O MEU BURACO ISQUÉMICO Prosa de Gilvan de Brito

O MEU BURACO ISQUÉMICO
Prosa de Gilvan de Brito
Amigos, um homem apelidade Reconvexo e uma mulher chamada Gitá Gogóia, se encontram no Ponto de Cem Reis, em Leritiba, na nova capital da Paraíba.
O homem pergunta: Você já foi à Bahia, nêga?” A mulher responde: Não. Ele diz: Então vá. O que é que tem a Bahia de especial? A elegância sutil de Bobô. E o que mais lá? Tem a destemida Iara, A sereia que dança, Onde você nem chega a me ver. No reconvexo do reconcavo. Não tenho escolha, careta, vou descartar. Descarte mas não se esqueça, de que a mulher baiana tem a fama, mas a paraibana, sabe amar com sedução.
Mas isso é na Paraíba, onde mora a morena brasileira do meu coração. Quem disse isso? Não se lembra? Foi, foi, foi… Esqueceu-se? Caiu no meu buraco isquêmico. Que buraco é esse? Aquele que pintou um mapa escuro no meu cérebro. Ah, lembrei-me agora: primeiro foi Caetano, depois foi Genival Macedo.
O MEU BURACO ISQUÉMICO
Letra de música de Gilvan de Brito
Amigos, um homem apelidado Reconvexo
E uma mulher chamada Gitá Gogóia,
se encontram no Ponto de Cem Reis,
Em Leritiba, nova capital da Paraíba,
“O sublime torrão”.
O homem pergunta: Você já foi à Bahia, nêga?”
A mulher responde: Não.
Ele diz: Então vá.
O que é que tem a Bahia de especial?
A elegância sutil de Bobô.
E o que mais tem lá?
A destemida Iara, a sereia que dança,
Onde você nem chega a me ver.
No reconvexo do reconcavo.
Não tenho escolha, careta, vou descartar.
Descarte mas não esqueça:
A mulher baiana tem a fama,
Mas a paraibana, sabe amar com sedução.
Mas isso é na Paraíba
Onde mora a morena brasileira do meu coração.
Quem disse isso? Não se lembra? Foi, foi, foi…
Esqueceu-se?
Caiu no meu buraco isquêmico.
Que buraco é esse?
Aquele que pintou um mapa escuro no meu cérebro.
Ah, lembrei-me agora:
Primeiro foi Caetano, depois foi Genival Macedo.



DESFAÇATEZ NORTEAMERICANA ; Por Gilvan de Brito 

DESFAÇATEZ NORTEAMERICANA
; Por Gilvan de Brito
Os editores dos jornais da grande imprensa dos Estados Unidos mudaram o critério utilizado na apuração dos resultados da Olimpíada, ao desconsiderar o ouro como referência para os primeiros lugares e adotar, doravante, a soma das medalhas. Essa seria a única forma de se manter na primeira colocação, porque a China, em primeiro lugar pela contagem do ouro (34) se mantém à frente dos EUA, com 29.
Com a nova contagem: 91 dos EUA (34 de ouro, 24 de prata e 16 de bronze), assumiram a ponta, seguido pela China com 74 medalhas (34 de ouro, 24 de prata e 16 de bronze).
A Rússia com 56 ficaria em terceiro, a Grã-Bretanha ficaria em quarto com 51 e o Japão, o mais prejudicado, cairia para sexto. Nesse novo critério o Brasil, com 16 medalhas (4 de ouro) superaria apenas Cuba (5 de ouro) , com 12. A cara-de-pau dos americanos tem sido criticada em todo o mundo por não saberem perder com dignidade.
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MEU BRASIL BRASILEIRO Por Gilvan de Brito

MEU BRASIL BRASILEIRO Por Gilvan de Brito
Tenho visto, lido e ouvido muita gente destratar o Brasil, nos últimos tempos, aqui no FACE, em razão do momento em que vivemos, motivado pela presença de uma pandemia no seu terreiro e pela ação nefasta de alguns maus brasileiros. Não me sinto bem com essas críticas ao Brasil porque ele, como uma instituição, um território, um hospedeiro, seja lá o que for definido, não merece estas demandas da maldade.
E, inocente, continua aí, impávido e colosso, sem ouvir (por não escutar), sem falar (por não ter voz), sem ler (porque não lê) e sem observar (porque não tem atividade dialógica) para entender o que estão fazendo com ele. Os autores dessas peraltices sobre o Brasil podem ser anunciados no lugar do Brasil, este pobre país que tem o nome de uma árvore, mas que estão devastando as suas florestas, e ele não pode fazer nada contra os devastadores, que todos sabem quais são eles.
O Brasil é só o Brasil, uma referência mundial, para que alguém que nasceu aqui possa dizer: “eu sou brasileiro”. Nada mais. Por isso não merece os maus tratos e os insultos que estão falando dele.
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AH SE EU FOSSE UM PEIXE! Por Gilvan de Brito

AH SE EU FOSSE UM PEIXE! Por

Gilvan de Brito

Uma das músicas populares mais belas do cancioneiro sertanejo, na minha opinião, chama-se “Riacho do Navio”, de Luiz Gonzaga (1912-1989) e Zé Dantas (1921-1962).
Sou um arraigado citadino, nasci na capital, mas gosto muito das coisas dos sertões brasileiros. Morei em Cajazeiras alguns anos onde aprendi a sentir o gosto, o cheiro e os costumes das coisas do interior. Riacho do Navio traduz esse gosto em alguns aspectos: o rio, os cangapés, as quermesses, o caminho das águas, o peixe, os mergulhos, as vaquejadas, o acordar ao barulho do chocalho e dos passarinhos, as caçadas, a distância do mar e da civilização; e o rádio, que antes imperava e hoje ainda é a fonte de alegria dos habitantes dessas regiões.
Luiz Gonzaga certa vez revelou que recebera essa letra para colocar a música, e que tentou durante vários anos, sem sucesso. Um dia amanheceu inspirado, pegou a sanfona e colocou de uma só vez toda a música sobre a letra em forma de baião. Depois, pegou a sanfona, correu para a fazenda de Zé Dantas, abriu a cancela e entrou cantando a música Riacho do Navio. Zé Dantas ficou arrepiado, ao ouvir aquela maravilha. Eis a música: “Riacho do Navio/ Corre pro Pajeú/ O rio Pajeú vai despejar/ No São Francisco/ O rio São Francisco/ Vai bater no mei do mar/ O rio São Francisco/ Vai bater no mei do mar// Ah! se eu fosse um peixe/ Ao contrário do rio/ Nadava contra as águas/ E nesse desafio/ Saía lá do mar pro/ Riacho do Navio/ Eu ia direitinho pro
Riacho do Navio// Pra ver o meu brejinho/ Fazer umas caçada/ Ver as pega de boi/ Andar nas vaquejada/ Dormir ao som do chocalho/ E acordar com a passarada/ Sem rádio e sem notícia/ Das terra civilizada/ Sem rádio e sem notícia/ Das Terra civilizada// Riacho do navio/ Riacho do navio/ Riacho do navio Tando lá não sinto frio”
(Foto da Pedra do Navio, por onde passa o rio riacho do Navio no interior pernambucano),
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CALECINA: Por Gilvan de Brito

CALECINA: Por Gilvan de Brito

Não sei por que lembrei-me agora de uma amiga, colega de redação, uma mulher de valor, que se desdobrava na amizade com todos que a rodeavam. Chamava-se Calecina, e se foi ainda jovem, para a tristeza de seus amigos.

 

Trabalhávamos no Correio da Paraíba, quando o jornal funcionava num sobrado da rua Barão do Triunfo, lá pela década de setenta. Ela adorava participar das eleições da Associação Paraibana de Imprensa (API) e todas as vezes ganhava um cargo, para participar ativamente da administração da entidade.

 

Nos anos dois mil, prestei-lhe uma homenagem colocando o seu nome como personagem de um roteiro para cinema. A evocação da sua imagem mostra como é importante para uma pessoa participar coletivamente da vida comunitária, ser prestativa, participativa e solidária, pois será sempre referenciada

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O DIA DE HOJE HÁ 50 ANOS: Por Gilvan de Brito 

O DIA DE HOJE HÁ 50 ANOS: Por Gilvan de Brito
“Tanto riso/ Oh, quanta alegria/ Mais de mil palhaços no salão/ Arlequim está chorando/ Pelo amor da Colombina/ No meio da multidão.”
Então acordo-me, sentado numa das fileiras da quadra de esportes do Esporte Clube Cabo Branco, lotada de foliões, cada um com uma fantasia mais colorida. O cheiro de lança-perfume está no ar, juntamente com o som da música Máscara-Negra, cantada por milhares de pessoas, circulando no dancing improvisado da quadra.
“Foi bom te ver outra vez/ Tá fazendo um ano/ Foi no Carnaval que passou/ Eu sou aquele Pìerrrot, que te abraçou, que te beijou/ Meu amor.”
O som aprimorado da Orquestra Tabajara, com Severino Araújo à frente, de costa para o público, dançando sem parar, regendo e ás vezes tocando clarineta, contagia a todos. A voz da cantora, firme, forte tirando os acordes com precisão, olho para o centro do dancing, identifico várias pessoas da sociedade local.
“A mesma máscara-negra/ que esconde o teu rosto/ Eu quero matar a saudade/ Vou beijar-te agora \não me leve a mal/ Pois é Carnaval/ Vou beijar-te agora \não me leve a mal/ Pois é Carnaval.”
Chamo a mulher e desço para o dancing, misturando-me aos foliões e circulando com aquele bloco alegre, que todos os anos encontra-se naquele mesmo local, comemorando os dias de Momo. Sinto um fio de gelo percorrendo às minhas costas. Olho e vejo um amigo espargindo sua lança perfume. Retribuo com um jato do líquido da minha lança perfume Rodouro, gelado no seu peito, rimos e seguimos em frente. Então a orquestra de Severino Araújo, a um sinal feito no ar, dá um breque e muda parta outra Marcha Rancho, desta vez a música “Turbilhão”, de Moacir Franco. Os foliões aplaudem e começam a cantar a nova música:
“A gente brinca escondendo a dor/ E a fantasia do meu ideal/ É você, meu amor/ Sopraram cinzas no meu coração/ Tocou silêncio em todos clarins/ Caiu a máscara da ilusão dos Pierrots e Arlequins/ Vê colombinas azuis a sorrir laiá./ Vê serpentinas na luz reluzir/ Vê os confetes do pranto no olhar/ Desses palhaços dançando no ar/ Vê multidão colorida a gritar lará/ Vê turbilhão dessa vida passar/ Vê os delírios dos gritos de amor/ Nessa orgia de som e de dor”.
Então acordo-me, triste e saudoso dos velhos tempos que não voltarão jamais,, quando éramos felizes e não sabíamos. Quem conheceu, sabe”!
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VIVA BALDUINO E QUINTANS! VIVA O CARIRI!: Eilzo Nogueira Matos

 

VIVA BALDUINO E QUINTANS!

VIVA O CARIRI!:

Eilzo Nogueira Matos

 está com 

Gilvan de Brito

Contrafeito, acelerei a camionete e ganhei a estrada. Custa-me ausentar-me do ramerrão rural a que me habituei nos últimos anos. E a idade ajuda. O que fazer na cidade – reflito , se já não namoro, não jogo, não fumo e não bebo (embora dormitem no fundo da lembrança tais propósitos)? Estas as ocupações estimulantes na vida de um homem, cuja trajetória ao longo da existência cumpriu tais desideratos que a sociedade imprime a temperamentos como o meu! Da morada na rua, seguiria para a capital. Ali o cenário de uma vida passada, de amizades antigas, de compromissos e vivência que construíram um mundo à parte do de hoje. Mas que sobrevive insolitamente.

Eleição na APL para preencher Cadeira, é o motivo de minha viagem. Um acontecimento! Raciocino, e como era de bom tom exclamar, ignorando se o fazem ainda, faço-o agora. Hurra! Impossível deixar de relatar encontros breves e longas conversas com interlocutores além dos acadêmicos, que privilegiaram tais momentos. Começo com o erudito Evandro Nóbrega, poliglota, criador de alguns dos mais estimulantes textos que conheci: “A Glândula Pineal do Urubu”, cuja riqueza picaresca de situações narradas e descritas, confirmam a sua fama. Nada de abafado e monódico cantochão medievalista, mas de arrebatados e impolutos cavaleiros, protegidos pela magia de encantadores amigos e secretos – assim o Conde Alexandre e o seu séquito, dominando o século XX, definindo nobiliarquia. E Evandro seu criador, nada deve aos pícaros ibéricos e outros notáveis brasileiros nordestinos, filiados ao ramo. Tenho em mãos uma antologia patoense, com a sua poesia num lirismo sertanejo esquisitamente erudito e metropolitano. Material para estudo e reflexão.

* * *

A nossa Paraíba – orgulha-me dizê-lo – destaca-se no ambiente cultural e político nacional. Desde tempos pretéritos com Brandônio e Alviano praticando elevados diálogos sobre riquezas e grandezas das terras paraibanas. E com José Peregrino arcabuzado em 1817. Depois com Augusto dos Anjos e José Lins do Rego. Pois bem. O tempo na marcha apocalíptica ou marxista de sua evolução, como alguns pretendem, caminha para o coroamento na destruição ou no pleno alcance da razão. Acredito na última hipótese. Não trato, evidentemente, de um determinismo social que nada mais é do que uma fraude, mas da evolução dialética da natureza e da sociedade.

Duas noticias alvissareiras, que me chegaram através de blogs locais, despertaram o meu entusiasmo e corroboram no acerto de minhas afirmações e da minha alegria :

– O museólogo Balduino Lélis cria salão e exibe riquezas minerais e culturais da Paraíba;

– O deputado paraibano Assis Quintans apresenta projeto voltado para a ética e cidadania.

É preciso reconhecer e exclamar como sincero entusiasmo: Viva o Cariri! Cariri do clima ameno, refinado nos costumes e na garra de sua gente: fazendeiros, vaqueiros, poetas, compositores, políticos, romancistas, sociólogos, juristas, empresários e tudo mais que possa caracterizar uma postura humana voltada para o trabalho e a construção de uma sociedade exemplar.

* * *

Balduino Lélis todos o conhecemos pela sua dedicação à pesquisa, à realização de eventos e criação de instituições voltadas para o conhecimento da realidade paraibana. Através de publicações, na concentração de esforços para a realização de encontros e seminários, ele torna a Paraíba mais conhecida nas suas potencialidades. Assim criou a Universidade Leiga, Popular e o país conheceu graças ao patriotismo e coragem deste filho de Taperoá, que o Nordeste não é a terra da fome, mas da fartura.

Integrando numerosa comitiva de representações do Governo do Estado, do IHGP, da APL, Associação Comercial, presenciei a tradição desfilando em colunas de altivos cavaleiros vestindo capas brasonadas, episódios teatrais e satíricos de mamulengos, aplaudidos pela massa presente. O que pessoalmente me assombrou naquele ocasião, foi a variedade do cardápio servido no café, no almoço e no jantar com mais de duzentos pratos preparados com produtos da terra, catalogados, começando com a batata, o umbu, a farinha, o beiju, o fubá, a galinha, o arroz, o milho, o feijão, o peba, o peixe, o caju, a pinha, a goiaba, o guiné, o bode, o boi, e vai por aí. Uma lição para os técnicos do governo que gastam muito dinheiro para falar em fome, em miséria.

Quando muitos continuam a lamentar a pobreza e a situação modesta da Paraíba, como produtora de polos de atividades, eles não as definem, todavia. Enquanto isso, todos sabem do Polo Mineral no Rio Grande do Norte, Açucareiro em Alagoas, Portuário em Pernambuco, Turístico no Ceará, Petrolífero na Baía, etc, etc. Balduino reage, não se deixa convencer e realiza mostra das grandezas minerais, industriais e Culturais da Paraíba. Outra lição oportuna aos burocratas e tecnocratas nos seus projetos que fogem da realidade, por isso mesmo, jamais implementados.

Pois em boa hora falo no deputado Francisco de Assis Quintans: homem público, engenheiro de mérito, conhecedor em profundidade e especialização, da problemática agrícola e urbana da nossa Paraíba. Firmado na vivência e estudo de particularidades da vida local ele revela a grande falha no trato da população, que tem inviabilizado planos governamentais. Nada mais importante que a educação.

Presenciei um adolescente entre dez e doze anos, mal vestido, entrar na igreja matriz de Sousa, onde se realizava uma solene missa de finados. Acercava-se o garoto de um e de outro pedia esmola, pouco lhe importava onde estava. Olhava para um lado e para outro, sentando-se por fim entre as filas de bancos, deitando-se em seguida e ficando a admirar as pinturas do forro. Indiferente aos olhares de censura, ele na realidade, como a maioria dos filhos do povo nada sabia de qualquer religião. Menos ainda sobre a solenidade de alguns ambientes, exigindo respeito e impondo comportamento, o que pouco é levado em conta.

A cena insólita mostrava a necessidade de introdução no currículo das escolas primárias, ensinamento de noções sobre família, sociedade, pátria, direitos e deveres dos cidadãos. Isto logo nos primeiros anos porque depois dos quinze a idade nada mais aceita, dominada que está a mente criada sem noção desses valores, entregue á verdadeira libertinagem da vida na rua, nas festividades ditas populares.

Parabéns ao deputado Quintans, pela sua visão de homem público, pela significação e pelo alcance de seu projeto, como está abaixo justificado:

“A sociedade atual necessita de uma educação do aluno como um todo, um ser humano completo que deve ser trabalhado em diversas áreas e não apenas a cognitiva. A escola deve formar pessoas preparadas para o mundo e não apenas para provas, ou seja, a escola deve também ter em seu planejamento um ensino voltado para educação em valores éticos”.

Viva Quintans! Parabéns Quintans e Balduino!

De volta com a poça chuva. Março de 2010

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O DIA DE HOJE HÁ 50 ANOS: Por Gilvan de Brito 

O DIA DE HOJE HÁ 50 ANOS: Por Gilvan de Brito
“Tanto riso/ Oh, quanta alegria/ Mais de mil palhaços no salão/ Arlequim está chorando/ Pelo amor da Colombina/ No meio da multidão.”
Então acordo-me, sentado numa das fileiras da quadra de esportes do Esporte Clube Cabo Branco, lotada de foliões, cada um com uma fantasia mais colorida. O cheiro de lança-perfume está no ar, juntamente com o som da música Máscara-Negra, cantada por milhares de pessoas, circulando no dancing improvisado da quadra.
“Foi bom te ver outra vez/ Tá fazendo um ano/ Foi no Carnaval que passou/ Eu sou aquele Pìerrrot, que te abraçou, que te beijou/ Meu amor.”
O som aprimorado da Orquestra Tabajara, com Severino Araújo à frente, de costa para o público, dançando sem parar, regendo e ás vezes tocando clarineta, contagia a todos. A voz da cantora, firme, forte tirando os acordes com precisão, olho para o centro do dancing, identifico várias pessoas da sociedade local.
“A mesma máscara-negra/ que esconde o teu rosto/ Eu quero matar a saudade/ Vou beijar-te agora \não me leve a mal/ Pois é Carnaval/ Vou beijar-te agora \não me leve a mal/ Pois é Carnaval.”
Chamo a mulher e desço para o dancing, misturando-me aos foliões e circulando com aquele bloco alegre, que todos os anos encontra-se naquele mesmo local, comemorando os dias de Momo. Sinto um fio de gelo percorrendo às minhas costas. Olho e vejo um amigo espargindo sua lança perfume. Retribuo com um jato do líquido da minha lança perfume Rodouro, gelado no seu peito, rimos e seguimos em frente. Então a orquestra de Severino Araújo, a um sinal feito no ar, dá um breque e muda parta outra Marcha Rancho, desta vez a música “Turbilhão”, de Moacir Franco. Os foliões aplaudem e começam a cantar a nova música:
“A gente brinca escondendo a dor/ E a fantasia do meu ideal/ É você, meu amor/ Sopraram cinzas no meu coração/ Tocou silêncio em todos clarins/ Caiu a máscara da ilusão dos Pierrots e Arlequins/ Vê colombinas azuis a sorrir laiá./ Vê serpentinas na luz reluzir/ Vê os confetes do pranto no olhar/ Desses palhaços dançando no ar/ Vê multidão colorida a gritar lará/ Vê turbilhão dessa vida passar/ Vê os delírios dos gritos de amor/ Nessa orgia de som e de dor”.
Então acordo-me, triste e saudoso dos velhos tempos que não voltarão jamais,, quando éramos felizes e não sabíamos. Quem conheceu, sabe”!
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POR QUE KID MORENGUEIRA?  Por Gilvan de Brito

POR QUE KID MORENGUEIRA?  Por Gilvan de Brito
Nos círculos de amigos próximos, Martinho Moreira Franco, falecido na semana passada, era chamado de Kid Morengueira, apelido que ganhou aos 26 anos, em 1972 e que levou até último dia, colado como um band aid. E eu vou contar a história por testemunhar o episódio: Trabalhávamos na sala de imprensa do governador Ernani Sátyro , sob o comando do jornalista Noaldo Dantas, numa época em que o cantor Moreira da Silva, estava fazendo sucesso com os seus sambas de breque que havia inventado. Certo dia Moreira da Silva lançou o disco Kid Morengueira, contendo uma música que dava título ao LP e que ainda serviu de referência noutros discos seus.
O sucesso foi imediato, os amantes desse estilo musical em todo o Brasil cantavam a música, que logo disparou nas paradas de sucesso. Na redação, que contava com Biu Ramos, Jório Machado, Martinho Moreira Franco, Luiz Crispim, Barreto Neto, Luis Ferreira, Carlito, Frank Ribeiro – além da minha participação – todos os dias, antes da chegada de Noaldo às 17 hs, havia um bate-papo com algumas tiradas de humor, capitaneadas por Barreto Neto, reconhecidamente um humorista nato.
E foi dele a ideia de chamar Martinho Moreira Franco de Morengueira, em consonância com o Moreira, que logo “pegou”. Depois de alguns dias como Morengueira, naturalmente que lhe foi acrescentado o título da música: Kid Morengueira, como passou a ser chamado na redação e fora dela até a última semana, 49 anos após.
www.reporteriedoferreira.com.br  Por Gilvan de Brito- Jornalista, advogado e escritor



“OS EXTREMOS SE TOCAM” Por Gilvan de Brito

“OS EXTREMOS SE TOCAM” Por Gilvan de Brito
Essa expressão do pensador francês André Gide, está muito próxima de ser aplicada no Brasil, na próxima semana, durante as eleições para a presidência da Câmara Federal e do Senado, em Brasília. Motivo: PT vai se unir ao MDB para eleger o candidato apoiado pelo presidente da República, com o objetivo de livrá-lo de um eventual pedido de impeachment, como vem fazendo Rodrigo Maia, que já reúne nas gavetas 39 solicitações de impedimento de Bolsonaro, mas vem protelando esse encaminhamento ao plenário.
E no Senado, a mesma coisa: o apoio ao candidato presidencial vai facilitar a indicação do atual presidente Alolumbre, que será indicado, para a presidencia da Comissão de Constituição e Justiça, para arquivar o provável pedido de impeachment, caso passe na Câmara.
O cerco vai ser vai ser feito nas duas Casas do Congresso. PT e MDB unidos em torno de Bolsonaro? Essa eu quero ver, mesmo sabendo que na política tudo é possível, até a união de dois extremos e de ideologias contrárias, como disse certa vez o escritor e criador da editora Galimard e prêmio Nobel de 1946;””Os extremos se tocam”. Quem viver, verá.
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