PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Um cassino que nunca foi dedicado a jogo Sérgio Botelho*
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Um cassino que nunca foi dedicado a jogowww.reporteriedoferreira.com.br/Sérgio Botelho- Jornalista, poeta, escritor
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Um cassino que nunca foi dedicado a jogowww.reporteriedoferreira.com.br/Sérgio Botelho- Jornalista, poeta, escritor

Uma mulher foi baleada durante um ataque a tiros dentro de um bar na madrugada deste domingo, na Avenida Hilton Souto Maior, no bairro do José Américo, em João Pessoa.
De acordo com a Polícia Civil, cerca de 300 pessoas estavam no estabelecimento no momento do crime. Um homem teria chegado ao local em um carro, armado, entrado no bar e efetuado disparos contra as pessoas que estavam no ambiente.
Durante a ação, uma mulher foi atingida na cabeça. Ela foi socorrida para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. O estado de saúde não havia sido divulgado até a última atualização, conforme apurou o Notícia Paraíba.
Um homem foi preso suspeito de envolvimento no crime.
A Polícia Civil investiga a motivação do ataque.
Infância submetida ao funil social; Rui Leitao
Durante cerca de quarenta anos, o sistema educacional brasileiro submeteu crianças a um ritual de seleção precoce: o exame de admissão ao ginásio, exigido após a conclusão do curso primário. Até 1971, meninos e meninas entre 10 e 12 anos eram lançados a uma lógica de competição e exclusão que revelava, desde cedo, o caráter profundamente desigual da escola brasileira.
Era uma espécie de vestibular infantil — um ENEM antecipado, quando o Estado ainda se recusava a assumir a educação como direito universal. As vagas no curso ginasial eram poucas, e, em vez de expandir a oferta, optava-se por filtrar, selecionar, excluir. O exame de admissão funcionava como uma barreira social: quem vinha das camadas populares, sem acesso a boas escolas primárias, ficava pelo caminho. A escola, assim, deixava de ser instrumento de emancipação para se transformar em mecanismo de reprodução das hierarquias sociais.
Prosseguir nos estudos não era um direito; era um privilégio conquistado a duras penas. A meritocracia precoce escondia a desigualdade de condições e naturalizava o fracasso escolar como incapacidade individual, quando, na verdade, se tratava de uma política deliberada de restrição do acesso ao saber.
Tendo saído do Seminário, onde cursei os últimos anos do primário, transpus com relativa facilidade essa etapa da minha vida estudantil. Os seminários católicos, por razões próprias, investiam na formação intelectual rigorosa, o que contrastava com a precariedade da escola pública oferecida pelo Estado. Ainda no primário, estudávamos latim, o que facilitava o domínio da língua portuguesa. O Seminário foi, portanto, uma base decisiva para que eu pudesse enfrentar um sistema educacional concebido para poucos.
Ao perceber que não possuía vocação sacerdotal, dispus-me a prestar o exame de admissão no Colégio Pio XII, também pertencente à Arquidiocese da Paraíba, instalado ao lado da Igreja de São Francisco. O Seminário funcionava nos fundos da igreja, numa geografia simbólica em que a Igreja supria, em parte, as omissões históricas do poder público no campo educacional.
O exame consistia em provas escritas de Português, Matemática, História, Geografia e Ciências. O nervosismo era coletivo: entre os candidatos e entre as famílias, que depositavam naquele teste a esperança de romper o ciclo de exclusão. A educação era tratada como uma porta estreita, não como política pública universal.
Somente no início da década de 1970 o governo decidiu extinguir o exame de admissão ao ginásio. A medida, ainda que tardia, reconhecia implicitamente que submeter crianças a um funil seletivo era uma violência pedagógica e social. A educação não deveria ser uma corrida de obstáculos, mas um direito garantido pelo Estado.
Relembrar o exame de admissão é, portanto, recordar uma pedagogia da exclusão. É também lembrar que a democratização do ensino no Brasil sempre foi resultado de lutas, não de concessões espontâneas. A escola pública, gratuita e universal é uma conquista política, e toda tentativa de restringi-la, seletivizá-la ou mercantilizá-la precisa ser denunciada como aquilo que é: um projeto de negação do futuro para as maiorias populares.
www.reporteriedoferreira.com.br/Rui Leitao-Advogado, jornalista, poeta, escritor

www.reporteriedoferreira.com.br/ Gilvan de Brito- advogado, jornalista, poeta, escritor


Um confronto entre suspeitos e policiais militares terminou com dois mortos e um adolescente ferido na madrugada deste sábado (21), na comunidade do Buracão, localizada no bairro de Tambiá, em João Pessoa.
Segundo informações da PM, a operação teve início ainda na noite da sexta-feira (20), com ações voltadas ao combate ao tráfico de drogas na área. Já durante a madrugada, quando as equipes retornaram à comunidade, teriam sido recebidas a tiros.
“Foi dada voz de parada para os três, os três realizaram disparos contra a equipe. A equipe se abrigou e devolveu os disparos numa maneira progressiva. Os três vieram a ser alvejados”, disse em entrevista à imprensa.
Devido à geografia da comunidade do Buracão, que possui áreas de declive acentuado e mata fechada, dois dos suspeitos tentaram fugir pelo matagal, mas acabaram caindo em um local de difícil acesso.
O Corpo de Bombeiros e o SAMU foram acionados para realizar o resgate das vítimas. Os três envolvidos foram encaminhados ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa.
No entanto, dois deles não resistiram aos ferimentos e chegaram à unidade hospitalar sem vida. O terceiro envolvido, um adolescente de 17 anos, segue sob custódia policial na instituição de saúde.
Na ação, a Polícia Militar apreendeu o seguinte material:
Em entrevista à TV Cabo Branco, a esposa de um dos homens que morreu no confronto contestou a versão policial. Segundo ela, o marido trabalhava como motorista de aplicativo e estava no local apenas para completar sua meta financeira da noite. “Ele era pai de família, estava no lugar errado na hora errada”, afirmou emocionada.