PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Casa do ErárioSérgio Botelho –
No livro Datas e Notas para a História da Paraíba, o historiador Irineu Pinto assentou que em 4 de setembro de 1775, “por ordem da Junta da Fazenda de Pernambuco, é edificada uma casa para os Contos” (prédio na esquina norte das atuais Praça Rio Branco com a Duque de Caxias, no momento, em reforma).
A autoria da ordem se justifica pelo fato de a Capitania da Paraíba se encontrar, naquele ano, sujeita à de Pernambuco, uma sujeição que durou de 1755 a 1799, com severas consequências ao desenvolvimento paraibano. Uma outra história.
O edifício, posteriormente denominado Casa do Erário, teve a força de dar nome ao local. Assim, o que era Largo da Câmara, passou a ser chamado Largo do Erário, um logradouro urbano de caráter estritamente civil.
Isso porque ali já funcionavam a Câmara, a cadeia, o açougue e o pelourinho, prestando serviços de natureza civil, distintos dos religiosos e dos militares, voltados ao atendimento da população e ao desenvolvimento urbano.
Segundo a professora Maria Helena de Andrade Azevedo, na sua dissertação de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo, de 2010, intitulada A Rua Direita em Preto e Branco, “o Largo do Erário tornou-se um espaço adjacente à própria via”.
Dessa forma, “a hierarquia da Rua Direita se sobressai na configuração espacial da cidade, numa demonstração de como uma rua organiza o tecido em sua própria escala”, conforme a autora do referido estudo acadêmico.
Sobre o prédio, o Memória João Pessoa, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPB destaca que ele apresentava linhas arquitetônicas do período colonial, até 1916, quando um incêndio criminoso o destruiu. Em sucessivas reformas, perdeu a originalidade.
Ao longo do tempo, serviu, além do objetivo primeiro, como residência de capitães-mores, Assembleia Provincial, Tesouraria da Fazenda e repartição dos Correios. Também sediou a Escola de Administração Fazendária, o Patrimônio da União e a Polícia Federal.
(Foto: Antiga Casa do Erário, melhorada por IA, antes do incêndio de 1916)
www.reporteriedoferreira.com.br/*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.


