MAIS UM LANÇAMENTO/ MEU NOME É LIVARDO; Gilvan de Brito


O ADEUS DO MUNDO A FRANCISCO – O PAPA DOS POBRES Por Rui Leitao
O dia de hoje amanheceu mais triste para o mundo inteiro, com a notícia da morte do Papa Francisco. Seu pontificado foi marcado por posições que o colocavam como um pontífice reformista, pioneiro, inovador. Sua postura progressista encontrou oposição das alas ultraconservadoras da Igreja, chegando, inclusive, a ser chamado de comunista pela extrema-direita.
Foi o primeiro papa latino-americano, nascido na Argentina. No conclave em que foi eleito, só teve seu nome aclamado após a quinta votação. Foi, também, o primeiro jesuíta a ser nomeado papa, bem como o primeiro a suceder um pontífice ainda vivo. Portanto, chegou ao Vaticano, em março de 2013, dando demonstrações de que seria um papa diferente.
Quando decidiu ser chamado por Francisco, tendo como referência São Francisco de Assis, mandou a mensagem de sua opção pelos pobres, sendo esse o caminho que desejava trilhar durante seu pontificado. Abdicou da moradia no Palácio Apostólico, passando a residir em um quarto de hotel da Casa Santa Marta, no Vaticano. Queria uma Igreja próxima do povo. Foi radical na defesa da justiça social, defendendo a criação de políticas de redução da desigualdade social.
Na sua visão de mundo, surpreendeu pelas posições assumidas, tais como: a preocupação com os impactos ambientais causados pela humanidade; a flexibilização das políticas imigratórias, de forma a garantir aos refugiados o acolhimento amistoso; o celibato entre os sacerdotes da Igreja Católica; enfrentou, corajosamente, temas polêmicos como o divórcio, a homossexualidade e o uso de métodos anticoncepcionais; defendeu punições maiores contra a pedofilia e criticou o isolamento do Vaticano.
O frade dominicano brasileiro Frei Betto assim o definia: “O Papa Francisco incentivou os sínodos, as assembleias de bispos, para democratizar a estrutura autoritária da Igreja. Foi um contraste em relação aos 35 anos anteriores, nos pontificados conservadores de João Paulo II e Bento XVI. Com Bergoglio, não havia tabu.”
Não foi a Igreja Católica que perdeu seu Sumo Pontífice. Foi o mundo que perdeu um líder diferenciado, promotor da paz mundial e defensor intransigente da dignidade humana, buscando sempre uma sociedade mais fraterna e mais justa, como pregava Jesus Cristo. Não sabemos, ainda, quem o substituirá, mas, com certeza, ele vai fazer muita falta. Deus já deve tê-lo acolhido em Seus braços.
www.reporteriedoferreira.com.br /Rui Leitão, advogado, jornalista, poeta, escritor

(Foto: Redes sociais)
Um homicídio foi registrado no final da tarde de domingo (20) no município de Pedras de Fogo, no Litoral Sul da Paraíba. A vítima, um jovem que seria ex-presidente, foi vítima de tiros em via pública.
O crime ocorreu nas proximidades do cruzamento entre as ruas Antônio de Carvalho e 1º de Janeiro, onde o corpo do jovem caiu após ser atingido pelos tiros. Equipes da Polícia Militar foram acionadas e isolaram a área até a chegada da perícia criminal, que realizaram os primeiros levantamentos no local, incluindo a coleta de vestígios e informações que possam auxiliar nas investigações.
Segundo relatos preliminares, a vítima teria deixado o sistema prisional há cerca de 15 dias. A polícia trabalha com a hipótese de que o passado criminoso do jovem possa estar relacionado com o assassinato, mas a autoria e a motivação ainda são desconhecidas.
A vítima, que era usuária de drogas, e que já havia sido presa por conduzir motocicleta roubada e agressão à própria mãe, residia no bairro Novo Itambé.
O corpo da vítima foi encaminhado ao Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), no bairro do Cristo, em João Pessoa. A polícia investiga o caso para descobrir a motivação e autoria do homicídio.
A venda de ingressos para o público geral no aguardado duelo entre Botafogo-PB e Flamengo, pela terceira fase da Copa do Brasil, começa nesta segunda-feira (21).
Até o último domingo, os sócios-torcedores do Belo tiveram exclusividade para garantir presença no confronto, por meio de um sistema de check-in liberado no programa de fidelidade do clube paraibano. Agora, com a abertura ao público, os ingressos podem ser adquiridos presencialmente no CT da Maravilha do Contorno, nas lojas oficiais do clube no Mag Shopping e no Delta Center, nos Bancários, ou de forma online através do site Futebol Card.
A partida será disputada no dia 1º de maio, às 20h, no Estádio Almeidão, em João Pessoa. O jogo de volta acontece no dia 21 de maio, às 19h, no Maracanã, no Rio de Janeiro. A direção do Botafogo-PB definiu novos valores para os ingressos, que vão de R$ 150 (meia na arquibancada sol) até R$ 500 (inteira nas cadeiras), representando um aumento significativo em relação aos jogos anteriores. A arquibancada destinada à torcida do Flamengo, no setor Sol, terá ingressos a R$ 400 (inteira) e R$ 200 (meia).
A elevação dos preços gerou repercussão negativa nas redes sociais e motivou uma notificação do Procon-JP, que pediu esclarecimentos ao clube sobre os critérios utilizados para definir os valores. A notificação foi emitida na quinta-feira (17), e o Botafogo-PB tem até terça-feira (22) para responder, já que sexta (18) e segunda (21) são feriados. O órgão de defesa do consumidor deve analisar a justificativa enviada e avaliar se houve abuso na política de preços adotada.
Os valores divulgados para o jogo Botafogo-PB x Flamengo são os seguintes:
arquibancada Sombra: R$ 300 (inteira) e R$ 150 (meia-entrada)
Cadeiras: R$ 500 (inteira) e R$ 250 (meia-entrada)
Arquibancada Sol – torcida do Flamengo: R$ 400 (inteira) e R$ 200 (meia-entrada)
A expectativa é de casa cheia no Almeidão para o confronto que promete ser um dos maiores eventos esportivos do ano na capital paraibana.

A Basílica de Santa Maria Maggiore, onde o Papa Francisco decidiu ser enterrado, é uma imponente igreja do século V localizada no centro de Roma, onde sete pontífices já foram sepultados.
O papa argentino, que morreu nesta segunda-feira (21) aos 88 anos de idade, declarou no final de 2023 que queria ser enterrado neste local, e não na cripta da Basílica de São Pedro, como acontece há mais de três séculos.
“Logo após a escultura da Rainha da Paz (Virgem Maria), há um pequeno recinto, uma porta que leva a uma sala que usavam para guardar os candelabros. Eu vi e pensei: ‘É esse o lugar’. E o local do sepultamento já está preparado lá. Eles me confirmaram que está pronto”, disse ele ao vaticanista espanhol Javier Martinez-Brocal em seu livro ‘El Sucesor’.
Jorge Bergoglio, muito ligado ao culto da Virgem Maria, costumava rezar neste templo, que oficialmente faz parte do território do Vaticano, na véspera ou no retorno de cada uma de suas viagens ao exterior.
O interior mantém uma estrutura semelhante à original: a nave central é cercada por 40 colunas jônicas e mosaicos excepcionais.
Segundo a tradição, a Virgem Maria fez uma aparição a um rico patrício romano, Giovanni, e ao papa Libério (352-366), e pediu que uma igreja fosse construída em sua homenagem, marcando o local escolhido com uma queda de neve em 5 de agosto.
De acordo com o Vaticano, não há restos desta primeira igreja, financiada por Giovanni.
O templo atual, uma das quatro basílicas papais de Roma, foi construído por volta de 432, a pedido do Papa Sisto III, no Monte Esquilino. Ele abriga algumas das relíquias mais conhecidas do catolicismo, como um ícone atribuído a São Lucas que retrata a Virgem Maria com o menino Jesus em seus braços.
Estudos recentes permitiram datá-los cientificamente do período de nascimento de Jesus, de acordo com o site da basílica. Eles são mantidos em um relicário de cristal de rocha no formato de um berço.
A morte do papa Francisco coloca a Igreja Católica em um período conhecido como “Sé vacante”. Durante esta fase, o Vaticano dá início aos preparativos para o funeral do pontífice e para a escolha de um novo líder.
Francisco tinha 88 anos e ficou 12 anos à frente da Igreja Católica.
Com a morte do papa, agora a Igreja passa a ter uma espécie de governo temporário.Parte dos religiosos que compõem a cúpula do governo do Vaticano perde suas as funções, e decisões urgentes ficam a cargo de um Colégio dos Cardeais.
Durante a Sé vacante, que é o período em que os católicos ficam sem um papa, o camerlengo conduz os trabalhos da Igreja e prepara a transição de governo. Ele também ajuda a organizar o Conclave, que elegerá um novo líder. Atualmente, o cargo é ocupado pelo cardeal irlandês Kevin Joseph Farrell.
Antes disso, no entanto, a Igreja seguirá uma série de ritos, com destaque para as cerimônias fúnebres de Francisco.
Nesta reportagem você vai ver:
Após a morte do papa, o funeral é feito seguindo a “Ordem das Exéquias do Sumo Pontífice”, que é um livro litúrgico que determina como serão as cerimônias fúnebres do pontífice. As normas foram aprovadas por Francisco em abril de 2024 e publicadas em novembro do mesmo ano.
O primeiro rito é a confirmação da morte, realizada pelo camerlengo — o cardeal responsável por administrar a Igreja durante o período de Sé Vacante. Ele chamará o papa pelo nome três vezes. Se não houver resposta, o óbito será oficialmente declarado.
Antigamente, esse rito era feito com o uso de um martelo de prata, com o qual o camerlengo batia suavemente na testa do pontífice. A prática, porém, caiu em desuso.
Depois da confirmação do óbito, o camerlengo retira o “Anel do Pescador” da mão do papa, que é destruído com um martelo. O procedimento simboliza o fim do papado. O quarto do papa também é fechado e selado.
O corpo do pontífice é colocado em um caixão de madeira e levado para a Basílica de São Pedro, onde será velado. Antes, havia uma passagem pelo Palácio Apostólico, mas essa etapa foi eliminada pelas novas regras.
Na Basílica, o corpo do papa será exposto diretamente no caixão, e não mais de um alto esquife — que é uma espécie de estrado elevado.
Francisco também determinou que o próprio caixão fosse mais simples. Antigamente, o papa era colocado em três caixões, feitos de cipreste, chumbo e carvalho. Agora, a urna terá apenas uma estrutura de madeira revestida por zinco.
Pelas regras da Igreja, o enterro do papa deve ocorrer entre quatro e seis dias após a morte. Ao contrário de outros pontífices, Francisco pediu para ser sepultado na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, em vez da Basílica de São Pedro.
Missas serão celebradas por nove dias consecutivos, seguindo a tradição dos “novendiales”, que é um período de luto e oração pela alma do papa.
A escolha do novo líder da Igreja Católica começa entre 15 e 20 dias após a morte do papa. Durante esse período, o Vaticano convoca o chamado Colégio dos Cardeais, com religiosos do mundo inteiro. Atualmente, 252 cardeais integram esse grupo, incluindo oito brasileiros.
E, desse grupo, 138 cardeais com menos de 80 anos estão aptos a participar da eleição do novo papa, sendo sete brasileiros.
Antes do início da votação para eleger um novo papa, chamada de Conclave, o Colégio dos Cardeais participa de reuniões chamadas “Congregações Gerais”. Nesses encontros, os religiosos votam para decidir questões governamentais da Igreja.
As congregações ocorrem diariamente e começam antes mesmo do fim dos“novendiales”, período de nove dias de missas em memória do papa falecido.
Uma das primeiras decisões tomadas nesses encontros é o estabelecimento do dia, da hora e do modo como o corpo do papa será levado para a Basílica de São Pedro para ser exposto aos fiéis.
Os cardeais também organizam os detalhes do Conclave e auxiliam na preparação dos ambientes de votação e dos aposentos para acomodar os religiosos, além de definir a data para o início da eleição.
Após a morte do papa, o governo fica confiado ao camerlengo, que é responsável pela administração dos bens e do Tesouro do Vaticano. Atualmente, o cargo é ocupado pelo cardeal irlandês Kevin Joseph Farrell.
Entre as funções do camerlengo está a organização da transição durante a Sé Vacante, o período em que a Igreja Católica fica sem um pontífice. Ele também é responsável por atestar a morte do papa e assumirá temporariamente o Palácio Apostólico, residência oficial do papa.
Enquanto o camerlengo mantém a autoridade administrativa, cabe ao Colégio dos Cardeais discutir assuntos comuns ou inadiáveis da Igreja.
O Colégio dos Cardeais fica impedido de fazer mudanças profundas na estrutura da Igreja Católica, como a alteração ou correção de leis determinadas pelos papas.
Além disso, quando o papa morre, quase todos os religiosos que ocupam cargos na cúpula do Vaticano deixam suas funções, como o Cardeal Secretário de Estado e os responsáveis pelos departamentos do governo, chamados de Dicastérios da Cúria Romana.
Continuam no cargo, além do camerlengo:
A palavra “conclave” vem do latim cum clavis e significa “fechado à chave”. É por meio dele que a Igreja Católica elege o novo papa.
Durante os dias de eleição, cardeais do mundo todo ficam fechados dentro do Vaticano, em uma área conhecida como “zona de Conclave”. Eles também fazem um juramento de segredo absoluto sobre o processo.
Atualmente, 138 cardeais com menos de 80 anos estão aptos a participar da eleição, sendo sete brasileiros. Veja a seguir:
Todos os cardeais que participam da eleição ficam impedidos de utilizar qualquer meio de comunicação com o exterior. Ou seja, eles não podem usar telefones, ler jornais ou conversar com pessoas de fora do Vaticano. Essas medidas foram adotadas para evitar que a votação seja influenciada.
As votações acontecem dentro da famosa Capela Sistina. Para ser eleito, um cardeal precisa receber dois terços dos votos que — são secretos e queimados após a contagem.
Ao todo, até quatro votações podem ser realizadas diariamente, sendo duas pela manhã e duas à tarde. Se, depois do terceiro dia de conclave, a Igreja continuar sem papa, uma pausa de 24 horas é feita para orações. Outra pausa pode ser convocada após mais sete votações sem um eleito.
Caso haja 34 votações sem consenso, os dois mais votados da última rodada disputarão uma espécie de “segundo turno”. Ainda assim, será necessário atingir dois terços dos votos para que um deles seja eleito.
Quando um cardeal é eleito, a Igreja questiona se ele aceita o cargo de papa. Se ele concordar, o religioso também precisa escolher um nome. Em seguida, ele é levado para um ambiente conhecido como “Sala das Lágrimas”, onde veste as vestes papais.
Por fim, o novo papa é anunciado à multidão que aguarda na Praça de São Pedro. O pontífice é apresentado diretamente da sacada da Basílica, onde é proclamada a famosa frase “Habemus Papam” (“Temos um Papa”).
Uma maneira tradicional de anunciar a escolha de um novo papa é por meio da fumaça que sai da chaminé da Capela Sistina. Se for branca, significa que a Igreja tem um novo pontífice. Por outro lado, se for escura, uma nova votação será realizada.
A fumaça é resultado da queima dos votos dos cardeais reunidos no Conclave. Para garantir a cor correta, substâncias químicas são adicionadas à combustão.
Em 2013, o Vaticano esclareceu que a fumaça escura era produzida por uma mistura de clorato de potássio, antraceno e enxofre, enquanto a branca é resultado da queima de clorato de potássio, lactose e colofônio.
A chaminé responsável pela liberação da fumaça funciona por meio de um sistema eletrônico, e os compostos químicos ficam armazenados em cartuchos específicos.
Além da fumaça branca, a eleição do novo papa é confirmada pelo toque dos sinos da Basílica de São Pedro.
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A Região Metropolitana de João Pessoa viveu uma noite violenta nesta quarta-feira (18), registrando quatro homicídios em menos de 12 horas. Os crimes aconteceram nas cidades de Santa Rita, João Pessoa e Alhandra.
Na capital paraibana foram registrados dois casos. No bairro do Bessa, na comunidade Castelinho, um homem foi surpreendido por criminosos e morto com cerca de 20 tiros de arma de fogo. De acordo com informações da polícia, a vítima estaria em um ponto de venda de drogas quando os atiradores chegaram.
O outro crime ocorreu no bairro do Geisel, quando um homem morreu após ser agredido. O Samu chegou a ser acionado, mas a vítima não resistiu aos ferimentos. Ainda não há informações sobre a autoria nem a motivação do crime.
Em Santa Rita, um corpo em estado de decomposição foi encontrado com mãos amarradas e cerca dez marcas de tiros. A vítima foi localizada em uma área de difícil acesso e a Polícia Civil investiga o caso.
Já em Alhandra, um homem identificado como José Alexandre Filho foi encontrado morto em uma rua com pouco movimento. Segundo a Polícia Militar, ele usava tornozeleira eletrônica, o que pode indicar histórico criminal.
Nenhum suspeito de envolvimento nos casos foi preso. A Polícia Civil investiga os crimes.

Opções mais buscadas são cioba, meca, pescada amarela, atum branco, serra, cavala e dourado | Foto: Roberto Guedes – Foto:
Com a aproximação da Semana Santa, a procura por pescados já começa a aumentar em João Pessoa. De acordo com o comerciante que identificou como Zezinho, da JL Peixaria, localizada no Seixas, a procura já é cerca de 30% maior do que no ano passado.
Ele destacou, no entanto, que muita gente deixa para comprar na última hora e o movimento maior deve ser nos próximos dias. Segundo Zezinho, os peixes mais procurados nesta época do ano são cioba, meca, pescada amarela, atum branco, serra, cavala e dourado.
O comerciante Josildo Cavalcante, conhecido como Zildo, da Peixaria do Zildo, também no Seixas, aposta no crescimento da procura a desde ontem. Ele disse que esse período é sempre bom para as vendas. “Todo ano é bom. Meus clientes são muito fiéis”, comentou.
Herbert Uchôa, mais conhecido como Netinho, da Peixaria Uchôa, localizada no Mercado do Peixe de Tambaú, disse que a maior parte das compras está ocorrendo por entrega em domicílio. “Balcão ainda está mais ou menos no movimento”, avaliou. Ele disse, entretanto, que espera um grande aumento na procura a partir de agora, tanto que já abriu no último domingo (13).
O comerciante pediu, ainda, que os clientes que quiserem receber seus pescados em casa deve adiantar seus pedidos, já que, se o movimento presencial aumentar, tanto quando ele espera, as entregas ficarão prejudicadas. “Na Semana Santa mesmo não tem condições de muitas entregas, porque a pessoa liga, a gente está com a mão melada de peixe, a gente está atendendo outro cliente no balcão”, explicou.
Em entrevista concedida à rádio Tabajara, e concedida no Jornal Estadual, o presidente da Associação dos Pescadores e Comerciantes de Pescados e Derivados da Paraíba, Augustinho Alexandre, disse que não houve aumento de preço nos produtos. “Nossas expectativas são sempre as melhores. Estamos nos preparando para, na Semana Santa, prestigiar ao menos os nossos clientes que estão conosco o ano inteiro”, disse ele.
Nos supermercados, a expectativa também é boa, embora a procura por peixes ainda não tenha crescido muito, de acordo com o presidente da Associação de Supermercados da Paraíba (ASPB), Cícero Bernardo. “As pessoas, geralmente, comem mais peixe na quinta e na sexta mesmo. Então a procura maior só começa na quarta-feira. Mas a expectativa é a melhor possível”, afirmou ele, e também acrescentou que espera vendas melhores do que no ano passado, em relação aos itens de Páscoa.

Tilápia, corvina, meca, atum, camarão, marisco e diversas opções de frutos do mar podem ser encontrados na Semana do Pescado da Central de Comercialização da Agricultura Familiar (Cecaf). A feira é um diferencial no mercado, pois os preços são acessíveis, devido aos produtos virem direto do produtor, sem passar por terceiros.
O Festival do Peixe começa amanhã, das 5h às 14h e vai até o dia 18 de abril, na Avenida Hilton Souto Maior, no 1112, José Américo. O projeto faz parte do calendário anual da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), responsável pela administração do local.
Segundo o diretor da Cecaf, Roberto Filho, a tilápia é o peixe mais procurado e um dos mais consumidos neste período. No ano passado, o quilo da tilápia estava custando R$ 15 e neste ano encontra-se a partir de R$ 18. Nesta edição, o quilo da corvina sai por R$ 24,90; do bonito, R$ 19,90; do marisco, R$ 29,99 e do camarão a R$ 24,99. Roberto explica que esses preços podem baixar ainda mais na Semana do Pescado, quando chegam mais produtores.
O Festival do Pescado é um evento já consolidado no calendário de João Pessoa, com crescimento nas vendas a cada ano. Em 2023, foram comercializadas seis toneladas de peixe; em 2024, oito toneladas. Este ano, Roberto tem a expectativas de superar esses números e chegar a nove toneladas.
Além da venda de pescado, durante a comercialização haverá artesanato, gastronomia e um espaço solidário para quem puder doar alimentos e roupas, que serão destinados a instituições de caridade.
Para Roberto, a realização da Semana do Pescado, durante a Semana Santa, é importante porque movimenta a economia, valoriza os produtores e garante produtos frescos. “Com os preços acessíveis, as mercadorias saem direto do produtor para a mesa das famílias”.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 15 de abril de 2025.
O MASSACRE DE ELDORADO DO CARAJÁS Por Rui Leitao
O município de Eldorado do Carajás, no sul do Pará, foi palco de um genocídio que passou a ser conhecido como o Massacre de Eldorado do Carajás. No início da tarde do dia 17 de abril de 1996, cerca de 1,5 mil trabalhadores rurais estavam acampados no local, pretendendo marchar até a capital do estado, com o propósito de conseguir a desapropriação da fazenda Macaxeira, ocupada por 3,5 mil famílias sem-terra. Por volta das 17 horas, reagindo ao bloqueio da estrada PA-150, no km 95, que liga a Belém, dois pelotões das forças militares chegaram ao local e, sem que houvesse qualquer tentativa de negociação, empreenderam uma ação desastrosa, promovendo o ataque aos acampados, matando 19 trabalhadores e deixando 56 gravemente feridos.
Não se tratou de um caso isolado, mas foi o episódio mais cruel de tantos que aconteceram no meio rural, onde se repetiam conflitos entre agricultores e milícias privadas, formadas por jagunços e pistoleiros, patrocinadas por proprietários rurais com a colaboração de policiais militares. O massacre foi amplamente noticiado pelos meios de comunicação do país, com repercussão no cenário político nacional. Os principais jornais do Brasil destacaram a forma como os detentores dos poderes públicos procuraram enfrentar essa situação gravíssima. O jornal O Povo, de Fortaleza, no dia 21, trazia a seguinte manchete: “FHC pede cadeia para o responsável pela chacina e admite que estrutura agrária está ultrapassada”. Quatro dias depois, o Diário do Nordeste estampava em sua capa principal: “Senado cria comissão para apurar chacina do Pará”.
Foram indiciados sob acusação de homicídio, pelo Inquérito Policial Militar (IPM), 155 policiais que participaram da operação, sendo oito oficiais e 147 praças (sargentos, cabos e soldados), além de quatro civis. Há quem afirme que essa decisão foi tomada propositadamente, pois, assim, ficaria mais difícil punir um grupo, já que a conduta necessária seria individualizada. Além disso, não foi realizada a devida perícia nas armas e projéteis, de forma que pudesse determinar quais policiais cometeram os assassinatos e lesões, o que contribuiu para a permanência da impunidade.
O Governo Federal, uma semana após o massacre, criou o Ministério da Reforma Agrária, nomeando o então presidente do Ibama, Raul Jungmann, para o cargo de ministro. Ao avaliar o vídeo do confronto, José Gregori, chefe de gabinete do Ministro da Justiça, declarou, em relatório elaborado, que “o réu desse crime é a polícia, que teve um comandante que agiu de forma inconveniente, de uma maneira que jamais poderia ter agido”.
O advogado Walmir Brelaz, autor do livro Os Sobreviventes do Massacre de Eldorado do Carajás: um caso de violação do princípio da dignidade da pessoa humana, declara que “A impunidade em relação a esse caso, especificamente, torna-se evidente: ela impulsiona novas violências. Mataram 19 trabalhadores e apenas um policial foi condenado. Parece que as mortes não existiram. O conflito ainda existe, como naquele período. Há 29 anos, praticamente nada mudou”. É inaceitável, então, que um dos maiores crimes já cometidos no campo no Brasil permaneça na impunidade. Após o massacre, o dia 17 de abril passou a marcar também o Dia Internacional de Luta Camponesa e a Jornada de Lutas do MST pela Reforma Agrária Popular, conhecida como “Abril Vermelho”.
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