PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. As velhas retretas pessoenses Sérgio Botelho

Na foto, o Pavilhão do Chá, atualmente.
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. As velhas retretas pessoenses
Sérgio Botelho
– Concorridas eram as retretas nas atuais praças João Pessoa (antiga Comendador Felizardo) e Venâncio Neiva, na primeira metade do Século XX. Os referidos eventos, geralmente animados pelas bandas da Força Pública (Polícia Militar) e do 22º Batalhão de Caçadores (depois 15º Regimento de Infantaria), criavam um ambiente propício para o encontro de jovens (destacadamente) e adultos.
Naquele período histórico, onde as normas sociais eram bem conservadoras, as retretas ofereciam chance legítima e socialmente aceita para que a sociedade interagisse. As famílias frequentemente compareciam em conjunto, mas era natural que os jovens encontrassem momentos para trocar olhares, sorrisos e iniciar conversas sutis sob a atmosfera envolvente da música ao vivo. A disposição espacial das retretas, em torno do coreto, na Praça João Pessoa, e do Pavilhão do Chá, na Venâncio Neiva, permitia livre circulação dos participantes.
As moças, sobretudo, deixavam o confinamento, somente aliviado pelas janelas de suas casas, onde se debruçavam para observar os passantes, e, quem sabe, estabelecer alguma paquera. Na retreta, o ambiente descontraído atenuava as rígidas barreiras sociais vigentes, tornando o flerte mais fácil. Além disso, a música desempenhava papel catalisador nesses encontros. Canções românticas ou melodias conhecidas estimulavam as conversas.
As retretas das praças João Pessoa e Venâncio Neiva, portanto, foram verdadeiros pontos de convergência social. Em muitas narrativas familiares, antigamente, era comum ouvir histórias de casais que se conheceram ou estreitaram laços, naquelas circunstâncias. Dessa maneira, o significado das antigas retretas da cidade reside na criação de um espaço onde a música e a convivência social se encontravam, permitindo que relações pessoais florescessem em ambiente acolhedor e festivo, além dos limites residenciais. Elas representam um capítulo importante na história das relações sociais e comunitárias, na capital paraibana.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A Festa das Neves tem data oficial de origem Sérgio Botelho

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FOTO: Ortilo Antônio, de A União.
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A Festa das Neves tem data oficial de origem
Sérgio Botelho
– Muito se discute sobre a origem da tradicional Festa das Neves, em João Pessoa, que ocorre normalmente entre 27 de julho e 5 de agosto. O ponto alto do evento coincide com a data da conquista da capitania, 5 de agosto, justamente o dia dedicado à padroeira Nossa Senhora das Neves.
Assim procediam os portugueses com a nomeação de suas descobertas e inaugurações topográficas. Assim, logo nos primeiros meses, foi erguida, no alto da colina, que assomava junto ao Rio Sanhauá, o nosso berço, uma capela bem simples, bem tapera, a ela dedicada. Após demolições e reformas, no correr dos séculos, a igreja foi concluída, nos moldes atuais, em 1881, conforme está inscrito na parede da entrada do templo, à direita.
Sabemos que as celebrações em honra aos santos e santas sempre ocupam destaque na prática religiosa da Igreja Católica. Ainda mais quando definidas ou definidos como padroeiras ou padroeiros, ou seja, protetoras ou protetores de uma cidade, região ou país. Dessa forma, é de se supor que desde os primeiros anos de existência da cidade, ainda nos finais dos anos 1500, na data de 5 de agosto, tenham sido prestadas regulares homenagens à Nossa Senhora das Neves, ao menos na forma das tradicionais novenas.
No entanto, a eminente parte profana assumida pela data parece ter origem oficial na lei 870, de 24 de novembro de 1888, já proclamada a Lei Áurea, e cerca de 7 anos após inaugurada a nova igreja dedicada à padroeira, quando presidia a província, ainda no período monárquico, Manoel Dantas Correia de Góis, nascido mesmo na cidade de Parahyba (atual João Pessoa), dessa forma, identificado com as tradições da urbe. A referida lei declarou como “feriado e de festa estadual o dia 5 de agosto em comemoração da conquista da Parahyba”, sendo clara, port anto, sobre a motivação cívica do “feriado e da festa estadual”.
Como as duas coisas, a conquista e a data da padroeira, existem historicamente uma em função da outra, começaram para valer os festejos, ainda à luz de lampiões e candeeiros, que, sem o feriado decretado, certamente não teriam o mesmo brilho e participação. Seja como for, temos dia, ano e mês, com feriado e tudo, e de âmbito estadual, para remontar nosso calendário, e temporalizar a mais pessoense das festas profano-religiosas da cidade, tradicionalmente sediada na atual Avenida General Osório, o que não acontece mais.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Fazenda Boi Só Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Fazenda Boi Só
Sérgio Botelho
– As recordações do amigo Marcos Chagas Brito são tão recentes quanto as que trago, sobre a Fazenda Boi Só, ou Fazenda Ribamar. Nesses dias, nós relembrávamos. A bela construção se nos apresentava, com grande destaque, todas as vezes em que íamos assistir a alguma partida de futebol no velho Estádio Olímpico José Américo (também apelidado de Colosso do Boi Só), nas décadas de 1950 e 1960.
Depois, como cenário de fundo do conjunto residencial que até hoje é reconhecido pelo nome original de Pedro Gondim, entregue na segunda metade da década de 1960. Ainda, porque alguns de seus moradores, notáveis socialmente, foram contemporâneos de infância e adolescência, em João Pessoa.
Mas, assim como a casa, com data de 1862, inscrita na fachada (embora com importantes reformas na década de 1930, após ser adquirida em 1929 pelo Dr. Izidro Gomes da Silva), a história da Fazenda Boi Só (dizem que, na largada, pertencente a um francês de nome Boisôt, daí a corruptela Boi Só) é, portanto, muito anterior ao nosso tempo de pequenos.
As terras da Boi Só chegaram a compreender áreas que pertencem aos atuais bairros dos Ipês, Tambauzinho, Jardim Luna, Manaíra e Bessa. Izidro Gomes da Silva, natural do Rio Grande do Norte, nascido por volta do ano de 1876, desposou a senhora Cândida Gomes da Silva, em 21 de fevereiro de 1921, na cidade da Parahyba, atual João Pessoa, certamente na condição de viúvo, pois havia sido casado, antes, com a senhora Dora da Cruz Ribeiro (Dora Ribeiro Gomes da Silva). Izidro Gomes, que hoje é nome de rua em Tambaú, exerceu bastante influência, na Paraíba, durante a primeira metade do Século XX, na condição de advogado, redator de A União, professor do Lyceu, comerciante (presidiu a Associação Comercial da Paraíba) e deputado à Assembleia Legislativa.
Atualmente, a casa histórica do Boi Só restou na parte interna do Condomínio Alphaville (a novidade urbana da área), e é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba-Iphaep.
Nas fotos, imagem, hoje, da casa da antiga Fazenda Boi Só, em meio às residências do Alphaville. Na outra, a casa, antes da atual conformação urbana.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Jardim Tambauzinho; Sérgio Botelho

 

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Jardim Tambauzinho mSérgio Botelho
– Encontrei nesses dias significativa notícia de jornal a servir de testemunha sobre nossa evolução urbana. Na edição de 21 de outubro de 1952, de A União, sob o título “A Cidade Sobe”, uma nota festejou o crescimento da urbe pessoense na direção do Leste “em busca da brisa solta e das paisagens mais amplas da orla litorânea”, segundo o texto, sob a responsabilidade do próprio jornal.
A notícia tratava do loteamento do “futuro Jardim Tambauzinho”, conduzido pelo governo paraibano, a quem o sítio pertencia, por meio do Banco do Estado, tendo sido “grande o interesse despertado junto aos proprietários em adquirir um terreno naquele setor da urbe, para edificação de uma casa residencial, num ponto que mais tarde será considerado o melhor de toda a cidade”, considerava o texto, realçando também o fato de já terem sido vendidos 700 dos 1.200 terrenos do loteamento. Apesar de firmada entre as décadas de 1920 e 1930, apenas com a sua pavimentação, naquele início da década de 1950, é que a Epitácio Pessoa passou a significar, mais efetivamente, a ampliação da capital paraibana no rumo do mar (lembrem-se que a cidade foi inaugurada cerca de 350 anos antes disso).
Na área em que hoje se encontra Tambauzinho, conhecida como Imbiribeira, funcionava o Campo de Aviação, justamente, como sugere a denominação, onde baixavam aeronaves com destino a João Pessoa. Também na década de 1950 é que foi construído, na região, o I Grupamento de Engenharia, no terreno onde funcionara a Escola Agropecuária da Imbiribeira.
Naquele momento, em ponto mais à frente, na Epitácio, o Montepio do Estado e a Caixa Econômica estavam construindo o Jardim Miramar, o destacado bairro que hoje representa uma das áreas mais nobres, do ponto de vista arquitetônico e de valor em dinheiro por m², então, um pretenso, depois consolidado, conjunto habitacional. Em marcha batida, a cidade se expandia rumo às praias. Hoje, Tambauzinho e Miramar são, apesar da importância de ambos, apenas partes da imensidão que representa o Leste pessoense e suas muito vastas adjacências.
Na foto, o Campo de Aviação da Imbiribeira, parcela da hoje Tambauzinho.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O siri mole e a Bagaceira; Sérgio Botelho

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Vandilo Brito está em Joao Pessoa – Paraiba – Brasil.

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O siri mole e a Bagaceira
Sérgio Botelho – Atendendo a pedidos, hoje retomo tema brando e saudoso, que atende pelos nomes de siri mole e Bagaceira. Siri mole é uma iguaria popular e Bagaceira um lugar no inconsciente da cidade de outrora. O siri passa a “mole” quando está trocando a carapaça, que então fica macia, tornando-o completamente comestível, sem necessidade de remover a casca dura.
O assunto é retomado para lembrar de como esse prato era desejado na velha Bagaceira da Festa das Neves, ponto de encontro de poetas, seresteiros, jornalistas e intelectuais em geral, que curtiam a tradicional novena da padroeira pessoense de uma forma menos pia, já que cercados de bebidas e tira-gostos, embaixo de lonas dispostas em barracas armadas, em desafio à lei da gravidade, ao longo da calçada e do muro do Colégio Nossa Senhora das Neves, na Praça Dom Ulrico e Ladeira da Borborema.
E nem adiantava chuva, o que não é muito difícil de acontecer entre finais de julho e inícios de agosto de todos os anos, na capital paraibana. O siri mole, preparado com o esmero de cuidadosas cozinheiras (famosas, elas até identificavam as barracas) vinha ali de perto, do Porto do Capim, ponto de oferta do pescado. Preocupação da freguesia com higiene não estava entre as prioridades, prevalecia a confiança absoluta nas chefs.
Era o jeito! O siri-mole, mergulhado em caldo com leite de coco ou de tomate e legumes, era habitualmente servido com fatias de pão, permitindo que, após degustar tudo, o cliente raspasse o que ficava no prato. Um espetáculo! Revolucionários e conservadores conviviam harmoniosamente na Bagaceira. Discutir e falar alto, podia.
O propósito era beber, e, conforme o orçamento permitisse (havia muito estudante “quebrado”), degustar as “comidinhas”. Além do siri-mole, se destacavam ainda o caranguejo, preparado de diversas maneiras, e a inigualável buchada de bode. O siri mole, ainda é possível encontrar no Porto do Capim, já referido, além de Cabedelo e Forte Velho. A Bagaceira acabou, junto com o que a gente entendia até anos atrás como Festa das Neves. Chorare!
O belo cenário onde se postava a Bagaceira, junto com o siri mole.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS Port Sérgio Botelho

Vandilo Brito está em Joao Pessoa – Paraiba – Brasil.

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(Na foto, a Avenida Miguel Couto, tendo ao fundo o Parque Solon de Lucena. No primeiro plano, à direita, a parede lateral da Igreja da Misericórdia).
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Rua Miguel Couto
Sérgio Botelho – Levando em conta que a rua Padre Meira, para ligar a Duque de Caxias ao Parque Solon de Lucena, tem de se valer do Ponto de Cem Reis, assim como a Barão do Abihay/Eliseu César, somente chega à Lagoa após a Praça Rio Branco, a Avenida Miguel Couto é a única que conecta diretamente a velha rua Direita ao parque que sediou a antiga Bambu e o revisado Cassino de Verão – e, agora, da Festa das Neves, em sua parte profana. A marca principal da via continua sendo, por herança várias vezes secular, a vetusta Igreja da Misericórdia, da qual já falamos tanto, na esquina com a Duque de Caxias, principalmente por ser um marco original da cidade. Ao longo do tempo, a Miguel Couto abrigou endereços muito festejados pela população pessoense.
É possível citar o Restaurante Lido (embora na Duque de Caxias, mas de frente para a Miguel Couto, onde hoje se encontra o Shopping Terceirão), a Sorvelanches 36, um moinho do Café Alvear, o Foto Condor, de Ariel e Arion, o velho Hospital de Ponto Socorro, pertencente à Assistência Pública Municipal, além de icônicas barbearias que faziam a cabeça de meninos, adolescentes e homens feitos na capital paraibana. Em tempos mais antigos, na esquina da Miguel Couto com a Visconde de Pelotas, funcionou por algum tempo, o jornal A União. Nas décadas de 1970, 1980 e 1990, também fixou endereço na Miguel Couto a inesquecível farmácia de “Seu” Teixeira, do lado esquerdo de quem desce para a Lagoa, farmacêutico altamente respeitado na cidade, e ainda carente de homenagens mais perpetuadoras de sua existência.
O homenageado com o nome da via, um renomado médico, professor universitário e político fluminense, cujo nome completo era Miguel de Oliveira Couto, assumiu o status por decisão do prefeito Walfredo Guedes Pereira (que também era médico, e formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro), em 19 de agosto de 1935, por meio do decreto 338, publicado na edição de A União do dia seguinte. Segundo justificava o prefeito, “como expoente máximo da medicina brasileira e grande patriota, {Miguel de Oliveira Couto} não pode ficar olvidado em nosso meio”. Antes, em 13 de junho de 1934, a Sociedade de Medicina e Cirurgia da Paraíba mandou celebrar uma missa “pela alma do professor Miguel Couto”, na Igreja do Carmo, oficializada pelo próprio arcebispo Dom Adauto. Realmente, tinha prestígio nacional o professor Miguel de Oliveira Couto, nascido no Rio, em 1º de maio de 1864, e falecido, também no Rio, em 6 de junho de 1934, após ter presidido por 21 anos consecutivos a Academia Nacional de Medicina. De 1919 à data de sua morte, ocupou a cadeira 40 da Academia Brasileira de Letras, na condição de “poliglota e profundo conhecedor da língua portuguesa”, conforme ressalta sua biografia no site da ABL.
Couto, forte defensor da criação do Ministério da Educação, concretizado no Estado Novo, foi eleito deputado na Assembleia Nacional Constituinte de 1934, onde teve a oportunidade de influenciar o texto da nova Constituição brasileira. Durante o mandato, defendeu ideias relacionadas com educação e saúde, mas também expressou opiniões controversas sobre temas como raça e imigração (era taxativamente contra a imigração japonesa), que hoje são consideradas segregacionistas e racistas, de acordo como que está anotado na biografia exposta pela Academia Brasileira de Letras. Por sua contribuição à medicina, instituições de saúde no Brasil levam seu nome, como é o caso do famoso Hospital Miguel Couto, no Rio. Atualmente, a rua Miguel Couto inclui um viaduto, o Terceirão, construído pelo prefeito Dorgival Terceiro Neto, na década de 1970, que a liga diretamente à rua Cardoso Vieira, na cidade baixa, via obrigatória para os ônibus que se destinam ao Terminal de Integração, no Varadouro.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Ruas Manoel Soares Londres e Francisco Soares Londres Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Ruas Manoel Soares Londres e Francisco Soares Londres
Sérgio Botelho
– Não é a mesma coisa de outros tempos, mas ainda hoje há farmacêuticos na cidade que inspiram confiança quando da receita de medicamentos a diversos tipos de doenças menos complexas. Antigamente, essa confiança era ainda maior, tempos dos chamados ‘indigentes’ dos precários serviços de Saúde. Estamos falando de farmácias mais identificadas com os seus proprietários, farmacêuticos, que acabavam granjeando popularidade. Em João Pessoa, por exemplo, pelo menos três deles nomeiam ruas tradicionais no Centro Histórico. Sobre um, até já falei outro dia, no caso, Antônio Rabelo, que dá nome a uma pracinha na confluência das ruas Cândido Pessoa, Henrique Siqueira, Cardoso Vieira e Game a Melo, no Varadouro. Foi ele quem inventou a tradicionalíssima Água Rabelo. Os outros dias, descobri-os em pesquisas recentes, e são irmãos: Francisco Soares Londres e Manoel Soares Londres.
Ambos exerceram suas profissões na primeira metade do século passado, e têm como referência mais expressiva uma tradicional farmácia com o nome Londres, na Maciel Pinheiro. A rua Manoel Soares Londres, que já foi Travessa Riachuelo, fica entre as ruas Riachuelo e Silva Jardim, no Centro. A Francisco Londres liga as ruas da República e Desembargador Trindade, no Varadouro, dando continuidade à Visconde de Itaparica. Se acrescentadas as ruas Nina Lima e Visconde de Itaparica, acaba se ligando à Avenida João Machado. Manoel Soares Londres chegou a presidir a Associação Comercial da Paraíba.
Segundo o médico João Medeiros Filho, em uma de suas boas Crônicas Terapêuticas, pela Internet, intitulada “O Respeitável Seu Nhôzinho” (como era mais conhecido o farmacêutico), o homenageado com seu nome na referida artéria do Centro chegou a ser eleito vereador da cidade. “O farmacêutico passou a gozar de grande conceito perante a sociedade, não apenas pela sua competência profissional, mas pela sua bondade e dedicação aos pobres”, conforme Medeiros, adiantando que na Farmácia Londres costumavam se reunir “figuras representativas da sociedade”. A Câmara Municipal de João Pessoa doou, em 1954, um túmulo no Cemitério Senhor da Boa Sentença à família do senhor Francisco Soares Londres, “ilustre farmacêutico”, conforme o texto da lei. Manoel Soares Londres teria falecido em 1956, no Rio de Janeiro.
A imagem, do Google Street View, é da Rua Francisco Londres na altura do Terminal de Integração, no Varadouro.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS: O chope da Casa dos Frios Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS: O chope da Casa dos Frios
Sérgio Botelho
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(A imagem é meramente ilustrativa, pois não encontrei foto da Casa dos Frios)
– Situado entre a antiquíssima Igreja da Misericórdia e o Ponto de Cem Reis, vizinho ao oitão do solar de João Minervino (proprietário do Paraíba Palace Hotel), hoje Bradesco, a Casa dos Frios fez muito sucesso em João Pessoa até a década de 1970.
Havia motivos para isso, já que foi lá onde, mais largamente, se consolidou entre os boêmios da cidade a especialidade etílica alemã, conhecida como chope, embora houvesse iniciativas anteriores, menos amplas, em João Pessoa. Mas também tinha o ovo cozido, o galeto e, principalmente, a atualização sobre as novidades provincianas. Queijos, conservas, patês… uma variedade de opções frias também pode ser considerada.
As conversas giravam em torno de temas esportivos, música, cinema, política, sem esquecer os debates filosóficos e existenciais. Quando se queria saber se algum boato surgido no Ponto de Cem Reis era verdadeiro, o jeito era recorrer à Casa dos Frios. Homens, principalmente – já que mulheres muito dificilmente iam aos bares, em tempos de machismo absoluto – lotavam as mesas disponíveis para conversas intermináveis. Os papos iam aumentando em decibéis, e cruzando por sobre os convivas, à medida que cresciam, sobre as mesas, aquelas cartelinhas, oficialmente chamadas bolachas de chope, feitas de papelão, que serviam para apoiar a caneca cheia.
Além disso, ao final das farras, eram as ditas bolachas que se prestavam à contagem da quantidade de chopes consumidos. Minhas lembranças de conviva da Casa dos Frios são de uma época em que o empreendimento já experimentava declínio, embora nada do que existiu no Centro de João Pessoa haja passado despercebido aos meus tempos de menino morador da região, desde o nascimento.
Nessa condição, ali cumpri mandados de casa, para compras de frios e galeto, algumas vezes, em plena ebulição etílica. Sem esquecer que o local ficava bem no caminho do Cine Rex e das missas da Misericórdia. O resto, extraí de crônicas da lavra de frequentadores da época de ouro daquele empório-bar-restaurante. Outros bares, inclusive para as bandas de Tambaú e adjacências, além da Bambu e das primeiras boates, já dividiam as preferências, principalmente na direção da orla marítima que se ia alcançando. Certamente, a Casa dos Frios se constituiu num traço indelével da vida pessoense, em parte da segunda metade do Século XX.
(A imagem é meramente ilustrativa, pois não encontrei foto da Casa dos Frios)
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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Praça Caldas Brandão Sérgio Botelho

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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Praça Caldas Brandão
Sérgio Botelho – Li no Facebook postagens, de alguns anos atrás, dos irmãos Silvino Espínola e José Mário Espínola (o primeiro, sociólogo e professor aposentado da UFPB, o outro, médico cardiologista), lembrando o tempo de moradores da Praça Caldas Brandão. Sua família (desembargador Francisco Espínola, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, sua esposa, dona Margarida Nair, e mais 6 irmãos e irmãs: João Neto, juiz, Paulo Fernando, engenheiro – ambos, já falecidos -, Francisca Luíza, juíza, Humberto, procurador de Justiça, Ana Cândida, também procuradora, e Francisco Espínola Júnior, músico e compositor) ocuparam residência na Praça Caldas Brandão, esquina com a antiga avenida Tambiá/Praça da Independência. Quando se fala em Praça Caldas Brandão, é preciso lembrar que aquela área pessoense compunha, em tempos mais passados, uma região chamada Cruz do Peixe, pertencente aos monges beneditinos
O primeiro ícone urbano da cidade a manter endereço em Cruz do Peixe foi a Ferro Carril Paraibana (exatamente onde hoje está a Energisa Cultural), com sua linha de bondes de tração animal e um trem maxabomba com destino à parte leste da cidade da Parahyba (a hoje famosa João Pessoa). Depois, quem se instalou no local foi a Empresa Tração, Luz e Força, que deu início ao fornecimento de energia elétrica à cidade. Na sequência temporal, a ETLeF também passou a ofertar novos e modernos bondes elétricos. Ainda nas duas primeiras décadas dos anos 1900, foram inaugurados, em Cruz do Peixe, instituições da Santa Casa de Misericórdia (cuja maior expressão é o ainda hoje existente Hospital Santa Isabel, não mais da Santa Casa), transferidas do Centro da cidade, entre a Duque de Caxias e a atual Visconde de Pelotas.
Em 1922, centenário da independência do Brasil, foi a vez de ser inaugurada a Praça da Independência, com a avenida Tambiá sendo pavimentada, assim como a avenida Maximiano de Figueiredo chegando à região, a partir da avenida João Machado. Para completar, a abertura da Epitácio Pessoa até a orla marítima. Nesse meio tempo, surgiu a Praça Caldas Brandão, que tomou esse nome após a morte do homenageado em 1933. Mas quem foi Caldas Brandão? Seu nome de batismo era Trajano Américo de Caldas Brandão, nascido em 1861, na localidade de Canafístula (hoje, Caldas Brandão), mas então pertencente ao município de Pilar, e que teve destaque na Justiça paraibana.
Sua biografia anota os seguintes cargos exercidos por ele: promotor público, sequencialmente, de Alagoa Grande, Pilar, Cabaceiras e Areia; juiz de Bananeiras, Umbuzeiro, Mamanguape e da Vara dos Feitos da Fazenda Estadual; desembargador do Superior Tribunal de Justiça da Paraíba e procurador-geral do Estado. Também foi responsável pelo lançamento da Revista do Foro, diretor e presidente do Montepio dos Funcionários do Estado. Ganhou seu nome na praça por tudo isso, mas, certamente, por ter sido provedor da Santa Casa de Misericórdia entre 1907 e 1917, nos primeiros anos de sua instalação em Cruz do Peixe.
Enfim, aproveito para lembrar outros moradores locais, ao longo do tempo, segundo me contaram, a exemplo de seu João Pedro Araújo, pai do gastroenterologista Luiz Pedro, o saudoso David Trindade, ex-gerente do Banco do Brasil, o empresário José Fernandes, do Engenho São Paulo, e Carlos e Nôzinho, ambos da família Brandão. Todos, um dia fregueses da sempre lembrada mercearia de seu Borges.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Grupo Escolar Dom Pedro II; Sérgio Botelho

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS.
O Grupo Escolar Dom Pedro II
Sérgio Botelho – Entre a segunda metade da década de 1910 e a primeira da década de 1920, a cidade de Parahyba (atual João Pessoa) viu surgir cinco grupos escolares, inaugurando um novo modelo educacional de caráter republicano que estava sendo implantado no Brasil. O objetivo era substituir o ensino ministrado em escolas isoladas, onde professores lecionavam obedecendo a didáticas e conteúdos próprios. Mais do que isso, havia forte influência do positivismo, com ênfase na ciência, na razão e no progresso, a impulsionar a busca por um modelo escolar que se pretendia mais eficiente e organizado.
Os grupos escolares, com sua estrutura padronizada e currículo centralizado, refletiam essa busca por racionalização e controle do processo educativo. Os referidos grupos (pela ordem, no tempo, o Thomaz Mindelo, o Epitácio Pessoa, o Antônio Pessoa, o Isabel Maria das Neves e o Pedro II) primavam por serem construções arquitetonicamente ecléticas, com salas ventiladas e boa iluminação, além de corredores, biblioteca e ambientes de atenção à saúde. Dessa maneira, ia sendo substituída a prática majoritária, até então, de o ensino ser ministrado em locais improvisados, como, por exemplo, as casas dos próprios professores.
As respectivas construções, destinadas à educação, por conta do planejamento arquitetônico, a cargo de profissionais gabaritados, acabavam também por embelezar a cidade em expansão. Se os grupos escolares anteriores homenageavam paraibanos, todos republicanos, o último deles recuperava a imagem do segundo imperador brasileiro, numa aparente contradição de princípio, já que, conforme comentamos, se tratava de uma nova visão educacional a romper com os cânones do ensino vigente na Monarquia.
O mais novo dos grupos escolares foi edificado na progressista Rua das Trincheiras, de frente para uma balaustrada, construída alguns anos antes, tudo junto contribuindo para os novos ares de modernidade da capital paraibana. Já bem próximo da João da Mata, junto com a Escola de Artífices (depois, Escola Técnica Federal da Paraíba, e hoje, Reitoria do Instituto Federal de Educação), construída pouco depois, beneficiava alunos principalmente de Jaguaribe, ABC e Cruz das Armas. Na foto, o prédio do antigo Grupo Escolar Pedro II, atualmente.
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