REFLEXÃO NATURAL
FRANCISCO NÓBREGA DOS SANTOS
No enorme giro dos ponteiros invisíveis do cronômetro da vida nos aproximamos ao final de mais um período de governo, em que o povo, mais uma vez, escolheu seus representantes, nas duas câmaras (Sistema Bicameral), onde foram depositados os sonhos e a esperança de dias melhores, notadamente no serviço público, de modo particular os servidores estaduais e municipais.
Nada ou quase nada mudou. Algumas coisas ganharam, numa natural metamorfose, dimensões ou formatos diferentes. Para muitos, sorrisos a menos e rugas a mais. E na retrospectiva mental de cada cidadão, eleitor, jovem, idoso, homem, mulher ou “indefinidos”, pouco existe a enumerar, pois nos arquivos desses anos, apenas se encontram registrados fracassos e desilusões dos tempos vividos e sofridos na ansiedade do amanhã (que virá ou não!)
Nos lares pobres persiste a angústia do desmoronamento vivido ou iminente sem excluir muitos que ingressaram por concursos no serviço público Outros por caminhos inusitados.
E, de um modo geral, alheios a essa dura realidade, muitos contribuem para explosão demográfica, trazendo ao mundo da existência centenas ou milhares de “cristos” e que não atingirão “A VIA CRUCIS “ em razão da morte prematura ocasionada pela hipovitaminose, em face da carência de alimento, em decorrência da má distribuição de renda, desvios de recursos e outras falcatruas dos que manuseiam o nosso dinheiro, desviado para outros países, enquanto o contribuinte paga caro para viver num pobre País rico.
Por outro lado, indiferentes ao drama crucial da periferia e do grande aglomerado urbano, os gabinetes permanecem cheios de homens vazios, bastante preocupados com o amanhã dos caminhos políticos, com adoção de medidas paliativas e eleitoreiras, iludindo a fome daqueles que representam meros trampolins da subida ao poder.
E assim se eterniza o ciclo vicioso, com a venda de votos por elevado custo e a compra do eleitor com as migalhas que sobraram dessa grande farra.
E nesse ciclo (ou circo) passam-se dias, anos, meses e séculos, na transição de governo a governo. E a vida continua e segue alimentando a escalada do poder, num processo rotineiro ampliando os caminhos da fome e da miséria, numa arrancada em busca de novas conquistas e novíssima fonte de remuneração.
E essa massa, perdida na promessa, porém renascida na ingênua esperança, joga a cada pleito, a cartada “decisiva”, como uma forma de acreditar no que já não se crer.
Por fim, numa eleição custeada com o dinheiro que lhe fora negado, o povo cria e alimenta seuspretensos representantes e se mantém naufragado na própria ignorância, sem atentar para o fato de que está se tornando cada vez mais pobre e premiando alguém com um mandato e que irá desfrutar das benesses e mordomias do poder.
No final de mandato e de cada gestão (ou ingestão), para os infelizes, incultos e ingênuos, resta o consolo demagógico na tradicional frase proferida pelos (in) dignos: – “Saio com a consciência tranqüila de um mandato cumprido…” Ou comprado?
www.reporteriedoferreira.com.br Por FRANCISCO NÓBREGA DOS SANTOS



