JUNIOR, DO FLAMENGO, NASCEU NA TORRE Por: Gilvan de Brito

JUNIOR, DO FLAMENGO, NASCEU NA TORRE

Nos carnavais da Torre havia um folião chamado Mestre Alfredo (alguns também o chamavam de Mestre Gama), construtor, que, nos três dias de Momo, recebia na sua casa, localizada à rua Miguel Santa Cruz, os blocos de todas as pessoas amigas que residiam nas imediações. Eu era um rapazinho e morava na rua Manoel Deodato, pertinho, e não perdia uma.

Durante esses momentos, muita bebida e comida eram oferecidas aos visitantes, em meio a uma barulheira infernal de tamborins, zabumbas, reco-reco e bombos, quando até as paredes tremiam. Era de admirar a tolerância do mestre Alfredo e de sua mulher no atendimento aos foliões. Três dos filhos do Mestre eram meus amigos: Tota, Ailton e Alfredinho. Os dois primeiros jogavam num time de futebol que eu tinha, o Astral. Alfredinho era devotado as conquistas amorosas (e deu sorte porque casou-se com Eterna, a moça mais bonita da Torre). Mas tinha ainda ima irmã. Mercês, e um irmão, o Leovegildo, que era casado e morava com a família. Aos domingos visitava os pais e no carnaval bebia e curtia os blocos.

Ele chegava com dois menininhos, um nos braços, e o outro caminhando; colocava-os sobre duas cadeiras para presenciarem a brincadeira enquanto as crianças ficavam admirandas e entusiasmadas com aquela barulhenta folia. Depois eu soube que Leovegildo havia viajado para o Rio levando os filhos. Um daqueles menininhos, o maior, Leovegildo Lins Gama Filho, conhecido por Junior, entrou na escolinha do Flamengo, mostrou serviço e passou a integrar o time principal, quando foi campeão carioca várias vezes, campeão da taça Libertadores da América, tri-campeão brasileiro e campeão do mundo em 1981.

Atuou na seleção brasileira de 1979 a 1992 e nas copas do mundo de 82 e 86 (com Telê Santana, ao lado de Zico e fez parte da melhor geração de atletas do Flamengo de todos os tempos, atuando em 800 partidas. Jogou também na Itália, no Pescara e no Torino. Hoje é comentarista de futebol, da TV Globo.




O vale tudo da política por: Gilvan de Brito

O VALE TUDO DA POLÍTICA
A arte é um substantivo feminino que tem duas conotações: praticar travessuras e peraltices ou para a criação e utilização com vistas a certo resultado obtido por diferentes meios. Na política algumas pessoas escolhem a primeira ou a segunda, dependendo do caráter. Em Brasília assistimos pela TV, diariamente, a maioria dos políticos optar pela malandragem, enveredando por caminhos antiéticos, em defesa de interesses próprios, agressões e outras práticas condenáveis. Vejam o que disse o senador Magno Malta a respeito da agressão ao atleta Vini Júnior, quando 80 por cento dos torcedores do Sevilla, da Espanha, o hostilizaram, com gestos imitando um símio apenas pela cor da pele e as feições negroides: “Respeitem os macacos” declarou o senador. O que dizer de um cidadão abjeto dessa qualidade? Dizer que os eleitores do Espírito Santo desse senador são piores que ele é pouco. Vale dizer, sim, que ele não merece sequer um CPF ou um RG, muito menos um mandato de senador.
Noutro quadro observamos o relator de uma MP do Executivo, interessado em fomentar a desfiguração administrativa do governo, colocar vários “jabutis” na matéria oriunda do palácio do planalto, extinguindo ministérios ou autorizando a continuidade do desmatamento, no país, dentre outras insanidades. Os poderes são independentes e harmônicos entre si, diz a Constituição, não podendo sofrer interferências do Legislativo no Executivo, mesmo assim o presidente da Câmara aceitou os “jabutis” (emendas que não têm nada a ver com a matéria original) e colocou-a em tramitação. Isso para agradar determinado grupo político que usa de todos os meios para alcançar os fins, visando levar o país a uma crise de governabilidade. Esses são os chamados representantes do povo. Há uma máxima que diz: “O povo tem os políticos que merece”, que a cada dia se firma, considerada como verdadeira, com as exceções que confirmam a regra.




O PLANETA DE LIVARDO ALVES Por: Gilvan de Brito

O PLANETA DE LIVARDO ALVES
Vasculhando OS meus alfarrábios encontrei um poema de Livardo Alves, (com quem fiz dezenas de músicas), em homenagem aos poetas de sua preferência, com a sua conhecida vivacidade de imaginação, numa linguagem simples e descontraída, elaborado nos seus últimos dias de vida, em 2002.

PLANETA BRASIL
Livardo Alves

“Neste Planeta Brasil,
De poetas geniais,
Louvo Augusto dos Anjos,
O maior dos imortais…

João Cabral de Melo Neto,
Meu poeta predileto,
O Vinícius de Morais…

Carlos Drummond e Bandeira…
Olegário Mariano…
E o Poeta Soberano,
Que foi Ascenso Ferreira…

Inácio da Catingueira,
Que também fez coisas belas…
Otacílio, Lourival,
Oliveira de Panelas…

E o mestre Canhotinho,
Que pelo sertão, sozinho,
Colheu rosas tão singelas…

Nas entrançadas das rimas,
Eu louvo o mestre Dimas…
Louvo também Zé da Luz,

Poeta de muitos traços…
Desejou morrer nos braços
Da dona dos dois cuscús…

Nos meus acordes azuis,
Eu louvo um, louvo dez…

Louvo Pinto do Monteiro,
Esse grande violeiro,
E o seu irmão Heleno…

Jomar Souto, Zé Ramalho,
Aranha, Dida Fialho,
Radiel e Zé Pequeno…

Louvo o poeta Adabel,
Louvo Altimar Pimentel
E Sérgio de Castro Pinto…

Louvo poeta, não minto,
Este é o meu papel…

E louvo Bento da Gama,
Que um dia criou fama
E foi preso no quartel…

Saulo Mendonça eu louvo,
E louvo Vital Farias…
Também louvo Noel Rosa,
Que fez a Vila famosa,
Com as suas melodias…

Eu louvo Gonçalves Dias..
E aqui em Tambaú,
Eu louvo Mané Xudú,
Que foi companheiro meu…

Aproveito aqui a rima,
Nesta louvação prá cima
A Cassimiro de Abreu…

Eles são uirapurus…
Patativas… Menestréis…

Também louvo Gilvan de Brito,
Que comigo deu um grito,
Lá no Ponto de Cem Réis…

E louvo Bartolomeu,
Outro companheiro meu,
Às tardinhas nos cafés…

Por entre Sertão e Brejo,
Eu louvo Orlando Tejo,
E louvo Raimundo Asfóra,,,

Mas Ronaldo Cunha Lima,
É governo, está por cima,
Louvá-lo-ei noutra hora…

Desta peleja eu não fujo!…
Eu louvo um… louvo mil…
Louvo Felix Araújo
E o compositor Rosil…

Castro Alves e Bilac…
Caymmi, Chico Buarque,
Caetano Veloso e Gil…

Ary Barroso e Cartola
E Paulinho da Viola,
Pra grandeza do Brasil!!!

Mas na minha carraspana,
Dentro do Planeta Azul,
Eu louvo Mário Quintana,
Grande poeta do Sul…”




VIAJE PARA OUTRO MUNDO Por Gilvan de Brito

VIAJE PARA OUTRO MUNDO Por Gilvan de Brito

Você não apenas vai pensar que se encontra no outro mundo; você estará realmente viajando pelo outro mundo, quando ligar o canal nº 380, “Vida No Espaço”, no segmento “Cultura”, com o nome de “THE ISS OVER ISS” (Estação Espacial), na TV por assinatura, que vai mostrar a bola gigante do planeta azul em todos os detalhes, correndo em círculos numa velocidade de 27.960 Kh (7,66 por segundo), a uma altitude de 420 km. Abaixo da bela imagem do mundo em que vivemos podemos ler as informações sobre: latitude, longitude, nomes das cidades, por onde vai passando, altura, velocidade e a hora (GMT).

Em questão de minutos os sete mares ou as terras de todos os continentes e países do mundo vão passando abaixo da potente câmera instalada na Estação Espacial.

Sempre passa em lugares diferentes, porque a terra vai girando numa velocidade de 1.666/h (465 s) no sentido oeste-leste, anti-horário, e os países e as localidades também vão mudando.
Já presenciei, inclusive, na TV, (aqui do Bessa) quando passava sobre João Pessoa e corri para vê-la no alto, quando a identifiquei, à noite, como um ponto luminoso, apressado, correndo na direção do oceano Atlântico. Em questão de trinta segundos desapareceu. Quem ainda não viu, recomendo, porque eu vejo quase todas as noites, por uns cinco minutos, antes de dormir, e não me canso de observar os continentes, as cidades e os mares, os mundos distantes, além do nosso, aqui no Bessa, vistos do alto. Assim, tenho o mundo dentro da minha TV.

www.reporteriedoferreira.com.br




A morte do grauçá por: Gilvan de Brito

A MORTE DO GRAUÇÁ
Nas caminhadas que faço diariamente à beira-mar, acontecem coisas que superam a nossa imaginação. como no fim de tarde de hoje. Como de costume, no meio do percurso sento-me para contemplar, durante alguns minutos, o bailado dos coqueiros, as ondas quebrando nas areias brancas, os pescadores fisgando bagres e sentir a força dos ventos soprados do Atlântico. Hoje foi diferente: surgiu um caranguejinho daqueles, meio- amarelados – que chamam Grauçá ou Maria Farinha – e foi se aproximando. Estranhei porque eles são muito ariscos, temendo a perseguição de pessoas que, por maldade, procuram tangê-los à toca ou apanhá-los. Como são frágeis, eles não suportam a manipulação e morrem. Este que me surgiu à frente agiu de forma diferente: foi se aproximando aos poucos, observando-me com aqueles olhinhos de palito, meio desconfiado e parou a um metro e meio de distância. Ficou olhando atentamente e depois relaxou, recolhendo as oito patas abaixo da carapaça e pousando as duas patas-garras maiores nas areias. Sentou-se descontraidamente e recolheu os dois olhos às duas caixas protetoras. Mexi-me, com gesto lentos, para não o espantar e ele não fez qualquer menção de que estava temendo a minha presença. Pessoas passavam perto e ele nem se mexia. Nunca tinha visto nada igual e nem imaginava que podia gerar uma atração tão grande pelos crustáceos decápodes. Ele ali no chão, tranquilo, confiante, com uma curiosa certeza de que eu não o faria mal, e eu o observando, admirado com a coragem daquela minúscula vida cujos pensamentos procurava adivinhar. De repente, mais que de repente, desce uma mulher em corrida desabalada, que eu só a vi quando estava ao meu lado, em velocidade na direção das águas (como fazem algumas pessoas quando chegam diante do mar) e esmaga o caranguejinho com um pisão que nem se deu conta. Só consegui ver quando ela passou. Não havia movimentos. Peguei-o, entristecido com o acontecimento e observei que não havia um sopro de vida naquele frágil corpo, patinhas penduradas. E a mulher nem se dera conta, mergulhou e saiu nadando nas águas do mar. Então, enterrei-o na areia meia molhada das chuvas que haviam caído. E sai caminhando, arrasado, com as imagens na memória daquele animal tão alegre, disposto e seguro diante da minha presença, a quem havia confiado a sua vida, e eu não podia salvá-lo porque não deu tempo de interromper a corrida da banhista apressada. Ainda estou triste ao escrever estas linhas.

[contact-form][contact-field label=”Nome” type=”name” required=”true” /][contact-field label=”E-mail” type=”email” required=”true” /][contact-field label=”Site” type=”url” /][contact-field label=”Mensagem” type=”textarea” /][/contact-form]

 




UM DIA, QUEM SABE? Por Gilvan de Brito

UM DIA, QUEM SABE? Por

Gilvan de Brito

Um dia as pessoas vão querer saber de alguma coisa a respeito de fatos ou acontecimentos históricos e não encontra a informações pertinentes. Isso aconteceu muito comigo. Então eu fui pesquisar e sempre achei o fio da meada, para facilitar a vida dos outros. Dos 153 livros que escrevi até agora, e pretendo chegar aos 200 logo,logo, pelo menos uns 50 falam dessas coisas interessantes da nossa terra, revelando detalhes que passam desconhecidos, como por exemplo: as autoridades (aaarrrgh – ânsia de vômito) que insistem no erro de que a Paraíba tem apenas 438 anos de existência, quando na verdade está completando este ano 449 anos.
Esses onze anos surrupiados estão fazendo falta porque estão roubando um pedaço da história, quando aconteceu muita coisa. A Paraíba foi criada em 1574, pelo rei português D. Sebastião, aquele do “Sebastianismo” (mas isso é outra história), dando uma esticada na capitania de Itamaracá) com o objetivo de exterminar os índios Potiguaras para chegar ao RGN, que nem existia ainda. Assim, a Paraíba foi criada como 3ª Capital, ou seja, Capitania Real, depois de Salvador e Rio de Janeiro, para funcionarem com dinheiro da Côrte.
O resto era o resto, Olinda, São Paulo e outras eram Vila e Recife um Distrito. Pois bem, tenho tudo isso reunido em livros contando em detalhes a história de cada acontecimento marcante e interessante, mas os livros continuam inéditos porque aqui as autoridades não se interessam, também, em promover a cultura para que o povo não tenha conhecimentos, e não tendo, continuam votando neles. Quem sabe um dia serão publicados, porque dinheiro para isso eu não tenho; vivo de aposentadoria, sou um escritor pobre, só tenho muitas ideias. Ah, isso me sobra para passar dez horas por dia escrevendo e criando ou historiando. Preciso de um mecenas, urgentemente gilvandbrito@hotmail.com.

www.reporteriedoferreira.com.br Por Gilvan de Brito- Jornalista, advogado, escritor e poeta.

 

 

 

 




FALTA DE AR Por Gilvan de Brito 

FALTA DE AR Por Gilvan de Brito
Acordei-me às seis horas no Plano Piloto de Brasília. Era dia 18 de outubro de 1994, e estava com dor de cabeça. Era uma dor fina, parecendo que o meu cérebro estava sendo perfurado com uma longa agulha. Tentei me levantar, mas o corpo não respondeu. Os olhos cansados e as articulações das pernas e dos braços doíam. Faltavam forças para dar um impulso que me tirasse do leito.
– Você está muito doente; tem que cuidar da saúde – adverti a mim mesmo.
Com um esforço maior consegui sentar-me na cama e levantar-me a caminho do banheiro, onde realizei, com dificuldade, as tarefas matinais de higiene e limpeza do corpo. Não me deu vontade de seguir para o Ministério. O corpo não atendia aos desejos. Mas a responsabilidade falou mais alto e eu arrumei-me, desci, entrei no carro e com muita dificuldade dirigi até a Esplanada. Parei no estacionamento, saí do carro e olhei em volta. Estava tudo cinzento, a cidade estava coberta por uma névoa espessa que impedia a visão do Congresso Nacional, onde se via apenas os traços das conchas. No lado oposto não consegui ver a torre de TV nem a rodoviária. Da catedral, à frente, via-se apenas uma mancha branca com umas armações que pareciam de súplicas aos céus contra aquele estado de coisas. Nunca tinha visto aquilo e indaguei de um lavador de carros que se aproximava:
– Que foi que houve com a cidade que existia aqui?
– É fumaça, Senhor. O mato está queimando lá em cima – disse apontando para uma elevação por trás do Congresso Nacional.
O vento frio em torno dos 10 graus envolvia meu corpo enquanto caminhava para a entrada do ministério, quando senti que estava com falta de ar nos pulmões, e por mais que eu me esforçasse não conseguia desenvolver a respiração com normalidade. Na cabeça uma bola de chumbo substituíra o cérebro e todos os ossos do corpo doíam, mas eu subi até a minha sala, onde liguei a entrada do ar refrigerado e tentei dar o meu expediente. Mas a situação estava crítica. A respiração continuava ofegante e isso me trouxe alucinações auditivas, delírios, apatia e embotamento do cérebro, alterando as comunicações. Os sinais eram evidentes, algo muito grave estava acontecendo comigo. Já não reconhecia as pessoas, ouvia precariamente o que diziam e expressava frases desconexas, trovejando num delírio de verbos, sujeitos e adjetivos. Era um comportamento extremamente extravagante e antes de me privar do raciocínio, o que levaria meus colegas de trabalho a me considerar alienado, talvez excêntrico ou pelo menos esquisito, por essencial prudência resolvi regressar ao apartamento para me deitar durante algum tempo na tentativa de me recuperar daquelas estranhas sensações que dominavam meu corpo. Em casa bebi meio litro d´água por exigência do organismo, dormi um sono marcado por fenômenos psíquicos sobressaltados por terríveis pesadelos e acordei-me com tremenda dor de cabeça às 20 horas. A bola de chumbo ainda estava lá. Apanhei o controle remoto e liguei a TV no Jornal Nacional. Então, vi com espanto a primeira notícia:
– Brasília teve hoje o dia mais seco de toda a sua história. A umidade do ar chegou a atingir apenas sete por cento segundo informação do Instituto Nacional de Meteorologia.
Pensei comigo: Então foi isso. Um castigo para quem nasceu no litoral e se criou numa umidade que sempre variou entre 70 e 99 por cento, ao nível do mar. E continuei vendo a notícia:
– O presidente Itamar Franco mandou a Secretaria de Administração Federal baixar instrução liberando o funcionalismo público da cidade no período da tarde. A medida foi seguida pelo governador Joaquim Roriz, que liberou além dos funcionários, todos os alunos das escolas públicas do Distrito Federal enquanto durar o período seco. O atendimento nos hospitais foi reforçado para acolher às milhares de pessoas que os procuraram e a situação deve permanecer inalterada até amanhã. Os operários de empresas privadas e estatais não devem realizar esforço físico. Toalhas molhadas podem ser colocadas no espelho da cama e os borrifadores elétricos devem permanecer ligados para orvalhar o ambiente durante esta noite.
Fiquei impressionado com a força da natureza contra as fragilidades do ser humano numa região inóspita, onde a temperatura desce a 7 graus e a relatividade que mede a umidade do ar acompanha, nos mesmos níveis, tornando a sobrevivência insuportável. Felizmente isso só ocorre no fim do período seco. Com efeito, na semana seguinte choveu e tudo voltou à normalidade. São apenas algumas semanas de horror que se tornam inesquecíveis. Já pensaram o que é procurar o ar para respirar e não o encontrar na quantidade que necessitamos e na pureza que o conhecemos? Uma espécie de asfixia coletiva. Pois isto existe, eu conheci e agora posso contar os seus efeitos nocivos ao corpo humano a filhos e netos; futuramente aos bisnetos. Mas, Brasília exerce uma atração difícil de ser explicada sobre as pessoas, e não são esses fenômenos da natureza que nos impede de continuar morando ou visitando a Capital Federal. Porém, daquele período seco, eu corro às léguas. Infelizmente Juscelino Kubitschek nunca lera, antes de criar Brasília, resolução da Organização Mundial de Saúde que considera impróprias de serem habitadas áreas que apresentem relatividade do ar abaixo dos 15 por cento, apontadas como nocivas e, consequentemente, prejudiciais às funções orgânicas, físicas e mentais. A respeito de Brasília, não é preciso dizer mais nada. Basta que se visitem os hospitais neste período. Vamos ver que a OMS tem razão e que Kubitschek foi reprovado em Geografia.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Gilvan de Brito- Jornalista, advogado, escritor e poeta.



SER ATEU  Por Gilvan de Brito

SER ATEU  Por Gilvan de Brito

O que é ser ateu? Não é nada mais que uma atitude filosófica de contestação àqueles que imaginam sofrer influência de divindades onipotentes, oniscientes e onipresentes sobre seu comportamento humano, impondo regras, proibições, razões de conduta. Eu tenho uma comiseração piedosa, destes.

Conhece-se o termo ateu desde a Grécia Antiga pelos que não concordavam com a ideia da adoração de divindades ou seguidores de doutrina religiosas, políticas e sociais, e por isso eram chamados de ímpios. De minha parte, não sou só ateu, eu nasci ateu. Nunca fui induzido a essas doutrinas filosóficas de dogmatismos. A visão cética ou ateia, veio naturalmente, por gravidade, mesmo sem ter conhecido antes Pirro de Ellis (Grécia, há 2.300 anos), que condenava o fundo de verdade de todo enunciado.

Na escola rejeitava, ainda menino, presenciar aulas de religião, em casa, mãe católica e pai protestante, divergindo e apontando falhas nas religiões do outro, mostrava-me que eu estava no caminho certo. A discussão negativa sobre esses pontos de vista dava-me segurança. Por isso defendo uma reconstrução científica da sociedade para ver-se livre desses dogmas absurdos carregados e defendidos pelas religiões. Assim proponho a leitura das obras de Pierre-Joseph Proudhon, Michael Bakunin e Peter Kropotkin, que orienta contra todos os tipos de domínio, subordinação e autoridade, condenando a liberdade irresponsável, a hierarquia subordinada dos poderes eclesiásticos, civis e militares e defendendo um padrão anarquista que prega a fraternidade igualitária.

Pelos motivos, não aceito tentativas de catequese nem costumo ler as mensagens religiosas que me enviam, por considera-las “lavagem cerebral”. Para chegar a essa conclusão procurei conhecer as doutrinas religiosas nos respectivos manuais (bíblias sagradas) dos católicos e evangélicos; síntese dos cinco livros da Torá nas versões Sefardita (dos meus antepassados judáicos) e Ashkenazi (antigo Testamento); um resumo do Alcorão, do Islamismo (dos muçulmanos) e um extrato da doutrina religiosa, filosófica e espiritual budista, que tem como preceito a reencarnação, as chamadas doutrinas da fé. Não me enganaram.

www.reporteriedoferreira.com.br / Gilvan de  Brito- Jornalista, advogado, escritor, poeta




ESCREVENDO À BESSA Por Gilvan de Brito

ESCREVENDO À BESSA Por Gilvan de Brito

Como eu moro no bairro do Bessa, o mais interessante da Capital (deixo de dizer João Pessoa porque não aceito este nome e venho sugerindo há anos para substituí-lo pela denominação de Leritiba, antigo entreposto dos índios potiguaras (que habitavam em Serra da Raiz, quando visitavam o litoral, perto da praia fluvial de Jacaré), chamou-me a atenção um artigo do gênio da raça humana, Millôr Fernandes, sobre a palavra Bessa e sua origem.

Tentando tirar as dúvidas do irreverente cronista, o acadêmico Arnaldo Niskier revelou-lhe que “Beça é substantivo de gíria no vocabulário oficial de Portugal e que a locução à Beça significa muito, ou ainda, em grande quantidade.” Insatisfeito com Niskier, Millôr foi consultar o seu guru linguístico, Socey Quinada Sey, que lhe asseverou: “Você deve escrever como eles mandam ou leva pau no mais amplo sentido, como a moça na aula de Latim: Mandam você escrever à Beça, você escreve à Beça.

Até poucos anos mandavam você escrever Bessa, continuou Millôr, voltando ao seu mestre Socey Quinada Sei, quando assegurou que p professor Niskier devia saber: “como a palavra beça nunca existiu sozinha, não pode ser classificada como um substantivo. É usada apenas na expressão à beça, visivelmente adverbial”. E mostrou o Dicionário Brasileiro de Gíria, de Manuel Viotti, editado há mais de 70 anos. Veja, aqui: Loc. Adv. Abessa. Diante dessas aberrações intelectuais fiquei sem saber ao certo como escrever, se Beça, Bessa, Abessa ou à Bessa. Por via das dívidas vou continuar escrevendo à Bessa, aqui mesmo no FACE, e, aos diabos, com essas opiniões.

www.reporteriedoferreira.com.br Por Gilvan de Brito- Jornalista, advogado e escritor




COM PELÉ Por Gilvan de Brito

COM PELÉ Por Gilvan de Brito

Eu não apenas vi Pelé jogar várias vezes, Eu o entrevistei antes de um jogo da seleção do Brasil contra a seleção pernambucana, em 1969, no estádio da Ilha do Retiro, num domingo chuvoso, em Recife. O Brasil ganhou de 6 x 1 e Pelé fez um gol. Eu fazia parte da equipe de esportes da rádio Tabajara.

Vi ainda Pelé receber o título de Cidadão de João Pessoa, aprovado pela Câmara Municipal, de autoria do vereador Derivaldo Mendonça, entregue pelo então governador João Agripino, no palácio da Redenção.

Nesta mesma noite Pelé jogou em João Pessoa e marcou o gol 999, de sua carreira, contra o Botafogo, gol que depois se verificou que foi o verdadeiro milésimo gol, uma vez que a contagem oficial deixou de computar um jogo em que Pelé marcou um gol atuando pela seleção do Exército, no tempo em que ele servia às armas.

www.reporteriedoferreira.com.br Por Gilvan de Brito- Jornalista,advogoado e escritor