A FUGA COMO COVARDIA POLÍTICA; Rui Leitão

A FUGA COMO COVARDIA POLÍTICA

Rui Leitão

O momento político nacional tem nos levado a refletir sobre o comportamento da fuga. A primeira impressão é de que o fugitivo, ou a fugitiva, busca evitar ou escapar de um perigo iminente, ainda que isso possa ter um impacto negativo. Em qualquer situação, trata-se sempre de uma maneira de se esquivar de uma ameaça percebida, configurando-se como uma estratégia de defesa.

Quando a fuga ocorre por medo, apresenta-se como um ato de covardia. É a decisão de abandonar o enfrentamento dos obstáculos que estão por vir. Evidencia-se, assim, a falta de coragem, no reconhecimento de que os problemas são maiores do que a possibilidade de enfrentá-los. Portanto, é importante observar o motivo da fuga e as circunstâncias em que ela ocorre.

A fuga, ao revelar um estado emocional provocado pela consciência do perigo, gerando grande inquietação em relação a algo desagradável, aponta para a característica da covardia. Denota a incapacidade de superar algo moralmente árduo. A psiquiatria relaciona as características da pessoa covarde a duas formas de agir: tendência a evitar confrontos ou situações desafiadoras e uso de desculpas para não assumir responsabilidades.

Temos visto políticos fugirem do país ao se verem confrontados com a legalidade democrática, amparados numa narrativa de “perseguição política”, embora as evidências que os envolvem sejam robustas e fartamente documentadas, denunciando-os como “golpistas”. Procuram palco no exterior para colocar em prática uma campanha que objetiva constranger a justiça brasileira em fóruns internacionais. É um modus operandi que deseja demonstrar coragem para atacar a democracia e covardia para encarar a justiça.

A democracia brasileira tem respondido com firmeza àqueles que insistem em tentar destruí-la. E isso amedronta os covardes que decidem abandonar o país e, lá fora, mobilizar redes estrangeiras para deslegitimar a soberania nacional, tentando transformar a covardia em ato heróico perante seus eleitores.

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