O segundo turno é outra eleição; Rui Leitao
Há um velho ditado popular que diz: “Não há mal que não traga um bem”. O resultado do primeiro turno da eleição presidencial produziu exatamente esse efeito: obrigou a campanha de Lula a rever sua estratégia e, ao mesmo tempo, permitiu que o eleitor conhecesse melhor o que poderá estar por trás da candidatura que terminou à frente nas urnas. A diferença foi pequena. Apenas 1,8 ponto percentual separou os dois candidatos. Longe de representar uma vitória definitiva, o resultado abriu uma nova disputa. O segundo turno é outra eleição.
Lula percebeu que não basta repetir a estratégia utilizada no primeiro turno. É preciso ocupar as redes sociais, dialogar diretamente com o eleitor, comparar trajetórias políticas e biografias e,…
[15:25, 08/10/2026] Rui Leitão Jornalista : A juventude acordou
Não é de agora que existe o interesse em enfraquecer e acabar com as universidades federais. O pai do atual candidato da extrema direita já dizia que essas instituições eram centros de convivência de “comunistas e maconheiros” e laboratórios de formação de profissionais que, segundo ele, nada acrescentariam ao Brasil. Não se trata, portanto, de uma posição ocasional ou de uma frase isolada. Existe uma visão de mundo por trás desse discurso.
Esse pessoal tem aversão à ciência, à cultura, às artes, à história e, sobretudo, ao pensamento crítico. Uma sociedade que pensa, questiona e conhece a própria história é muito mais difícil de manipular. Por isso, uma juventude politicamente alienada interessa àqueles que pretendem governar sem contestação. Quanto menos conhecimento, menos consciência. Quanto menos consciência, mais fácil a manipulação das mentes.
O atual candidato não faz segredo de seus propósitos nessa mesma linha de pensamento. Felizmente, porém, alguma coisa começou a mudar. A juventude despertou para o risco que estamos correndo e decidiu ocupar as ruas em defesa da escola pública, da democracia e da soberania nacional.
A história brasileira já nos ensinou a força extraordinária da juventude quando ela resolve se manifestar. Foi assim em diferentes momentos de nossa vida política. Quando os estudantes entram em cena, não levam apenas bandeiras às ruas: levam coragem, esperança e a capacidade de mobilizar uma sociedade inteira.
É isso que estamos assistindo em todo o Brasil. E esse movimento me faz acreditar que a ameaça começou, enfim, a ser percebida. O povo brasileiro começa a despertar para uma realidade assustadora. Há uma reação. E ela chega em boa hora. Ainda podemos virar o jogo.
Precisamos afastar a possibilidade de um novo retrocesso e impedir que o Brasil volte a experimentar o trauma da ditadura militar. Não podemos esquecer o que significou viver sob um regime que perseguiu, censurou, prendeu, torturou e matou brasileiros simplesmente porque ousaram pensar diferente.
Esta é, sem dúvida, uma das eleições mais importantes de nossa história. Os golpistas não desistiram. Continuam tentando enfraquecer as instituições, atacando a democracia e alimentando a ideia de uma ruptura democrática. E já conseguiram avançar perigosamente.
Por isso, não podemos perder tempo. É preciso aproveitar esse despertar cívico dos estudantes e transformá-lo em uma grande mobilização democrática da sociedade brasileira. Que a energia das ruas se transforme em consciência; que a indignação se transforme em resistência; e que a resistência se transforme em vitória da democracia.
O futuro do Brasil está em nossas mãos. Não permitamos que interesses estrangeiros determinem o caminho que nossa nação deve seguir. O Brasil pertence aos brasileiros, e cabe a nós decidir o país que queremos construir.
Unamo-nos ao entusiasmo e à coragem da juventude. Defendamos a universidade pública, a ciência, a cultura, a democracia e a soberania nacional.
Porque a história nos ensinou uma verdade que continua atual e necessária:
o povo unido jamais será vencido.
Portanto, a alternativa única é votar 13 no dia 25 de outubro.
www.reporteriedoferreira.com.br/Rui Leitão, advogado, jornalista, poeta, escritor



