PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Anotações sobre a cidade de Santa Rita, emancipada em 19 de março de 1890 Sérgio Botelho

 

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Anotações sobre a cidade de Santa Rita, emancipada em 19 de março de 1890
Sérgio Botelho* – A história de Santa Rita é bastante ligada à da fundação da Capitania da Paraíba e da Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, em 5 de agosto de 1585.

 

A partir dessa data, começaram a se instalar na região os engenhos de açúcar, com destaque para a várzea do Rio Paraíba, grande parte dela ocupada pelas terras que hoje formam a área santarritense.

Já em 1586, foi instalado em terras da atual Santa Rita o primeiro engenho da nova capitania, o Engenho Real Tibiry, secundado por outros, que formaram a base da produção em que se sustentava a economia paraibana.

 

Dessa forma, o açúcar marcou decisivamente os avanços e recuos da economia local, em toda a sua história. O patrimônio histórico de Santa Rita guarda marcas muito fortes de todo o seu passado.

 

O IBGE registra que Santa Rita foi emancipada pelo Decreto Estadual nº 10, publicado no Diário Oficial, de 19 de março de 1890, no governo estadual de Venâncio Neiva, o primeiro governador republicano da Paraíba.

 

A passagem do Século XX para o XXI marca o período em que a cidade deixou de ser apenas uma velha terra de engenhos para mais rapidamente se transformar em município populoso da área metropolitana de João Pessoa.

Assim, Santa Rita reúne duas camadas de memória que convivem até hoje. De um lado, a várzea colonial, os engenhos, as capelas e os velhos caminhos. Do outro, a cidade moderna, expandida, integrada à região metropolitana e buscando equilibrar crescimento com preservação de seu passado.

(Sobre a história de Santa Rita, convém a leitura do livro “Nordeste, Açúcar e Poder – Um estudo da Oligarquia açucareira na Paraíba” (1990), da professora e historiadora Martha Falcão de Carvalho e Morais Santana, bastante referenciado em trabalhos acadêmicos).

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A velha FAFI Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A velha FAFI
Sérgio Botelho – A efetivação da Faculdade de Filosofia da Paraíba (depois, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras) somente aconteceu em 1952, quando foram ofertados cursos regulares.
Três anos depois, a instituição haveria de compor o conjunto de faculdades que deram origem à Universidade da Paraíba, que acabou tomando formato público estadual. Foi o embrião da Universidade Federal da Paraíba. Contudo, sua existência estava prevista já na Constituição Estadual de 1947.
Seus idealizadores entenderam que não dava mais para depender só das “importações” de professores e quadros intelectuais. Havia urgência na formação de professores no estado, mesmo.
A criação oficial veio com o Decreto Estadual nº 146, de 5 de março de 1949. A organização se consolidou depois pela Lei Estadual nº 341, de 1º de setembro de 1949. Funcionamento, mesmo, como já disse, só em 1952.
Mas além de formar docentes para o ensino secundário, a FAFI, como logo ficou conhecida mais popularmente, se afirmou como núcleo de altas atividades culturais.
Outro detalhe não menos importante é que a FAFI passou a ser um dos espaços mais possíveis de ascensão intelectual feminina em João Pessoa, num tempo em que outras carreiras ainda eram menos abertas às mulheres.
A FAFI se instalou no edifício onde hoje tem sede a Escola Cidadã Integral Técnica Olivina Olívia (onde também funciona um Centro de Referência da Educação de Jovens e Adultos), na Avenida Duarte da Silveira, ao lado do Liceu Paraibano. Mas muita gente ainda identifica o prédio como da “antiga FAFI”.
Sem esquecer que a década de 1960 carrega mais uma marca de memória, que foi a ativa participação dos estudantes da FAFI em movimentos de resistência ao regime após 1964, que inaugurou um longo período ditatorial no Brasil
Pois é, a gente passa por ali e nem sempre imagina que aquele prédio já abrigou debates, aulas e a construção de uma geração de professores e intelectuais.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.



PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Um cassino que nunca foi dedicado a jogo Sérgio Botelho*

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Um cassino que nunca foi dedicado a jogo
Sérgio Botelho*
– O capítulo Cassino da Lagoa está inscrito entre os textos do meu segundo livro “João Pessoa – Uma Viagem Sentimental”. Mas não custa retomá-lo, a título de explorar um pouco a sua denominação.
Logo de início, é preciso dizer que aquele Cassino, hoje funcionando como restaurante da iniciativa privada, já desempenhou diversas funções em João Pessoa, exceto a de casa de jogos, como geralmente se entende.
É que o termo também possui outra conotação. Em muitas ocasiões, designa uma casa de convivência, um clube elegante destinado a bailes, concertos, saraus e encontros sociais.
Num contexto mais restrito, por exemplo, muitos quartéis das Forças Armadas no Brasil possuem seus Cassinos, onde militares, sobretudo oficiais, fazem refeições e encontram um espaço de socialização.
Foi justamente como centro social e recreativo que surgiu o Cassino de Verão, primeiro nome do equipamento inaugurado no final da década de 1930, no Parque Solon de Lucena, local que concentrava grande atenção do poder público à época.
O Cassino, como a população costuma chamar, viveu na sua primeira fase, especialmente nos anos 1940, como ambiente para dança de salão, com direito a bar e acesso aberto ao público.
Entre as décadas de 1950 e 1960, o Cassino tornou-se tribuna privilegiada para grandes comícios na cidade, com destaque para os períodos de campanhas eleitorais.
Ainda nos anos 1960, o Cassino passou a servir como restaurante universitário, quando as faculdades estavam espalhadas por diversos pontos do Centro de João Pessoa e até pelo bairro de Jaguaribe.
O fim do Cassino enquanto restaurante universitário coincidiu com a construção do Campus Universitário, instalado na antiga Granja São Rafael, que passou a contar com prédio exclusivo para refeições dos estudantes.
Forjado em concreto armado, o Cassino da Lagoa atravessa os tempos como edificação marcante da cidade, situado em um dos cenários mais belos de João Pessoa.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Sobre o conjunto arquitetônico do Ponto de Cem Reis Sérgio Botelho*

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Sobre o conjunto arquitetônico do Ponto de Cem Reis
Sérgio Botelho*
– Atualmente em reforma, a Praça Vidal de Negreiros, em João Pessoa, mais conhecida como Ponto de Cem Reis (por conta dos preços das passagens dos bondes que ali faziam ponto, entre o final do Século XIX e começo do XX), já experimentou diversas configurações em sua existência.
No final do Século XIX, se constituía num espaço com duas construções mais importantes: a mansão do Barão do Maraú (o dono de engenho José Teixeira de Vasconcelos, que viveu entre 1798 e 1873) e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos).
Antes disso, o local era rota do sangradouro das águas da Lagoa, na direção do rio, no Varadouro. A primeira intervenção urbana, transformando essa serventia original, ocorreu quando do início (Século XVII) da construção da Igreja já referida, concluída no XVIII. (A informação pode ser encontrada no trabalho intitulado “Revitalização do ‘Ponto de Cem Reis’: Usos e Contra Usos”, da professora PhD, Liana Miranda Chaves, da UFPB, apresentado em 2014, no 23º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas, na cidade de Belo Horizonte-MG).
Entre as décadas de 1920 e 1930, as demolições da Igreja do Rosário, para a construção da Praça Vidal de Negreiros, e da mansão do Barão de Maraú, para a edificação do Paraíba Hotel, apagou o que podia ser considerado o panorama arquitetônico mais antigo daquele espaço urbano.
Hoje, o conjunto arquitetônico da praça é composto por edificações posteriores sem que, por isso, percam em importância. Entre elas, o antigo prédio de As Nações Unidas, o do antigo Ipase e o edifício Duarte da Silveira.
Os dois primeiros, estão em processo de revitalização e requalificação, junto com a própria praça, aos cuidados da Prefeitura de João Pessoa. Os prédios virarão moradias, dentro do programa federal Minha Casa, Minha Vida, bem como lojas para pequenos negócios.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor
(Na foto, a antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário, vista da Rua Duque de Caxias)
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Sobre o conjunto arquitetônico do Ponto de Cem Reis - Memória Paraibana
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Sobre o conjunto arquitetônico do Ponto de Cem Reis – Memória Paraibana



PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O teatrólogo José Bezerra, As Nações Unidas e o Salão Império Sérgio Botelho

JORNALISTA IÊDO FERRERA, JORNALISTA E ESCRITOR SÉRGIO BOTELHO

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O teatrólogo José Bezerra, As Nações Unidas e o Salão Império
Sérgio Botelho

 

– A respeito do prédio das Nações Unidas, no Ponto de Cem Reis, sobre o qual escrevi, neste domingo 8, recebi do amigo teatrólogo, artista plástico e escritor José Bezerra, as seguintes observações, que seguem reproduzidas, na íntegra:
“Eu sempre detestei esse tal prédio das Nações Unidas, em João Pessoa, porque, para construí-lo, tiveram que derrubar dois pontos que foram marcantes na transição da minha infância para a adolescência.
O primeiro era a banca de revistas, que ficava ao lado da Praça Vidal de Negreiros. Correu o boato de que ali era a única banca da cidade que vendia balas Seleções, com a figurinha do elefante — estampa que, acredito, nunca foi impressa, para que ninguém enchesse os álbuns e nunca ganhasse os prêmios prometidos. Era também o ponto de encontro mais procurado da cidade para a comercialização, a troca, o escambo das balas Seleções.

 

Os bondes vinham lotados de crianças, adolescentes e até adultos de todos os bairros da cidade — Oitizeiro, Cruz das Armas, Jaguaribe, Róger, Tambiá, Torre, Mandacaru, Expedicionários (em construção)… e mais não havia. Alguns dos frequentadores traziam até marmitas.
O outro ponto de sedução destruído para a elevação do citado edifício foi o Salão Império, onde aprendi a jogar sinuca. Ficava na Padre Meira, mas com a entrada principal voltada para o terreno baldio, onde se reunia a maloca das balas Seleções.

 

Foi ali que aprendi a jogar sinuca e enterrei dois anos de repetência na primeira série do ginásio, no Liceu, situado ali bem pertinho. Gazeava as aulas para procurar elefantes e me viciar em sinuca, no Ponto de Cem Réis.
Meu pai nunca entendeu que aquele meu comportamento não era apenas irresponsabilidade… era o prenúncio de um desabrochar poético, lírico, sonhador — de um hoje, octogenário, eterno aprendiz de poeta provinciano.

 

Que sonha ainda em escrever uns dez romances, sua biografia, reeditar toda a sua obra e ganhar sozinho uma Mega-Sena da Virada… mesmo sabendo que, para essa última, só tem uma chance de ganhar entre 1.500.063.860 (um bilhão, cinquenta milhões, sessenta e três mil, oitocentas e sessenta) chances de perder.
Pelo menos, há uma chance. Bem mais fácil do que achar um elefante no Ponto de Cem Réis, porque a imagem do elefante nunca foi impressa.”

 

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O teatrólogo José Bezerra, As Nações Unidas e o Salão Império


(A foto mostra o espaço onde depois foi construído o prédio da loja As Nações Unidas, no Ponto de Cem Réis. O Salão Império é o prédio menor, à direita)

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PARHAYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Asilo de Mendicidade Sérgio Botelho

PARHAYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Asilo de Mendicidade
Sérgio Botelho
* – Metido em pesquisas de hemerotecas, fiquei curioso com uma nota no jornal O Imparcial, editado no Rio de Janeiro, edição do dia 5 de fevereiro de 1918, notícia de tipo provincianamente rotineira, envolvendo a Paraíba.
Na coluna Várias Notícias do Interior, grafada em letras maiúsculas, logo abaixo de outra intitulada Várias Notícias do Estrangeiro, havia a informação de que o Asilo de Mendicidade da cidade da Parahyba (atual João Pessoa) recebera a denominação complementar de Carneiro da Cunha.
Se o jornal tinha interesse naquele tipo de notícia, aparentemente sem importância para uma capital federal, é porque certamente tinha leitor interessado, pois a coluna ocupava espaço na segunda página do jornal. Certamente, paraibanos deputados federais, assessores e estudantes, afora gente de cultura e de negócios, en passant.
Mais importante, porém, é compreender o que foi e o que se tornou o Asilo de Mendicidade da capital paraibana, instituição criada pelo coronel Joaquim Carneiro da Cunha. À época da mudança de nome, pouco tempo havia decorrido desde o seu falecimento, ocorrido na cidade de Fortaleza.
Além do sobrenome célebre entre as elites pernambucana e paraibana, não consegui localizar maiores detalhes sobre a vida do homenageado. Nas pesquisas, contudo, surgiu outro personagem ligado à história: o Coronel Antônio de Brito Lyra, em cujas terras, situada nos arredores da capital, na propriedade denominada Chácara Linda Flor, foi inicialmente instalado o Asilo.
O objetivo original da instituição era o de abrigar necessitados de toda ordem, basicamente os entregues à mendicância, existentes em grade número, na época, em virtude das migrações provocadas pelas secas, no interior.
Uma grande virada aconteceu em 1963, quando a instituição passou à supervisão das Irmãs dos Pobres de Santa Catarina de Sena. Hoje, sob a denominação de Lar da Providência Carneiro da Cunha, na Avenida Santa Catarina, atende idosos em situação de vulnerabilidade social e familiar. Como se vê, guardando uma história secular.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A União Sérgio Botelho*

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A União
Sérgio Botelho*
– Fundado em 2 de fevereiro de 1893, há 133 anos, A União é hoje o único jornal diário impresso do estado. Sob a responsabilidade do governo da Paraíba, carrega em suas páginas capítulos inteiros da história local e nacional, constituindo-se, por isso, em fonte preciosa de informações.
A União nasceu como órgão oficial do Partido Republicano da Paraíba, no governo Álvaro Machado, num momento em que a jovem República buscava consolidar seus instrumentos de comunicação e de poder.
Ao longo das décadas, suas páginas acompanharam mudanças profundas. Registraram a Primeira República, a Revolução de 1930, o Estado Novo, a redemocratização, o período autoritário inaugurado em 1964, a recomposição da normalidade constitucional e a vida política recente.
Ao mesmo tempo, documentou o crescimento das cidades paraibanas, as grandes obras públicas, as crises econômicas, as festas populares, os conflitos sociais e políticos e os costumes do nosso povo.
Mesmo sendo um jornal oficial, A União sempre abrigou espaços dedicados à reflexão, à literatura e às artes. O mais emblemático desses espaços é o Correio das Artes, criado em 1949. O suplemento se transformou em um dos mais importantes cadernos culturais do Nordeste, reunindo ensaios, poesia, crítica literária, artes visuais e pensamento, com a colaboração de escritores, artistas e intelectuais locais e nacionais. O Correio das Artes ajudou a projetar nomes, estimular debates e afirmar a identidade cultural paraibana.
Em tempos de transformações tecnológicas e de crise da mídia impressa, A União segue como um caso singular. Mantém a edição em papel, convive com plataformas digitais e preserva o papel de arquivo vivo da história. Mais do que um jornal, tornou-se um documento contínuo da vida diária paraibana, onde o presente se escreve com a certeza de que, amanhã, tudo será memória gravada em textos e imagens.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.
(Na foto, histórico prédio de A União, na Praça João Pessoa, derrubado para a construção do prédio que ainda hoje abriga a Assembleia Legislativa da Paraíba),
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A União - Memória Paraibana
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O direito à memória Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O direito à memória
Sérgio Botelho
– Num ambiente de tocante afetividade e destacada presença intelectual, a historiadora Lúcia de Fátima Guerra Ferreira lançou, nesta terça-feira, 30, na Fundação Casa de José Américo, a obra Memória e Verdade Sobre a Ditadura, com o expressivo subtítulo Raspando as Cores Para o Mofo Aparecer.
O livro inclui contributos importantes ao trabalho de Lúcia Guerra, a exemplo do marido Carmélio Reynaldo Ferreira e dos pesquisadores Waldir Porfírio da Silva, Maria de Nazaré Tavares Zenaide, Ana Paula Ferreira de Brito e Shara Raquel Silva Dutra de Medeiros.
Finda a parte de apresentação do livro, com as falas do presidente da FCJA, Fernando Moura, e da própria autora, o público assistiu a um breve filme em que era lembrada a figura de Afrânio Montenegro Guerra.
Pai da autora, Afrânio foi um baluarte na implantação do sistema de créditos e na aplicação do processamento computacional das matrículas na UFPB. Virou figura imprescindível quando se trata de escrever a história da instituição a partir dos anos 1970.
Encerradas as apresentações do livro e exibido o filme, uma surpresa ainda esperava a todos: o aniversário de Lúcia, com direito a bolo e parabéns. Depois, naturalmente, a sessão de autógrafos.
Ao autografar o meu exemplar, a autora escreveu o seguinte: “espero que este livro contribua nas suas pesquisas”. Assim motivado, ontem mesmo comecei a procurar ganchos para minhas crônicas diárias.
Não cheguei a ler o livro, porque não deu tempo ainda, mas passei uma larga vista sobre o seu conteúdo. De cara, encontrei dois daqueles ganchos que procurava, no capítulo sobre a ditadura na Paraíba: a Casa Margarida Maria Alves (2001), em Alagoa Grande, e o Memorial das Ligas e Lutas Camponesas (2006), em Sapé. Ações públicas ligadas ao inalienável direito dos povos à memória. Mas outros certamente existem.
Assim, nos dias 1 e 2 de janeiro de 2026, mais conhecidos como amanhã e depois de amanhã, escreverei sobre essas duas ações memoriais paraibanas, devidamente lembradas no livro, uma obra necessária a quem busca entender a história do país e, sobretudo, da Paraíba.

Sergio Botelho /historiadora Lúcia Guerra

Alegria. Momento em que a escritora e historiadora Lúcia Guerra autografa o meu exemplar do seu livro Memória e Verdade sobre a Ditadura, nesta terça-feira, 30, na Fundação Casa de José Américo. Imprescindivel obra sobre a recente história do Brasil e da Paraíba.

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Museu Casa de Margarida Maria Alves Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Museu Casa de Margarida Maria Alves
Sérgio Botelho
– Entre os temas tratados pelo livro Memória e Verdade sobre a Ditadura, da historiadora, professora e pesquisadora Lúcia Guerra, se destaca a do direito ao não esquecimento, que visa guardar para a posteridade experiências marcantes numa determinada sociedade.
Nesse particular, merecem destaque os terríveis resultados das ações repressivas empreendidas pelo Estado brasileiro após o Golpe de 1964, como parte da política de aniquilamento da oposição ao regime.
Foi em meio ao estabelecimento de instrumentos de investigação sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, em 1995, já com o país redemocratizado desde 1988, da Comissão da Anistia, em 2001, e da Comissão Nacional da Verdade, em 2011, que a tese do direito à memória passou a ganhar escala, no Brasil.
Na Paraíba, a partir do trabalho da Comissão da Verdade ficaram entendidas como ações repressivas mais notáveis os assassinatos de Alfredo Nascimento e João Pedro Teixeira, em 1962, antes mesmo da instalação da ditadura, e os desaparecimentos de João Alfredo Dias e Pedro Inácio de Araújo, em 1964. Vale dizer, o conjunto dos acontecimentos relacionados com a atuação das Ligas Camponesas. E já em 1983, o assassinato da sindicalista Margarida Maria Alves.
A primeira providência memorial, datada de 2001, celebrou Margarida, com a criação, em Alagoa Grande, sua terra natal, do Museu Casa de Margarida Maria Alves. Foi ali que a homenageada viveu na condição de presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
O ato memorialista teve ao mesmo tempo escopos político e pedagógico. Político, porque cravou no centro urbano alagoa-grandense o marco material pretendido contra o esquecimento e a impunidade. Pedagógico, porque a casa-museu virou sala de aula para a cidade, um ponto onde é possível encontrar lembranças que ajudam a entender a luta por direitos no meio rural e o papel das mulheres nessa história.
No livro da professora Lúcia Guerra toda essa conjuntura é devidamente esmiunçada. Minhas crônicas memorialistas têm limite nos exíguos espaços para textos, nas redes sociais, e da pressa que têm as pessoas que nelas transitam.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Colégio Lins de Vasconcelos Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Colégio Lins de Vasconcelos
Sérgio Botelho
– Neste domingo, 21, por volta de 18hs20min, postei um ligeiro vídeo, apelidado de reel, no Instagram, lembrando, por meio do imóvel (construído exatamente para ser um educandário), ainda de pé e bem aparentado, o velho Colégio Lins de Vasconcelos, que marcou época naquele endereço.
Está sendo grande o sucesso da postagem, assim como outras que tenho feito também no Instagram. De tal forma que agora pela manhã já contava com mais de 13 mil visualizações, acima de 500 curtidas e dezenas de comentários (totalmente orgânicas, e contando). Aliás, no mesmo rumo da que fiz sobre a recuperação, pelo governo do Estado, do velho prédio do Colégio das Neves (+20 mil visualizações).
Certamente, o prestígio que tiveram, em seus tempos, essas duas instituições pagas de ensino, em João Pessoa, servem de lastro ao sucesso das lembranças naquela rede social tão importante. Sobre o colégio católico, já falei em crônica anterior. Também, há algum tempo, sobre o próprio Lins, que hoje torno a abordar para que não seja esquecido.
A Praça São Francisco ficava bem no meio entre o referido colégio e o Arquidiocesano Pio XII, de matriz católica. O Lins, apesar da celebração espírita, no nome, mantinha orientação laica.
O colégio tinha como diretores-proprietários o Professor Nery (de marcante tradição no ensino particular da cidade, mesmo antes do Lins) e sua esposa Dona Creuza, nomes em alta voga na sociedade pessoense de então. O professor Nery, apesar de severo, tinha mais queda para o diálogo. Dona Creuza se encarregava mais da disciplina, no que era auxiliada por Dona Maria, inesquecível bedel.
O Lins hoje existe no rol das saudades de outros tempos da cidade de João Pessoa, principalmente na memória de seus ex-alunos, permanecendo, dessa forma, vivo na história do ensino na Paraíba. E, entre as lembranças, suas notáveis participações nos Jogos Estudantis da cidade e do estado.
(Na foto, o prédio que abrigou o Lins de Vasconcelos e, depois, o Águia e o João Paulo II)
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