CASTRO ALVES, CERTAMENTE, ESCREVERIA UM NOVO POEMA Por Rui Leitao

CASTRO ALVES, CERTAMENTE, ESCREVERIA UM NOVO POEMA Por Rui Leitao

““Senhor Deus dos desgraçados!/Dizei-me vós, Senhor Deus!/Se é loucura… se é verdade/Tanto horror perante os céus…”. Este é um dos versos de Castro Alves no seu célebre poema “Navio Negreiro”, publicado em 1869, portanto há mais de 150 anos, em que o poeta baiano faz uma denúncia da forma desumana como os escravos africanos eram transportados para nosso país. Essas pessoas viajavam acorrentadas e vítimas de açoites, num tratamento desumano, entre elas mulheres e crianças de colo, numa prática de violência abominável.

As condições degradantes dessas longas viagens, lembradas sempre que lemos essa obra dramática, que tem como subtítulo “a tragédia do mar”, nos convoca a fazer uma reflexão sobre a opressão e o desrespeito à dignidade humana que continuam sendo executadas pelos que se acham poderosos. Lamentavelmente, é um passado que não morreu. Impossível não fazer uma analogia com o tratamento conferido aos imigrantes deportados pelo governo Trump. Castro Alves, se ainda estivesse entre nós, apenas mudaria o subtítulo para “tragédia no ar”.

As condições precárias com que 88 dos nossos compatriotas foram colocados num avião, expulsos do território americano, ainda que não possam ser comparadas com o sofrimento imposto aos negros que chegaram aqui na condição de escravizados, expõe uma semelhante natureza cruel de infligir dores fisicas, psicológicas e morais a pessoas indefesas. No sábado passado, assistimos pela mídia as imagens terríveis e degradantes de brasileiros sendo submetidos a humilhações pela decisão de um líder político enlouquecido que procura mostrar-se “dono do mundo”. Algemados pelos pés e pelas mãos, esses brasileiros que foram para os EUA atraídos pelo “sonho americano”, viajaram por dezenas de horas até chegar a Manaus, sem direito a alimentação, uso de sanitários e banho. O objetivo claro era o de criar terror e medo aos países latinos, com a adoção da política migratória do novo governo dos Estados Unidos, na promessa de promover uma deportação em massa dos 11 milhões de imigrantes que ainda estão por lá, considerados “indocumentados”.

Durante o trajeto dos EUA ao Brasil, o avião apresentou problemas técnicos que obrigaram a tripulação fazer um pouso na capital amazonense, sem abandonar a intenção de prosseguir a viagem ao seu destino final, Minas Gerais, nas mesmas condições do início. O ambiente dentro da aeronave era tenso, preocupante e insuportável, principalmente, porque o ar condicionado deixou de funcionar, forçando a abertura das saídas de emergência, dando oportunidade a que pudessem solicitar socorro.

Ao tomar conhecimento do que estava acontecendo, o governo brasileiro decidiu proteger os seus cidadãos, numa afirmação de que não abriria mão do compromisso de defender a soberania nacional. O presidente Lula determinou a retirada das algemas e correntes de todos os que estavam no avião, acolhendo-os no aeroporto, oferecendo alimentação, assistência de saúde e de higiene, considerando inadmissível a continuidade daquela violação aos direitos fundamentais, o que contrariava, inclusive, os termos de acordo com os Estados Unidos, que prevê o tratamento digno, respeitoso e humano dos repatriados. Foram conduzidos à capital mineira em vôo da Força Aérea Brasileira.

Isso faz com que voltemos a citar um dos versos do poema de Castro Alves, quando diz: “Existe um povo que a bandeira empresta/
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…/E deixa-a transformar-se nessa festa/
Em manto impuro de bacante fria!…/Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,/Que impudente na gávea tripudia?/Silêncio. Musa… chora, e chora tanto/Que o pavilhão se lave no teu pranto! ..”. Só que, desta vez, a nossa bandeira não serviu para cobrir “tanta infâmia e cobardia”. O Brasil não silenciou diante de tamanha agressão aos valores democráticos e à soberania nacional. A chegada desses imigrantes foi bem diferente da indecente e vergonhosa recepção aos escravos africanos no período colonial.

www.reporteriedoferreira.com.br / Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor




Cícero Lucena recebe comitiva do Conagreste para compartilhar experiências tecnológicas




Greve dos motoristas de ônibus de JP entra no segundo sem acordo

Foto: Divulgação/Secom-JP

A greve dos motoristas de ônibus de João Pessoa, que pedem reajustes salariais, entrou no segundo dia nesta terça-feira (28). A Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP) monitora e fiscaliza o cumprimento da determinação judicial que estabeleceu uma frota mínima de 60% em circulação.

Durante o primeiro dia de paralisação, a cidade registrou paradas de ônibus lotadas e uma operação reduzida, acarretando à população longas esperas e dificuldades para se deslocar. Segundo a Semob-JP, somente 25,49% dos ônibus realizaram viagens, considerando o horário entre 7h45 e 12h no primeiro dia de paralisação dos motoristas.

Para tentar corrigir a situação, a Semob-JP adesivou os veículos para identificar os ônibus em circulação e garantir que a frota mínima determinada pelo TRT-PB seja cumprida.

Nova audiência

A desembargadora-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba (TRT-PB), Herminegilda Leite Machado, convocou uma nova audiência de instrução para amanhã (29), às 14h, para tentar chegar a um acordo entre as partes. Na audiência de conciliação realizada na manhã dessa segunda (27), não houve acordo, e o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Passageiros e Cargas da Paraíba (Simtro/PB) decidiu manter a greve por tempo indeterminado.

Faixas exclusivas

As faixas exclusivas de ônibus estão liberadas enquanto durar o movimento grevista, podendo ser utilizadas por qualquer outro veículo comum, como carros e motocicletas. A medida foi anunciada pela Semob-JP desde que a paralisação foi iniciada. Alguns corredores com faixas exclusivas na cidade são:

  • Avenida Josefa Taveira
  • Avenida Epitácio Pessoa
  • Avenida Vasco da Gama
  • Avenida Getúlio Vargas
  • Avenida Pedro II
  • Avenida Padre Meira
  • Rua Guedes Pereira



Trump diz que Brasil “quer o mal” dos EUA com suas tarifas

China e Índia também foram inseridos na lista de países que, segundo o presidente dos EUA, querem o mal dos Estados Unidos

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Donald Trump
Henrique Neri

Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mencionar o Brasil nesta segunda-feira (27) ao criticar países que, segundo ele, “taxam demais”. Durante um discurso para correligionários na Flórida, o republicano também incluiu o Brasil em um grupo de nações que “ querem mal ” aos EUA.

“Coloque tarifas em países e pessoas estrangeiras que realmente nos querem mal”, disse Trump. “A China é um grande criador de tarifas. Índia, Brasil, tantos, tantos países. Então, não vamos deixar isso acontecer mais, porque vamos colocar a América em primeiro lugar, sempre colocar a América em primeiro lugar”, afirmou.

Trump fez a declaração enquanto defendia a imposição de tarifas sobre produtos estrangeiros como forma de estimular a produção interna nos Estados Unidos.

O republicano já havia citado o Brasil em novembro, após ser eleito, ao afirmar que o país impõe tarifas alfandegárias excessivas sobre produtos americanos. Na ocasião, ele prometeu aplicar um tratamento semelhante às exportações estrangeiras.

“Nós vamos tratar as pessoas de forma muito justa, mas a palavra ‘recíproco’ é importante. A Índia cobra muito, o Brasil cobra muito. Se eles querem nos cobrar, tudo bem, mas vamos cobrar a mesma coisa”, disse Trump à época durante entrevista coletiva realizada em Mar-A-Lago, em Palm Beach, na Flórida.

Nesta segunda-feira (27), Trump afirmou que “tarifa” está entre suas quatro palavras favoritas no momento. Antes de mencionar o Brasil, ele comentou o desentendimento com a Colômbia ocorrido no domingo (26), quando o governo colombiano inicialmente se recusou a receber voos com imigrantes deportados.

Em resposta, Trump ameaçou impor uma tarifa alfandegária de 25% sobre os produtos colombianos. Após a ameaça, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, recuou e aceitou receber os aviões, levando Trump a desistir da sanção.

“Vamos proteger nosso povo e nossos negócios e vamos proteger nosso país com tarifas. Você teve uma pequena indicação disso ontem com o que aconteceu com um país muito forte. A Colômbia é tradicionalmente um país muito forte. Se eles não fabricarem seus produtos na América, então, muito simplesmente, eles devem pagar uma tarifa que trará trilhões de dólares para o nosso tesouro de países que nunca nos pagaram 10 centavos”, afirmou Trump nesta segunda.

Desde a campanha eleitoral que o levou à presidência em novembro, Trump tem reforçado sua promessa de aumentar tarifas sobre produtos chineses e criar novas barreiras comerciais contra outros países.




Embate entre oposição e Lula: veja como fica o Pé-de-Meia

Presidente está sendo acusado de “pedalada fiscal” pela oposição

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Lula
Redação GPS

Lula

O pedido de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já conta com 106 assinaturas, conforme anunciado nesta segunda-feira (27) pelo deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS), autor do requerimento. A justificativa jurídica para o pedido é um suposto crime de responsabilidade fiscal, o mesmo argumento utilizado no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016. Parlamentares alegam que Lula teria cometido uma ” pedalada fiscal ” ao utilizar recursos não previstos no Orçamento da União para financiar o programa Pé-de-Meia.

A similaridade entre os casos reside no fato de que, em ambos, o governo teria realizado gastos fora do Orçamento, sem autorização do Congresso, comprometendo a transparência e o controle fiscal.

No último dia 22, o Tribunal de Contas da União (TCU) manteve, por unanimidade, uma decisão cautelar do ministro Augusto Nardes, suspendendo a liberação de R$ 6 bilhões do Pé-de-Meia. Essa medida, no entanto, ainda não representa um julgamento definitivo sobre o mérito da questão.

Durante o processo de impeachment de Dilma, ficou comprovado que o governo atrasou pagamentos de empréstimos obtidos de bancos públicos para cobrir despesas correntes, mascarando a real situação das contas públicas. Segundo o relatório final do impeachment, essa prática levou a um déficit de R$ 40,2 bilhões em 2014, ano de sua reeleição, crescendo para R$ 58,7 bilhões em 2015.

Agora, com o pedido protocolado, a decisão sobre seu andamento cabe ao presidente da Câmara dos Deputados. Para que avance, precisa ser aceito e obter o apoio de pelo menos 171 parlamentares – equivalente a um terço da Casa.

Além da solicitação de impeachment, o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO) pretende apresentar, no dia 3 de fevereiro, um pedido para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O objetivo da comissão seria investigar se a origem dos recursos destinados ao Pé-de-Meia está de acordo com as regras orçamentárias da União.

Para que a CPI seja instaurada, é necessário o apoio de 171 deputados. Até o momento, o requerimento conta com apenas 46 assinaturas. Caso o número mínimo seja atingido, a comissão poderá convocar autoridades para prestar esclarecimentos sobre o caso.

Pé-de-Meia ameaçado?

Em janeiro, tem a programação do pagamento da quarta parcela do incentivo pela frequência escolar para estudantes da EJA (Educação de Jovens e Adultos) inscritos no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal).

Esses pagamentos começaram em outubro de 2024 e são destinados a jovens de baixa renda, com o objetivo de estimular a permanência na escola.

O cronograma de pagamento de janeiro está previsto para ocorrer entre os dias 27 de janeiro e 3 de fevereiro de 2025, com repasses organizados conforme o mês de nascimento dos beneficiários.

No mês seguinte, entre os dias 20 e 27 de fevereiro, será disponibilizado um valor adicional de R$ 200 para jovens do Pé-de-Meia que participaram do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2024. Além disso, uma parcela única de R$ 1.000 será paga a quem concluiu o terceiro ano do ensino médio no ano passado.

O governo federal pediu a suspensão imediata da decisão do TCU ou, caso isso não seja possível, que os efeitos sejam aplicados somente em 2026, com um prazo de 120 dias para apresentar um plano de adequação sem a paralisação do programa.




Efeito Trump: o que muda a brasileiros que querem morar nos EUA

Veja o que dizem uma especialista em vistos e um dentista que quer se mudar para lá

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A imigração para os Estados Unidos continua sendo uma realidade para muitos brasileiros
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A imigração para os Estados Unidos continua sendo uma realidade para muitos brasileiros

A imigração para os Estados Unidos sempre foi – e ainda é – uma realidade para muitos brasileiros. Nos últimos dias, porém, surgiram dúvida e preocupação: mas, e agora, com as  mudanças sobre estrangeiros implementadas pelo presidente Donald Trump? Será que as regras mais rígidas do novo governo podem afetar quem pretende morar legalmente no país?

Para entender melhor o impacto dessas mudanças, o Portal iG – Último Segundo conversou com Sabrina Andrade,e specialista em solicitações de visto americano, e com Leonardo Medeiros, dentista brasileiro que está se preparando para estudar e trabalhar nos EUA.

Sabrina Andrade, proprietária da Agência Férias na Flórida, tem experiência em processos de visto há mais de uma década, e acompanha de perto as modificações nas leis e práticas dos Estados Unidos em relação aos vistos.

Ela afirmou ao iG que, até o momento, não houve mudanças significativas para brasileiros que solicitam vistos de turismo ou de estudante.

“Em questão do visto de turismo e visto de estudante, não vai alterar em nada no primeiro momento. Futuramente, realmente a gente não sabe, mas em primeiro momento, não”, diz Sabrina.

A especialista acredita que as políticas de imigração não sofrerão alterações drásticas porque a administração de Trump não implementou grandes mudanças nas regras de visto em 2017, quando tomou posse para o primeiro mandato. “Foram pequenas mudanças, foi questão mais de idade, de número de solicitante, enfim, foi uma questão mínima”, afirma.

A mudança recente mais substancial foi no governo Biden, no valor das taxas de visto. “Antigamente eram 160 dólares, passou para 185 dólares”, explica, ressaltando que qualquer nova alteração no valor do visto precisaria passar por uma aprovação no Congresso e levaria tempo.

Número de solicitantes

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, durante um comício na Capital One Arena em Washington, 19 de janeiro de 2025
JIM WATSON

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, durante um comício na Capital One Arena em Washington, 19 de janeiro de 2025

Sobre o número de solicitantes, Sabrina também acredita que a demanda por vistos não será afetada pelas políticas do governo Trump. “O que altera muito o número de solicitantes é o valor do dólar. O dólar subiu na época, mas isso foi mais uma questão política aqui do Brasil. As pessoas querem conhecer os Estados Unidos, as pessoas querem estudar lá, e isso não vai ser alterado”, diz.

Vistos de imigrante

Entre 11 e 15 milhões de imigrantes vivem nos Estados Unidos sem a documentação necessária, de acordo com estimativas
Christian MONTERROSA

Entre 11 e 15 milhões de imigrantes vivem nos Estados Unidos sem a documentação necessária, de acordo com estimativas

No entanto, Sabrina observa que as maiores mudanças ocorreram em relação aos vistos de imigrante. O governo Biden, por exemplo, liberou o chamado “cai-cai”, uma permissão para que imigrantes ilegais que atravessam a fronteira dos EUA possam responder ao processo de regularização dentro do país.

“Isso o Trump já barrou. Se você for pego na fronteira, você não vai ter o famoso cai-cai. Você vai ter que retornar ao seu país para poder ver se vai poder entrar nos Estados Unidos ou não”, explica.

Brasileiro vai se mudar para os EUA

Trump e Biden cumprimentam-se na cerimônia de posse
CHIP SOMODEVILLA

Trump e Biden cumprimentam-se na cerimônia de posse

Leonardo Medeiros planeja se mudar para os Estados Unidos em abril para iniciar o doutorado na Flórida. Ele compartilhou as expectativas sobre o processo de imigração.

A jornada vai ser em companhia da noiva, Eduarda Garcia, que fará uma especialização no país.

Em conversa com o iG, ele se mostrou tranquilo em relação ao processo atual para quem quer morar nos EUA, destacando que, ao viajar com a comprovação de que os dois vão estudar, não há riscos de problemas com a imigração.

“Estamos tranquilos em relação a isso, porque vamos aos EUA com a comprovação de que iremos estudar. Há até falas do Trump que facilitará a ida de profissionais qualificados para lá. Não há risco de voltarmos por irregularidade”, diz.

Leonardo também mencionou que a família de sua noiva está toda regular, e que a mãe dela é cidadã americana, o que facilita a situação.

Na entrevista ao iG, o dentista ressaltou que, embora o processo de obtenção do visto possa ficar mais burocrático, ele não acredita que isso seja uma consequência direta das políticas de Trump.




Cid disse que Michelle e Eduardo Bolsonaro compunham ala mais radical da trama golpista

Por Ranier Bragon ICL

FOLHAPRESS) – Chefe da Ajudância de Ordens de Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid afirmou no primeiro depoimento de sua colaboração premiada que a ala “mais radical” do grupo que defendia um golpe de Estado no Brasil no final de 2022 incluía a então primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

A íntegra do depoimento de Cid, datada de 28 de agosto de 2023, foi obtida pelo colunista Elio Gaspari. Em novembro daquele ano, o UOL revelou que a delação de Cid apontava Michelle e Eduardo como incitadores do golpe.

“Tais pessoas conversavam constantemente com o ex-presidente, instigando-o para dar um golpe de Estado, afirmavam que o ex-presidente tinha o apoio do povo e dos CACs [Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores] para dar o golpe”, diz a transcrição do depoimento de Cid, que agora vem a público.

O relatório final da investigação da Polícia Federal sobre a trama golpista, concluído em 21 de novembro de 2024 — ou seja, um ano e três meses após o depoimento inicial de Cid –, não traz Michelle nem Eduardo entre os 40 indiciados.

O nome da ex-primeira-dama nem é mencionado no documento. Eduardo é citado apenas de forma lateral, no contexto de que seu nome aparecia como contato no telefone celular de um dos investigados. À época em que vazaram esses pontos da delação de Cid, Eduardo e Michelle negaram ao UOL envolvimento em ações pró-golpe.

As afirmações são “absurdas e sem qualquer amparo na verdade”, disse a defesa de Michelle à época, acrescentando que Bolsonaro ou seus familiares “jamais estiveram conectados a movimentos que projetassem a ruptura institucional do país”. Eduardo disse que a delação de Cid não passava de “devaneio” e “fantasia”.

O relatório da PF está sob análise da Procuradoria-Geral da República, a quem cabe oferecer denúncia ao STF contra os 40 suspeitos ou arquivar os indiciamentos.

Michelle e Eduardo são atualmente cotados para disputar a Presidência em 2026, no lugar de Jair Bolsonaro, que está inelegível até 2030.

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro,  tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid (Foto Lula Marques/ Agência Brasil)

Cid: ala mais radical era a favor de ‘braço armado’

No depoimento dado em agosto de 2023, Cid disse que havia três grupos distintos em torno de Bolsonaro no final de 2022, momento em que o país vivia com acampamentos de bolsonaristas em frente a quartéis do Exército pedindo um golpe de Estado.

De acordo com o tenente-coronel, o primeiro trabalhava para convencê-lo a admitir a derrota e se tornar “o grande líder da oposição”. Entre eles estariam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o comandante da Aeronáutica, Baptista Júnior, entre outros.

O segundo grupo, segundo Cid, não concordava com os rumos que o país estava tomando, mas também se colocava contra medidas de ruptura. Fariam parte dele, entre outros, o comandante do Exército, Freire Gomes.

Já o terceiro grupo, favorável a medidas golpistas, era formado por duas alas nas palavras de Cid. Uma “menos radical”, que buscava encontrar indícios de fraudes nas urnas para justificar uma virada de mesa.

Outra, mais radical, “a favor de um braço armado”. Esse grupo mais belicoso defendia assinatura de decretos de exceção, de acordo com ele.

No depoimento, Cid diz que essas pessoas “gostariam de alguma forma incentivar um golpe de Estado”, queriam que Bolsonaro assinasse um decreto de exceção e “acreditavam que quando o presidente desse a ordem ele teria apoio do povo e dos CACs”.

“Quanto a parte mais radical”, prossegue o relato do depoimento de Cid feito pela PF, “não era um grupo organizado, eram pessoas que se encontravam com presidente, esporadicamente, com a intenção de exigir uma atuação mais contundente do então presidente”.

O então presidente Jair Bolsonaro com o assessor Felipe Martins, implicado na trama golpista que está preso (Foto: Reprodução redes)

Nessa ala, Cid cita nominalmente Felipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, que ocupou quatro ministérios na gestão Bolsonaro, Gilson Machado, ex-ministro do Turismo, o general Mario Fernandes, secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, e os senadores Jorge Seif (PL-SC) e Magno Malta (PL-ES), além de Eduardo e Michelle.

Desse grupo, apenas Felipe Martins e Mario Fernandes acabaram sendo indiciados pela PF no relatório final da trama golpista.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, é citado por Cid nessa ocasião como integrante da ala “menos radical” que buscava o golpe, a que buscaria indicativos de fraude eleitoral que justificassem a virada de mesa. Valdemar está entre os indiciados pela PF.

De acordo com a investigação, ele é suspeito de ter ingressado com questionamento do resultado eleitoral em que Bolsonaro foi derrotado por Lula mesmo ciente de que eram falsos os argumentos que usava para sugerir fraude nas urnas eletrônicas.




Bombeiros são chamados para debelar chamas em apartamento no edifício no Brisamar

De acordo com os bombeiros, o incêndio ficou restrito a cozinha do apartamento.

Incêndio em apartamento assusta moradores de edifício no Brisamar

Um incêndio em um apartamento assustou moradores de edifício no bairro de Brisamar, em João Pessoa. Caso aconteceu na noite do sábado (25), no 14º andar e não deixou feridos.

O Corpo de Bombeiros foi acionado para controlar o incêndio e os moradores precisaram deixar o prédio por motivos de segurança.

De acordo com os bombeiros, o incêndio ficou restrito a cozinha do apartamento. Três moradores, sendo um ex-bombeiro, conseguiram acessar os hidrantes do prédio e evitar que o fogo se espalhasse.

A equipe terminou de apagar as chamas ao chegar no apartamento.

Segundo informações os morados foram liberados aos poucos para voltar aos apartamentos.

As causas do incêndio ainda são desconhecidas e uma perícia será realizada para identificar o que provocou o início das chamas

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Ocorrências Policiais das últimas 24 horas ; Grande João Pessoa

Frentista é morto em posto de combustível no bairro do Portal do Sol, em João Pessoa

Um frentista foi morto a tiros, na tarde deste sábado (28), em um posto de combustíveis localizado no bairro Portal do Sol, Zona Sul de João Pessoa.

De acordo com a Polícia Militar, três homens estavam observando a movimentação do posto, utilizando capacete e óculos escuros, quando um deles foi abastecer, retornou e efetuou os disparos.

A vítima atendia outra moto, quando o suspeito desceu do veículo com a arma no punho e surpreendideu o frentista com vários disparos. O homem que morreu foi identificado como Dayan Alves da Silva, de 28 anos de idade, morador do bairro de Paratibe.

Caminhoneiro é morto a tiros na zona rural de Pedras de Fogo

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Imagem Ilustrativa. Foto: Divulgação/Polícia Civil

Um caminhoneiro foi morto a tiros na zona rural de Pedras de Fogo, no final da tarde da sexta-feira (24). O crime aconteceu na ladeira da usina e o caminhão estava carregado com cana de açúcar.

Segundo informações da Polícia Civil, o caminhoneiro era trabalhador e pai de família. O local é conhecido por ter muitos assaltos, por não ter residência e ser cercado por canas de açúcar.

Equipes do Instituto de Polícia Científica também foram acionados ao local.

Homem é morto a tiros em bar em Conceição e suspeito é preso ao tentar fugir da cidad

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Imagem ilustrativa. (foto: arquivo/ClickPB)

Um homem foi morto a tiros em bar no município de Conceição, no Sertão da Paraíba. Crime aconteceu na noite da sexta-feira (24), no bairro São Geraldo, no estabelecimento conhecido como ‘Bar do Negão’.

O homem estava no bar ingerindo bebidas alcoólicas e conversando com amigos quando um individuo chegou e atirou contra a vítima.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e o homem foi encaminhado para o Hospital de Conceição. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu.

A Polícia Militar foi acionada e o suspeito pela morte do homem foi preso ao tentar fugir da cidade.

Ainda não se sabe o que teria motivado o crime. A Polícia Civil seguirá investigando o caso.

Motorista passa mal e colide carro com mureta no Centro de João Pessoa

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Foto: Reprodução

Um motorista passou mal e colidiu com o carro com mureta de proteção no Centro de João Pessoa. Caso aconteceu no final da manhã deste sábado (25), próximo ao Ponto de Cem Réis.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado ao local e realizou os primeiros atendimentos.

De acordo com o Samu, o motorista era diabético e pode ter tido hipoglicemia. O airbag foi acionado e ele teve apenas um corte no rosto.

O motorista foi levado consciente e orientado para um hospital particular de João Pessoa.

Segundo informações, ele teria colidido com outro carro antes de bater na mureta.

Não há informações de outros feridos

www.reporteriedoferreira.com.br/ Clickpb




Deportações de brasileiros: quais os limites legais?

A ação dos Estados Unidos contra imigrantes levanta questionamentos sobre o respeito aos direitos humanos

Por Ig

Avião usado pela força aérea dos EUA para deportação de imigrantes ilegais
Reprodução/U.S. Air Force

Avião usado pela força aérea dos EUA para deportação de imigrantes ilegais

A deportação de brasileiros por autoridades dos Estados Unidos levanta questionamentos sobre os limites legais e o respeito aos direitos humanos. Esse tema é regulado por legislações nacionais, tratados internacionais e princípios fundamentais estabelecidos pela Constituição Federal.

Neste fim de semana, um caso envolvendo deportações promovidas por autoridades dos Estados Unidos trouxe à tona as normas que regem tais situações.

Na manhã deste sábado (25), o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou nota oficial relatando uma tentativa de autoridades americanas de manter brasileiros deportados algemados durante um voo com destino ao Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte.

O voo precisou realizar um pouso de emergência na noite anterior, em Manaus, devido a problemas técnicos.

De acordo com a nota, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, orientou a Polícia Federal a recepcionar os brasileiros no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, determinando a imediata retirada das algemas.

O episódio gerou reação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, ao ser informado, ordenou que uma aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira) fosse mobilizada para transportar os brasileiros até o destino final.

O governo pontuou que a medida foi tomada para garantir que os cidadãos completassem a viagem com dignidade e segurança. Segundo a FAB, um avião KC-30 foi destacado para o traslado e decolou da Base Aérea de Brasília por volta das 13h, com pouso em Manaus previsto para as 14h30.

O Ministério da Justiça enfatizou que a dignidade da pessoa humana é um princípio basilar da Constituição Federal e um dos pilares do Estado Democrático de Direito.

No documento, o ministro Lewandowski classificou a manutenção dos brasileiros algemados como “um flagrante desrespeito aos direitos fundamentais”.

Tratados internacionais e legislação

A legislação brasileira e tratados internacionais estabelecem diretrizes claras sobre como deportações devem ser realizadas. A Constituição Federal, no artigo 5º, proíbe tratamentos desumanos ou degradantes e assegura a dignidade como um direito inviolável.

Além disso, a Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017) regulamenta a entrada e saída de estrangeiros e protege os direitos dos brasileiros no exterior, exigindo que a integridade física e moral seja preservada em qualquer procedimento de deportação.

Em âmbito internacional, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção Americana de Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário, reforçam a proibição de tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

A Convenção de Viena sobre Relações Consulares também assegura o direito de cidadãos detidos ou deportados ao contato com autoridades consulares do seu país de origem.