UMA RUA CHAMADA TEREZA Por Gilvan de  Brito

UMA RUA CHAMADA TEREZA Por Gilvan de  Brito
Quem vai a Petrópolis tem, obrigatoriamente, de conhecer a rua Tereza, o maior centro de confecções do Brasil, tudo a preços convidativos; ninguém sai sem comprar alguma coisa. Mas, por que rua Tereza? Sem sobrenome? Ou seria uma homenagem a Tereza Cristina Maria de Bourbon, a imperatriz, nascida na Áustria e filha de um rei, esposa do imperador Pedro II, o filho de Pedro I? A história do casamento de Pedro II é curiosa: precisando casar-se ele deu preferência a uma mulher nascida em berço monárquico, uma princesa, e mandou para a Áustria um emissário para conseguir uma esposa para ele. Mandou-lhe uma foto de uma bela mulher e ele aceitou. A escolha foi feita, o casamento por procuração foi realizado e seis meses após a nubente veio para o Brasil afim de encontrar-se com o Imperador.
Ao vê-la Pedro II desesperou-se com a surpresa: a imperatriz era feia, gorda, baixa e manca, contrariando o que lhe disse o emissário. Mas não tinha mais jeito, uniram-se e deram sequência à vida imperial: Nasceram dois filhos e duas filhas, mas os dois homens e uma das filhas faleceram. Restou a princesa Isabel que ficou como regente. Na assinatura da Lei Áurea, que acabou com a escravidão, Pedro II deixou que a Princesa homologasse o ato.
A vida do casal, porém não foi fácil, porque Pedro II conquistou várias amantes, como Luíza, a Condessa de Barrral, inteligente, culta, elegante e sofisticada; também era amante das artes, da ciência e denotava interesse pela arqueologia. Deposto em 1889, a família viajou para Portugal depois de toda a família ser banida do Brasil e naquele mesmo ano morreria Tereza Cristina, aos 66 anos, dizendo: “não morro de doença, morro de desgosto, não posso mais ver minha filha, os meus netos e o meu povo brasileiro, que eu amo tanto”.
Restou a rua Tereza, em Petrópolis. Uma rua comprida, cheia de ladeiras, onde as pessoas vão caminhando, subindo e descendo, lembrando o andar da imperatriz. Acho que foi o próprio povo que, naturalmente, determinou esse nome para homenagear aquela que gostava tanto do povo brasileiro, e mais particularmente, dos petropolitanos, onde a família imperial passava os períodos de inverno. Neste Sete de Setembro, nada melhor do que lembrar a história dos nosos governantes
www.reporteriedoferreira.com.br  Por Gilvan de  Brito- Jornalista, advogado, poeta e escritor
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