PODER MODERADOR:  Escrito Por Gilvan de Brito 

PODER MODERADOR:  Escrito Por Gilvan de Brito
Nem precisa ser advogado, basta conhecer um pouco de história (coisa que o presidente desconhece), para saber que na legislação brasileira inexiste o Poder Moderador. Na primeira Constituição brasileira, o imperador Pedro I, visando anular os três poderes, pilares da democracia, instaurou em 1824 e 1826 uma Carta com quatro poderes, sendo que um deles devia atuar como moderador, para subjugar Legislativo, Judiciário e Executivo.
Assim ele tentava emplacar um conceito do pensador e político francês Benjamin Constant de Rebeque (1767 – 1830), que dava ao imperador ou ao monarca de plantão, (na época Pedro I ocupava os dois espaços), o direito de intervir constitucionalmente em qualquer dos poderes quando assim o desejasse, para evitar oposição ou para impor suas ideias com exclusividade.
Claro que não foi aprovada com esse formato. Então, vem agora, o presidente Bolsonaro, invocar o artigo 142 da Constituição brasileira, como tipo e forma determinados de um poder moderador, permitindo-lhe criticar e contestar o Legislativo e o Judiciário. Também não conseguiu, porque na tarde de hoje o Supremo lembrou-lhe de que este dispositivo não existe, embora tenha sido tentado no Império. Um dirigente inculto, deveria ao menos acercar-se de pessoas capazes, conhecedoras, ao menos, da história.
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NOVA IDADE DENYSE ROLIM DE BRITO; Escrito Por Gilvan de Brito 

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 NOVA IDADE DENYSE ROLIM DE BRITO; Escrito Por Gilvan de Brito

 

 

 

A minha menina, nasceu em João Pessoa (PB). Tem formação acadêmica com graduação em Serviço Social, pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB/ 1986. Fez especialização em Metodologia do Ensino Superior, pelo Instituto Paraibano de Educação – UNIPÊ/ 1995 e Pós-Graduação em Serviço Social cursando as disciplinas de Metodologia da Investigação da Pesquisa Científica – UFPB/ 1992, Tópicos Especiais em Política Social – UFPB/ 2002 e Processos Organizativos do Terceiro Setor – UFPB/ 2003. Realizou Curso de Inglês no Departamento de Línguas Estrangeiras Modernas da UFPB e cursos à distância: Introdução às Relações Internacionais, do Instituto Legislativo Brasileiro, (Senado) e Redação Oficial, do ILB. Fez estagio na Maternidade Cândida Vargas – INAMPS e exerceu atividades na Comissão Especial de Legislação Social presidida pelo deputado federal Edme Tavares, na Câmara dos Deputados, em Brasília, na elaboração de sugestões do setor social para a Constituição Federal de 1988.

 

Atualmente desenvolve ação profissional na Assembleia Legislativa da Paraíba, como Revisora, na função de Assistente Legislativo da divisão de Tradução e Revisão Taquigráfica. Como atividade científica apresentou trabalho na modalidade Painel, no II Encontro Regional de Pesquisadores em Serviço Social, intitulado A contribuição das Fundações para a melhoria de vida da população de João Pessoa, realizado em dezembro de 2003, promovido pela UFPB. Tem cursos de extensão de Prática Legislativa, Redação Oficial, Oratória, Direito Constitucional e Português Instrumental. Na atividade cultural realizou o curso de Danças Circulares, na UFPB/ 2004, tomou parte de vários workshop´s de Danças Sagradas (grega, árabe, chinesa, inca, asteca, maia, romana e hebraica) e de Coreografias (clássica, folclórica e de salão) para apresentações. Foi selecionada em concurso literário promovido pela Funjope (2012) com o prêmio de publicação para o livro (ensaio) “A Letra de Meu Pai”. Arquivo Digital: Breve História da Música Paraibana; Participou de diversas mostras e exibições de Danças Modernas, Artísticas, Sagradas e Folclóricas e realizou curso de pintura em tela.

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PATRULHAS IDEOLÓGICAS: Escrito Po Gilvan de Brito 

PATRULHAS IDEOLÓGICAS: Escrito Po Gilvan de Brito
Lendo ontem na Folha de S. Paulo, comentário sobre livros, de João Pereira Coutinho – escritor e cientista político pela Universidade Católica Portuguesa – que considera as patrulhas ideológicas muito parecidas e até semelhantes àqueles a quem combatem, logo transportei-me para este Facebook. É a pura verdade, e estão disseminadas neste espaço.
Não é difícil identificá-las, diante da agressividade e da forma como premiam aqueles com quem não concordam, utilizando-se de todos os adjetivos existentes nos dicionários populares de gírias e da linguagem chula. Isso é desestimulante. Quando alguém leva um assunto sério a debate, nesta mídia, e espera que outras pessoas venham enriquecer o tema, e apontar saídas, eis que, algumas vezes, surgem os agressores que não concordam com aqueles argumentos e passam a contestá-los, radicalizando de forma pejorativa, desagradável e às vezes, obscena.
Muitos utilizam, por exemplo, o termo “fascista”, mas poucos sabem a etimologia (vocábulos que originam outros), conceito, definição e significado desta palavra (como surgiu e o que representa), quando classifica o autor de um comentário, usando a mesma linguagem e costumes com a qual pretende enquadrá-lo. Enfim, vestindo a carapuça, aquelas pessoas de acentuado extremo (direita ou esquerda), que sentem o prazer ignóbil e perverso de chamar gratuitamente alguém de fascistas, são bem parecidas com elas. Chegam no ponto onde os ideologicamente mais extremados se aproximam, se tocam e se confundem. Foto: em tempos de fascismo (Mussoline) e nazismo (Hitler).
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ISOLAMENTO HORIZONTAL: Escrito Por Gilvan de Brito 

ISOLAMENTO HORIZONTAL: Escrito Por Gilvan de Brito

Alguém já pensou no tipo de morte causada pelo Coronavírus? É provável que a maioria das pessoas ainda não tenha atentado para a forma como se chega à óbito. Ouvi alguém contar: é atormentada, triste, penosa, desumana, pungente e cruel. Trata-se de uma morte sufocada, que pode ser acompanhada pela própria vítima até o último segundo de vida, querendo puxar o ar para os pulmões, sem encontrá-lo, embora esteja entubado pelo respirador artificial (quando existem nos hospitais).

 

Os pulmões contaminados não permitem o impulso do ar para forçar a circulação de sangue entre o coração, os pulmões e o cérebro, que vão, aos poucos, entrando em falência. Não lhes restam, sequer, um sopro de ar para movimentar essa cadeia vital, levando à paralisação dos órgãos considerados essenciais. O pior de tudo é que a pessoa sabe que está morrendo, agita braços e pernas e chega ao último suspiro com lucidez e com todos os outros órgãos funcionando corretamente, faltando apenas o indispensável e imprescindível ar para a respiração.

 

Para superar esta situação, a ciência tem um caminho a fim de evitar a contaminação: o isolamento horizontal, que significa ficar em casa administrando todos os afazeres do dia a dia sem expor-se. Para isso faz-se necessário uma renda fixa, da poupança, do salário, da pensão ou da aposentadoria. Para aqueles que estão fora desse circuito, existe a possibilidade de um isolamento chamado vertical, onde a pessoa tem um lugar certo de conseguir o suficiente para manter a família sem expor-se demasiadamente. É triste para os que não possuem meios e dependem da exposição externa para ganhar dinheiro, como motoristas, caminhoneiros, entregadores de alimentos, além de outros. Dos moradores de rua, nem pensar.

 

A exposição direta os coloca em contato direto com o vírus por várias formas. Esses merecem a atenção das pessoas bondosas (ainda existem), atendendo-os com o fornecimento de comida e de um local onde possam se acomodar durante a pandemia. Sei de mim que estou atravessando o isolamento horizontal, sacrificando inclusive as minhas caminhadas de cinco quilômetros diários. Mas estou fazendo o que mais gosto – escrever – em tempo integral. É um alento.

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“CALA A BOCA, BATISTA”: Escrito Por Gilvan de Brito 

“CALA A BOCA, BATISTA” : Escrito Por Gilvan de Brito

Estamos retrocedendo aos tempos de Chico Anísio, nos programas de humor da TV. O triste episódio registrado ontem, no “chiqueirinho” do palácio da Alvorada, quando o presidente Bolsonaro mandou, aos gritos, os jornalistas calarem a boca, ao deixar de responder uma pergunta que lhe fora feita, têm sido corriqueiros e pontuais. O desafogo presidencial foi feito após a cobrança dos motivos que o levaram a insistir com tanta ênfase na mudança do delegado da PF, no Rio de Janeiro. Como o jornalista é o porta-voz da notícia para atender aquelas pessoas da sociedade que pretendem saber alguma coisa dessas particularidades que envolvem o governo, a reação mostrou-se extemporânea. E isso não foi novidade porque o fato vem se repetindo quase todos os dias, quando os jornalistas, de alguma forma, são agredidos apenas por tentarem ouvir da autoridade máxima, reproduzindo perguntas que não querem calar.

 

E isso está repercutindo, também, entre os fiéis seguidores do chefe da Nação, porque essas agressões estão passando para o terreno do corpo físico dos jornalistas, como ocorreu anteontem, durante uma dessas desconfortáveis “coletivas à imprensa”, quando um fotógrafo foi agredido, pisoteado e teve o seu equipamento danificado pelos escudeiros presidenciais de plantão. E não só na porta do palácio. Agora está extrapolando para todos os seguimentos da vida nacional, onde algumas pessoas desse grupo passaram a agredir os profissionais da imprensa, nas redes sociais. Ontem foi a minha vez, ao mostrar o meu ponto de vista a respeito de uma discussão que se fazia sobre questões do governo. Fui chamado de comunista, por conta dessa intervenção (como acontecia na ditadura quando eu reclamava qualquer coisa dos militares).

 

E ainda mais: fui orientado a aposentar-me para assistir de longe os novos tempos (novos?) que se mostram. Algumas pessoas não entendem a função do jornalista, cuja única missão é informar aquilo que o distinto público quer saber. O médico não se aposenta; o advogado também, assim como os representantes de outras categorias. O mesmo ocorre com o jornalista, que segue nessa profissão, muito mais como uma devoção, atendendo a uma força impiedosa, interior, chamada vocação. Eu só vou parar de escrever quando não mais tiver força para distribuir os dedos sobre um teclado e imprimir as letras que me interessam. E todas as vezes em que eu fizer isso estarei, com certeza, defendendo direitos alienados e pensamentos positivos.

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HISTÓRIA DE GOVERNADORES: Escrito Por Gilvan de Brito 

HISTÓRIA DE GOVERNADORES: Escrito Por Gilvan de Brito

Nesta época em que os governadores estão sob suspeita de diversos crimes, lembrei-me de um fato ocorrido no governo João Agripino, que dá a medida de um administrador no exercício desse cargo de mandatário de um estado. Na época eu trabalhava como repórter de A União, deslocado para o palácio da Redenção acompanhando o governador para fazer notícia das mil obras programada e, inauguradas no último ano de sua administração. Certo dia o chefe de gabinete do governador, Marilac Toscano, me contou um episódio que assistira naquele recatado ambiente de trabalho: João Agripino pedira-lhe para levar à sua presença um vendedor de anéis de grau, para formandos. Ele queria dar um anel do grau em Direito para o filho mais novo, Gervásio Maia, que estava concluindo o curso.

 

Então o vendedor chegou, foi encaminhado ao gabinete e o governador começou a escolher os anéis, fixando-se em alguns os quais começou a perguntar preços. Foi selecionando os mais baratos e num deles, que lhe agradou entre os demais, perguntou em quantas prestações aquele tipo poderia ser dividido. O vendedor, que esperava ganhar a comissão de uma só vez, com a venda à vista, estranhou e disse: “Governador, o Senhor tem condições de comprar este à vista, o preço é razoável e eu ainda vou lhe dar um desconto”. Ao que João Agripino respondeu: “Você se engana, eu sou um homem que vive do seu salário, e o de governador dá apenas para as despesas da família, que são muitas”. Meio frustrado o vendedor preencheu a nota de compra, recebeu a entrada, na hora, e mandou o governador assinar as promissórias restantes, o que foi feito, na maior normalidade.

 

Depois entregou o anel numa caixinha quadrada e pequena. João Agripino recebeu, olhou, virou de um lado para o outro, admirando os fulgores e a intensidade da cor vermelha do rubi (a segunda pedra mais preciosa, depois do diamante). Depois tudo seguiu em frente, na maior normalidade. Outra de João Agripino: eu estava esperando o ônibus para Copacabana, diante do edifício Avenida Central, na Rio Branco, no Rio de Janeiro, quando começou a chuviscar. Observei que o ex-governador João Agripino se encontrava no meio daquela multidão que se aglomerava diante da parrada dos coletivos. Na época ele ocupava o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União. Ele então, para evitar a chuva, procurou um lugar na parada. Foi então que me viu e começou a conversar querendo saber das novidades da Paraíba. Abasteci-o de notícias e ele perguntou para onde eu ia. Copacabana, disse-lhe.

 

Então ele complementou, enquanto levantava a mão para parar um Taxi. “Eu vou para o Catete, meio do caminho, não lhe serve.” Apertou-me a mão e seguiu.” Admirei-me de ele não ter um carro do TCU à disposição, como presidente daquela Corte, que então ocupava, e muito menos não ter um veículo próprio, com motorista. Era próprio da sua personalidade, não usar esses benefícios, embora garantidos por lei. João Agripino morreu pobre, não deixou patrimônio, embora tenha ocupado todos os cargos da República, iniciando-se como procurador e depois promotor público.(Foto onde estou transmitindo uma solenidade no salão nobre do palácio da Redenção, vendo-se, ainda, Edme Tavares, Manoel e Amir Gaudêncio)

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O SUJO E O MAL LAVADO: Escrito Por Gilvan de Brito

O SUJO E O MAL LAVADO: Escrito Por Gilvan de Brito

Há uma expressão popular que diz: “O sujo falando do mal lavado”, muito em voga no Brasil. E ela se aplica com muita propriedade ao presidente Donald Trump, dos EUA, quando acusa o Brasil de apresentar índices mais elevados do Covid 19, que os demais países dos três Continentes. Ele acerta no erro do nosso país, mas não olha para a situação do vírus nos Estados Unidos: enquanto o Brasil contabiliza algo em torno de seis mil mortes, os americanos já ultrapassaram os sessenta mil. Isso significa que ainda estamos com dez por cento do número dos Estados Unidos.

 

Em que tempo nos vivemos, onde governantes ficam traçando paralelos em torno dos falecimentos dos habitantes de seus países, com referências desvairadas, ou desdenhando os mortos e os seus parentes com expressões que mostram desinteresse pelo tema, como: E daí? Por isso mesmo cabe contemplar Donald Trump com a frase: “the pot calling the kettle black”, no seu próprio idioma. Outra coisa: quando ele escolhe o Brasil para fazer comparações dessa natureza e ameaça a retirada dos voos comerciais entre as duas nações, desdenha o presidente Bolsonaro, um dos seus fiéis escudeiros, de quem vê e ouve se desmanchar em fartos elogios.

 

Falando desse vírus é bom lembrar que o atual ministro da Saúde pôs ontem o país em pânico, ao prever uma onda de mil mortes por dia, nas próximas semanas. Mandeta jamais diria uma coisa dessas. O que deveria dizer era que o Brasil se expõe a esse quadro se continuar seguindo as orientações de Bolsonaro, para acabar com o isolamento, que é a única forma, cientificamente comprovada, para diminuir o aparecimento de novos casos. É curioso como as pessoas que estão fora do poder decisório vêm as coisas que nos atingem diretamente, de forma mais apurada e consequente do que aqueles que estão com o direito de deliberar nas mãos e com a responsabilidade de solucionar objetivamente as questões.

 

Tempos difíceis, estes, em que os governantes não falam para todo o país, e sim, para as suas bases – ou guetos – eleitorais, destoando da própria Constituição no seu Art 37, que prega os princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, e eficiência, na administração pública. Afinal os presidentes preferidos ou escolhidos democraticamente são obrigados a tratar os eleitores de toda a nação, incluindo aqueles que não votaram neles, com a mesma disposição e sem escolhas de grupos ou partidos. Pelo que constamos, isso funciona como teoria, pelo menos atualmente no Brasil, onde há grupos notadamente premiados.

 

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RELAXE E GOZE:  Escrito Por Gilvan de Brito

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RELAXE E GOZE:  Escrito Por Gilvan de Brito

Quando nós atravessamos um momento único da nossa vida, de bem ou de mal, não tem outra saída: vamos lembrá-lo por toda a existência. Então, nesses momentos muito especiais, o importante é relaxar e gozar, para que aquele indefinido e curto espaço de tempo permaneça para sempre na nossa mente, de uma forma alentadora ou atentatória, como já pregou a ex-prefeita de São Paulo, Márcia Suplicy: Relaxa e goza”.

 

É o caso do Coronavírus, essa Peste que nos atinge presentemente (a mim indiretamente) e que põe todo mundo de quarentena com medo de ser contaminado (e triste dos forem). Aqueles que são loucos por um feriado prolongado, têm agora, a disposição, dois ou três meses de gozo, em casa, se deliciando com o ócio e podem relaxar à vontade. Tive a chance de escrever um livro (ainda inédito) denominado “A Dança com os Mortos”, de aproximadamente cem páginas (qualquer dia será editado), que conta a história de uma epidemia que atingiu a Paraíba em 1855, com recidiva três anos após, que exterminou mais de 40 mil pessoas, somente na Paraíba, e quase um quarto dos habitantes do planeta. Foi a peste do cólera morbus, que veio seguida pela febre amarela.

 

Fiz uma pesquisa minuciosa nos jornais da época, e constatei como os seus efeitos foram devastadores. Principalmente numa época quando só existia uma faculdade de Medicina no Nordeste, em Salvador; e outra no Rio de Janeiro. Havia apenas 12 médicos em todo o estado da Paraíba. Os farmacêuticos fizeram o papel de médicos, porque a maioria trabalhava com fórmulas utilizando raízes, como ensinavam os índios, e conheciam algumas curas através do poder vegetal, mas que nada serviram contra esse terrível mal.

 

Comparado com esse vírus que enfrentamos agora, que tem o apelido de Covírus, aquele que veio do rio Ganges, da Índia (pegava pelo ar), era devastador sob todos os aspectos e o nosso uma “gripezinha“, como sentenciou Bolsonaro em mais um dos momentos infelizes de seu governo. Num só dia morreram 159 habitantes, em João Pessoa e no total foram mais de 40 mil, no Estado (apenas duas cidades do interior não foram atingidas: Catolé do Rocha e Coremas). Os mortos eram depositados nas esquinas, pelos familiares, para serem recolhidos por uma carrocinha do Governo e sepultados em valas comuns.

 

O corpo da vítima ficava igual a pele de um sapo, azulado, cheio de bolhas, olhos fundos, pele encerada e uma diarreia sem fim, numa imagem que aterrorizava até os parentes mais próximos, que saiam correndo, ao vê-los. Posso dizer que vivi aqueles momentos quando pesquisei seus efeitos, e pensei que não os teria numa visão repetida durante a minha vida. Ledo engano, porque estou vendo uma amostra grátis do que é uma pandemia, ao vivo e em cores, na nossa porta, embora muito mais atenuada. Mesmo assim, agressiva e arrasadora. Agora todos aqueles que viverão esta contemporaneidade, poderão dizer para os netos: conheço a Peste.

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MÚSICA DA PARAÍBA, HOJE; Escrito Por Gilvan de Brito 

MÚSICA DA PARAÍBA, HOJE;  Escrito Por Gilvan de Brito – Jornalista, advogado e escritor.


“Quem te viu e quem te vê”, é um sintagma que se aplica muito bem à Música da Paraíba, Hoje. Existe música da Paraíba hoje? A música que marcou presença foi a do passado, que vale a pena lembrar como uma das mais divulgadas, aplaudidas e executadas no Brasil e no mundo, nas décadas de 70 e 80 do último século. Tanto pela qualidade quanto pelo entusiasmo das letras e das músicas, pontuais. A Paraíba é um caso raro no tratamento de seus artistas: morde e assopra. No fim da década de 60, Zé Ramalho veio do sertão, empolgado, com os alforjes cheios de belas composições, e certo de que poderia abafar, marcou um show no teatro Santa Rosa. Nove espectadores compareceram à casa de espetáculos, cinco pagaram. A sua reação mostrou a indignação de um artista que sabia de sua competência e de sua superioridade: virou-se para os objetos de cena, do palco, e destruiu uma TV, daquelas antigas, de enormes tubos de imagens, e cancelou a apresentação. No meio do sentimento de cólera, tomou uma decisão: foi-se para o Rio de Janeiro, com as mesmas músicas.

 

Viu e venceu, endeusado e apontado como um dos melhores compositores e autores brasileiros, com o que havia de melhor do nosso cancioneiro popular, expressando e traduzindo a cultura do povo através da música. Naquela altura, Vital Farias já fazia estrondoso sucesso no eixo Rio São Paulo e depois em todo o país, depois que uma música sua serviu de tema à uma novela da TV Globo. Elba Ramalho, que vinha patinando na música da Paraíba, quando resolveu partir com Luiz Mendonça, Livardo Alves e Anco Márcio, com a peça “Cancão de Fogo”, e antes de terminar o trabalho, no Rio de Janeiro, disse: “aqui é o meu lugar”. Ficou e abafou, constituindo-se numa das maiores intérpretes nacionais durante muitos anos, com uma voz inconfundível.

 

Cátia de França, no embalo dos demais, também tentou no Rio de Janeiro, fez shows e marcou sucessos, mas não suportou a distância da Paraíba e voltou e Chico César, com belas canções (ainda resiste, fazendo a ponte com os tempos áureos; Correndo por fora, Livardo Alves, no embalo da “Marcha da Cueca”, liderou as audiências dos festejos carnavalescos durante vários anos, do Rio e São Paulo, além das músicas que marcaram a sua nordestinidade na parceria com Vital Farias e com outros parceiros; Pedro Osmar, com belíssimas composições gravadas por Elba Ramalho. E, ainda, Bráulio Tavares, Antônio Barros e Cecéu, Flávio José, Sivuca, Genival Macedo, Glorinha Gadelha, Marinês, Capilé e Carlos Aranha, vencedor de festivais e autor de belas músicas, o polivalente Dida Fialho, Thadeu Matias. e o regionalismo de Pinto do Acordeom.

 

Antes destes, o grande compositor e intérprete vencedor de vários festivais do Rio de Janeiro, Geraldo Vandré, cuja biografia eu tive a satisfação de escrever (Não me Chamem Vandré, editora Patmos, 280 p); Jackson do Pandeiro, que mostrou como se marca o ritmo e Zé do Norte, vencedor do prêmio da trilha sonora do filme O Cangaceiro, no festival de Cannes, na França. Não devemos esquecer também de Genival Lacerda, Rosil Cavalcante, Fernando Lélis, Roberto Luna, Jairo Aguiar. Mas havia, ainda, aqueles que se encontravam fora do circuito das grandes gravadoras nacionais, dos velhos Long Plays. Para preencher essa lacuna tive a ideia de produzir um álbum duplo reunindo 29 artistas, entre compositores, autores, arranjadores e intérpretes, nos discos Música da Paraíba, Hoje – 1 e 2 – registrando para a posteridade a música que se fazia na Paraíba entre as décadas de 70 e 80 do século passado, hoje uma relíquia.

Participaram direta e indiretamente do terceiro grande movimento da música local, intitulado Música da Paraíba, Hoje: Adelino, Alarico Correia Neto, Alexandre Brito, Ari, Babí, Boto, Bráulio Tavares, Cacá Ribeiro, Carlos Aranha, Carlos di Carlo, Chico César, Chico Mendes, Clementino Lins, Dida Fialho, Elias D´Angelo, Eudes Henrique, Eugênio Cavalcante, Fernando Teixeira, Fubá, Gilvan de Brito, Golinha, Hélio Ricardo, Huguinho, Isa Y Plá, Jailson, Janduhy, Janjão, Jarbas Mariz, João Lira, Jorge Negão, José Ariosvaldo, José Cabral, Léo Almeida, Livardo Alves, Lúcio Lins, Lugmar Medeiros, Mário José Pessoa, Mário Lins, Marquinhos Aguiar, Milton Dornelas, Mozart, Nell Blue, Neném Xavier, Nido, Nino da Flauta, Parrá, Paulo Batera, Paulo Paiva, Paulo Ró, Pedro Osmar, Roberto Araújo, Roberto Gabínio, Rubinho, Sérgio Túlio, Sílvio Osias, Unhandeijara Lisboa, Vasconcelos, Waldo do Vale, Walter Galvão, Zé da Flauta, Zé da Viola e Zewagner.

Este despretensioso ensaio sobre a música paraibana destaca a atividade musical, preferencialmente, daqueles compositores, autores e intérpretes que ao longo do tempo permaneceram distante das grandes gravadoras, que tolheram suas ações, mas inclui também alguns dos grandes nomes, particularmente com os trabalhos que iniciaram sua vida musical. Assim, procuramos mostrar não apenas aqueles que despontaram nacionalmente na música, mas também os que, por motivos diversos, sofreram a ação predatória das Gravadoras do eixo Rio-S. Paulo, ficando à margem do sucesso ao nível do país. Como veremos, a grande maioria teria chances de despontar no cenário nacional. Por isso procuramos nesta produção de meio século de música, lembrá-los e fazer-lhes justiça perante o tempo, para que no futuro saiba-se como foi a Música da Paraíba, Ontem.

Lembremos também dos participantes do movimento dos festivais, o segundo, da música paraibana, na década de 60: Agápio Vieira, Águia Mendes, Aléssio Toni, Alex Madureura, Ary, Babi, Barreto Neto, Benedito Honório, Bráulio Bronzeado, Bráulio Tavares, Cacá Ribeiro, Carlos Aranha, Carlos Roberto de Oliveira, Chico Mendes, Chico Teotônio, Clementino Lins, CleodatoPorto, Coringa, Costa Neto, D. Martins, Das Bandas da Paraíba, Dida Fialho, Diógenes Brayner, Diógo, Elba Ramalho, Elias D´angelo, Fernando Aranha, Fernando Teixeira, Francisco Zacarias, Fúba, Genival Lacerda, Genival Macedo, Genival Veloso, Gilberto Patrício, Gilson Reis, Gilvan de Brito, Grupo Cabroeira, Huguinho Guimarães, Isa Y Plá, Ivanildo Vila Nova, Jaguaribe Carne, Jairo Aguiar, Jarbas Mariz, Joana Belarmino, João Carlos Franca, João Gonçalves, João Linhares, João Manoel de Carvalho, Jomar Souto, Jorge Negão, José Neves (maestro e compositor), José Rui, Jr. Espínola, Léo Almeida, Lis, Lugmar, Luiz Ramalho, M. Leite, Maestro José Neves, Manoelzinho Silva, Marcos Tavares, Marcus Vinícius, Mário José Pessoa, Marlene Freire, Marquinhos Aguiar, Metalúrgica Felipéia, Milton Dornellas, Moacir Codeceira, Mozart, Natanael Alves, Nell Blue, Neumane Pinto, Nevinha, Nino da Flauta, Oliveira de Panelas, Orquestra de Vilor, Os Quatro Loucos, Pádua Belomont, Parrá, Paulinho Ditarso, Paulo Melo, Paulo Paiva, Paulo Ró, Pepy, Roberto Araújo, Roberto Gabínio, Ronaldo Monte, Rubinho, Rui de Assis, Sérgio Túlio, Shirley Maria, Sindalva, Sônia Maria, Waldo do Vale, Zé Pequeno, Zemaria de Oliveira, Zete Farias e Zewagner.

 

Depois de Música da Paraíba, Hoje pouco se fez para justificar um quarto movimento da música paraibana. Depois de 1980 sugiram vários intérpretes, instrumentistas, letristas e compositores, que vêm marcando presença na música paraibana, sem que se possa considerar, com honrosas exceções, nestes 32 anos algum movimento aglutinante capaz de lançar nomes além fronteiras, como os anteriores.

 

A nova geração da música é composta de Adeíldo Vieira, Adeílde Lopes, Ademir Mantovani, Águia Mendes, Alex Madureira, Álice Lumi, Almir do Vale, Altimar Garcia, Anay Claro, Arari, Ariadne Lima, Artur Dionísio, Betinho Muniz, Bob Farias, Byaya, Cacá Santa Cruz, Cassandra Figueiredo, Cachimbinho, Capilé, Carlinhos Cocó, Chikito, Chiquinho Mino, Cícero Caetano, Clementino Lins, Climério, Costinha, Dadá Venceslau, Dario Junior, Dejinha de Monteiro, Déo Nunes, Diana Miranda, Dida Fialho, Dida Vieira, Edinho Arruda, Edmilson Felix, Edson Batera, Eliete Matias, Elisa Leitão, Eric Von Shohsten, Erivan Araújo, Escurinho, Eudimar, Fabíola, Fábio P.C., Fátima Lima, Flávio Boy, Florismar, Fernando Pintassilgo, Francisco Alcântara, Francisco Sobrinho, Geo Ventania, Geraldo Mousinho, Germana Cunha, Gilberto Nascimento, Gilvando Pereira, Gladson Carvalho, Glauco Andreza, Gracinha Teles, Humberto Almeida, Irani Medeiros, Jadir Camargo, Jairo Madruga, Janduhy Finizola, Jeová de Carvalho, Jessé Anderson, Jessé Jel, João Barbosa, João Linhares, João Paulo, João Barbosa, Joca do Acordeão, Jorge Benício, José Francinaldo, José Arimatéia, José Soares, José Neves, Josias Paes, Josiel, Jotinha, Judimar Dias, Junior Natureza, Junior Targino, Kennedy Costa, Lau Siqueira, Leo Meira, Lígia Guerra, Luciene Melo, Luiz Carlos Otávio, Laurente Gomes, Lindevaldo Cipriano, Lis Albuquerque, Lúcio Lins, Luizinho Barbosa, Marder Farias, Marcelo Ferreira, Marcone Barbosa, Marcos Carneiro, Marcos Fonseca, Marcus Milanês, Marcos Tavares, Maúde, Mauro Martins, Mestre Fúba, Mihno Dgil, Milton Dorneles, Mônica Melo, Nanado Alves, Nando Azimute, Nando Santos, Naor Xavier, Natálie Lima, Nau Nunes, Nelson Campos, Nelson Teixeira, Nelson Valença, Neto Guarabira, Osvaldo Nery, Pablo Ramirez, Pádua Belmont, Patrícia Moreira, Paulinho Ditarso, Paulo Barreto, Paulo Batera, Paulo Vieira, Paulo Vinícius, Percival Henrique, Piancó, Pinto do Acordeão, Ranilson Bezerra, Regina Brown, Renata Arruda, Ricardo Anísio, Ricardo Fabião, Rivaldo Dias, Rivaldo Serrano, Ronaldinho Cunha Lima, Rogério Franco, Ronaldo Cavalcante, Ronaldo Monte, Robeldik Dantas, Roberta Miranda, Roberto Ângelo, Roberto Costa, Romero Remígio, Rosildo Oliveira, Ryná Souto, Rubinho Jacob, Samuel Espinoza, Sandoval, Sandra Trajano, Sandoval Moreno, Sandoval de Oliveira, Sandro Pitta, Sandro Targino, Saulo Mendonça, Sérgio Galo, Soraya Bandeira, Tampinha, Tatá Almeida, Tonho Monteiro, Tota Arcela, Totonho, Teínha, Vanine Émery, Walber de Andrade, Walter Galvão, Walter Luís, Walter Santos, Walter Signus, Wandinho Araújo, Wanine, Wilmar Bandeira, Wilson Barreto, Vander Farias, Vavá Dias, Villor Araújo, Virgínia Lombardi, Xisto Medeiros, Yerco Pinto, Zé Badú, Zé Gotinhá, Zé da Viola, Zilma Pinto e Zizi Sanfoneiro, dentre outros.

Muitos dos que pertenceram ao movimento anterior continuaram, como Alberto Arcela, Benedito Honório, Clementino Lins, Chico César, Elias D´angelo, Pedro Osmar, Paulo Ró, Poty Lucena, Rubinho, Fúba agora chamado Mestre Fúba, e Milton Dornelas.
Nestes tempos de pandemia, no qual ficamos em casa sem fazer nada, resolvi escrever este leve ensaio, que por ser um pouco extenso, sei que poucos vão se aventurar a lê-lo. Mesmo assim, fica o registro para a História.

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O RETRATO DOS GOVERNADORES: Escrito Por Gilvan de Brito

 

 

 

O RETRATO DOS GOVERNADORES: Escrito Por Gilvan de Brito

A propósito de uma foto do estádio “Almeidão”, às margens da BR-230, publicada hoje pelo jornalista Carlos Aranha, constatei a inércia da maioria dos administradores paraibanos. Essa praça de esportes foi construída pelo governador Ernani Sátyro, na metade da década de 70, com capacidade para 40 mil pessoas, e que ainda achou pouco, fez uma réplica em Campina Grande com o apelido de “Amigão”.

 

Eu era seu assessor de imprensa, no palácio da Redenção, e ouvi-o dizer, certa vez: “O estádio está faltando preencher dois espaços na arquibancada, atrás dos goleiros, e uma cobertura maior, que possa proteger toda a arquibancada circular, mas isso os próximos governadores vão fazer, com certeza” – sentenciou equivocadamente porque nenhum dos que o substituíram tinham a sua visão. Não fizeram. E o estádio continua tal e qual Ernani Sátyro, legou aos paraibanos de João Pessoa, há exatos 45 anos.

 

Enquanto isso, houve uma Copa do Mundo no Brasil em 2014, e os governadores de Pernambuco e Rio Grande do Norte conseguiram com o governo federal a construção de dois belíssimos estádios que se assemelham aos mais confortáveis do mundo, no melhor estilo. O governador da Paraíba, de então, não se interessou em trazer uma verba federal para a conclusão do pouco que faltava do nosso estádio. Uma pena ter deixado passar essa grande chance, pois havia muito dinheiro sobrando para esse fim.

 

Algumas pessoas podem tentar justificar dizendo que nestes 45 anos a cidade cresceu, desenvolveu-se e até parece um “paliteiro”, tal a quantidade de edifícios construídos por todos os recantos. Para esses eu tenho uma palavra: Esse avanço deve-se exclusivamente à iniciativa privada. O governo não tem nada a ver com essa grandeza vertiginoso. O governo, inclusive, não proporciona o mínimo de infraestrutura para dar uma cara a esse crescimento. Não existe na maioria das ruas, sequer, placas orientando as pessoas por onde devem conduzir os seus veículos.

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