, que fez história na capital paraibana.
Alto funcionário federal, vinculado às Obras Contra as Secas, no estado, o homenageado era considerado como “uma das figuras centrais da Maçonaria na Paraíba, a cuja manutenção e desenvolvimento se consagrou durante toda a sua vida”, conforme necrológio veiculado no jornal A União, de 25 de agosto de 1944, tendo sido um dos fundadores da Previdência Maçônica do Estado da Paraíba. Um dia antes da publicação, havia ocorrido o seu falecimento, perto de completar 60 anos, no interior da Loja Maçônica Branca Dias, na atual General Osório, poucos antes de ter início a sessão da noite. A morte causou “consternação” na cidade, segundo descreve a matéria.
Sua esposa, Julieta Simões, nomeia uma pequena, mas muito movimentada praça, confluência das ruas Joaquim Nabuco (a da entrada do Róger), deputado Odon Bezerra, Pedro I e Acadêmico Aluisio Alberto Souza Sobreira, quase vizinha à Praça Dom Adauto. Uma de suas duas filhas, Luzia Simões Bartolini, musicista e professora de música, fez história na Educação, em João Pessoa, e hoje nomeia rua na capital paraibana (no Aeroclube-Bessa), uma escola estadual no Jardim Planalto e uma loja maçônica no Altiplano do Cabo Branco.
A Grande Loja Maçônica da Paraíba mantém Augusto Simões em sua Galeria de Honra, na condição de Grão Mestre de Honra Ad Vitam, ou seja, ‘para toda a vida’. Há, também, a Loja Maçônica Augusto Simões, em Patos.
(Na foto de cima, a Rua Augusto Simões, com a Ladeira da Borborema, ao fundo. Na foto de baixo, a Augusto Simões/Beco dos Milagres, já próxima a Ladeira de São Francisco, com a fonte emparedada no primeiro plano, à esquerda)
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PARAHYBA DO NORTE Por Sérgio Botelho

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PARAHYBA DO NORTE. Rua Braz Florentino
Sérgio Botelho – A Braz Florentino, localizada no Centro Histórico de João Pessoa, é uma rua curta (quase uma travessa), entre as que ligam as ruas Duque de Caxias e General Osório. Apesar de ser estreita, de calçamento e passeio quase destruídos, a via suporta um intenso tráfego de carros e de gentes, além de funcionar como estacionamento. A sua esquina com a Duque de Caxias já foi endereço de uma Central de Polícia, com destaque para a famosa Rádio Patrulha.
Apesar de todo o desconforto da referida rua, ela se apresenta atualmente com um segmento muito animado do tradicional Sabadinho Bom, da Praça Rio Branco, sua vizinha urbana de sempre. Afinal de contas, é na Braz Florentino que pontifica a famosa Cachaçaria Filipeia, que ganhou notoriedade além-fronteira, até citada por empresas nacionais de turismo. O site de viagens TripAdvisor, por exemplo, abriga a descrição de um turista sobre a referida cachaçaria como “escura, apertada e empoeirada, mas cheia de personalidade.” Aliás, um epíteto que serve para a própria rua.
O homenageado com o nome da via, Braz Florentino Henriques de Sousa, nasceu na cidade da Paraíba (atual João Pessoa), em 12 de novembro de 1825, e faleceu em São Luís do Maranhão, em 29 de março de 1870, na condição de presidente daquela província. O conterrâneo ainda estudou no Seminário de Olinda, mas sem vocação sacerdotal, abandonou a vida de seminarista e foi estudar advocacia na tradicional Faculdade de Direito de Olinda. Nesse tempo, foi parar na redação do Diário de Pernambuco. Formado, ganhou fama como professor Catedrático de Direito Constitucional e Público e, na sequência, de Direito Civil, na própria Faculdade de Direito de Olinda.
Dirigiu a Instrução Pública de Pernambuco e se tornou sócio-fundador do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, o mais antigo do Brasil. De Pernambuco seguiu para a Corte, já que escolhido para integrar comissão com o objetivo de analisar e dar parecer em relação ao novo projeto de Código Civil. Do Rio de Janeiro é que foi parar no Maranhão, como presidente da província, quando faleceu antes de completar 45 anos de idade. É autor de três livros, todos referenciais: “Do Delito e do Delinquente”, “Lições de Direito Criminal” e “Do Poder Moderador”. Só para concluir: a Braz Florentino tem toda a pinta de que um dia vai se transformar num calçadão.
A foto é da Braz Florentino a partir da rua General Osório. Ao fundo, a Praça Rio Branco.
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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Rua Padre Lindolfo (quem foi ele?) Por  Sérgio Botelho

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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Rua PadreLindolfo (quem foi ele?) Por
Sérgio Botelho– Tendo em sua parte final os icônicos prédios da Capitania dos Portos e da antiga Codata (que, mais antigamente, serviu ao extinto Banco do Povo), há uma rua com traçado em forma de arco que une as perpendiculares e importantes ruas pessoenses Barão do Triunfo e Maciel Pinheiro.
A referida rua, mais para uma travessa, onde funcionam algumas ‘oficinas’, tem o nome de Padre Lindolfo, e está inscrita no perímetro considerado de tombamento rigoroso da cidade de João Pessoa. Mas quem foi o Padre Lindolfo? Aí, temos de nos transportar para o Século XIX, pois foi naquele espaço de tempo que o dito clérigo construiu sua história. O Padre Lindolfo Correia, que viveu entre os anos de 1819 e 1884, tem uma marca indelével na imprensa paraibana, pois foi o redator-chefe do primeiro jornal diário da cidade da Parahyba (atual João Pessoa), que circulou entre 1862 e 1866, sendo considerado um dos mais longevos diários do período monárquico brasileiro.
O jornal era impresso na Tipografia de José Rodrigues da Costa (capítulo interessante na história pessoense), à época, muito atuante e cheia de serviços, a imprimir livros e outros jornais de circulação eventual (o jornal rodou até o ano de 1866, exatamente quando faleceu José Rodrigues da Costa). Quando circulou o primeiro número, o Padre Lindolfo exercia a Provedoria da Santa Casa da Misericórdia, instituição à qual o dono do jornal (o mesmo José Rodrigues, da tipografia) também pertencia, assim como os demais redatores. Padre Lindolfo assumia uma posição política alinhada com os liberais, época em que conseguiu se eleger deputado provincial.
Seus textos no O Publicador foram, com frequência, dura e ironicamente contraditas pelo Bossuet de Jacoca, jornal de circulação incerta editado por Cardoso Vieira (“o que tem feito o padre? Tem criado jornais para atacar ao próximo. Cria-se um para atacá-lo”). O Padre Lindolfo ainda foi diretor dos jornais O Polimático e O Liberal, além de autor dos livros “Jesus Cristo e os filósofos”, “A vida humana”, “O plágio” e “Ensaios Filosóficos”, segundo registra o site da Academia Paraibana de Letras, na qual figura como patrono da Cadeira 28.
Parte final da rua Padre Lindolfo, entre a Capitania dos Portos e a antiga Codata.
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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Olivina Olívia Carneiro da Cunha Sérgio Botelho

Vandilo Brito está em João Pessoa, Paraíba, Brazil.

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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Olivina Olívia Carneiro da Cunha
Sérgio Botelho
– Quem trafega pela Avenida Getúlio Vargas, na direção da Avenida José Américo de Almeida (a Beira-Rio), já na Avenida Duarte da Silveira (de frente para a I Igreja Batista), há de perceber um educandário público com o nome de Escola Estadual do Ensino Fundamental e Médio Professora Olivina Olívia Carneiro da Cunha (até o início da década de 1970, no mesmo prédio funcionou a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal da Paraíba, antes de ser transferida para o Campus Universitário). A homenageada é filha do Barão do Abiahy (Silvino Elvídio Carneiro da Cunha) e de sua esposa Maria Leonarda Merandolina Bezerra Cavalcante, que também, ficou conhecida como a Baronesa do Abiahy.
Enquanto seu pai, expoente da Monarquia, exerceu influência política fortíssima no estado, durante o Século XIX, tendo falecido em 1892, Olivina, nascida em 1886, apenas seis anos antes da morte do pai, haveria de ser expoente da Educação republicana, na Paraíba, por toda a metade do Século XX. Ela faleceu em 1977, já longe das salas de aula, um ambiente que começou a frequentar como professora a partir dos 19 anos de idade. Lecionou Geografia, Língua Portuguesa, Pedagogia, Matemática, Música e Trabalhos Manuais, na Escola Normal, no Lyceu Paraibano, no Grupo Escolar Thomaz Mindelo e na Escola de Aperfeiçoamento. Além disso, participou destacadamente da Associação Paraibana pelo Progresso Feminino e da Academia Paraibana de Poesia.
Publicou artigos, crônicas e poesias em A União e nas revistas Era Nova e Manaíra. Pianista, contribuía para a Escola de Música da Paraíba e participou da fundação da Orquestra Sinfônica. Era sócia do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano e do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica. Publicou quatro livros, sendo três de poesia, Pérolas Esparsas, Migalhas de Inspiração e Paisagem da Minha Terra, e um dedicado à memória do pai, intitulado Barão do Abihay. Portanto, merece destaque na história da Paraíba a professora Olivina Olívia Carneiro da Cunha, a quem homenageamos no texto de hoje, pela sua contribuição à cultura e à educação de nossa terra.
Nas imagens, o retrato, a casa em que morou Olivina Olívia após a morte do pai, na General Osório, de frente para a Praça Venâncio Neiva (dentro da área de preservação rigorosa da cidade), e a escola estadual que leva o seu nome.



PARAHYBA DO NORTE. Antigo areal do Baixo Tambaú ; Sérgio Botelho

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PARAHYBA DO NORTE. Antigo areal do Baixo Tambaú
Sérgio Botelho – Até o final da década de 1960, a singela e sempre bela praia de Tambaú exibia, para satisfação dos pessoenses, um imenso areal entre a avenida Nego e o antigo Elite Bar, no final da avenida Ruy Carneiro, região batizada de Baixo Tambaú. Naquela parte da antiga Praia de Santo Antônio, o referido areal enchia a paisagem, separando a rua por onde os automóveis trafegam e a linha onde as ondas quebram, compondo uma área geralmente muito curtida pela população pessoense.
Ali conviviam banhistas, coqueiros, pescadores, jangadas e barcos da icônica e histórica colônia de pescadores da principal e mais famosa praia pessoense. De construção mesmo só havia as caiçaras, coberturas formadas por estacas e palha de coqueiros erguidas pelos que viviam do mar. Nelas, os profissionais da pesca se defendiam do sol, consertavam as embarcações, descansavam da lida e, não raramente, dormiam quando as saídas e chegadas do alto mar aconteciam pela madrugada.
No entanto, para infortúnio da beleza natural e do bem-estar de pescadores e banhistas, o Estado paraibano achou de desbancar o areal, ocupando-o com um imenso prédio destinado a um hotel. Segundo os idealizadores acreditavam, a iniciativa finalmente impulsionaria o turismo pessoense. Como o Brasil atravessava uma época ditatorial, onde o poder da União e dos governos estaduais era praticamente absoluto, as vozes dissonantes da sociedade foram abafadas, e o projeto se impôs, até seus recentes desaguisados, à espera de um desfecho.
Dê no que der, o Hotel Tambaú é, na verdade, um projeto mal engendrado e, portanto, dissonante de tudo o que se pregava e ainda se prega em termos de turismo sustentável, como princípio para a garantia de que ele (o desenvolvimento do turismo) seja efetivo e duradouro. O resultado é que a praia de Tambaú restou desprovida de parte da sua natureza original, talvez para sempre.
(Imagens da beira-mar de Tambaú antes, embora com sinais de início da construção, e depois de edificado o hotel, em fotos feitas pela SUPLAN-Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento da Paraíba)
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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Painel “A Medicina e a Natureza” Sérgio Botelho

PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Painel “A Medicina e a Natureza”medicina;
Sérgio Botelho
– Atualmente, o prédio revela abandono, embora, segundo circunstantes, esteja próximo de uma reforma visando sua reutilização. Mas já foi uma atuante clínica dedicada à otorrinolaringologia, incluindo atividade cirúrgica. O endereço é rua Professor José Coelho, 25, Centro, por trás do conjunto carmelita e do Palácio do Bispo. Na lateral do referido prédio, na parede voltada para o oitão da propriedade da Igreja Católica paraibana, há uma bela e expressiva pintura do artista plástico paraibano Flávio Tavares, contando já com mais de 50 anos de sua criação (maio de 1970).
Antes de qualquer consideração a respeito, importante saber que a obra, intitulada “A Medicina e a Natureza”, em forma de painel (a foto abaixo é atual), está devidamente tombada por decisão do Conselho de Proteção dos Bens Históricos Culturais (Conpec), órgão deliberativo superior do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), desde dezembro de 2005. (Flávio Tavares possui outros painéis tombados pelo patrimônio histórico e artístico paraibano). O tombamento garante a preservação da obra, importante para a história da cidade, tanto do ponto de vista artístico quanto cultural.
De uma maneira geral, serve para democratizar o acesso à cultura, possibilitando que a população usufrua de bens artísticos que, de outra forma, poderiam estar inacessíveis ou em risco de desaparecimento. Explicando tecnicamente o painel, a partir de documentos oficiais de seu tombamento, ele é “concebido em azulejos policromados na dimensão de 4,2 m X 13,5 m, contendo 2.500 peças, cada uma delas medindo 15cm X 15cm, representando uma intervenção cirúrgica oftalmológica, a céu aberto, envolta em ramificações vegetais”. No que pese o tombamento não implicar na perda da propriedade da obra, que permanece com o dono do prédio, o proprietário fica sujeito a restrições quanto à sua utilização e modificação. De outra parte, o poder público e a comunidade compartilham a responsabilidade pela preservação dessas obras tombadas. Tudo junto e misturado, e funcionando a contento, é mais um elogiável donativo à preservação de nossa história, garantindo que as futuras gerações tenham acesso a esse importante legado cultural e histórico pessoense.
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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Feira da Primavera Sérgio Botelho

PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Feira da Primavera
Sérgio Botelho
– Houve um tempo em que existiu a Feira da Primavera na área central da cidade de João Pessoa, entre as ruas Irineu Pinto, Eugênio Toscano, Tenente Retumba e Beaurepaire Rohan. Em formato de feira livre, fazia parte de um complexo comercial e de movimentação de pessoas que incluía a Rodoviária vizinha e o pujante comércio varejista ainda hoje ali por perto, bem mais forte antes da existência dos shoppings. Nesse complexo comercial destacava-se, ainda, nas imediações da Feira da Primavera, a famosa loja 4400, um primeiro esboço do que mais tarde se impôs como loja de departamentos, onde se vendia de quase tudo. O sistema de Correios e Telégrafos também tinha vida nas imediações, esquina da Guedes Pereira com a Beauarepaire Rohan.
Também por ali existia um roteiro de pequenos bares e restaurantes, na própria feira e, ainda, na antiga Rodoviária, escalados por boêmios em geral para fenomenais bebedeiras, menos dispendiosas aos bolsos. Para quem chegava a João Pessoa vindo do interior do estado, a trabalho ou a passeio, a primeira feira livre que se apresentava era justamente a Feira da Primavera, o que também servia para a atração de futuros fregueses ou, mesmo, fregueses de passagem.
Como em todas as feiras livres, é comum a formação de laços de amizade e confiança entre fregueses e comerciantes, laços esses que, na Primavera, naturalmente se fortaleceram com o passar do tempo, passando a fundamentais no dia a dia do comércio. A sua extinção, um dia, em nome da urbanidade, acabou desorganizando a vida de muita gente já acostumada nas relações estabelecidas anos a fio com os comerciantes locais. Hoje em dia, praticamente todos os bairros da capital paraibana têm suas feiras livres, ou supermercados grandes e pequenos, com o centro atendido pelo Mercado Central. A Feira da Primavera virou saudade!
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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Antigo Açougue e Correios Sérgio Botelho

Vandilo Brito está em Praça Rio Branco.

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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Antigo Açougue e Correios
Sérgio Botelho – A construção que se vê na foto é do Século XVIII. Ela foi erguida para servir de açougue, equipamento de grande utilidade urbana e sujeito a rígida fiscalização das autoridades. O controle era facilitado pela existência, praticamente vizinha, da Casa de Câmara e Cadeia, justamente o órgão que fiscalizava a comercialização da carne no período colonial.
Tais equipamentos existiam no que atualmente se chama Praça Rio Branco (embora haja quem chame o local de Praça do Sabadinho), mas que já atendeu pelos nomes de Largo da Antiga Cadeia, Largo do Pelourinho, Largo do Erário e Largo da Intendência. Dessa forma, sempre com denominação sugerindo espaço de atividades civis, não religiosas, como era a maioria dos largos nos tempos coloniais, sempre marcados pela presença de construções católicas.
Posteriormente, passou à condição de sede dos Correios e Telégrafos da capital, passando daí em diante por problemas de adoção, quando foi objeto de um completo processo de revitalização, que preservou a edificação nas condições em que se encontra hoje. O prédio é o único da Praça Rio Branco que guarda o perfil arquitetônico original, já que o da antiga Casa de Câmara e Cadeia, depois Prefeitura de João Pessoa e Escola de Engenhara, passou por reformas que o descaracterizaram bastante com relação ao projeto original. Como é o caso também do antigo prédio do Erário, na esquina da praça com a Duque de Caxias, que já foi Casa dos Capitães Gerais, na época colonial, e hoje se encontra beirando a ruínas.
A Praça Rio Branco, portanto, é mais do que um simples ponto geográfico; é um marco da identidade cultural e histórica de João Pessoa. Ela representa a continuidade e a mudança, preservando memórias do passado enquanto acolhe dinâmicas sociais do presente.
(A foto de cima é de 1912 e a mais abaixo, à esquerda, dos dias de hoje, ambas da Praça Rio Branco, vendo-se em primeiro plano, à esquerda das duas fotos. a antiga Casa do Erário (na mais antiga, uma escadaria na entrada que não existe mais), ao fundo, a antiga Casa de Câmara e Cadeia, Prefeitura e Escola de Engenharia, e ainda no fundo, à direita, o prédio de que estamos falando, que se vê mais de perto na terceira foto, também feita dos dias de hoje)
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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Castro Alves e Maciel Pinheiro Por Sérgio Botelho

PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Castro Alves e Maciel Pinheiro Por
Sérgio Botelho
– Há um paraibano (nascido na então Parahyba, atual João Pessoa) muito ilustre e de grande significado para a sua época, chamado Luiz Ferreira Maciel Pinheiro (1839 e 1889), que marcou época na história construída naqueles efervescentes anos de luta pela ideia republicana, ele próprio, um deles, sobre o qual falamos outro dia. Na década de 1860, quando estudava na Faculdade de Direito do Recife, ele foi colega e amigo do poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), embora em torno de 7 anos mais novo que o paraibano.
Pois bem, ainda na época de estudante, Maciel Pinheiro, homem das letras, dos discursos vibrantes e do jornalismo, inscreveu-se como voluntário e foi lutar na Guerra do Paraguai (1864-1870). Foi então que o poeta Castro Alves, que havia chegado ao Recife aos 15 anos, em 1862 (mas que havia recitado sua primeira poesia aos 13 anos, em 1860), para fazer os preparatórios à Faculdade de Direito do Recife, lhe dedicou um poema a celebrar a coragem de Maciel, em várias passagens, assemelhando-o aos grandes heróis da história e da mitologia. O poema está perpetuado no único livro que o poeta baiano publicou em vida, Espumas Flutuantes. Na sequência, o poema de Castro Alves dedicado a Maciel Pinheiro, na íntegra:
Maciel Pinheiro
Dieu soit en aide au pieux pèlerin (Deus acompanhe o peregrino audaz).
Bouchard
Partes, amigo, do teu antro de águias,
Onde gerava um pensamento enorme,
Tingindo as asas no levante rubro,
Quando nos vales inda a sombra dorme…
Na fronte vasta, como um céu de idéias,
Aonde os astros surgem mais e mais…
Quiseste a luz das boreais auroras…
Deus acompanhe o peregrino audaz.
Verás a terra da infeliz Moema,
Bem como a Vênus se elevar das vagas;
Das serenatas ao luar dormida,
Que o mar murmura nas douradas plagas.
Terra de glórias, de canções e brios,
Esparta, Atenas, que não tem rivais…
Que, à voz da pátria, deixa a lira e ruge…
Deus acompanhe o peregrino audaz.
E quando o barco atravessar os mares,
Quais pandas asas, desfraldando a vela,
Há de surgir-tesse gigante imenso,
Que sobre os morros campeando vela…
Símblo de pedra, que o cinzel dos raios
Talhou nos montes, que se alteiam mais…
Atlas com a forma do gigante povo…
Deus acompanhe o peregrino audaz.
Vai nas planícies dos infindos pampas
Erguer a tenda do soldado vate…
Livre… bem livre a Marselhesa aos ecos
Soltar bramindo no feroz combate
E após do fumo das batalhas tinto
Canta essa terra, canta os seus gerais,
Onde os gaúchos sobre as éguas voam…
Deus acompanhe o peregrino audaz.
E nesse lago de poesia virgem,
Quando boiares nas sutis espumas,
Sacode estrofes, qual do rio a garça
Pérolas solta das brilhantes plumas.
Pálido moço — como o bardo errante —
Teu barco voa na amplidão fugaz.
A nova Grécia quer um Byron novo…
Deus acompanhe o peregrino audaz.
E eu, cujo peito como ua harpa homérica
Ruge estridente do que é grande ao sopro,
Saúdo o artista, que ao talhar a glória,
Pega da espada, sem deixar o escopro.
Da caravana guarda a areia a pégada:
No chão da história o passo teu verás…
Deus, que o Mazeppa nos estepes guia…
Deus acompanhe o peregrino audaz.
(Castro Alves)
(Nas fotos, da esquerda para a direita, Maciel Pinheiro e Castro Alves)
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