ESCREVENDO À BESSA Por Gilvan de Brito

ESCREVENDO À BESSA Por Gilvan de Brito

Como eu moro no bairro do Bessa, o mais interessante da Capital (deixo de dizer João Pessoa porque não aceito este nome e venho sugerindo há anos para substituí-lo pela denominação de Leritiba, antigo entreposto dos índios potiguaras (que habitavam em Serra da Raiz, quando visitavam o litoral, perto da praia fluvial de Jacaré), chamou-me a atenção um artigo do gênio da raça humana, Millôr Fernandes, sobre a palavra Bessa e sua origem.

Tentando tirar as dúvidas do irreverente cronista, o acadêmico Arnaldo Niskier revelou-lhe que “Beça é substantivo de gíria no vocabulário oficial de Portugal e que a locução à Beça significa muito, ou ainda, em grande quantidade.” Insatisfeito com Niskier, Millôr foi consultar o seu guru linguístico, Socey Quinada Sey, que lhe asseverou: “Você deve escrever como eles mandam ou leva pau no mais amplo sentido, como a moça na aula de Latim: Mandam você escrever à Beça, você escreve à Beça.

Até poucos anos mandavam você escrever Bessa, continuou Millôr, voltando ao seu mestre Socey Quinada Sei, quando assegurou que p professor Niskier devia saber: “como a palavra beça nunca existiu sozinha, não pode ser classificada como um substantivo. É usada apenas na expressão à beça, visivelmente adverbial”. E mostrou o Dicionário Brasileiro de Gíria, de Manuel Viotti, editado há mais de 70 anos. Veja, aqui: Loc. Adv. Abessa. Diante dessas aberrações intelectuais fiquei sem saber ao certo como escrever, se Beça, Bessa, Abessa ou à Bessa. Por via das dívidas vou continuar escrevendo à Bessa, aqui mesmo no FACE, e, aos diabos, com essas opiniões.

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COM PELÉ Por Gilvan de Brito

COM PELÉ Por Gilvan de Brito

Eu não apenas vi Pelé jogar várias vezes, Eu o entrevistei antes de um jogo da seleção do Brasil contra a seleção pernambucana, em 1969, no estádio da Ilha do Retiro, num domingo chuvoso, em Recife. O Brasil ganhou de 6 x 1 e Pelé fez um gol. Eu fazia parte da equipe de esportes da rádio Tabajara.

Vi ainda Pelé receber o título de Cidadão de João Pessoa, aprovado pela Câmara Municipal, de autoria do vereador Derivaldo Mendonça, entregue pelo então governador João Agripino, no palácio da Redenção.

Nesta mesma noite Pelé jogou em João Pessoa e marcou o gol 999, de sua carreira, contra o Botafogo, gol que depois se verificou que foi o verdadeiro milésimo gol, uma vez que a contagem oficial deixou de computar um jogo em que Pelé marcou um gol atuando pela seleção do Exército, no tempo em que ele servia às armas.

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O FABULOSO DESTINO Por: Gilvan de Brito

O FABULOSO DESTINO

Eu amava Amélia Poulain e não sabia. Ontem, finalmente, após voltar a vê-la, me dei conta da minha paixão introvertida e inconfessada. Já tinha caminhado com ela dezenas de vezes, mas desta feita, descontraído como me encontrava, tocou-me o coração e a mente. Uma mulher simples, inteligente, de gestos singelos, cuja maior alegria é tornar as pessoas próximas mais felizes ou punir a incivilidade daqueles que desrespeitam a dignidade humana. Isso realmente lhe enche de prazer. A história do pai, uma das suas maiores peraltices, foi marcante: O velho não se aventurava em conhecer novos mundos, o país mais distante que visitara era a padaria da esquina no fim da rua. Então ela foi ao jardim e retirou uma estátua de um anão, e pediu a uma aeromoça amiga para fotografá-la nos pontos turísticos mais conhecidos do mundo, e depois enviar um cartão postal para o pai.

Qual não foi a surpresa do velho Poulain ao descobrir que um dos discípulos de Branca de Neve, cativo do seu jardim, andava pela Europa, Ásia e África, enquanto ele não arredava o pé da casa onde nascera. Ainda o curioso e impressionante passeio com o deficiente visual no centro da cidade, contando todas as imagens do que vê para quem não vê; a caixinha de brinquedos de um menino achada 40 anos após; o pintor, o quitandeiro e as “Lágrimas da Madalena”. Outra história que ela me contou e eu a achei interessantíssima foi a do colecionador de fotos rasgadas, que tinha um álbum que não o levava a lugar nenhum. Suas amizades também são interessantes, cada uma com surpresas gratas, atraentes e sedutoras da sua vida íntima, transbordante de detalhes.

As peripécias cheias de cumplicidade, inconfessados sentimentos, sonhos e desejos, como dizem, daria um filme. Pois bem, marquei novo encontro com a fantástica Amélie Poulein, cujo nome verdadeiro é Audrey Tatou, aqui mesmo na República do Bessa. Ela, estimulada pela linguagem saltitante e audaz de Jean-Pierre Jeunet, agora tem três endereços fixos para quem quiser assistir ao filme: “O Fabulosa Destino de Amélie Poulain”, na Netflix, Telecine Play ou YouTube. Vale pena ver e conferir!

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O HOMEM DOS 40 Por Gilvan de Brito

O HOMEM DOS 40 Por
Gilvan de Brito

Num começo de tarde muito quente de 1982, cheguei ao aeroporto dos Guararapes (antigo) para embarcar com destino ao Rio de Janeiro. Era um desses dias de semana sem muito movimento. Ao fazer o chek in, vi que o aeroporto ainda se encontrava em reformas com algumas escoras e muita poeira. Então, para fugir das metralhas, mostrei a minha carteira da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), que me abria muitas portas e fui encaminhado à Sala Vip onde havia apenas uma pessoa. Retirei o Jornal do Brasil da alça da maleta e antes de abri-lo para ver as manchetes olhei para o lado, a surpresa: era o sambista João Nogueira, cujas músicas ocupavam as primeiras colocações nas paradas de rádios e televisão. Eu mesmo tinha o último CD de sua autoria intitulado

“O homem dos 40”, na sua inconfundível e agradável voz grave e aveludada. Pensei comigo: falo, não falo. Decidi que não falaria em respeito ao aparente cansaço que demonstrava, pois devia vir em trânsito de alguma cidade do Norte, quem sabe viajara a noite inteira depois de realizar algum show na noite anterior, e ali estava à espera da conexão que o levasse ao Rio de Janeiro onde estava à sua disposição uma cama amiga para se recuperar.

Vi pela parede de vidro que o avião estava chegando e alegrei-me ao saber que não haveria atraso. Comecei a ler o Jornal do Brasil, vendo primeiro as manchetes dos cadernos de esportes, cultura, política e administração. Minutos depois os alto falantes anunciaram o embarque e eu segui ao lado do artista para tomar lugar no avião, obedecendo a regra de que os passageiros da Sala Vip são liberados imediatamente, antes dos demais passageiros. Subi, fui à frente, encontrei a poltrona 14 F, coloquei a bolsa de mão no bagageiro acima e sentei-me, procurando estirar as pernas naquele curto espaço. Para a minha surpresa, João Nogueira veio atrás e tomou o outro assento (14 D), do corredor, quase vizinho e colocou a bagagem de mão na poltrona do meio.

– Sempre faço isto e fecho os olhos quando se aproxima alguém, para evitar a presença de algum gordo besuntado na poltrona do meio; às vezes o dono da poltrona chega, não quer importunar e vai procurar outro assento – disse amistosamente olhando nos meus olhos e sorrindo. Quando ele falava parecia sorrir, pela conformação da boca e dos olhos redondos e grandes, acompanhando a curva das sobrancelhas, de modo que ninguém sabia ao certo quando estava ou não sorrindo de verdade. Depois falou sobre vários assuntos, disse que fizera um show em Manaus e que saíra daquela cidade de madrugada, fazendo escalas em Belém, São Luís, Fortaleza e Natal; estava um bagaço.

Estranhei a sua cordialidade, demonstrando um comportamento muito diferente daquelas celebridades que conhecia de perto. E disso não lhe fiz segredo.
– Quando o vi na sala de embarque logo o reconheci, mas não quis invadir a sua privacidade. E agora me arrependo disso, porque já deveríamos nos ter conhecido antes para falar sobre o CD “O Homem dos 40”, que tem essa música título e outra da qual eu gosto muito – disse.
Ele quis saber da outra música e, por não me lembrar do título, cantei as primeiras estrofes:
TRANSFORMAÇÕES
João da Gente e Jurandir

Minha companheira foi embora
A solidão veio comigo morar
Já não tenho mais os lindos sonhos
Não tenho ninguém a me esperar
Quando eu me lembro
Daqueles olhos tristonhos
Sinto até vontade de chorar…

– Ah, chama-se Transformações; também gosto muito dessa música – revelou enquanto assinava alguns autógrafos solicitados pelos passageiros mais próximos.

Seguimos conversando sobre a sua saída da Portela para fundar a Escola de Samba Tradição, os 11 discos gravados até aquela data, do bloco Clube do Samba, da família de artistas da qual emergira e de alguns parceiros dos quais considerava Paulo César Pinheiro o mais importante na sua carreira. Fizemos uma escala em Salvador, onde ele desceu, comprou uma xilogravura de Caribé, tomou suco de laranja e atendeu aos fãs que o cercaram como acontecia em toda parte. Depois voltamos ao avião, ele dormiu, finalmente, e em pouco mais de uma hora desembarcamos do turboélice Samurai de 80 lugares no aeroporto Santos Dumont.
– Qualquer dia a gente se vê aí pelas quebradas – despediu-se com um toque de mãos espalmadas. Nunca mais nos encontramos, mas eu sempre comprava um disco novo, quando surgia, e foram muitos (18, ao todo, com 145 músicas gravadas).

Depois soube de sua morte prematura, um infarto fulminante, no ano 2000. João, quando o conheci pessoalmente, era um homem dos 40, como eu, apenas um ano mais novo; nascido em 1941. Fiz um minuto de silencio em sua homenagem, em casa ouvi o disco “O Homem dos Quarenta” e espantei-me com a premonição dos letristas João da Gente e Jurandir na música Transformações, justamente uma das que tanto eu quanto ele mais gostavam.
TRANSFORMAÇÕES
João da Gente e Jurandir

 

… Não me dá mais prazer
Contemplar o luar
Pelo buraco do teto do meu barracão
Que já não é mais palácio encantado,
Hoje estou magoado,
ferido no coração.
E até esta vida que eu tanto amo
Sinto que está chegando ao fim.
O meu barracão de madeira,
Lá em Mangueira,
Sem ela não nada para mim…

O compositor carioca havia composto até aquela data mais de 300 músicas, muitas delas interpretadas por Clara Nunes, Elizeth Cardoso, Elis Regina, Beth Carvalho, Alcione, dentre outras. Em resumo, foi bom ter encontrado João Nogueira, ocasionalmente, durante essa viagem, para filosofar sobre pensamentos avulsos. Tinha certeza de que jamais o veria novamente depois daquela pequeníssima e circunstancial brecha no espaço, mas o que é a vida senão a lembrança desses momentos que nos transportam na moldura do tempo?

www.reporteriedoferreira.com.br Por Gilvan de Brito- Jornalista, advogado e escritor.




O HOMEM DOS 40 por: Gilvan de Brito

O HOMEM DOS 40
Gilvan de Brito

Num começo de tarde muito quente de 1982, cheguei ao aeroporto dos Guararapes (antigo) para embarcar com destino ao Rio de Janeiro. Era um desses dias de semana sem muito movimento. Ao fazer o chek in, vi que o aeroporto ainda se encontrava em reformas com algumas escoras e muita poeira. Então, para fugir das metralhas, mostrei a minha carteira da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), que me abria muitas portas e fui encaminhado à Sala Vip onde havia apenas uma pessoa. Retirei o Jornal do Brasil da alça da maleta e antes de abri-lo para ver as manchetes olhei para o lado, a surpresa: era o sambista João Nogueira, cujas músicas ocupavam as primeiras colocações nas paradas de rádios e televisão. Eu mesmo tinha o último CD de sua autoria intitulado “O homem dos 40”, na sua inconfundível e agradável voz grave e aveludada. Pensei comigo: falo, não falo. Decidi que não falaria em respeito ao aparente cansaço que demonstrava, pois devia vir em trânsito de alguma cidade do Norte, quem sabe viajara a noite inteira depois de realizar algum show na noite anterior, e ali estava à espera da conexão que o levasse ao Rio de Janeiro onde estava à sua disposição uma cama amiga para se recuperar.
Vi pela parede de vidro que o avião estava chegando e alegrei-me ao saber que não haveria atraso. Comecei a ler o Jornal do Brasil, vendo primeiro as manchetes dos cadernos de esportes, cultura, política e administração. Minutos depois os alto falantes anunciaram o embarque e eu segui ao lado do artista para tomar lugar no avião, obedecendo a regra de que os passageiros da Sala Vip são liberados imediatamente, antes dos demais passageiros. Subi, fui à frente, encontrei a poltrona 14 F, coloquei a bolsa de mão no bagageiro acima e sentei-me, procurando estirar as pernas naquele curto espaço. Para a minha surpresa, João Nogueira veio atrás e tomou o outro assento (14 D), do corredor, quase vizinho e colocou a bagagem de mão na poltrona do meio.
– Sempre faço isto e fecho os olhos quando se aproxima alguém, para evitar a presença de algum gordo besuntado na poltrona do meio; às vezes o dono da poltrona chega, não quer importunar e vai procurar outro assento – disse amistosamente olhando nos meus olhos e sorrindo. Quando ele falava parecia sorrir, pela conformação da boca e dos olhos redondos e grandes, acompanhando a curva das sobrancelhas, de modo que ninguém sabia ao certo quando estava ou não sorrindo de verdade. Depois falou sobre vários assuntos, disse que fizera um show em Manaus e que saíra daquela cidade de madrugada, fazendo escalas em Belém, São Luís, Fortaleza e Natal; estava um bagaço.
Estranhei a sua cordialidade, demonstrando um comportamento muito diferente daquelas celebridades que conhecia de perto. E disso não lhe fiz segredo.
– Quando o vi na sala de embarque logo o reconheci, mas não quis invadir a sua privacidade. E agora me arrependo disso, porque já deveríamos nos ter conhecido antes para falar sobre o CD “O Homem dos 40”, que tem essa música título e outra da qual eu gosto muito – disse.
Ele quis saber da outra música e, por não me lembrar do título, cantei as primeiras estrofes:
TRANSFORMAÇÕES
João da Gente e Jurandir

Minha companheira foi embora
A solidão veio comigo morar
Já não tenho mais os lindos sonhos
Não tenho ninguém a me esperar
Quando eu me lembro
Daqueles olhos tristonhos
Sinto até vontade de chorar…

– Ah, chama-se Transformações; também gosto muito dessa música – revelou enquanto assinava alguns autógrafos solicitados pelos passageiros mais próximos.

Seguimos conversando sobre a sua saída da Portela para fundar a Escola de Samba Tradição, os 11 discos gravados até aquela data, do bloco Clube do Samba, da família de artistas da qual emergira e de alguns parceiros dos quais considerava Paulo César Pinheiro o mais importante na sua carreira. Fizemos uma escala em Salvador, onde ele desceu, comprou uma xilogravura de Caribé, tomou suco de laranja e atendeu aos fãs que o cercaram como acontecia em toda parte. Depois voltamos ao avião, ele dormiu, finalmente, e em pouco mais de uma hora desembarcamos do turboélice Samurai de 80 lugares no aeroporto Santos Dumont.
– Qualquer dia a gente se vê aí pelas quebradas – despediu-se com um toque de mãos espalmadas. Nunca mais nos encontramos, mas eu sempre comprava um disco novo, quando surgia, e foram muitos (18, ao todo, com 145 músicas gravadas).
Depois soube de sua morte prematura, um infarto fulminante, no ano 2000. João, quando o conheci pessoalmente, era um homem dos 40, como eu, apenas um ano mais novo; nascido em 1941. Fiz um minuto de silencio em sua homenagem, em casa ouvi o disco “O Homem dos Quarenta” e espantei-me com a premonição dos letristas João da Gente e Jurandir na música Transformações, justamente uma das que tanto eu quanto ele mais gostavam.
TRANSFORMAÇÕES
João da Gente e Jurandir

… Não me dá mais prazer
Contemplar o luar
Pelo buraco do teto do meu barracão
Que já não é mais palácio encantado,
Hoje estou magoado,
ferido no coração.
E até esta vida que eu tanto amo
Sinto que está chegando ao fim.
O meu barracão de madeira,
Lá em Mangueira,
Sem ela não nada para mim…

O compositor carioca havia composto até aquela data mais de 300 músicas, muitas delas interpretadas por Clara Nunes, Elizeth Cardoso, Elis Regina, Beth Carvalho, Alcione, dentre outras. Em resumo, foi bom ter encontrado João Nogueira, ocasionalmente, durante essa viagem, para filosofar sobre pensamentos avulsos. Tinha certeza de que jamais o veria novamente depois daquela pequeníssima e circunstancial brecha no espaço, mas o que é a vida senão a lembrança desses momentos que nos transportam na moldura do tempo?




“DELÍRIOS DA VAGINA” Por: Gilvan de Brito

“DELÍRIOS DA VAGINA”
Quando escrevi o livro “Delírios da Vagina”,esgotado em 15 dias, resolvi incluir uma prosa poética falando de mim próprio, numa singela homenagem:

NÃO TE ESQUEÇAS
Gilvan de Brito
Sou como um rio
Que desce a serra
Ganha a planície
E segue garboso
Pelas curvas ensaiadas
Fluindo até o mar.

Quando a chuva cai
Intensamente
E aumenta meu volume
Corro indomável
Devastando barreiras
Pelos velhos caminhos.

E de outras vezes
A falta de chuvas
Deixa-me magro
Domado, empossado
Quase parado
Triste e amargurado.

Mas é bom ser um rio
Onde uma bela mulher
Toma banho todas as tardes
E lava a xereca
No espelho d´agua
Enquanto conversa comigo.




AVIÃO CAI EM CAMPINA GRANDE; Por Gilvan de Brito

AVIÃO CAI EM CAMPINA GRANDE; Por Gilvan  de Brito

Fazia alguns meses que Orlando Tejo não visitava Campina Grande e a família estava ansiosa para vê-lo. Certo dia ele venceu o medo de viajar de avião, foi à agencia do Loide Nacional e comprou um bilhete de embarque para uma sexta-feira à tarde. Seria a primeira viagem de avião, uma das coisas que ele mais temia no mundo. Como o embarque estava previsto para as seis horas da noite para chegar em Campina antes das sete horas, Orlando resolveu beber com alguns amigos naquela tarde, para passar o tempo e desanuviá-lo do temor. Foram para o Savoy onde a boa conversa o fez esquecer da viagem.

Quando se lembrou do compromisso, olhou no relógio e viu que lhe restavam 30 minutos para o embarque. Então despediu-se dos amigos, arrastou a mala debaixo da mesa, apanhou um taxi e seguiu para o aeroporto dos Guararapes, solicitando pressa ao motorista porque faltavam poucos minutos para o avião levantar voo. Mas o trânsito na Avenida Domingos Ferreira estava bastante congestionado e o carro demorou alguns minutos a mais até chegar ao aeroporto. Correu para o cheque-in, quando a moça do atendimento, depois de ver o bilhete, mostrou m avião que estava subindo:

– O seu voo estava previsto para aquele avião que acaba de decolar – disse apontando para a aeronave, que roncava tentando elevar-se no ar.
Lamentou a falta de sorte e foi, ainda, até a porta de vidro de onde viu viu o avião fazer a curva com destino ao interior, na rota de Campina Grande. Como não tinha mais nada a fazer, transferiu a viagem para a sexta-feira seguinte e tomou um taxi de volta ao bar Savoy, onde reencontrou os companheiros e seguiu com a bebedeira. Às oito horas da noite a televisão teve o som aumentado para que os fregueses do bar pudessem ouvir o Jornal Nacional, como faziam todos os dias. A primeira notícia foi arrasadora.

“- Cai o avião do Loide Nacional que saiu do Recife com destino a Campina Grande.”
Todos os amigos se levantam para cumprimentar Orlando Tejo, que havia nascido de novo, ao abusar da bebedeira e perder o horário do embarque, poucas horas antes. Orlando não sabia o que fazer, tomado de emoção. Foi quando um dos amigos o aconselhou a ligar para a família e anunciar que estava vivo, em Recife. E foi o que ele fez.

Comprou cartão telefônico (não existia celular) foi até um “orelhão” e ligou para sua casa. Atenderam ao telefone do outro lado e disseram que o pessoal da casa estava comovido com a notícia da queda do avião, da morte de Orlando Tejo anunciada pelas rádios Borborema, Cariri e Caturité e que ninguém da família poderia atender naquele momento. Desligou em seguida antes que ele dissesse que era o próprio Orlando Tejo quem estava falando. Teve que ligar, então, para um vizinho, solicitando que anunciasse na sua casa a informação de que perdera o voo daquele avião sinistrado e que se encontrava em Recife, são e salvo. Fizeram uma festa quando a informação foi transmitida.

– Fiquei arrasada quando a rádio informou que o nome de meu filho não estava entre os sobreviventes – disse dona Maria das Neves, mãe de Orlando.
Trecho da biografia de Orlando Tejo, por mim escrita e não publicada.O livro tem 160 páginas.

Fazia alguns meses que Orlando Tejo não visitava Campina Grande e a família estava ansiosa para vê-lo. Certo dia ele venceu o medo de viajar de avião, foi à agencia do Loide Nacional e comprou um bilhete de embarque para uma sexta-feira à tarde. Seria a primeira viagem de avião, uma das coisas que ele mais temia no mundo. Como o embarque estava previsto para as seis horas da noite para chegar em Campina antes das sete horas, Orlando resolveu beber com alguns amigos naquela tarde, para passar o tempo e desanuviá-lo do temor. Foram para o Savoy onde a boa conversa o fez esquecer da viagem. Quando se lembrou do compromisso, olhou no relógio e viu que lhe restavam 30 minutos para o embarque.

Então despediu-se dos amigos, arrastou a mala debaixo da mesa, apanhou um taxi e seguiu para o aeroporto dos Guararapes, solicitando pressa ao motorista porque faltavam poucos minutos para o avião levantar voo. Mas o trânsito na Avenida Domingos Ferreira estava bastante congestionado e o carro demorou alguns minutos a mais até chegar ao aeroporto. Correu para o cheque-in, quando a moça do atendimento, depois de ver o bilhete, mostrou m avião que estava subindo:

– O seu voo estava previsto para aquele avião que acaba de decolar – disse apontando para a aeronave, que roncava tentando elevar-se no ar.
Lamentou a falta de sorte e foi, ainda, até a porta de vidro de onde viu viu o avião fazer a curva com destino ao interior, na rota de Campina Grande. Como não tinha mais nada a fazer, transferiu a viagem para a sexta-feira seguinte e tomou um taxi de volta ao bar Savoy, onde reencontrou os companheiros e seguiu com a bebedeira. Às oito horas da noite a televisão teve o som aumentado para que os fregueses do bar pudessem ouvir o Jornal Nacional, como faziam todos os dias. A primeira notícia foi arrasadora.
“- Cai o avião do Loide Nacional que saiu do Recife com destino a Campina Grande.”
Todos os amigos se levantam para cumprimentar Orlando Tejo, que havia nascido de novo, ao abusar da bebedeira e perder o horário do embarque, poucas horas antes. Orlando não sabia o que fazer, tomado de emoção. Foi quando um dos amigos o aconselhou a ligar para a família e anunciar que estava vivo, em Recife. E foi o que ele fez. Comprou cartão telefônico (não existia celular) foi até um “orelhão” e ligou para sua casa.

Atenderam ao telefone do outro lado e disseram que o pessoal da casa estava comovido com a notícia da queda do avião, da morte de Orlando Tejo anunciada pelas rádios Borborema, Cariri e Caturité e que ninguém da família poderia atender naquele momento. Desligou em seguida antes que ele dissesse que era o próprio Orlando Tejo quem estava falando. Teve que ligar, então, para um vizinho, solicitando que anunciasse na sua casa a informação de que perdera o voo daquele avião sinistrado e que se encontrava em Recife, são e salvo. Fizeram uma festa quando a informação foi transmitida.

– Fiquei arrasada quando a rádio informou que o nome de meu filho não estava entre os sobreviventes – disse dona Maria das Neves, mãe de Orlando.
Trecho da biografia de Orlando Tejo, por mim escrita e não publicada.O livro tem 160 páginas.www.reporteriedoferreira.com.br Por Gilvam de |\brito




“OS EXTREMOS SE TOCAM” Por Gilvan de Brito

“OS EXTREMOS SE TOCAM” Por

Gilvan de Brito

O francês André Gide, jornalista e escritor, do alto do seu consagrado prêmio Nobel de Literatura em 1947, dizia que ”Os extremos se tocam”. E não faltavam exemplos para essa afirmação: no ano de 1938 o extremado da direita Adolf Hitler, no comando da Alemanha, anexou o seu país natal – a Áustria – com 200 mil homens armados, iniciando a sua política expansionista na tentativa de dominar o mundo.

Depois de invadir vários países com o apoio do esquerdista Joseph Stalin, Hitler quebrou o pacto de não agressão com a União Soviética e tentou tomar Leningrado (hoje São Petersburgo, onde nasceu Wladimir Putin). Foi uma guerra suja onde o nazifascista Hitler praticou o genocídio contra mais de um milhão de habitantes. Hoje é o esquerdista extremado Putin que invade a Ucrânia, um país livre, para matar civis, num novo exemplo de extermínio da sociedade civil.

Isso nos traz de volta à cena o criador da editora Galimard, André Gide: esquerda extremada é igual à direita extremada, quando “os extremos se tocam”. A ideologia não pode ser alimentada pelo ódio, que leva aos excessos. Espera-se, porém, que a história se repita: depois que a Alemanha tomou Leningrado, foi derrotada, pelo…inverno.

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O SORRISO DO LAGARTO Por: Gilvan de Brito

O SORRISO DO LAGARTO
Há dois atores comediantes nesta invasão da Russia contra a soberania da Ucrânia: de um lado um que foi eleito presidente, por conta das piadas que contava na TV e, do outro, um que foi alçado a condição de facínora internacional, por conta das piadas que usa para rebater as acusações de invasor da soberania de países. O primeiro não esperava alcançar o prestígio e a notoriedade conquistada na defesa do seu povo; o segundo, continua enganando a todos ao mudar a versão dos fatos, atribuindo sempre à vítima as nefastas ações que promove na matança desenfreada em forma de genocídio de um povo e, assim, vai enganando todo mundo. Enquanto o verdadeiro comediante da TV  surge diariamente como uma grande liderança, o ditador vai se fazendo de vítima.
Há, porém, uma lição a tirar destes programas do bem e do mal: enquanto o lagarto ri, com a sua bocarra, dos mortos, dos feridos e da destruição de cidades sobre cidades que promove, avançando sua mania de grandeza para ocupar-se, futuramente, de outras aventuras análogas, os europeus apenas lamentam-se, sem tomarem uma posição capaz de fazer parar essa malograda aventura. As sanções contra o comediante do mal não fizeram efeito e não vão fazer, e o comediante do bem clama por uma solução objetiva e eficaz que não chega.
Essa história de que o comediante do mal pode usar uma bomba nuclear para iluminar os céus da Europa e Estados Unidos não convence, porque ele sabe que receberia duas vezes mais bombas, de retorno,  na cabeça, no mesmo momento, do que as que poderia enviar. Enquanto isso o lagarto vai rindo de Biden, e vai gargalhando de Boris Johnson e de outras lideranças medrosas europeias, que não tomam uma posição em favor do povo da Ucrânia, que continua sendo bombardeado todos os dias, todas as horas.
O que falta a estes é coragem, para, reunidos, tomarem a decisão de mandar um míssil contra a toca do lagarto, para cair na praça vermelha, sem ogiva nuclear, mas com muita fumaça, e um recado curto e grosso: a próxima será uma bomba suja (nuclear de pequenas proporções que só atinge determinada área) para cair na cabeça do lagarto e fazê-lo parar de rir. Certamente ele vai meditar sobre essa ação, e sentir o peso de uma verdadeira reação, porque uma ação sempre gera ou corresponde a uma reação, que até o momento não veio, como deveria.
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DIA DO JORNALISTA Por: Gilvan de Brito

DIA DO JORNALISTA

Sempre quis ser jornalista, desde menino. E não deu outra: sou um jornalista que ocupou todas as funções dentro de um jornal: repórter, redator, chefe de redação, chefe de reportagem, chefe de sucursal, correspondente, colunista diário, editor de cultura, editor de política e editor geral.

Mesmo aposentado considero-me jornalista em tempo integral escrevendfo todos os dias, fazendo livros, opinando neste Facebook e fazendo memórias. Mesmo com outras atividades (advogado, OAB 3851 e OAB DF 1.582 – suplementrar), escritor com 140 livros escritos e 34 publicados; Secretário Parlamentar, na Câmara dos DepuTados em Brasília; ex-diretor geal de planejamento de turismo, do ministério da IndústrIa, do ComÉrcio e do Turismo; ex-diretor de ServIços (terceiro segmento da economia) do MICT; Indicado pela Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ representei o Brasil no Congresso de Deontologia, promovido pela Federação dos Jornalistas Portugueses em Lisboa, Portugal (novembro de 1966), e ainda parrticipei do Congreesso dos jornalistas dos países da Língua Portuguesa, Lisboa; Quando me perguntam qual a minha profissão, embora tenha exercido outras atividades, eu digo sempre: Jornalista, é o que sou e serei.

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