Vital Farias foi grandioso demais Por Sérgio Botelho

Vital Farias foi grandioso demais
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Sérgio Botelho – A Paraíba perdeu, nesta quinta-feira, 06 de fevereiro, um de seus maiores gênios musicais, nascido em Taperoá, nos idos de 1943: Vital Farias. Fomos amigos nos idos da primeira metade década de 1970, especialmente na Universidade do Ponto de Cem Reis, também ocupado por um seu parceiro e amigo, o renomado Livardo Alves, onde corria solto os lamentos contra a ditadura brasileira.
Em João Pessoa, ainda, Vital Farias foi uma das figuras mais emblemáticas do velho Boiadeiro, de Bento da Gama, no Baixo Tambaú, que o inspirou na composição de uma de suas músicas, não muito divulgada, mas tão bela quanto todas as que fez, em letra e melodia.
No Sul, como não poderia deixar de ser, ele se transformou num dos nomes mais importantes da música brasileira – ganhando destaque, em memoráveis trilhas de novelas da Globo -, pela sua profunda ligação com a cultura popular e capacidade de traduzir, em versos e melodias, as paisagens, histórias e sentimentos do povo nordestino.
Vital Farias se notabilizou por um trabalho que valoriza a oralidade, a memória e a musicalidade do sertão. Suas composições trazem influências da cantoria de viola, do repente, do coco de roda e do forró, sempre com um refinamento poético emocionante.
A canção “Saga da Amazônia”, uma de suas obras mais emblemáticas, virou hino de denúncia contra o desmatamento e a exploração da Amazônia, sendo reconhecida como uma das mais impactantes composições sobre a questão ambiental no Brasil. Com versos fortes e uma narrativa dramática, a música reforça a preocupação do artista com temas sociais e ecológicos.
Seu estilo refinado no violão, aliado a letras poéticas e engajadas, faz dele um dos compositores mais respeitados da MPB. Apesar de ter mantido uma trajetória discreta nos últimos anos, sua obra continua a ser referência para novas gerações de músicos nordestinos e estudiosos da música popular brasileira.
Na Paraíba, Vital Farias deve ser lembrado como um dos artistas mais autênticos da terra, um defensor da cultura sertaneja e um narrador das belezas e desafios do Nordeste. Sua produção musical não apenas resgata e preserva as tradições populares, mas também dialoga com questões contemporâneas, mantendo sua relevância ao longo das décadas.
Seu nome está definitivamente inscrito entre os grandes da música brasileira, consolidando um legado que transcende o entretenimento, e também o episódico, e se firma como patrimônio cultural, representando o Nordeste em sua essência mais profunda.
Sua ida deixa em todos nós uma profunda saudade e um irreparável sentimento de perda!
Siga em paz velho trovador!
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Para não esquecer (Ao meu neto Benjamin) Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Para não esquecer
(Ao meu neto Benjamin)
Sérgio Botelho – Há séculos, antes mesmo de a cidade existir, os irerês viviam por aqui, voando sobre o rio Sanhauá e descansando nas
 margens da Lagoa, em meio a muito verde. Eles viram a cidade nascer e crescer.
No começo, não havia casas nem ruas de pedra, apenas rios, matas e aldeias indígenas. Mas um dia, os portugueses chegaram navegando pelo rio Sanhauá e decidiram construir uma cidade. Eles chamaram esse lugar de Filipeia de Nossa Senhora das Neves.
Para se protegerem dos inimigos, escolheram um lugar alto, onde podiam ver quem vinha de longe. Assim, foram nascendo igrejas, praças e ruas.
As ruas eram estreitas, cheias de subidas e descidas, porque precisavam obedecer a caminhos traçados pelos morros. Algumas delas terminavam bem perto da água, onde os barcos ancoravam trazendo mercadorias lá de fora e levando as nossas para outras terras.
O tempo passou, e a cidade cresceu devagarzinho. Os seus habitantes construíram mais igrejas, mercados e casas, algumas com azulejos coloridos. Até os bondes chegaram, correndo sobre trilhos e levando as pessoas de um lado para o outro!
Mas então veio uma mudança muito grande! As pessoas começaram a sair de mais perto do rio e foram morar mais perto do mar. Antes, a praia de Tambaú era só mata, areia e coqueiros, mas logo virou um bairro cheio de casas e ruas largas.
Construíram então uma avenida bem grande, chamada Epitácio Pessoa, que ligava o centro até o mar. Agora, João Pessoa, o novo nome da cidade, tinha duas partes importantes: a antiga e a nova, pertinho das ondas!
Mesmo com todas essas mudanças, o rio Sanhauá continuou ali, vendo tudo acontecer. Hoje, a cidade tem prédios altos, carros e luzes brilhantes, mas ainda guarda lembranças daquele tempo antigo, quando tudo começou às margens do rio.
Se um dia você passar pelo centro, olhe com respeito para os prédios velhinhos, para as igrejas e para as ruas de pedra. Elas têm muitas histórias para contar… e, quem sabe, você até não escuta um irerê assobiando por ali?
Na foto, mais para o rio que para o mar, a Lagoa do Parque Solon de Lucena, no Centro, antiga Lagoa dos Irerês.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Esporte Clube Cabo Branco Sérgio Botelho

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Esporte Clube Cabo Branco
Sérgio Botelho – O Esporte Clube Cabo Branco, fundado em 13 de dezembro de 1915, tem na sua origem duas vertentes principais: a de ambiente de convívio social e a de prática de esportes. Sua sede mais famosa, na época inicial, foi no bairro de Jaguaribe, onde manteve um campo de futebol que se transformou no primeiro local das grandes disputas futebolísticas paraibanas, até a construção do antigo Estádio José Américo, nas proximidades da Fazenda Boi Só, na década de 1950.
O time de futebol do Cabo Branco foi campeão paraibano 10 vezes, até a década de 1940, quando extinguiu o seu departamento de futebol profissional, embora se mantendo na disputa de outras modalidades esportivas, a exemplo de tênis, voleibol e basquete, e, mais tarde, de natação e futebol de salão. Mas, sobretudo, se consolidou como um clube fortemente voltado para o convívio de seus associados, se destacando, a partir de então, em intensa concorrência com o Astrea, em memoráveis festas na capital paraibana. Essa nova versão do Cabo Branco coincide com a paz firmada com os dirigentes do Clube dos Diários, existente desde a segunda metade da década de 1920, no Centro da cidade, fundado justamente por conta de um racha entre filiados do próprio Cabo Branco, na época.
O final da década de 1950 vai encontrar o clube em sua sede atual, no Jardim Miramar, bairro criado na mesma década, quando o Cabo Branco consolida sua fase de maior brilho festivo, desde os tradicionais gritos de carnaval, o Vermelho e Branco, até a folia oficial. Os carnavais a partir de então mobilizaram a chamada sociedade pessoense, não raramente levando os foliões a descerem a Epitácio Pessoa, até a praia de Tambaú e Cabo Branco (onde informalmente nasceu o clube), para encerrar a festa nas manhãs da Quarta-Feira de Cinzas. Nessa época, o Cabo Branco e o Astrea dividiam as noites de folia, dedicadas aos adultos, e as matinês, às crianças, de forma a não disputarem entre si nenhum desses bailes. Pode-se dizer que a década de 1960 foi a de maior brilho do Cabo Branco no carnaval pessoense.
Foto da página oficial do clube no Facebook.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Antes dos táxis, os “carros de praça” Sérgio Botelho

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Antes dos táxis, os “carros de praça”

Sérgio Botelho – Antes do serviço de táxi ser implantado em João Pessoa, o sistema de transporte público individualizado era feito pelos “carros de praça”, geralmente Ford, Chevrolet e Mercury da década de 1940, postados na Praça Vidal de Negreiros, o Ponto de Cem Réis. Ali era o coração da cidade, servindo como ponto de convergência a todas as linhas de bonde locais, mas também como ponto de encontro e convivência social.
O serviço era exercido pelos choferes, os motoristas profissionais da época, que utilizavam veículos registrados e regulamentados para atender passageiros, cobrando tarifa baseada na distância percorrida, no tempo da viagem ou em uma combinação de ambos. Os preços eram acertados antes do deslocamento – embora baseado numa tabela definida pela Inspetoria de Tráfego – entre o cliente e o dono do veículo, pois o uso de taxímetros para calcular automaticamente o valor da tarifa de uma corrida eram até previstos, mas não adotados.
O sistema trazia certa flexibilidade, mas também exigia clareza nos acordos para evitar desentendimentos. Os carros de praça eram símbolos de prestígio e inovação para a época, frequentemente utilizados em ocasiões especiais como casamentos, funerais e eventos sociais de destaque. Para muitos, viajar em um desses automóveis era um luxo, um reflexo do avanço tecnológico que começava a impactar o cotidiano da cidade.
Essa fase da história urbana de João Pessoa nos transporta a um tempo em que a cidade tinha um ritmo mais pausado, e as relações entre as pessoas eram marcadas por um contato direto, quase artesanal, entre o serviço oferecido e o cliente. Com o tempo, a necessidade de um sistema mais organizado e justo levou à introdução do táxi com taxímetro, que oferecia mais transparência e segurança aos passageiros. Mas os “carros de praça” e seus choferes marcaram época na história do transporte pessoense.

Sérgio Botelho- jornalista, poeta, escritor




PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Praças XV de Novembro e Álvaro Machado Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Praças XV de Novembro e Álvaro Machado
Sérgio Botelho
– Algumas das ruas e praças de João Pessoa, sobre as quais temos jogado luz, nessa série Parahyba e suas Histórias, desempenharam papel de grande relevância na formação da cidade. Dentro desse prisma, as atuais praças Álvaro Machado e XV de Novembro, localizadas no Varadouro, são exemplos emblemáticos. Durante os tempos coloniais, esses espaços foram diretamente influenciados pela proximidade do Porto do Capim, que fazia do Varadouro o principal ponto de movimentação comercial da cidade.
Com a construção da estrada de ferro, entre o final do Império e o advento da República (anos 1880, 1890 e primeiras décadas do Século XX), essas praças ganharam nova relevância, ambas se consolidando como pontos estratégicos para o desenvolvimento econômico e social da cidade. Além disso, os dois locais sediaram eventos memoráveis que marcaram a história pessoense, como celebrações cívicas e manifestações culturais, servindo de ambientes a acontecimentos que moldaram a identidade da cidade.
Elas são depositárias de tradições, costumes e valores que, ao longo dos anos, ajudaram a construir a narrativa política, social e cultural da cidade. Preservar esses logradouros é essencial para reforçar o senso de pertencimento e continuidade histórica, garantindo que a identidade pessoense permaneça viva e inspiradora para as gerações futuras. Dessa maneira, investir na revitalização e funcionalidade de praças como a Álvaro Machado e a XV de Novembro é fundamental para promover a memória coletiva de João Pessoa.
Lembrando que o esforço não deve ser exclusivo do poder público, mas compartilhado com instituições privadas e movimentos culturais que podem contribuir de forma significativa para transformar esses espaços em centros de convivência, lazer e cultura. Ao torná-las mais funcionais, com infraestrutura adequada, atividades culturais regulares e iniciativas que estimulem o uso comunitário, essas praças ganham vida como locais de interação social. Com a efetiva requalificação do Conventinho, a tarefa será facilitada.
Na foto, a Praça XV de Novembro, com a Rua João Suassuna, que leva ao Conventinho.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Aeródromo da Imbiribeira Sérgio Botelho

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Aeródromo da Imbiribeira
Sérgio Botelho
– O atual bairro de Tambauzinho, antes de se tornar o que é, ganhou notoriedade a partir do início do Século XX, quando ali foi implantada uma estação da Ferro Carril Paraibana, cujos trilhos deveriam chegar a Tambaú. Na sequência, onde hoje se localiza o quartel do I Grupamento de Engenharia, passou a funcionar uma escola agropecuária. A região era conhecida como Imbiribeira por conta de uma árvore, assim batizada pelos nativos, bem marcante no local.
Com o tempo, a madeira da imbiribeira passou a ser valorizada por sua resistência e durabilidade, sendo usada em construções (destacadamente na forma de ripas), na fabricação de móveis, e em peças artesanais. Ora chamada de Bosque da Imbiribeira ora de Floresta da Imbiribeira, os escribas da época não poupavam elogios ao belo cenário natural que a região ostentava. No início dos anos 1930, entre o governo João Pessoa e Antenor Navarro, foi ali construído um aeródromo, denominado Campo da Imbiribeira, um dos primeiros campos de pouso a operar na capital paraibana – antecedido pelo Rio Sanhauá, que a esse papel se prestava nos tempos dos hidroaviões -, marcando o início da aviação na cidade.
O Campo da Imbiribeira desempenhou papel de grande importância na história da aviação comercial e militar paraibana. Sua localização privilegiada e relativamente próxima ao centro da cidade tornou-o ponto estratégico para as operações aéreas da época. O aeródromo foi construído durante um período em que a aviação ainda engatinhava no Brasil, servindo tanto para voos experimentais quanto para conexões regionais.
Além disso, ele era utilizado para a formação de pilotos e, também, para manobras militares, especialmente no contexto da Segunda Guerra Mundial, quando as cidades do Nordeste assumiram papel logístico. Com o crescimento urbano e a modernização das estruturas aeroportuárias, o aeródromo foi desativado, dando lugar a novos projetos para a cidade. A área acabou sofrendo transformações urbanas significativas, até os dias de hoje. Contudo, a memória do Aeródromo da Imbiribeira permanece viva como parte do patrimônio histórico de João Pessoa.
www.reporteriedoferreira.com.br   Por Sérgio Botelho, jornalista, poeta, rescritor



PARAHYBA DO NORTE. O Hotel Luso-Brasileiro Sérgio Botelho

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PARAHYBA DO NORTE. O Hotel Luso-Brasileiro
Sérgio Botelho
– No dia 19 de abril de 1923, o jornal A União publicava matéria sobre a presença em João Pessoa do pintor pernambucano Euclydes Fonseca, que marcou época na história das artes plásticas brasileiras, onde se incluía a cerâmica, inclusive com prêmios nacionais e internacionais.
A nota informava que “o illustre artista, no Hotel Luso-Brasileiro, onde está hospedado, tem recebido visitas de vários intellectuaes que lhe vêm testemunhar sympathia pelos seus talentos e esforços”. Ah, o Hotel Luso-Brasileiro! Foi nele que também ficou hospedado, em 1929, importante escritor, crítico literário, musicólogo e intelectual brasileiro do século XX, um dos líderes do movimento modernista, Mário de Andrade, quando de sua visita histórica à Paraíba, destinada ao estudo das manifestações culturais locais.
O Hotel Luso-Brasileiro foi um estabelecimento hoteleiro de destaque em João Pessoa, na primeira metade do Século XX, localizado na Praça Álvaro Machado, no bairro do Varadouro, inaugurado no início dos anos 1900. Durante décadas, o referido hotel foi a escolha preferida de fazendeiros, comerciantes, políticos e intelectuais que visitavam a capital paraibana. Sua localização estratégica, próxima ao porto e à estação ferroviária, facilitava o acesso dos hóspedes às principais atividades comerciais e políticas da cidade.
No entanto, com o passar dos anos, e à medida que a cidade foi subindo, inclusive com a inauguração do Paraíba Hotel, o Luso-Brasileiro entrou em declínio e acabou sendo desativado. Atualmente, o edifício encontra-se em estado de abandono (foto), representando uma perda significativa para a memória cultural de João Pessoa. A situação do Hotel Luso-Brasileiro contrasta com a do Hotel Globo, outro marco histórico da cidade que foi restaurado e hoje atrai turistas interessados em sua rica trajetória e na vista do pôr do sol sobre o Rio Sanhauá. A história do Hotel Luso-Brasileiro serve como alerta sobre a importância de preservar o patrimônio histórico, reconhecendo seu valor cultural e seu potencial para o desenvolvimento turístico.
Sérgio Botelho- Jornalista, poeta, escritor



O importante Festaruanda Por Sérgio Botelho

O importante Festaruanda
Sérgio Botelho
– Neste sábado, 7, fomos ao 19º Festaruanda (governo estadual, Energisa, Itaú, Canal Brasil, organizado pelo professor Lúcio Vilar com apoio da UFPB) que acontece no Cinépolis do Manaíra Shopping. Apresentado de forma espontânea, mas segura, pelo jornalista Jãmarri Nogueira, pudemos assistir a dois curtas e um longa bem representativos do bom nível do evento, como já vem acontecendo desde a sua primeira versão.
O primeiro curta, “A Voz de Guadakan”, em estilo documental, é dirigido por Joel Pizzini, que explora o universo criativo de Gleycielli Nonato, a primeira escritora indígena de Mato Grosso do Sul. Ambientado às margens do Rio Taquari, o filme apresenta Gleycielli e sua mãe, Maria Agripina, na luta para preservar a memória milenar da Nação Guató. Um belo resgate das ancestralidades brasileiras.
O segundo curta apresentado, motivo maior de nossa ida ao Cinépolis, foi Ladeira Abaixo, rodado em Cuité, na Paraíba, terra do diretor Ismael Moura. A produção conta com a participação de atores como Titina Medeiros, Solana Bandeira e Fernando Teixeira.
“Ladeira Abaixo” acaba sendo uma narrativa existencial que explora tensões entre liberdade e destino, autenticidade e inautenticidade, queda e redenção. Ao retratar personagens presos em lutas pessoais e dilemas morais, o filme sugere que mesmo em uma descida aparentemente inevitável, há espaço para confrontar o desespero e buscar sentido na travessia.
Enfim, o longa “Manas”, drama brasileiro de 2024, dirigido por Marianna Brennand, que aborda de forma sensível e impactante a realidade de abusos sexuais sofridos por meninas em comunidades ribeirinhas da Ilha de Marajó, no Pará. O filme acompanha Marcielle, conhecida como Tielle, jovem de 13 anos que, ao amadurecer, confronta a violência que permeia sua família e a comunidade.
O filme é uma crítica contundente às estruturas patriarcais que perpetuam a violência contra meninas e mulheres em contextos socioeconômicos vulneráveis, como comunidades ribeirinhas no Brasil. Uma obra profundamente feminista que denuncia a violência de gênero, enaltece a resistência, a sororidade e a chance de transformação social.
O Festaruanda, mais que uma mostra de cinema, virou plataforma de memória e futuro para o audiovisual brasileiro.
Na imagem, cena com as atrizes Titina Medeiros e Solana Bandeira, em Ladeira Abaixo.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Maestro Severino Araújo e a Paraíba Sério Botelho

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Maestro Severino Araújo e a Paraíba
Sério Botelho – A história do maestro Severino Araújo, nascido em Limoreiro-PE, em 23 de abril de 1917, e falecido no Rio de Janeiro, em 3 de agosto de 2012, se relaciona com a Paraíba em quadra emocionante.
Foi em território paraibano que o maestro fincou raízes e deu os primeiros passos de sua brilhante carreira. Ainda adolescente, com apenas 16 anos, já demonstrava talento musical fazendo arranjos para a banda de Ingá, onde sua família havia passado a residir. Em 1936, ano de inauguração da PRI-4, a Rádio Tabajara da Paraíba, Severino Araújo chegou à capital paraibana para fazer parte da Banda da Polícia Militar como clarinetista. No ano seguinte, a convite do maestro Olegário de Luna Freire, Severino ingressou na orquestra Tabajara como clarinetista. Mal sabia ele que, em pouco tempo, por motivo do súbito falecimento de Luna Freire, assumiria a regência e se tornaria o maestro mais longevo da Tabajara, conduzindo-a por mais de sete décadas. Em 1944, recebeu convites para trabalhar profissionalmente na capital do país.
Os convites eram do Cassino Copacabana e da Rádio Tupi, propriedade do paraibano Assis Chateaubriand. A Tabajara encantava o público com uma sonoridade única, que mesclava a tradição da música brasileira com influências do jazz. Sob sua batuta, a orquestra embalou festas, animou programas de rádio e televisão, e gravou inúmeros discos, incluindo alguns com o nome de Românticos de Cuba, se consolidando como um dos mais importantes grupos musicais do país. Entre suas composições, se destacam “Espinha de Bacalhau” e “Um Chorinho pra Você”, onde mostra seu virtuosismo como clarinetista, combinando técnica apurada, fluidez melódica e uma alegria contagiante característica do gênero.
A ligação de Severino Araújo com a Paraíba é motivo de orgulho para o nosso estado. Em reconhecimento à sua contribuição para a cultura paraibana, o maestro recebeu o título de “Cidadão Paraibano” (mas, também, Carioca). Seu legado musical permanece vivo na memória musical brasileira e inspira novas gerações de músicos. Severino Araújo, o maestro que encantou o Brasil, não deve ser esquecido em sua “terra adotiva”.
Severino Araújo, em foto da TV Brasil
Sérgio Botelho- Jornalista, poeta, escritor



PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A praia de Santo Antônio Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A praia de Santo Antônio
Sérgio Botelho
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A praia de Santo Antônio
Sérgio Botelho – Nada do que a região de Tambaú é hoje se parece com o que foi durante séculos, mesmo os primeiros da colonização portuguesa. A não ser a própria praia e suas ondas e conformação das areias, ainda que, um dia, maculadas com a construção do Hotel Tambaú, no início da década de 1970.
Nascida à beira do Sanhauá, a cidade só veio chegar para valer, como opção urbana de caráter massivo e propício para moradia e negócios, a partir da pavimentação da Epitácio Pessoa, na década de 1950. Nos finais do Século XIX e início do XX, o que foi se desenhando no litoral pessoense tinha mais ligação com sítios, fazendas, vacarias e algumas pioneiras casas de veraneio. E, claro, com pescadores. De forma mais específica, com referência ao local preferido pelos pescadores, até hoje, representado pelo Largo da Gameleira e, ainda, pelas areias onde está assentado o já referido Hotel Tambaú, o que ali existia tinha o nome de Praia de Santo Antônio.
Como lembrança da época, além de um pequeno edifício denominado justamente de Santo Antônio, a herança mais forte, do ponto de vista afetivo, é a Igreja de Santo Antônio, padroeiro garantido de Tambaú por força da tradição dos pescadores locais. Sua atual versão, moderna e vistosa, está longe da rusticidade que marcou a construção inicial. O curioso é que sendo São Pedro tradicionalmente padrinho dos pescadores, tenha Santo Antônio vingado, certamente pela tradição de protetor dos humildes.
(Convém anotar que a devoção dos pescadores a São Pedro, em Tambaú, se mantém até os dias de hoje, na forma de uma procissão de barcos que, originada na praia da Penha, chega a Tambaú e tem continuidade a pé e de carros, até a Paróquia de São Pedro Pescador, em Manaíra). É tradicional o pão de Santo Antônio, que remonta à vida do próprio santo. Trata-se de um santo português natural de Lisboa, e que viveu no Século XII, mas com exercício religioso na cidade italiana de Pádua, onde faleceu. Conhecido por sua compaixão pelos pobres, Santo Antônio frequentemente distribuía pão aos necessitados. Assim, virou padroeiro de Tambaú, certamente em função das enormes dificuldades vividas pelos pescadores locais em sua trajetória histórica.
Igreja atual e a mais antiga.
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