
O presidente Lula conversou nesta sexta (21) com o presidente norte-americano Donald Trump pelo telefone.
O petista estava no Palácio da Alvorada quando a ligação foi feita. A conversa durou 1h20. Segundo a Secom (Secretaria de Comunicação) do governo, ela transcorreu em “tom amistoso e cordial”.
A relação entre o Brasil e os EUA se deteriorou nos últimos meses depois que o país foi alvo de uma investigação sobre práticas supostamente desleais de comércio.
Lula, segundo o governo, afirmou no telefonema que “as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas”.
De acordo com o Palácio do Planalto, “o Presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”.
O governo norte-americano alega, com base na Lei de Comércio americana, que o país adota restrições ao comércio digital, barreiras ao etanol americano e ações do Judiciário brasileiro contra grandes empresas de tecnologia dos EUA e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Como retaliação, Washington aplicou sobretaxas de 25% a 50% sobre produtos brasileiros, impôs sanções a alvos ligados ao crime organizado e adotou medidas diplomáticas restritivas, como a revogação de vistos de autoridades brasileiras.
Na nota em que relata os termos da conversa, o Palácio do Planalto afirma que “o Presidente Lula telefonou esta manhã, dia 21 de agosto, para o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa, que durou uma hora e vinte minutos, abordou temas do relacionamento bilateral e da agenda global. A ligação transcorreu em tom amistoso e cordial”.
O petista, segundo ainda o governo, teria dito que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos”.
E afirmou que segue na mesa de negociação, o que seria , “a melhor opção para os dois países”.
Lula, diz a nota da Secretaria de Comunicação, “reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil”.
Segundo ainda o texto, Trump “concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”.
A nota do Planalto afirma ainda que Lula “reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas”.
A nota segue dizendo que o presidente “afirmou que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las. Informou sobre a estratégia do país de asfixiar financeiramente a criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de 17 bilhões de reais, e sobre os planos de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima. Também comentou sobre a aprovação da Lei Antifacção, que facilita a apreensão de bens e passaportes, bem como sobre a proposta de emenda constitucional que amplia o papel do governo federal na área de segurança pública em colaboração com os Estados da federação. Também mencionou o estabelecimento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos. O Presidente Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área”.
Segundo ainda a assessoria de Lula, os dois Presidentes “trocaram impressões sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos”.
Folha Online


