PL dará apoio jurídico, mas não entrará em guerra por Bolsonaro
Valdemar Costa Neto defenderá Jair Bolsonaro, mas seguindo às regras da Justiça
redacao@odia.com.br (AFP)
Bolsonaro pode ficar inelegível
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o partido não vai levar “um tiro” pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (RJ). A ordem dada pelo cacique político é de apoiar publicamente o capitão da reserva, dar todo o apoio jurídico para que ele possa recorrer da decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas não entrar em nenhuma guerra contra o judiciário.
Valdemar relembrou aos seus aliados que a sigla entrou na onda bolsonarista ao fim das eleições de 2022 e ganhou uma multa de R$ 22 milhões. Ele ainda destacou que muitos parlamentares ficaram na mira da justiça por conta dos questionamentos feitos em relação ao processo eleitoral do país.
O presidente do PL pediu que as principais lideranças da agremiação demonstrem indignação pela provável inelegibilidade de Bolsonaro, mas que evitem ataques ao poder judiciário.
A ideia é criar a narrativa que o ex-presidente foi injustiçado, no entanto, o PL respeitará a decisão judicial e buscará uma revisão do processo por vias legais.
Valdemar não quer que representantes do partido entrem na onda dos bolsonaristas. Na sua opinião, haverá tentativa de uma nova radicalização. “O presidente não quer entrar numa nova guerra”, falou um interlocutor.
Bolsonaro inelegível?
O ex-presidente da República corre o risco de ficar inelegível pelos próximos oito anos. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) julga nesta terça uma ação do PDT sobre a reunião do capitão da reserva com embaixadores em julho do ano passado, no Palácio do Alvorada. Na ocasião, Bolsonaro disseminou informações falsas sobre o sistema eleitoral e integrantes da Corte Eleitoral e do STF (Supremo Tribunal Federal).
Neste momento, três ministros votaram a favor da condenação do antigo mandatário do país, enquanto apenas um votou contra.
Por ig
Rússia prende general acusado de colaborar com o Grupo Wagner, diz jornal
Sergei Surovikin. Foto: Getty Images
Por Fábio Mendes
As autoridades da Rússia promoveram, ontem (28), a prisão do general Sergei Surovikin, sob a acusação de ter colaborado com o motim protagonizado no último sábado pelo Grupo Wagner. As informações são do jornal russo The Moscow Times. A publicação cita duas fontes do ministério da Defesa.
Segundo a publicação, a detenção decorreu “no contexto da situação com Yevgeny Prigozhin“, com uma das fontes alegando que o general, que já chegou a chefiar a “operação militar especial”, teria “escolhido o lado” do grupo Wagner durante a rebelião.
O Ministério da Defesa russo ainda não comentou o caso.
A informação da detenção de Surovikin começou a circular ontem (28) em várias páginas de Telegram com ligações à Rússia. De acordo com os bloggers militares russos, o general foi detido no domingo.
Mais cedo, ontem (28), o jornal The New York Times informou que um general russo sênior sabia dos planos do líder do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, de desencadear um motim contra os líderes militares da Rússia. As informações foram obtidas pela publicação a partir de declarações de autoridades de inteligência dos Estados Unidos.
A notícia colocou em xeque, mais uma vez, a unidade das forças militares russas em relação à operação na Ucrânia e também as opiniões do alto oficialato em relação à influência que o Grupo Wagner desempenhava em relação ao governo Putin. E as declarações reforçaram as suspeitas sobre Surovikin.
Também ontem (28), o Wall Street Journal informou que Prigozhin planejava prender dois dos principais oficiais militares da Rússia quando lançou o motim. A trama de Prigozhin envolvia a captura do ministro da Defesa, Sergei Shoigu, e do general do Exército, Valery Gerasimov, quando a dupla visitou uma região ao longo da fronteira com a Ucrânia, escreveu o WSJ.
O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) soube da conspiração dois dias antes da data prevista, forçando Prigozhin a mudar seus planos no último minuto e lançar uma marcha em direção a Moscou, de acordo com o relatório.
Os mercenários do Grupo Wagner assumiram o controle de uma importante base militar na cidade de Rostov-on-Don, e suas tropas estavam se aproximando da capital russa quando Prigozhin cancelou seu motim.
Ex-ministro chama Bolsonaro de ‘cafetão’ por pedir doações em Pix
A campanha lançada por aliados de Jair Bolsonaro que pede doações via Pix para cobrir as multas determinadas pela Justiça ao ex-presidente motivou críticas duras por parte de Abraham Weintraub, que foi ministro da Educação no governo passado.
“Vamos lá, tchutchucas do centrão! O cafetão precisa do seu Pix! Liberem todo esse patriotismo de vocês…”, escreveu ele no Twitter, na noite de ontem. A postagem tem como ilustração a foto de mulheres em local que seria um ponto de prostituição.
Na postagem logo abaixo, ele faz uma enquete, na qual pergunta “O que é pior?” e dá duas alternativas para resposta: “ladrão” ou “cafetão”.
Em outro tuíte, Weintraub pergunta: “Venderá alguma das várias mansões da família Bolsonaro? Ou as jóias, as barras de ouro rose, um relógio? Trará os dólares dos Estados Unidos? Pegará mais dinheiro com o Valdemar? Não! Ele quer PIX!”.
Aliados de Jair Bolsonaro (PL) iniciaram uma campanha nesta sexta-feira (23) para pedir doações por Pix ao ex-presidente. Eles alegam que Bolsonaro é vítima de “assédio judicial” e que precisa de ajuda para pagar “diversas multas em processos absurdos”.
Após deixar a Presidência, Bolsonaro passou a acumular rendimentos mensais que ultrapassam R$ 86 mil. O valor inclui salários de presidente de honra do PL e aposentadorias de militar e deputado.
Mulher é morta com vários tiros e companheiro é o suspeito
Mais um feminicídio foi registrado na Paraíba e dessa vez, o crime ocorreu na cidade de Baraúna, que fica localizada no Seridó da Paraíba.
Eliana Ferreira, de 21 anos de idade, foi assassinada com tiros na cabeça nesta quarta-feira (28) quando estava em frente a casa onde morava.
A jovem chegou a ser socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e levada em estado grave para o Hospital Regional de Picuí, mas já chegou sem vida na unidade de saúde.
O suspeito de cometer o crime é o marido da vítima, que fugiu logo após matar a companheira.
Mulher é raptada, violentada e tem carro roubado, na PB
Uma mulher foi raptada, estuprada e teve o carro roubado na noite desta quarta-feira (28), em João Pessoa. O crime teve início no bairro do Cuiá, na zona sul da cidade. A vítima estava a caminho da casa do namorado quando teve o veículo que dirigia, modelo Mobi, interceptado por criminosos armados.
De acordo com a Polícia Militar (PM), após receber informações do caso, diligências foram realizadas em buscas dos suspeitos. O carro roubado foi identificado nas imediações do Bairro das Indústrias – ainda na Zona Sul, mas o condutor não obedeceu a ordem de parada. Neste ponto, a vítima já não estava mais no veículo, já que foi deixada nas imediações da sede da Cagepa, em Marés – também na região. A partir daí, foi dado início a uma perseguição.
Segundo a tenente Hellen, da PM, os suspeitos abandonaram uma arma nas imediações das Três Lagoas, e instantes após capotaram o veículo da vítima – que caiu dentro da área alagada. Um adolescente foi apreendido. “Ele chegou a nos informar que eram quatro pessoas no primeiro momento do crime. Ao roubar o carro da mulher, eles chegaram a praticar dois assaltos com o veículo tento a vítima dentro dele”, disse.
Ainda de acordo com o relato, a mulher foi levada para um lugar a esmo, sem identificação, onde foi estuprada por dois criminosos. “Conversamos com a vítima. O rapaz que foi detido confessou o estupro, mas negou que teria participado da situação. Após isso, eles liberaram a vítima e em sequência se depararam nossas guarnições”.
A vítima
“Nós recebemos as informações e fomos em busca dela. Acolhemos. Ela estava muito nervosa. Quando relatou o estupro chorou muito. Estamos oferecendo todo apoio”, completou.
Com T5
Quem é Raul Araújo, ministro que votou contra condenação de Bolsonaro
O ministro já era aposta de Jair Bolsonaro (PL) para a absolvição do processo de inelegibilidade
Por
iG Último Segundo
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Alejandro Zambrana/Secom/TSE
Ministro do TSE Raul Araújo.
O ministro Raul Araújo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), votou nesta quinta-feira (29) contra a inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL) e rejeitou a minuta apresentada pelo PDT que o acusa de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.
Araújo é nascido em Fortaleza, formado em direito e economia pela Universidade Federal do Ceará, e é mestre em Direito Público.
Hoje, é professor licenciado da Universidade de Fortaleza e ministro do TSE. Anteriormente, foi procurador-geral do Ceará, desembargador do Tribunal da Justiça e corregedor-geral da Justiça
Apesar de ter votado pela absolvição da inelegibilidade de Bolsonaro, o ministro foi indicado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro se tornou membro efetivo do TSE somente em 2022, mas entrou para a Corte em 2020, ocupando a vaga de Mauro Campbell.
POSICIONAMENTOS
Raul Araújo é ideologicamente alinhado com a direita e com o conservadorismo. Além de já ter sido homenageado e recebido uma medalha de Jair Bolsonaro, votou contra liminar que pedia a retirada de outdoors do ex-presidente.
É também conhecido por ter proibido manifestações políticas no festival Lollapalooza, em São Paulo, no ano passado. Naquele momento de polarização política, parte da classe artística declarava apoio a Lula, na época candidato à presidência e principal rival de Bolsonaro.
Por Ig
TSE: Relator vota pela inelegibilidade de Bolsonaro por oito anos
Benedito Gonçalves foi o primeiro a votar na Aije que pode tornar Bolsonaro inelegível. Foto: Divulgação/TSE
Deu o esperado. O corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Benedito Gonçalves, votou para tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível por oito anos. O posicionamento do magistrado foi apresentado nesta terça-feira (27), segundo dia do julgamento, que foi iniciado na semana passada justamente com a leitura do relatório dele em relação à Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) movida pelo PDT. Bolsonaro é acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante reunião com embaixadores, em julho de 2022, ano em que disputou e perdeu a reeleição.
Se o voto do relator for seguido pela maioria dos magistrados, Jair Bolsonaro ficará inelegível até 2030. Um ponto que contou para complicar a vida do ex-presidente foi a conexão da denúncia contida na Aije, em relação à reunião do ex-gestor com os embaixadores, com desdobramentos que visariam a ruptura democrática. O magistrado disse que não é possível fechar os olhos para discursos antidemocráticos com mentiras e discursos violentos. Ele criticou ainda banalização do golpismo e destacou a epopeia de ataques do ex-presidente com uso da imagem das Forças Armadas.
Benedito disse que Bolsonaro “violou ostensivamente” os deveres de presidente da República previstos na Constituição em reunião com embaixadores no ano passado, em especial a de “zelar pelo exercício livre dos Poderes instituídos e dos direitos políticos e pela segurança interna”. Segundo ele, o ex-presidente “assumiu injustificada antagonização direta com o TSE, buscando vitimizar-se e desacreditar a competência do corpo técnico e a lisura dos seus ministros para levar a atuação do TSE ao absoluto descrédito internacional”.
O ministro lembrou ainda a minuta golpista, encontrada em poder do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, preso pela Polícia Federal após os ataques de bolsonaristas aos prédios dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro. “Em razão da grande relevância e da performance discursiva para o discurso eleitoral e para a vida política, não é possível fechar os olhos para os efeitos antidemocráticos de discursos violentos e de mentiras que coloquem em xeque a credibilidade da Justiça Eleitoral”, disse.
“A divulgação de notícias falsas é, em tese, capaz de vulnerar bens jurídicos eleitorais de caráter difuso, desde que sejam efetivamente graves, e assim se amoldem ao conceito de abuso”, completou Benedito. Ele também votou pela não extensão da inelegibilidade ao general reformado Walter Braga Netto, que foi candidato a vice na chapa encabeçada por Bolsonaro.
Após o voto de Benedito Gonçalves, o presidente da Corte, Alexandre de Moraes, perguntou ao ministro Raul Araújo, o próximo na lista de votação, se ele gostaria de apresentar o voto dele nesta terça-feira ou se, pelo adiantado da hora, queria adiar para quinta-feira (29). O magistrado decidiu pela segunda opção e o julgamento foi suspenso. Na sequência, após Araújo, votam Floriano de Azevedo Marques, André Ramos Tavares, Cármen Lúcia (vice-presidente do TSE), Nunes Marques e, por último, Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal.
De 2010 a 2022, população brasileira cresce 6,5% e chega a 203,1 milhões
A população do país chegou a 203,1 milhões em 2022, com aumento de 6,5% frente ao censo demográfico anterior, realizado em 2010
Em 2022, os habitantes do estado de São Paulo representavam cerca de um quinto da população brasileira
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em 1º de agosto de 2022, o Brasil tinha 203.062.512 habitantes. Desde 2010, quando foi realizado o Censo Demográfico anterior, a população do país cresceu 6,5%, ou 12.306.713 pessoas a mais. Isso resulta em uma taxa de crescimento anual de 0,52%, a menor já observada desde o início da série histórica iniciada em 1872, ano da primeira operação censitária do país. Os dados são dos primeiros resultados do Censo Demográfico de 2022, divulgados hoje (28) pelo IBGE.
Nos 150 anos que separam a primeira operação censitária da última, o Brasil aumentou a sua população em mais de 20 vezes: ao todo, um acréscimo de 193,1 milhões de habitantes. O maior crescimento, em números absolutos, foi registrado entre as décadas de 70 e 80, quando houve uma adição de 27,8 milhões de pessoas. Mas a série histórica do Censo mostra que a média anual de crescimento vem diminuindo desde a década de 60. “Em 2022, a taxa de crescimento anual foi reduzida para menos da metade do que era em 2010 (1,17%)”, afirma o coordenador técnico do Censo, Luciano Duarte.
O Sudeste continua sendo a região mais populosa do país, atingindo, em 2022, 84,8 milhões de habitantes. Esse contingente representava 41,8% da população brasileira. Já o Nordeste, onde viviam 54,6 milhões de pessoas, respondia por 26,9% dos habitantes do país. As duas regiões foram as que tiveram a menor taxa de crescimento anual desde o Censo 2010: enquanto a população do Nordeste registrou uma taxa crescimento anual de 0,24%, a do Sudeste foi de 0,45%.
Por outro lado, o Norte era a segunda região menos populosa, com 17,3 milhões de habitantes, representando 8,5% dos residentes do país. Essa participação da região vem crescendo sucessivamente nas últimas décadas. A taxa crescimento anual foi de 0,75%, a segunda maior entre as regiões, mas bem inferior àquela apresentada no período intercensitário anterior (2000/2010), quando esse percentual era de 2,09%. Isso significa que, embora a população continue aumentando, o ritmo de crescimento do número de habitantes do Norte é menor em relação à década anterior.
A taxa de crescimento anual do Norte, frente aos dados de 2010, só foi menor do que a do Centro-Oeste (1,23%), região que chegou a 16,3 milhões de habitantes, o menor contingente entre as regiões. Isso significa um aumento de 15,8% em 12 anos. O Sul, que concentrava 14,7% dos habitantes do país, aumentou seu contingente populacional em 9,3% no mesmo período, alcançando 29,9 milhões de pessoas
São Paulo segue sendo o estado mais populoso do país
Os primeiros resultados do Censo 2022 também apontaram que São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro seguem sendo os estados mais populosos do país. Juntos, os três concentravam 39,9% da população brasileira. São Paulo, o maior deles em termos de população, tinha 44,4 milhões de habitantes. Cerca de um quinto da população brasileira (21,8%) vivia no estado.
Roraima também continua sendo o estado menos populoso, com 636,3 mil habitantes, ainda que tenha apresentado a maior taxa de crescimento anual no período de 12 anos (2,92%). Na sequência, os estados com menor número de habitantes foram Amapá (733,5 mil) e Acre (830 mil).
Catorze estados e o Distrito Federal registraram taxas de crescimento anual acima da média nacional (0,52%) em 2022. Além de Roraima, que passou de uma população de 450.479 (2,92%) em 2010 para 636.303 em 2022, destacaram-se no crescimento populacional Santa Catarina (1,66%), Mato Grosso (1,57%), Goiás (1,35%), Amazonas (1,03%) e Acre (1,03%).
Entre os estados que menos cresceram (com variação de 0,1% ou menos) está o Rio de Janeiro (0,03%), o terceiro mais populoso do país. A população fluminense passou de 15,9 milhões, em 2010, para 16,1 milhões, em 2022. Os demais foram Alagoas (0,02%), Bahia (0,07%) e Rondônia (0,10%).
Quase metade dos municípios do país tem até 10 mil habitantes
Há 5.570 municípios no país e quase metade (44,8%) desse total tinha até 10 mil habitantes em 2022. Nesses 2.495 municípios viviam 12,7 milhões de pessoas. A maior parte da população do país (57% do total) habitava apenas 319 municípios, o que, de acordo com a publicação, evidencia que as pessoas estão concentradas em centros urbanos acima de 100 mil habitantes.
Os 20 municípios mais populosos do país concentravam 22,1% do total da população e 17 deles são capitais. Os demais foram Guarulhos e Campinas, em São Paulo, e São Gonçalo, no Rio de Janeiro. A capital paulista aparece em primeiro lugar no ranking, com 11,5 milhões de habitantes, seguida do Rio de Janeiro (6,2 milhões) e Brasília (2,8 milhões).
Por outro lado, três municípios tinham menos de mil habitantes: Serra da Saudade, em Minas Gerais, com 833 pessoas, Borá, em São Paulo (907), e Anhanguera, em Goiás (924). Os 20 municípios com menos habitantes concentravam apenas 0,01% da população.
Entre os municípios de mais de 100 mil habitantes com maior aumento percentual no contingente populacional estão Senador Ganedo, em Goiás, que passou de 84,4 mil residentes, em 2010, para 155,6 mil, em 2022 (crescimento de 84,3%), e Fazenda Rio Grande, no Paraná, cuja população era de 81,7 mil e chegou a 148,9 mil (82,3%).
Já os municípios com população acima de 100 mil pessoas que tiveram maior retração percentual da população foram São Gonçalo, no Rio de Janeiro, que chegou a 896,7 mil habitantes (queda de 10,3%), Salvador (-9,6%) e Itabuna (-8,8%), ambos na Bahia. A capital baiana passou de 2,7 milhões de habitantes para 2,4 milhões no período intercensitário.
O diretor de geociências do IBGE, Claudio Stenner, reforça que a redução do número de habitantes nas metrópoles é algo inédito no país. “Muitas vezes o município núcleo da metrópole, daquela concentração urbana, perde população, mas as cidades vizinhas ganham. Isso tem a ver com o espalhamento do tecido urbano para além dos limites municipais. Isso quer dizer que há expansões novas, até pelo esgotamento de área desse município. É uma parte importante da explicação desse fenômeno”, diz.
Em números absolutos, as três cidades acima de 100 mil habitantes que registraram maior aumento populacional são capitais, com destaque para Manaus, no Amazonas, que passou de 1,8 milhão para 2,1 milhões, um aumento de 261,5 mil pessoas em 12 anos. Nesse período, a população de Brasília, capital federal, teve uma adição de 246,9 mil pessoas em sua população, enquanto o crescimento de São Paulo foi de 197,7 mil habitantes.
Entre as reduções, considerando os números absolutos, também aparecem Salvador, com retração de 257,7 mil pessoas e São Gonçalo (-102,9 mil), municípios que se destacaram na redução percentual entre aqueles com mais de 100 mil habitantes. A capital do Rio de Janeiro (-109 mil) foi o segundo município que mais perdeu população desde 2010.
Cerca de 124 milhões vivem em concentrações urbanas
Em 2022, havia 124,1 milhões de pessoas vivendo em concentrações urbanas, que são arranjos populacionais ou municípios isolados com mais de 100 mil habitantes. Os arranjos populacionais são formados por municípios com forte integração, geralmente conurbados. Essa aglutinação de cidades forma unidades espaciais, como é o caso da capital paulista, núcleo de uma concentração urbana que reúne 37 municípios. Outros exemplos de concentrações do país são Belo Horizonte, em Minas Gerais (23), e Rio de Janeiro (21).
“As concentrações urbanas podem ser formadas por um único município ou por um conjunto de municípios fortemente integrados e articulados entre si que funcionam como uma cidade só. É importante analisar essas informações urbanas porque, por exemplo, muitas vezes o crescimento demográfico se dá pelo espalhamento do tecido urbano de um município para um município vizinho. Então para se entender a taxa de crescimento demográfico desses municípios mais conurbados é preciso olhar para a concentração urbana e as relações que existem ali”, explica Stenner.
Comparado aos dados do Censo 2010, o aumento da população que vivia em concentrações urbanas foi de 9,2 milhões de pessoas, o que representa parte expressiva do crescimento do país. No país, são 185 concentrações urbanas e a maior parte delas (80) estava no Sudeste. Em seguida, aparecem Nordeste e Sul, com 37 cada. Na outra ponta estavam 4.218 municípios com menos de 25 mil habitantes. Cerca de 19,7% da população do país viviam neles.
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