Publicado no jornal A UNIÃO edição de hoje
SE EU FOSSE PAPAI NOEL
Se eu fosse Papai Noel não ficaria esperando cartinhas pedindo presentes. Até porque eu teria consciência do que cada um precisava. Então iria procurar atender a necessidade de todo mundo. Seria o bom velhinho que chega no momento preciso, na hora da carência, no instante da aflição, da agonia. Sendo pai, me sentiria na obrigação de satisfazer as demandas dos filhos.
O mundo contemporâneo não quer mais que Papai Noel chegue com um saco cheio de presentes.Quer que ele apareça trazendo confiança em dias melhores, fortalecendo o ânimo para enfrentar as dificuldades, alimentando esperanças.
Se eu fosse Papai Noel acabaria com as guerras, combateria a miséria, alimentaria a fé, estimularia o espírito de fraternidade. Vestindo a roupa vermelha (sem qualquer conotação ideológica ou política), eu convenceria as pessoas a deixarem o egoísmo de lado e passarem a pensar de forma mais efetiva no estabelecimento de uma boa convivência com o próximo.
Se eu fosse Papai Noel não perderia tempo em visitar só as casas dos ricos na distribuição de presentes. Me sentiria mais a vontade nos lares da pobreza. Mas me faria presente na Noite de Natal, também nos ambientes em que a festa se colocasse como um evento de opulência. Eu seria mais um na confraternização. Sem assumir o papel de presenteador, mas de promotor da concórdia, da alegria de acreditar no amanhã. Seria o condutor de um caminho de paz, desfazendo as diferenças, propondo a igualdade entre os seres humanos.
Não fugiria das casas ricas. Ali eu me estabeleceria como o elemento que chamaria a atenção dos seus moradores para a situação de privilégio em que vivem, em detrimento de tantos outros que sofrem a desconsideração social, a marginalização política, o desprezo dos que estão no poder. Procuraria despertar o sentimento de igualdade, de equiparação nos deveres e direitos de todos, sem distinção. Eu colocaria no coração dos egoístas a semente da concórdia, renegando a exploração, a opressão, a tirania. Eu faria desaparecer o ódio, a inveja, a ambição desmedida dos seres humanos.
Ah, se eu fosse Papai Noel, pelo menos por um dia. Procuraria mudar o mundo. Faria do Natal realmente uma comemoração do nascimento do filho de Deus, não um festejo profano onde prevalece a hipocrisia e a falsidade. As luzes da Noite de Natal iluminariam, antes de qualquer coisa, a consciência em cada um de nós, no sentido de que a vida tem o significado igual para todos. Queria ser um Papai Noel que não distinguisse pobres e ricos, bem nascidos ou predestinados a viver na marginalidade, felizes ou infelizes, burgueses ou favelados. Queria ser um Papai Noel de um novo tempo, produzindo paz, alegria e felicidade, de uma forma geral.
Se eu fosse Papai Noel, minha maior missão seria acabar com as guerras. Com meu trenó mágico, sobrevoaria cada canto do mundo, espalhando compreensão e união. Presentearia líderes com sabedoria para dialogar, coragem para buscar a paz e empatia para entender o sofrimento alheio. Nas casas de cada pessoa, deixaria sementes de amor e esperança, lembrando que a verdadeira magia do Natal está no respeito mútuo e na solidariedade. Porque, no fundo, o maior presente que podemos oferecer ao mundo é a paz.
www.reporteriedoferreira.com.br Rui Leitão- Advogado, poeta, escritor



