João Pessoa 441 anos: a fidelidade na berlinda : Por Valter Nogueira, Jornalista

A cidade de João Pessoa está se tornando “infiel”, no bom sentido da palavra – se é que isso existe! É que, após séculos comparada a uma província, passou, de repente, a experimentar crescimento efervescente indescritível. Da arquitetura barroca presente nos prédios do Centro Histórico às curvas insinuantes da Estação Ciência Cabo Branco – que leva a assinatura de Oscar Niemayer – a urbe é candidata à metrópole. Em outras palavras, a cidade está em constante mudança: não é hoje o que foi ontem e, pelo andar da carruagem, nunca será amanhã o que é hoje.

Não sei se me fiz entender, mas “só sei que foi assim”, como bem diria Chicó – personagem do Auto da Compadecida, de autoria do paraibano Ariano Suassuna.

Cidade que já nasceu cidade, João Pessoa completa 441 anos de sua fundação nesta quarta-feira, dia 5 de agosto de 2026. Porta do Sol, a capital do Estado da Paraíba é referência mundial por ser ponto oriental das Américas.

Banhada pelo Oceano Atlântico e contornada pelo Rio Sanhauá. João Pessoa foi fundada no dia 5 de agosto de 1585 – é a terceira cidade mais antiga do Brasil. Nasceu nas margens do Sanhauá, afluente do rio Paraíba. Por essa razão, o Centro da cidade está afastado cerca de 8 quilômetros do litoral.

As primeiras edificações foram erguidas às margens do Sanhauá, mas, aos poucos, a cidade foi crescendo em direção à orla marítima e ganhou dimensões de metrópole. Com 24 quilômetros de praias, interligadas por um calçadão, a orla de João Pessoa encanta residentes e turistas – hoje, é de longe o point da cidade.

O centro histórico preserva o casario colonial e muitos dos atrativos mais visitados da capital. O Centro Cultural São Francisco, de 1589, é considerado um dos maiores complexos barrocos do Brasil. A Catedral de Nossa Senhora das Neves, por sua vez, reunia em seu entorno, até pouco tempo atrás, os principais eventos e festejos em homenagem à padroeira da cidade.

– Quem não se lembra dos bons tempos da tradicional Festa das Neves?

A área central conta, ainda, com o Parque da Lagoa Sólon de Lucena, cartão postal da cidade. No local, é possível contemplar, além da beleza natural, monumentos como “A Pedra do Reino”, erguido em homenagem ao escritor paraibano Ariano Suassuna.

Ainda no Parque, é possível apreciar o espetáculo de luzes e cores da fonte luminosa da Lagoa a partir da sacada do tradicional Cassino da Lagoa.

Em resumo, ruas e logradouros do Centro exalam história refletida nas fachadas de prédios tombados pelo Patrimônio Histórico que datam dos primeiros anos de existência da cidade.

Identidade

A cidade teve vários nomes ao longo de sua história. Primeiro, Nossa Senhora das Neves (05/08/1585), em homenagem ao Santo do dia em que foi fundada. Depois, Filipéia de Nossa Senhora das Neves (29/10/1585), em homenagem ao rei da Espanha D. Felipe II, quando Portugal passou ao domínio Espanhol.

Em seguida foi denominada Frederikstadt (Frederica), em 26 de dezembro de 1634, por ocasião da sua conquista pelos holandeses. Passou a chamar-se Parahyba, a 01 de fevereiro de 1654, com o retorno ao domínio português.

Em 04 de setembro de 1930, finalmente recebeu o nome de João Pessoa, homenagem prestada ao presidente do Estado, João Pessoa, assassinado em Recife (PE). De um tempo para cá, passou a ser chamada também de ‘Jampa’

João Pessoa, parabéns!

Por Valter Nogueira – jornalista

RELACIONADOS
ÚLTIMAS