PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Onde as abelhas roncaram
Sérgio Botelho
– Não que tenha sido um movimento de tipo revolucionário ou transformador, no sentido de defender mudanças de regime ou ao menos de eventual poder político. Porém, o chamado Ronco da Abelha ou Revolta dos Marimbondos revela uma força popular interessante no Nordeste imperial. Talvez por isso, é que o texto que escrevi ontem sobre o assunto acabou despertando alguma curiosidade sobre sua extensão na Paraíba, detalhe que abordo no texto de hoje.
Em nosso estado, o Ronco da Abelha, o apelido local (Revolta dos Marimbondos pegou em Pernambuco) teve maior força em vilas e municípios do Brejo e do Agreste, especialmente Ingá, Campina Grande, Alagoa Nova, Alagoa Grande e Pilar. Outros levantamentos ampliam esse mapa para Guarabira, Areia, Bananeiras, Araruna e Fagundes.
Em meio à pesquisa, encontrei o documento acadêmico intitulado Os levantes contra os registros de 1852, de autoria da então doutoranda em Antropologia Social da UFRJ, Bárbara Moraes, que aborda aspectos fundamentais do movimento.
As primeiras notícias do levante, segundo o texto, foram registradas em Pau D’Alho, Limoeiro e Nazareth, na Província de Pernambuco. A presença de forças militares, então, piorou a situação, com assassinatos promovidos pelo povo amotinado, na invasão de propriedades.
No entendimento popular, a intenção do censo e do registro civil era “escravizar os recém-nascidos”, “lançar no livro do vigário como escravo”, taxando o procedimento como “papel da escravidão”. Desconfiança generalizada com relação ao poder central.
No entanto, o problema de se definir mais precisamente o alcance regional da revolta está no seu caráter disperso. Mas, em termos de Nordeste, ele pode ter alcançado cidades em Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Ceará.
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.
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