Zanin assume cadeira no STF na próxima quinta; veja o que esperar
Ex-advogado de Lula assume o posto de Ricardo Lewandowski
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iG Último Segundo
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redacao@odia.com.br (Agência Brasil)
Cristiano Zanin
O advogado Cristiano Zanin assume como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima quinta-feira (3), no lugar do ministro Ricardo Lewandowski.
A sessão está marcada para às 16h e deve durar cerca de 15 minutos. O ritual é ministrado pela presidente do Supremo, ministra Rosa Weber, que abre a solenidade. Em seguida, haverá execução do Hino Nacional brasileiro.
A solenidade prevê que o ministro mais antigo da Corte, Gilmar Mendes, e o mais novo, André Mendonça, devem conduzir o ministro ao plenário, onde acontece o juramento de cumprir a Constituição.
Em seguida, haverá leitura do Termo de Posse. Depois que a presidente do STF e Zanin assinarem o termo de posse é que ele será efetivamente declarado ministro por Rosa Weber.
Advogado formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Cristiano Zanin Martins ganhou notoriedade por ter participado da defesa do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a Operação Lava Jato .
Aos 47 anos, o piracicabano, hoje, atua em seu escritório, que defende grandes nomes do mercado como a Americanas, por exemplo.
Formado em 1999, Zanin é especialista em direito processual civil e chegou a lecionar na Faculdade Autônoma de Direito (FADISP), em São Paulo.
Advogado da família de Lula desde 2013, o paulista atuou durante as investigações da Lava Jato de forma conjunta com os advogados criminalistas José Roberto Batochio e Luiz Felipe Mallmann de Magalhães na defesa do petista.
Luiz Gonzaga: Fugiu de casa e virou rei
Nascido no sertão de Pernambuco, Luiz Gonzaga completaria 100 anos neste mês de dezembro. Cantou a pobreza e a riqueza de sua terra
Vitor Nuzzi, Revista do Brasil
“Esse negócio de matar gente no sertão já foi trabalho mais maneiro. Menos pra eu. Quis matá um home, me lasquei. Levei uma surra tão danada, uma surra caprichada por meu pai e minha mãe, que arribei de casa. Dezoito anos incompletos, 1930. Ingressei nas Forças. Revolução como diabo, tiro como diabo, nunca dei nenhum. Eu queria ser era artista…”
Gonzaguinha viveu longe do pai. Reconciliaram-se em 1980 e fizeram a turnê ‘Vida de Viajante’, 1980/81. (Foto: Arquivo)
Em poucas palavras, o próprio Luiz Gonzaga do Nascimento contou o início da trajetória que o coroaria Rei do Baião. Apaixonado por uma moça de sua cidade – Exu, no sertão pernambucano –, ele tomou umas doses, aditivou a valentia e ameaçou de morte o pai da donzela, que o chamou de “tocadorzinho”. No fim, não matou ninguém e apanhou dos próprios pais, seu Januário e dona Ana, conhecida como Santana. Filho bandido em casa? Nem pensar.
A surra doeu no corpo e na alma: o garoto vendeu a sanfona e se mandou, alistou-se no Exército e ganhou o mundo. Foi ser artista no Rio de Janeiro. Em 13 de dezembro, faria 100 anos. Morreu em 1989, aos 76.
Foi nomeado Luiz com z por ter nascido no Dia de Santa Luzia; Gonzaga por causa do sobrenome do santo Luís; e Nascimento por vir ao mundo no mesmo mês que Jesus. Era o segundo de nove filhos. O pai tinha a rotina dura da roça, mas também era famoso na região – o Sertão do Araripe, quase na divisa do Ceará – por tocar e consertar sanfonas. Dona Santana vendia cordas de sisal na feira e era voz marcante nas novenas. Depois da surra e da fuga, Gonzaga voltou para casa já famoso, em meados dos anos 1940, mas não escapou da bronca.
Luiz Lua Gonzaga
https://youtu.be/BjRDWv9O3b4
Conheça Exu, a cidade natal de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião
Escrito por Antônio Rodrigues, verso@verdesmares.com.br 00:00 / 31 de Julho de 2019. Atualizado às $editedDateHour / 02 de Agosto de 2019
Às vésperas de completar 30 anos da partida de Luiz Gonzaga, o jornalista Antônio Rodrigues revisita a terra natal do autor de Asa Branca, clássico feito em parceria com o cearense Humberto Teixeira
Foto: FOTO: ANTÔNIO RODRIGUES
Um trio com sanfona, triângulo e zabumba, em um posto de gasolina, nos “recepcionava” tocando “A Morte do Vaqueiro”. Assim foi minha chegada a Exu, por volta de 9 horas, no sábado passado (27/8). À medida que surgiam visitantes, de passagem para Serrita, onde acontece a tradicional Missa do Vaqueiro, os pares se formavam nas calçadas e ruas para dançar. Homem com mulher. Mulher com mulher. Homem com homem.
Essa animação é comum no Município, sobretudo, neste meio de ano e em dezembro, mês de aniversário do filho mais ilustre: Luiz Gonzaga do Nascimento (1912 -1989). Por causa do “Rei do Baião”, o forró pode ser visto em cada esquina exuense.
Do lado pernambucano da Chapada do Araripe, vizinho ao Crato, no Ceará, formou-se esse pequeno município de 31 mil habitantes. Com mais da metade da população morando na zona rural, a economia local se dá, principalmente, pela agricultura e pecuária. Contudo, a terra onde também nasceu Bárbara de Alencar, a heroína da Revolução Pernambucana, consegue viver na sombra do sanfoneiro. “Posto Gonzagão”, “Farmácia Aza Branca”, “Rua Assum Preto”. Por todos os lados, há referências ao homem que popularizou o xote e o baião. O único lugar em que encontro tantas citações a um só personagem é a minha terra, Juazeiro do Norte, e sua devoção quase “onipresente” ao Padre Cícero.
Quase sempre – eu segui este roteiro – a visita começa pelo Parque Aza Branca – propositalmente escrito com ‘Z’ de LuiZ e de GonZaga – , onde o “Rei do Baião” ergueu sua fazenda, às margens do Açude Itamaragi. Lá, ficam o Museu do Gonzagão, sua casa, a casa onde o pai dele, Januário, passou os últimos dias e o mausoléu no qual o artista está sepultado. Cerca de 20 mil pessoas visitam o local por ano.
Legenda: Joquinha Gonzaga, sobrinho de Luiz Gonzaga, com réplica ao fundo da casa de reboco que serviu de inspiração a uma de suas músicas Foto: FOTO: ANTÔNIO RODRIGUES
O Museu do Gonzagão, idealizado quando o “Rei do Baião” ainda era vivo, reúne objetos pessoais, certificados, títulos, medalhas, troféus e prêmios que recebeu ao longo da carreira. Além disso, possui sanfonas que o acompanharam em momentos marcantes, como a visita do Papa João Paulo II, em Fortaleza, em 1980, e o último instrumento que empunhou antes de morrer.
“Minha sanfona, minha voz, o meu baião, este meu chapéu de couro e também o meu gibão, vou juntar tudo, dar de presente ao museu”, e como prometeu na música “A Hora do Adeus”, tudo isso está lá. Por um pedido do filho Gonzaguinha é proibido fotografar o espaço.
A poucos passos dali, chegamos a sua casa, que ainda reúne outros objetos pessoais, como louças, porta-retratos, cama, guarda-roupas. Bem próximo, Gonzaga construiu uma pousada para receber amigos e artistas. Do outro lado, está a residência que ergueu para seu pai, Januário, quando deixou de morar no distrito de Araripe, para ficar na sede de Exu. Lá, também há peças como a cadeira de rodas que o mestre dos oito baixos usou antes de morrer. No mausoléu, está sepultado ao lado da esposa, Helena Cavalcante, do pai, Januário dos Santos, da mãe, Ana Batista de Jesus, dona Santana, e do irmão, o instrumentista Severino Januário. O espaço foi idealizado por Gonzaguinha (1945-1991).
https://youtu.be/cIX0Yx3xgyA
Mais à frente, uma réplica da “Casa de Reboco”, como cantou, chama atenção dos turistas e é alvo de fotografias. Se você tiver sorte, como aconteceu comigo, lá conversei com o cantor instrumentista Joquinha Gonzaga, sobrinho de Gonzagão e que, desde 1975 até os últimos dias de vida do “Rei do Baião”, o acompanhou tocando nos shows. “Eu ando muito na aba do meu tio assim como muitos andam. Ele é uma referência”, define. “Então vou por aí, por esse mundo, vou usando essa herança do meu tio e do vovô”, gravou para definir esse DNA da música na família.
“Todo artista que se lança, principalmente daqui do Nordeste, pensa em Luiz Gonzaga. É como se ele não tivesse morrido. Me orgulho muito, porque participei da história dele. Não imaginava que ele seria essa potência, essa ‘empresa’. Ele emprega muita gente, fazendo camisa, chapéu de couro, gibão, outros cantando, tocando sanfona. Até aqueles que imitam ele ganham dinheiro”, diz Joquinha, demonstrando como a economia de Exu, aos poucos, referencia-se no músico.
Em uma prosa que durou cerca de 40 minutos, Joquinha só é interrompido para tirar fotos com turistas, que percebem a semelhança do sobrinho, usando o tradicional chapéu de couro de vaqueiro, com o parente ilustre. “Tio Gonzaga quando tava aqui mandava fazer a comida. A primeira coisa, tinha que ser no fogão a lenha. Segundo, ele criava bode, carneiro, galinha de capoeira, porque gostava muito da comida típica, da terra dele. E isso ele valorizava também na região onde passava. Se tocava no Rio Grande do Sul, por exemplo, queria sempre comer churrasco”.
O Parque Aza Branca hoje é o principal ponto turístico de Exu. Localizado na BR-122, quem cruza Pernambuco com destino ao Ceará ou vice-versa, costuma parar por lá. Uma estátua de Gonzaga, junto à sanfona branca, atrai logo a atenção.
Nesse espaço, também que conversei com outros turistas e partilhei com um deles esse sentimento: “Sempre me encantei pela história de Luiz Gonzaga. Pude observar que Exu é uma cidade pequena, pacata, como outra qualquer, mas tem esse privilégio. Aqui nasceu um rei. O poder público precisa de mais investimento, até pelo legado que ele deixou”, acredita Lourenço Gouveia, vendedor autônomo, que viajou de Recife para conhecer a cidade.
Legenda: Acervo pessoal do Luiz Gonzaga Foto: FOTO: ANTÔNIO RODRIGUES
‘Meu Relicário’
Outra dica importante é ir até o distrito de Araripe, a cerca de 12 quilômetros da sede do Município. Foi lá onde nasceu Bárbara de Alencar, na Fazenda Caiçara, em 1760. A poucos metros dali, 152 anos depois, veio ao mundo Luiz Gonzaga do Nascimento, o único dos nove herdeiros que não carrega os sobrenomes dos pais, Januário dos Santos e Ana Batista de Jesus. “Luiz”, porque nasceu no mesmo dia que celebra Santa Luzia (13 de dezembro); “Gonzaga”, sugestão do vigário que o batizou, porque também homenageia São Luís de Gonzaga; e “Nascimento”, por ter nascido no mesmo mês que Jesus Cristo. Seu batismo ocorreu na Capela de São João Batista, que permanece viva na história do distrito de Araripe.
Um monumento marca a chegada do “Rei do Baião” ao mundo, vizinho ao histórico casarão do primeiro “Alencar”, que pisou o sertão pernambucano. É nesse chão de terra, onde morou até os 17 anos, antes de fugir para servir ao Exército em Fortaleza, que Gonzaga cresceu. Muitas de suas músicas, como “No meu pé de serra” (em parceria com o cearense Humberto Teixeira), que batizaria o gênero que o consagrou, são inspiradas no Araripe.
Depois de rodar o País, já fazendo sucesso, retornou, em 1946, e protagonizou a história da canção “Respeita Januário”. Ao bater à porta de casa, pedir um copo d’água a seu pai, ouvir o tibungado do caneco no fundo do pote e dizer: “Não tá me reconhecendo? É Gonzaga, seu filho”, logo ouviu: “Isso é hora de chegar em casa, moleque?”, retrucou seu pai. A mesma casa continua de pé, tombada pela Secretaria de Cultura de Pernambuco e fica aberta à visitação no mês de dezembro.
Legenda: Casa de Januário, onde Luiz Gonzaga cresceu Foto: FOTO: ANTÔNIO RODRIGUES
Perseverança
Mantido pela Organização Não Governamental Parque Aza Branca, o espaço onde fica o Museu de Luiz Gonzaga em Exu conta com 13 pessoas trabalhando, desde vigilantes, guias e atendentes. Uma das formas de mantê-lo são as vendas de produtos ligados ao artista, como camisas, chaveiros, chapéus de couro, e o ingresso no Museu. Com falta de apoio do poder público, a ONG busca ajuda de músicos para relembrar, neste dia 2 de agosto, os 30 anos de morte do “Rei do Baião”. Por causa da data, todas as pousadas estão reservadas. “O fã nunca falha. Sempre está aqui prestigiando. O público sempre se renova, sempre traz alguém”, conta o presidente da ONG, Júnior Parente. Em 13 de dezembro, data de aniversário de nascimento de Gonzagão, o movimento é tão grande que os moradores alugam suas casas para receber os turistas.
Na terra natal
A “Cavalgada da Saudade”, às 16 horas, e a “Missa da Saudade”, às 18 horas, são destaques na programação desta sexta-feira, 2 de agosto, em Exu, quando a cidade lembra os 30 anos da partida do filho mais famoso. As ações integram a terceira edição da Mostra Cultural Gonzaguiense, realizada até o próximo sábado. Na interessante programação, hoje tem exibição do filme “O menino que fez o museu”, de Sérgio Utsch, com a presença do protagonista, Pedro Lucas Feitosa (veja matéria na página 5). Mais informações na página da Mostra Cultural Gonzaguiense
Como chegar
O Aeroporto Regional do Cariri (Juazeiro do Norte) recebe voos de diversas capitais, como Fortaleza e Recife. Ele é o ponto de chegada por via aérea mais próximo a Exu, distante cerca de 80 km e aproximadamente 1h15 min. Sugiro alugar carro para fazer bate-volta. Um dia é suficiente para conhecer a cidade. De ônibus, o trecho Juazeiro- Crato- Exu é feito pela Viação Pernambucana
Nas proximidades
Aproveite a visita a Exu para explorar também o Cariri cearense, com sua exuberante Chapada do Araripe e sua cultura popular. Não deixe de conhecer as cidades de Crato, Juazeiro e Barbalha.
Confira mais informações de roteiro turístico
Onde se hospedar
Em Exu, há algumas pousadas, mas se sua intenção é fazer um bate-volta, sugiro optar pela rede hoteleira disponível no Cariri cearense.
Mais informações sobre onde ficar na região Sul do Ceará
Museu de Luiz Gonzaga
A entrada custa R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia). Endereço: Rodovia Asa Branca, Km 38, Rodovia BR- 122 | Gonzagão Exu – Pernambuco Fone: (87) 3879-1295 Horário de visitação: de terça-feira a domingo, de 8h às 17h.
Legenda: A equipe de reportagem: Antônio Rodrigues, Toni Sousa e Laerton Xenofonte, em frente à Capela de São João Batista
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Aos 82 anos morre Lilia das Mangueiras, ex-proprietária de lendário prostíbulo em Cajazeiras
Morreu na tarde desta terça-feira (20), em sua residência, no Bairro das Capoeiras, zona sul de Cajazeiras, a senhora Maria de Jesus, a Lilia das Mangueiras, alegados 82 anos. Natural de São José de Piranhas, Lilia manteve, por mais de quatro décadas, o lendário prostíbulo Boite das Mangueiras.
Grávida de três meses, Lilia chegou em Cajazeiras no final da década de 1950. Sem outras opções, triste e revoltada, resolveu se prostituir e ganhar fácil com a beleza. Frequentou alguns cabarés da cidade até decidir montar o seu próprio estabelecimento no contorno da BR-230.
Em 1998, a Câmara Municipal de Cajazeiras negou-lhe o título de Cidadã Cajazeirense, uma propositura do vereador Severino Dantas. A repercussão foi imensa, chegando a ser matéria do programa Fantástico, da TV Globo, quando recebeu o simbólico diploma de “A mulher que ensinou Cajazeiras a amar”.
Hostilizada por setores conservadores e preconceituosos da sociedade cajazeirense, Lilia era considerada uma mulher generosa, ajudando e acolhendo pessoas carentes sempre que lhe procuravam. Ela também foi proprietária do Dallas Motel, instalado em anexo à sua boate. Em 2019, foi homenageada pelo bloco carnavalesco Cafuçu de Cajazeiras.
Os detalhes do sepultamento ainda não foram divulgados por familiares.
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Raimundo Ferreira, o “Forasteiro” POR JOSÉ ANTÔNIO
Raimundo Ferreira, o “Forasteiro”
POR JOSÉ ANTÔNIO
Ofinal da década 50 e toda a de 60 foi muito promissora para a cidade de Cajazeiras, uma nova fase da modernidade começava a despontar, ainda com a força do algodão. Algumas conquistas no setor comercial se avolumavam e os serviços se ampliavam.
A sociedade civil e as lideranças se uniam em defesa do abastecimento d’água, da telefonia, da ampliação da rede bancária, da manutenção das linhas aéreas, da permanência do trem e tinha até uns “visionários” que criaram as Faculdades de Medicina e de Filosofia, Ciências e Letras.
Com a instalação do Banco Industrial de Campina Grande, o comércio ganha um novo fôlego, já que a principal praça de abastecimento de Cajazeiras era a cidade de Campina Grande, matriz deste banco, para cuja filial vieram não só bons gerentes, mas verdadeiros líderes, dentre eles Wilson Rodrigues, que por sua expressão econômica se engajou na luta por muitas conquistas de nossa cidade.
No meio empresarial começou a despontar um novo empresário, com visão de futuro, arrojado e corajoso, inteligente e de excelente poder de articulação, além de ser um excelente orador, que aos poucos se consolidou economicamente, com experiências adquiridas no vizinho estado do Ceará, de onde se originou: Raimundo Ferreira.
Foi pioneiro no transporte de passageiros para o sul e centro-oeste do Brasil, cuja empresa, Viação Brasília, se tornou símbolo de prosperidade e um precioso “cartão de visita” de nossa cidade. O seu empreendedorismo foi muito além ao construir um moderno Terminal Rodoviário, que recebeu o nome de seu pai, Antonio Ferreira, em cujo conjunto arquitetônico agregou um hotel, que foi batizado de Esplanada Hotel, em homenagem a JK, de quem era um fã incondicional e amigo pessoal.
Incluído na plêiade de empresários vitoriosos de Cajazeiras, enveredou por outros setores e ao lado de Dom Zacarias, construíram as duas “Vilas” mais famosas da cidade: A Vila Centenária e a Vila do Bispo, fazendo com que a cidade crescesse para o sudeste. Vale ressaltar que Raimundo tinha um grande amigo no clero da Diocese, Monsenhor Abdon Pereira, e os dois comungavam dos mesmos ideais “políticos”, já que Monsenhor tinha uma forte tendência partidária na cidade.
Raimundo participou ativamente da criação da Câmara Júnior, cujo objetivo principal era o de preparar jovens para criar mudanças positivas, preparar novas lideranças e este é um capítulo da História de Cajazeiras que precisa ser resgatada.
E Banda de Música de Raimundo? Esta era o orgulho e a alegria de muitos cajazeirenses, formada só por mulheres, sob a batuta do inesquecível Maestro Cabrinha. Batizou-a de Banda Padre Cícero. E os prefeitos e os padres da região faziam questão de tê-la nas suas festas de emancipação política e das padroeiras. As meninas foram se apresentar até no Palácio do governo e na televisão.
E a Escolinha Brasília? Esta era o xodó dele. Mais de cem crianças estudaram nela, com professores pagos pela Viação Brasília, dentre elas a mestra Mercês Holanda. Ele também se envolveu fortemente com a Escola Profissional Lica Dantas, de quem foi um exemplar colaborador. Assim era Raimundo.
Raimundo sempre foi solidário com as pessoas mais humildes e tinha um generoso coração, a exemplo do que fazia todos os anos no período natalino: saia a distribuir senhas pela periferia com os pobres para que pudessem ter uma ceia de natal, que eram recebidas na Rodoviária, numa festiva manhã. Quantas passagens ele ofertou para que muitos cajazeirenses buscassem uma oportunidade de vida melhor em São Paulo ou Brasília? Ou mesmo vendia-as para quando o cidadão começasse a trabalhar a pagasse em módicas prestações? Enquanto seus negócios cresciam, os empregos se multiplicavam na cidade.
Assim era Raimundo. Um cidadão simples e muito festeiro, ao ponto de se tornar presidente do Clube 1º de Maio, entidade social aberta aos não “ricos” de Cajazeiras, em contraponto ao Cajazeiras Tênis Clube que era frequentado pela elite. E como dirigente proporcionou grandiosos eventos, ao trazer cantores de renome nacional para abrilhantar as festas, como Ângela Maria, Alcides Gerardo, Núbia Lafaiete, Zé Trindade, dentre outros. Era um grande carnavalesco e sempre esteve cercado de belas mulheres, todas de olho no “solteirão”.
Diante de tanto sucesso empresarial, as oposições ficaram de olho e o escolheu em duas oportunidades para ser candidato a prefeito de Cajazeiras. Foram memoráveis campanhas. Na primeira, a certeza da vitória saltava aos olhos de todos. Com uma conduta irrebatível, o único “defeito” que os seus adversários encontraram nele foi o de não ser filho natural de Cajazeiras, então o alcunharam de “Forasteiro”. Um “forasteiro” que morria de amores pela terra que o recebeu de braços abertos. Ele costumava dizer: Cajazeiras me ama e me quer bem, mas na hora de votar se esquece de mim”.
Deixa um legado de muito trabalho na terra de Padre Rolim, que Cajazeiras tem o dever e a obrigação de reconhecer e agradecer.
Raimundo faleceu em Juazeiro do Norte aos 88 anos de vida onde foi sepultado neste último dia 17.